Coluna do LFG: População em Porto Alegre não percebe aumento da violência

Spacca

A Pesquisa Nacional, por amostragem domiciliar, sobre atitudes, normas culturais e valores em relação à violação dos direitos humanos e violência — 2010 (clique aqui para acessá-la), que entrevistou pessoas de 11 capitais brasileiras, Belém, Belo Horizonte, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre, Porto Velho, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, apontou que 81,8% dos porto-alegrenses ouvidos sentem que a violência vem crescendo no país.

Um percentual expressivo, mas que, assim como nas demais capitais pesquisadas, demonstra uma diminuição na sensação de crescimento da violência pela população em comparação com o ano de 1999, quando 98% dos habitantes da capital gaúcha afirmaram sentir que a violência crescia no país.

Seria, assim, uma evidência de que a violência na cidade diminuiu? No caso de Porto Alegre, essa resposta é negativa. Entre 1999 e 2010 o número absoluto de homicídios em Porto Alegre cresceu 20%. Isso porque, em 1999, havia 432 assassinados na cidade, montante que, em 2010, aumentou para 518 mortos (Fontes: Datasus – Ministério da Saúde).

Da mesma forma, a taxa por 100 mil habitantes da capital aumentou. Em 1999, a cidade contava com 32,9 homicídios a cada 100 mil habitantes, taxa que, em 2010, saltou par 36,7 mortos para cada 100 mil (população de 2010: 1.409.351 habitantes — de acordo com o IBGE).

Em contrapartida, se considerarmos o crescimento da violência no estado do Rio Grande do Sul como um todo, verificamos que o número absoluto de mortes também cresceu nesse período (já que os 1.523 assassinatos registrados em 1999, se transformaram em 2.064 em 2010), porém a posição do estado dentre os mais violentos evoluiu, caindo de 17ª para 23ª estado mais homicida do país.

Contudo, foi uma evolução que não ocorreu em razão da diminuição da taxa de homicídios do estado, (que na verdade cresceu de 15,3,em 1999, para 19,3 mortos por 100 mil habitantes, em 2010), mas sim em razão de uma taxa maior apresentada pelos demais estados do país, refletindo o aumento expressivo da violência em todo o território nacional (Leia: Alagoas, campeão em mortes. Brasil, 20º no ranking dos países mais violentos do mundo).

Assim sendo, essa melhora da posição do estado gaúcho ante os demais, sua localização na desenvolvida região sul, onde se encontra também o estado de Santa Catarina, considerado o menos homicida do país em 2010, bem como um período de maior prosperidade econômica do país, são fatores que podem ter influenciado a menor sensação de crescimento da violência pelos habitantes da capital sul-rio-grandense (Leia: Santa Catarina é o estado menos violento do país).

**Colaborou Mariana Cury Bunduky, advogada e pesquisadora do Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes.

Luiz Flávio Gomes

é doutor em Direito pela Universidade Complutense de Madri. Mestre em Direito Penal pela USP. Jurista e cientista criminal. Diretor-presidente do Instituto Avante Brasil. Foi promotor de Justiça, juiz de Direito e advogado.

Servidor estadual disse:
13 de setembro de 2012 às 08:25

Pensei que depois das leis despenalizadoras promulgadas, da qual o ilustre articulista é tão nobre defensor, a criminalidade cairia, pois já não se encaminhariam usuários de drogas, vítimas da polícia truculenta aos presídios, tão pouco simples traficantes que comentem crimes sem violência ou grave ameaça, o furtadores, praticantes de crime onde se privilegia o patrimônio em detrimento do ser humano,não mais foram encaminahdos às cadeias verdadeiras escolas de crime. Todas as vítimas passaram a ser imediatamente ressarcidas e indenizadas depois de ressuscitarem a fiança! Não foi??? Ademais, o que são uns homicidiozinhos perto do princípio da inocência, e do direito inalienavel de recorrer em liberdade, até porque como dizem "os juristas" prender porque está ameaçando de morte testemunhas e vítimas sobreviventes é exercício de futurologia, até que ele mate ele tem o direito de permancer em liberdade, e, depois de novo, até que seja condenado pelo STF após julgamento, dos embargos, dos embargos, do RHC

Observador.. disse:
13 de setembro de 2012 às 09:56

Do Ribas do Rio Pardo (Delegado de Polícia Estadual)sintetizam o espírito que deve dominar nossas polícias.
Setores instruídos da sociedade sempre dificultando a vida daqueles que, todos os dias, arriscam a vida para evitar que o caos e a barbárie chegue até nós.
Em suas torres de vidro e salas refrigeradas,estes privilegiados teorizam sobre um dia a dia que conhecem apenas por jornais ou nos "autos".
A realidade , crua e cruel sobre o que de fato acontece em determinadas situações envolvendo crimes, esta só alguns sabem como é embrutecedora, perigosa e desumana.
E depois são obrigados a ver verdadeiros monstros na rua, protegidos por leis e por um sistema que ignora a vítima e procura a "redenção" de quem nunca a quis mas dela se beneficia.

Ferret disse:
13 de setembro de 2012 às 13:01

Qualquer delegado de polícia de POA sabe o motivo. A maioria dos homícidos na cidade são relacionados ao tráfico de drogas. Principalmente crack. Ocorrem na periferia.

JMAF disse:
13 de setembro de 2012 às 14:50

Infelizmente professores de grande renome como o Dr. LFG influenciam grandemente nosso país.
Até não discordo do posicionamento dele - se o Brasil fosse uma Suécia ou um país de alienígenas muito civilizados.
Me pergunto se o ilustre doutrinador conseguiria dormir tranquilamente à noite, se soubesse quantas inocentes já foram mortos pela politica criminal pró bandidos e contrária à sociedade.

Leitor - ASO disse:
13 de setembro de 2012 às 15:08

Recentemente fiquem surpreso com a notícia de que um Juiz Britânico estava tendo uma decisão questionada por uma Associação de Defesa de Vítimas.
Será que por aqui, em terra tupiniquins, não estamos também precisando de uma ação organizada da sociedade civil, em defesa das vítimas?
Acho a idéia de associações voltadas à defesa da vítima uma media que não vem sendo explorada.
Uma associação com esse fim poderia cobrar mais unidades prisionais, mais rapidez nos julgamentos e solução para os gargalos, mais policiais nas ruas, um melhor treinamento para policiais, uma atuação mais coerente ao Congresso Nacional na esfera criminal, discutir a legislação despenalizadora etc.
Enquanto a sociedade-vítima cochila, temos associações para a liberação das drogas, para a defesa dos criminosos, flexibilização da legislação repressiva e etc.

Bernardo1 disse:
14 de setembro de 2012 às 15:00

O problema no brasil que as leis são discutidas sem sequer ouvir o transgressos. não procuram entender o "motivo" pelo qual o sujeito cometeu o crime, e por qual razão cometeu o crime.
Ao ouvir o sujeito dizendo ao ser preso: "Amanha esotu na rua." Não será um indício?
Ou acham que os marginais desconhecem as leis?
Volta para o principio.
Não adianta ficar aumento pena, diminuindo pena.
O que importa é que a pena seja cumprida.
Sujeito bebeu e dirigiu. Passa 24 horas na numa cela limpinha. E pronto, cumpriu a pena. Tudo feito de forma rápida.
Quanto mais rápida a aplciação da pena ao crime maior a sensação de punição.
Crimes menores deveriam receber punição exemplar e rápida. Assim o sujeito nem pensaria em fazer qualquer coisa pior.
Mas como os nobres criadores e opinadores das leis, pouco conhecem da vida prática, muitos acredito que nunca pisaram em uma delagacia ou conversaram com um marginal, ai fica difciil de entender a realidade do pais olhando numeros.

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