Amélia Soares da Rocha

é defensora pública no estado do Ceará.

Tema 1.116/STJ: cavalo de Troia hermenêutico na validade dos contratos bancários

Magnific O Tema 1.116 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) aparenta discutir questão estreita: a validade da contratação de empréstimo consignado por pessoa analfabeta mediante instrumento particular assinado a rogo e subscrito por duas testemunhas, mas pode abrir perigoso caminho para validar contratos bancários de consumo pela mera aparência documental, ignorando todo o microssistema do […]

Mínimo existencial fixo esvazia a Lei do Superendividamento

O superendividamento não ingressou no Direito brasileiro de forma repentina com a Lei 14.181/2021. A lei representou o coroamento — etapa importantíssima, legítima e democrática — de um processo iniciado muito antes. Ela consolidou um percurso anterior, construído por pesquisa empírica, formulação doutrinária, repercussões jurisprudenciais, observatórios, experiências institucionais e amadurecimento legislativo. A professora Cláudia Lima […]

Tutela de urgência nas ações de superendividamento antes da audiência de conciliação

O problema do superendividamento começou a ser enfrentado no Brasil a partir do início deste século. Inclusive, em 2004, por uma parceria entre a Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e o Núcleo Cível da Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul, foi realizada pioneira pesquisa sobre o […]

Superior Tribunal de Justiça, clareza semântica e contratos de consumo

O reconhecimento da vulnerabilidade da pessoa consumidora (e da consequente desigualdade do contrato de consumo) é princípio do Direito do Consumidor (artigo 4º, I do Código Brasileiro de Proteção e Defesa do Consumidor) e premissa fundamental para a compreensão e eficácia da ordem constitucional constante dos artigos 5º, XXXII e 170, V da Constituição, de […]

Revisional sancionatória e outras ferramentas no tratamento do superendividamento

A atualização do Código de Defesa do Consumidor feita pela Lei 14.181/2021, ao criar um sistema robusto de prevenção e tratamento do superendividamento, enfrentou o tema em sua inteireza, provocando reforma estrutural no CDC, ao inserir a questão do crédito, da dívida, não apenas na parte processual, mas sobretudo na Política Nacional das Relações de […]

Prévia compreensão do consumidor é pressuposto de validade de cláusula contratual

Pesquisa realizada em 2020 [1], aponta que das 780.179 reclamações recebidas pelo Consumidor.gov.br [2] em 2019, apenas 21.68% eram alheias à assimetria informacional e que 78.32% poderiam ser evitadas com maior equidade informacional. A mesma pesquisa, valendo-se de jurimetria, demonstra que 77,99% dos julgados do Superior Tribunal de Justiça, que tem a palavra “consumidor” na […]

STJ não proibiu readequação do limite de empréstimo com débito em conta

No julgamento, em abril de 2022, do Tema 1.085  (REsp 1.863.973, 1.877.113 e 1.872.441), o STJ (Superior Tribunal de Justiça) estabeleceu, pelo rito do IRDR (Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas), que “são lícitos os descontos de parcelas de empréstimos bancários comuns em conta corrente, ainda que utilizada para recebimento de salários, desde que previamente […]

Rocha e Evaristo: O STF, a ADPF 279 e o acesso à Justiça

A assistência jurídica integral e gratuita deve ser prestada por uma instituição permanente, autônoma, estruturada em simetria ao Ministério Público e à magistratura, que é a Defensoria Pública. Mas, por ser a mais nova instituição do sistema de Justiça brasileiro, ela ainda não está presente em todas as comarcas, não obstante milhares de pessoas com […]

Para reduzir judicialização, foco é mudança da postura do fornecedor

Quando um problema causa incômodo, busca-se uma saída mágica para solucioná-lo. Ou melhor, para silenciá-lo. Sob a alegação de elevado número de processos judiciais envolvendo relações de consumo, a fácil saída é impedir que essas reclamações cheguem ao Judiciário, numa lógica equivocada pela qual os "culpados" são os que ousam criticar (e processar) os maus prestadores […]

Idosos são vítimas da oferta enganosa de crédito fácil

A vulnerabilidade do consumidor, sem qualquer duvida, é o principal principio do direito do consumidor brasileiro. Tal vulnerabilidade encontra-se ainda mais evidente quando se trata de consumidor idoso, cabendo ao fornecedor — e principalmente o de crédito, absoluta obediência aos direitos básicos do consumidor (CDC – Código de Defesa do Consumidor, artigo 6), entre os […]