Coluna do LFG: Para cada cinco seguranças particulares há um policial

Spacca

** De acordo com a Pesquisa Nacional, por amostragem domiciliar, sobre atitudes, normas culturais e valores em relação à violação dos direitos humanos e violência 2010, realizada pelo Núcleo de Estudos da Violência (USP), entre 1999 e 2010 houve uma melhora na avaliação das instituições de segurança pública pela população brasileira.

Dessa forma, 5,8% dos entrevistados avaliaram a Polícia Militar como uma instituição muito boa, 32,9% como boa e 43,1% como uma instituição regular (em 1999, esses índices eram de 1,8%, 19,4% e 47,1%, respectivamente). Em relação à Polícia Civil, 6,3% classificaram-na como muito boa, 37,7% como boa e 39,5% como regular (índices que, em 1999, eram de 1,8%, 21,8% e 46,8%, respectivamente).

Já a Guarda Municipal foi avaliada como muito boa para 3,9% dos entrevistados, como boa para 36,1% e como regular para 49,1% deles (em 1999, esses percentuais eram de 2,5%, 28,5% e 45,2%, respectivamente). A Polícia Federal,por sua vez, foi qualificada como muito boa por 15,8% dos ouvidos, boa para 44,8% deles e regular para 31,2% (índices que eram de 6%, 36,2% e 40%, respectivamente, em 1999).

Contudo, essa melhor avaliação das instituições não representa transformações estruturais na segurança pública do país, pois, como se pode ver, para a maioria da população tais instituições continuam sendo qualificadas como regulares, demonstrando uma (certa) insatisfação da sociedade com os serviços prestados pelas polícias ainda nos dias de hoje.

Prova disso está no Relatório sobre Segurança Cidadã nas Américas em 2012, lançado pela Organização dos Estados Americanos (OEA), que demonstrou a existência de 1.675.415 seguranças privados ante um corpo de 330.940 policiais na Administração Pública. Ou seja, para cada 5 seguranças particulares há um policial (civil, militar ou federal) no Brasil.

Assim, a sensação de insegurança e impunidade, aliada a um efetivo insuficiente de policiais e à falta de credibilidade das instituições (em razão de corrupção, burocracia e ineficiência), geradas pela carência de investimentos públicos nesta seara, suscita aos brasileiros o ônus de arcar com sua própria proteção e tomar para si um serviço que deveria ser do Estado, apesar de pagarem altos impostos. E a questão mais preocupante é a seguinte: apesar de todo esse exército de agentes privados de segurança, o certo é que a criminalidade no Brasil não diminuiu. Em 1980 tínhamos 11,7 mortes para cada 100 mil habitantes, contra 27,3 em 2010.

**Colaborou Mariana Cury Bunduky, advogada e pesquisadora do Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes.

Luiz Flávio Gomes

é doutor em Direito pela Universidade Complutense de Madri. Mestre em Direito Penal pela USP. Jurista e cientista criminal. Diretor-presidente do Instituto Avante Brasil. Foi promotor de Justiça, juiz de Direito e advogado.

Observador.. disse:
27 de setembro de 2012 às 09:55

A população, não investem na polícia, procuram abrandar crimes de grave poder ofensivo, temos aqueles institutos de progressão penal, menores inimputáveis e uma teoria que não se rende - de forma alguma - à realidade sangrenta.Todos os dias os crimes ficam mais selvagens no Brasil.Não sei que sociedade queremos mas vamos colhendo o que temos plantado há anos.
Se não mudarmos isto, teremos a paz de cemitério.Cadeias vazias, como muitos defendem, e cemitérios cada vez mais cheios.
Os que podem, blindam seus carros, saem pouco de casa, viajam para o exterior em busca de lazer seguro e contratam seguranças.
O resto da sociedade fica entregue aos teóricos e aos bandidos.Contando, no dia-a-dia, com a sorte e com sua fé ( para os que a tem ).

Marcos Alves Pintar disse:
27 de setembro de 2012 às 12:04

Resta dizer que as polícias brasileiras estão montadas na verdade para defender o patrimônio do Estado e das grandes empresas. A população, que deveria ser a maior beneficiada, tem que se virar como pode.

Observador.. disse:
27 de setembro de 2012 às 20:27

Obrigado pelas dicas de leitura. Me permita lembrar que a origem dos policiais está no extrato simples da nossa sociedade. E que, enquanto o senhor e eu vamos para nossos escritórios trabalhar, grande número de policiais vão para as ruas lidar com toda sorte de escória e inumanidades. Servindo um sistema que ampara mais o criminoso do que as vítimas.
E cito o caso da Suíça e as armas. Para refletir.
Na Suíça, há menos de um homicídio por cada 100.000 cidadãos por ano, e em 99 por cento dos casos, não há envolvimento de uma arma de fogo.
Há apenas 26 tentativas de roubo por ano para cada 100.000 cidadãos.
A maioria desses roubos é cometida por estrangeiros e não envolve armas de fogo.
Os crimes violentos praticamente não existem, mas todo lar tem uma arma de fogo.
Aqui desarmamos a sociedade para os bandidos trabalharem em um ambiente menos insalubre.
E se espantam com os altos índices de violência em um país onde a impunidade grassa.

Richard Smith disse:
28 de setembro de 2012 às 10:48

"Aos teóricos"!
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Concordo absolutamente com as palavras do meu caro e sempre arguto, objetivo e, diferentemente de mim, cordato "Observador", que, como já mencionei, faz cada dia mais jus ao apelido escolhido!
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Com efeito, a polícia é uma imagem da população, principalmente nos seus defeitos. O resto é ilusão ou pura idiotice mesmo.
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Meu cada vez mais saudoso pai foi Policial (com maiúscula!) competentíssimo e vocacionado e contava que a Polícia Civil de São Paulo já foi considerada a SEGUNDA MELHOR do mundo, atrás apenas da Scotland Yard. O curso na Academia de Polícia - que ficava na Liberdade, aonde hoje é o 1º.Distrito - durava quase DOIS ANOS e havia professores, suíços, franceses e alemães. Aprendia-se absolutamente de tudo acerca do crime e do criminoso e o diploma, de CRIMINALISTICA era outorgado pelo Reitor da USP!
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Mas isto foi em outros tempos! Mesmo com o suporte que o governo do Estado garante para a polícia, os resultado são sofriveis. Caso graves ou de grande repercussão são resolvidos até com facilidade, mas esta eficácia não se desce até os locais mais importantes: os Distritos Policiais. A criminalidade, mormente aquela ligada às drogas é enorme e exponencialmente crescente então a polícia ostensiva pouco mais faz do que ficar "enxugando gêlo", embora tenha desempenho milhas além das demais milícias estaduais!
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Hoje veem-se garotões "marombados" com camisetas pretas e óculos escuros na viaturas do GARRA e do GOE da vida, que passaram por um curso de pouco mais TRÊS MESES e deram 12 tiros na Academia.
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Então o quadro de insegurança pública é um concurso de fatores, inclusive a flexibilidade penal (vulgo: NÃO-PUNIÇÃO)!
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Alguém duvida?!
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Richard Smith disse:
28 de setembro de 2012 às 11:07

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Quanto ao escritor LUIS MIR - de quem sempre recomendo a obra seminal "A Revolução Impossível", criteriosa resenha de fatos históricos da Esquerda, desde a década de 50 - ele é, assumidamente, comunista e pauta a sua visão pelos antolhos concernentes à posição ideológica.
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Quem não se lembra (ou, QUEM SE LEMBRA?) da obra de Hélio Oiticica louvando a bandidagem, como "revolucionária"?!
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De fato, para muitos "intelequituais" de esquerda, o bandido não é alguém de indole perversa, que, em dado momento OPTOU, volitivamente, por ingressar no caminho do crime e da afronta à Sociedade.
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Não, imagine! São meros "vítimos" desta sociedade Capitalista-Imperialista-Neoliberal "que aí está" e, num contexto chulé de "luta de classes", fustigadores da burguesia, como se as maiores vítimas não estivessem em estratos mais baixo da população, obrigados a conviver com a criminalidade diuturna e crescente.
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Para esta malta "intelequitual": PERNACCHIA, como dizia o eminente Carlo Bronco Dinosauro (quem lembra?)!

Richard Smith disse:
28 de setembro de 2012 às 22:02

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Como o emprego de um só termo já pode qualificar, de pronto, uma pessoa, não?! Não há engano possível!...
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Richard Smith disse:
28 de setembro de 2012 às 22:10

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Ademais, a história dos "últimos 500 anos", reinaugurado pelo iletrado sem-dedo que disse certa vez que "se livro fosse doença" elle "não morreria", já começa a me dar no saco!
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O que os tempos da colonização, das imensas vicissitudes de europeus largados aqui no nosso solo natal, das capitanias hereditárias, da expansão bandeirantista, da intensa miscigenação (mais de UM TERÇO da população brasileira tem genoma materno de origem indigena! E mais de 60% dos auto-intitulados "NEGROS", tem gens europeus!) tem a ver com o peixe, senão o acumular de defeitos e qualidades da formação do Povo Brasileiro? (sim pode-se falar, autenticamente de um POVO BRASILEIRO absolutamente diverso dos demais em várias características, boas e más!).
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"Opressores" imperialistas, capitalistas, neo-liberais vindos nas caravelas...aí já é demais, mesmo para o meu estômago de avestruz!
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Richard Smith disse:
29 de setembro de 2012 às 20:04

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Ô trouxa:
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Não precisa lotar este espaço democrático (e o nosso saco!) com a repetição "ad nauseam" de seu iluminadissimo comentário!
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Já entendemos quem você é, e o que quis dizer. Então, a partir da terceira postagem do mesmo, já é pentelhice infantilóide, chapa!

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