MP-SP investiga envolvimento de servidores com o PCC

O Ministério Público de São Paulo, por meio de seu grupo de elite, o Gaeco, toca em sigilo uma mega-operação contra funcionários públicos que estariam ligados à organização criminosa do Primeiro Comando da Capital, o PCC. A operação segue os moldes daquela que levou à cadeia advogados acusados de facilitarem a logística do comando criminoso.

A operação, cujos resultados serão divulgados em 15 dias, é concentrada exclusivamente na região oeste do estado de São Paulo, como nos presídios de Itapira, Getulina e Araraquara.

O foco da operação são funcionários do próprio estado. O MP dispõe de dados de contas bancárias com movimentações vultosas para quem ganha pouco como funcionário público estadual. Segundo as investigações, agentes penitenciários venderiam celulares para integrantes da facção criminosa por até R$ 20 mil.

O número de investigados chegou a bater a casa de cem pessoas, mas, inadvertidamente, dados referentes a tais investigados acabaram vazando quando do depoimento das advogadas ligadas ao PCC junto à CPI do Tráfico de Armas. A partir desse vazamento, o Ministério Público Estadual restringiu a lista de investigados.

Desta vez, o MP descartou os serviços de inteligência do Serviço Reservado da PM e do próprio Departamento de Investigações Criminais, o Deic. Quem fornece dados é o serviço de inteligência da Secretaria de Assuntos Penitenciários.

O Ministério Público trabalha com transferências monstruosas de somas, via bancária, e com interceptação legal de conversas: é desse cruzamento que surge a nova operação. Procurado pela reportagem da revista Consultor Jurídico, o promotor José Reinaldo Guimarães Carneiro, do Gaeco, disse que não comenta investigações. Mas declarou que “o MP tem certeza de que o crime organizado corrompeu esferas da sociedade que jamais imaginávamos que pudessem ser corrompidas”.

Claudio Julio Tognolli

é repórter especial da revista Consultor Jurídico

Dijalma Lacerda disse:
08 de agosto de 2006 às 17:01

Dijalma

Está aí, minha gente, algo que merece os aplausos de todos nós.
Ao invés de ficarmos criticando o Ministério Público como alguns menos avisados fazem amiúde e sem qualquer escrúpulo, devemos elogiar atitudes como essa, que na verdade nada mais fazem do que enorme esforço para separar o joio do trigo.
A OAB, por sua vez, tem que se esmerar em esforços para que veja aprovada Lei que torne mais rápido o processo de apuração e punição de alguns crápulas (felizmente poucos) que num famigerado dia qualquer acabaram conseguindo uma inscrição em seus quadros para, mais tarde, usando das prerrogativas inerentes ao sagrado exercício do "munus publicae", tornar-se parceiros do crime organizado, em detrimento de toda uma classe. Processos mais rápidos e com punições severas, tornando-se obrigatória, por exemplo, a suspensão provisória com recolhimento das carteiras (cédula e brochura) até o julgamentro final.
Na verdade, esses canalhas não são "advogados-bandidos" como alguém ousou dizer. São, e isto sim, esses biltres, "bandidos-advogados", o que é muitíssimo diferente.
Não podemos nós, que hoje constituímos uma classe de mais de 500.000 profissionais inscritos na OAB, ficar, no pensamento da urbe, no mesmo "balaio" desses bandidos. Não, não, e não !!! Eu trabalho há mais de trinta anos e tenho meu filho Advogado, e nunca vi minha classe tão desprestigiada como a vejo hoje. Infelizmente !!!

Murassawa disse:
08 de agosto de 2006 às 17:49

Parabens ao Ministério Público de São Paulo, serviços de inteligência do Serviço Reservado da PM e do próprio Departamento de Investigações Criminais, o Deic pela descoberta de que parte da sociedade civil se corrompeu e aliou-se ao PCC, o que é vergonhoso e desmente os jornalistas que dizem que o serviço de inteligencia está despreparado, como ocorreu em um debate no dia de ontem (07.08) na TV Bandeirantes com o Secretario Saulo.

Dijalma Lacerda disse:
08 de agosto de 2006 às 18:09

Dijalma

A sociedade, como um todo, e aí deverá estar incluída a OAB como a entidade de maior prestígio no país, deverá deixar demonstrado, de forma inconfundível, que está apoiando o Ministério Público, instituição séria e que merece, pois, todo o nosso respeito e solidariedade.
Eu entendi perfeitamente quando o Dr. Pinho fez algumas considerações a advogados, que as fez para aqueles bandidos-advogados, e não para a grande e esmagadora maioria, que é honesta e séria. Quando críticas são feitas a comportamentos criminosos de maus colegas, canalhas, biltres, bandidos, a OAB deverá sim endossá-las sem qualquer receio.
Eu, da minha parte, não tenho qualquer receio em fazê-lo.

Comentarista disse:
08 de agosto de 2006 às 21:47

Na verdade, quem a sociedade deveria mesmo apoiar são os advogados, na sua quase unanimidade formado por profissionais honestos e íntegros mas que hoje estão sendo achincalhados e irresponsavelmente acusados por algumas autoridade públicas de integrarem o crime organizado.

E a OAB deveria representar e processar exemplarmente essas autoridades que, conscientemente, generalizam a classe dos advogados em suas acusações desprovidas de maiores fundamentos.

Um país que não respeita os advogados jamais deixará de ser considerado uma republiqueta das bananas escarnecida por todo o mundo civilizado, o que, aliás, nos acontece desde o dia 22 de abril de 1500.

Chega de hipocrisia e de subverniência gratuita com quem comete o mais odiável dos erros, ou seja, generalizar toda uma classe pelo erro de alguns!

Dijalma Lacerda disse:
09 de agosto de 2006 às 08:12

Dijalma

Não apoiar o Ministério Público neste momento delicado em que o crime organizado quer desestabilizá-lo, seria execrá-lo injustamente e de maneria burra, atirando no nosso próprio pé.
Não há como não reconhecer no Ministério Público uma sentinela respeitável na defesa da cidadania, pelo que, nós cidadãos, devemos postar-nos ao seu lado.
Assim, continuo com o meu pensamento no sentido de que :

"A sociedade, como um todo, e aí deverá estar incluída a OAB como a entidade de maior prestígio no país, deverá deixar demonstrado, de forma inconfundível, que está apoiando o Ministério Público, instituição séria e que merece, pois, todo o nosso respeito e solidariedade.
Eu entendi perfeitamente quando o Dr. Pinho fez algumas considerações a advogados, que as fez para aqueles bandidos-advogados, e não para a grande e esmagadora maioria, que é honesta e séria. Quando críticas são feitas a comportamentos criminosos de maus colegas, canalhas, biltres, bandidos, a OAB deverá sim endossá-las sem qualquer receio.
Eu, da minha parte, não tenho qualquer receio em fazê-lo."

Bira disse:
09 de agosto de 2006 às 10:52

O acompnahmento da eviolução patrimonial é uma tarefa obrigatoria para todo funcionario publico. No primeiro sinal de irregulariedade, já está preservado o erário.
Mas, as quadrilhas usam da omissão do poder publico, seja qual partido for, para fazer a festa. E depois congelam o irpf para ajudar a fome ou mantem ad eternum a cpmf. Patético.

aroldinho disse:
09 de agosto de 2006 às 12:17

Não é de se ficar espantado com essa investigação.Não é toa que os inúmeros ataques, em sua grande maioria, fogem da persecução policial.Supresas maiores virão, quem sabe em relação a Brasília?

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