Caro leitor ou leitora, hoje é o último dia de 2024, ou o primeiro de 2025, para quem está acessando a ConJur no novo ano. Desejo a você um excepcional ano, com muitas realizações e saúde, e que seja o melhor ano de sua vida até aqui.
Neste período são usuais as retrospectivas e as previsões. Tal como os economistas, que são os videntes do mercado, farei algumas previsões, buscando no horizonte alguma pista sobre o que nos espera nesse novo ciclo. Como não sou economista, escrevo apenas na condição de vidente, os quais possuem sempre o benefício da dúvida.
As previsões são fáceis, e ocorrerão quase como uma ciranda, pois uma impactará diretamente na outra, criando um círculo vicioso.
Primeira: os juros vão aumentar, em busca de conter uma inflação que está controlada, mesmo tendo ultrapassado em míseros 0,21% (vinte e um décimos por cento) o teto da meta estabelecida para o ano de 2024, que era de 4,50% e foi 4,71%
A segunda previsão é que a dívida pública também crescerá, em razão do direto impacto do aumento da taxa de juros, tendo atingido em outubro 78,6% do PIB.
A terceira é que o mercado financeiro continuará ouriçado, em razão do aumento da dívida pública, que decorrerá do aumento da taxa de juros. Isso manterá o dólar supervalorizado, o que é negativo para toda a economia.
Quarta: o desemprego se manterá estável, no nível mais baixo em muitos anos, tendo encerrado 2024 no percentual de 6,1%, o que implica em computarmos 104 milhões de pessoas ocupadas no Brasil. Isso acarretará maior consumo, gerando ampliação da expectativa de inflação.
Quinta: para conter a inflação, o Banco Central aumentará os juros. E daí a ciranda financeira se realimenta, acarretando a repetição da segunda previsão e daí por diante.

Como modificar isso? Não sei. Se soubesse, estaria no lugar do meu xará Haddad (o que não desejo), mas tenho alguns palpites a dar.
O primeiro palpite é que o governo deve manter os gastos sociais, pois a legião de desassistidos é enorme e requer atenção.
O segundo é buscar a realização de superavit primário, que expurga da análise os gastos financeiros. Isso acarretará certo equilíbrio orçamentário, deslocando o foco da relação dívida/PIB.
Terceiro palpite: fazer a reforma administrativa, visando reduzir os gastos primários. Isso pode ser feito em diversos planos: interno, por meio de um pente fino rigoroso nos gastos do próprio Poder Executivo; entre os Poderes, buscando que os chefes de cada Poder reduzam os seus gastos com gratificações e outros itens assemelhados; e externo, enviando ao Congresso um projeto de lei que revise as condições de contratação de servidores públicos. Uma constatação que passa pelos três planos: jamais foi feito o planejamento para identificar quantos servidores são necessários para cada unidade, serviço ou seção de cada órgão. Na prática, havendo vaga, busca-se seu preenchimento, sem se identificar quais cargos ou funções são ou não necessárias para o contingente de trabalho previsto na atualidade.
Quarto palpite: incrementar parcerias público-privadas em que o gasto público seja o menor possível. Isso sinaliza ao mercado que o governo manterá a prestação de serviços e os investimentos, sem haver maior despesa pública.
Grande parte desses palpites visa acalmar o mercado financeiro e reverter a expectativa de aumento da inflação, quebrando a mencionada previsão de círculo vicioso. Isso decorre do fato de que seu impacto será diferido no tempo, mas apontará uma tendência importante de redução dos gastos públicos a médio e longo prazos. Afinal, a economia vai bem (inflação controlada e baixo desemprego), mas as expectativas econômicas a estão destruindo.
Entre previsões e palpites, há uma única certeza para 2025: o montante das emendas parlamentares seguirá alto, pois, sem elas, o Congresso não verá com bons olhos qualquer iniciativa governamental, o que indica a possibilidade de haver bloqueio parlamentar.
Sinceramente, gostaria de errar nas previsões, pois não indicam um bom horizonte, mas os palpites devem ser considerados em qualquer cenário. Infelizmente, é certa a única certeza exposta, com o perdão da redundância, fruto do péssimo desenho institucional-financeiro adotado.
Enfim, será um ano duro, que requererá muita negociação, frieza de pensamento e nervos de aço para aguentar o tranco que virá, também por ser antevéspera de 2026, ano de eleições gerais.
FELIZ 2025 !!! Melhores votos de sucesso e alegrias para o senhor e sua família.
FELIZ 2025 a todos nós! Se me permite, acho que o palpite de reforma administrativa não ocorrerá, e seria importantíssimo uma consideração acerca da nossa Corte Suprema, outra sobre diferentes fatores que afetam a inflação, além do desemprego baixo, como o câmbio... Abraço!
Que tenhamos um excelente 2025, Professor Scaff! Com a elevada suspeita de que o primeiro (gastos sociais) e o quarto (concessões comuns e patrocinadas) palpites serão certeiros. Resta a lamentar (para gerações atuais e futuras) a sua certeza, que é certa até para o Cruzeiro do Sul, nesse descalabro institucional que vai se aprofundando.
Igualmente já deixo claro que sou leigo no assunto mas, lula prometeu juros baixo(ele está mentindo? quem sabe?!)esse governo tem tendência a tomar políticas populista, agora me pergunto, é mais provável e popular o governo aumentar ou baixar juros? o governo baixando juros a dívida vai ficar maior ou menor para o governo? e se o governo sair emprestando dinheiro com juros baixos ele vai ter mais ou menos apoio?
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