Decisão sobre instalação de CPI do Apagão Aéreo é adiada

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, pediu informações à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados e ao presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), antes de decidir se determina ou não a instalação da CPI do Apagão Aéreo.

De acordo com o ministro, é importante requisitar informações, principalmente porque Chinaglia “reconheceu atendidos os requisitos constitucionais necessários à criação da CPI em causa”. Depois da chegada das informações, Celso de Mello analisará se o direito das minorias legislativas foi ferido, como alegam os autores do pedido — deputados federais Antônio Carlos Pannunzio (PSDB-SP), Fernando Coruja (PPS-SC), Júlio Redecker (PSDB-RS) e Onyx Lorenzoni (PFL-RS).

Na Câmara dos Deputados, o requerimento da CPI foi protocolado pelos deputados tucanos Vanderlei Macris (SP) e Otávio Leite (RJ). Nele, constavam 211 assinaturas de parlamentares de quase todos os partidos, exceto do PT. O presidente Lula, inclusive, já se posicionou contra a abertura da CPI.

Na semana passada, durante a sessão em que o presidente da Câmara anunciou a abertura da CPI, o líder petista na Câmara, Luiz Sérgio (RJ), levantou uma questão de ordem. O parlamentar argumentou que o requerimento para a criação da comissão não cumpria requisitos constitucionais, como a existência de um fato determinado. Com o argumento, consegui a suspensão da instauração no plenário e entrou com recurso na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania para impedir a abertura da CPI. Como houve pedido de vista, a matéria ainda voltará a ser analisada pelos deputados da Comissão.

Instaure-se a CPI

Na última decisão sobre CPIs, em 9 de março último, o STF negou pedido de liminar para garantir instalação da CPI do Metrô na Assembléia Legislativa de São Paulo. Mas quando entendeu que o direito das minorias estava sendo violado, o Supremo enquadrou o Legislativo.

Foi o que aconteceu na CPI dos Bingos, quando o ministro Celso de Mello sustentou que a investigação parlamentar é um instrumento constitucional colocado à disposição das minorias legislativas. Por essa razão, não se poderia condicionar a criação de CPIs à aprovação da maioria parlamentar. “No momento em que submete um instrumento como esse ao controle da maioria, o exercício concreto do direito de oposição é frustrado”, afirmou o ministro.

Relator da matéria, o ministro Celso de Mello, sustentou o direito de oposição da minoria e que, mesmo em inferioridade numérica, prevalece o direito de investigar o Poder Executivo — ainda que contra a vontade do grupo dominante. O ministro descartou a alegação do então presidente do Senado, José Sarney, de que a discussão da instauração de CPI seja assunto interna corporis regulado pelo regimento da causa, demonstrando que a questão é eminentemente constitucional.

O ministro reafirmou o mesmo entendimento no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade ajuizada pelo PT contra o regimento interno da Assembléia Legislativa de São Paulo. Ao acolher o pedido do PT, o plenário do Supremo revogou dispositivos que exigiam a apreciação dos pedidos de instalação das CPIs pelo Plenário da Assembléia. O entendimento é o de que as comissões de investigação podem ser criadas com um terço dos votos da Casa. O relator da questão foi o ministro Eros Grau.

Na ocasião, Celso de Mello afirmou que as normas da Assembléia Legislativa paulista “vulneram, gravemente, o exercício — pelas minorias parlamentares que atuam no âmbito do Poder Legislativo do Estado de São Paulo — do direito de fiscalizar, de investigar e de promover o pertinente inquérito parlamentar, ferindo, de modo frontal, a norma de garantia instituída pelo § 3º do art. 58 da Constituição da República, que se estende a todas as esferas do Poder Legislativo: ao Congresso Nacional, às Assembléias Legislativas e às Câmaras Municipais”.

Leia a decisão sobre a CPI do Apagão Aéreo

MED. CAUT. EM MANDADO DE SEGURANÇA 26.441-1 DISTRITO FEDERAL


RELATOR: MIN. CELSO DE MELLO

IMPETRANTE(S): ANTÔNIO CARLOS PANNUNZIO E OUTRO(A/S)

ADVOGADO(A/S): AFONSO ASSIS RIBEIRO E OUTRO(A/S)

IMPETRANTE(S): FERNANDO CORUJA

ADVOGADO(A/S): JOSÉ VIGILATO DA CUNHA NETO

IMPETRANTE(S): ONYX LORENZONI

ADVOGADO(A/S): THIAGO FERNANDES BOVERIO E OUTRO(A/S)

IMPETRADO(A/S): MESA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS

IMPETRADO(A/S): PRESIDENTE DA CÂMARA DOS DEPUTADOS

DESPACHO: O tema que se veicula no presente mandado de segurança pode revestir-se de indiscutível relevo, se se configurar a existência, na espécie, de questão impregnada de significado constitucional, como propõem os ilustres impetrantes, que sustentam haver sido transgredido, no caso, o direito das minorias parlamentares — fundado no texto da Constituição da República — à investigação legislativa.

É que — conforme alegado nesta impetração — o eventual provimento, pelo Plenário da Câmara dos Deputados, do recurso (Recurso nº 14/2007 – fls. 17) interposto contra o indeferimento, pelo Senhor Presidente dessa Casa Legislativa, da questão de ordem (Questão de Ordem nº 31/2007 – fls. 13v.) suscitada pelo Senhor Líder do Partido dos Trabalhadores (PT) terá, como conseqüência imediata, a própria extinção da investigação parlamentar objeto do Requerimento de instituição de CPI (RCP) nº 01/2007 (fls. 17v./19).

Os ora impetrantes, ao deduzirem a sua pretensão mandamental, registram que os autores do mencionado Requerimento nº 01/2007, invocando o art. 58, § 3º, da Constituição da República, solicitama instituição de Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as causas, conseqüências e responsáveis pela crise do sistema de tráfego aéreo brasileiro, chamada de ‘apagão aéreo’, desencadeada após o acidente aéreo ocorrido no dia 29 de setembro de 2006 envolvendo um Boeing 737-800, da Gol (Vôo 1907) e um jato Legacy, da América ExcelAire, com mais de uma centena de vítimas” (fls. 17v.).

A E. Presidência da Câmara dos Deputados, mediante ato formal, assim se pronunciou (fls. 25v.):

Ato da Presidência.

Satisfeitos os requisitos do art. 35, ‘caput’, e § 1º do Regimento Interno, para o requerimento de instituição de CPI nº 1, de 2007, do Sr. Vanderlei Macris e outros, esta Presidência dá conhecimento ao Plenário da criação da Comissão Parlamentar de Inquérito destinada a investigar as causas, conseqüências e responsáveis pela crise do Sistema de Tráfego Aéreo Brasileiro, desencadeada após o acidente aéreo ocorrido no dia 29 de setembro de 2006, envolvendo um Boeing 737-800, da Gol, vôo 1907, e um jato Legacy, da American Excelsior Line, com mais de uma centena de vítimas.

A Comissão será composta de 23 membros titulares e de igual número de suplentes, mais um titular e um suplente, atendendo ao rodízio entre as bancadas não contempladas, designados de acordo com os §§ 1º e 2º do art. 33 do Regimento Interno. (…).” (grifei)

O Senhor Líder do Partido dos Trabalhadores, por entender não satisfeita a exigência concernente ao fato determinado, à indicação do número de membros da referida Comissão e à estipulação de prazo certo, discordou do Requerimento em questão (RCP nº 01/2007), suscitando, em conseqüência, a já mencionada questão de ordem, que foi indeferida pelo Senhor Presidente da Câmara dos Deputados, em decisão na qual reconheceu presentes os requisitos constitucionais necessários à criação da CPI em causa (fls. 27/28).


Tal deliberação, como referido, sofreu a interposição de recurso por parte do Senhor Líder do Partido dos Trabalhadores, que conseguiu, do Plenário, nos termos do art. 95, § 9º, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, fosse atribuída eficácia suspensiva a essa impugnação recursal.

O exame preliminar dos fundamentos em que se apóia esta impetração mandamental parece sugerir, em sumária cognição, que, na Câmara dos Deputados, o direito da minoria de investigar o Governo, mediante utilização do instrumento constitucional da CPI, ficaria, em última análise, presente o contexto em causa, inexoravelmente dependente da deliberação dos grupos majoritários que atuam no âmbito da instituição parlamentar, eis que — consoante sustentado pelos impetrantes — a criação da mencionada Comissão estaria sujeita à aquiescência da maioria legislativa resultante da votação, em Plenário, do recurso interposto pelo Senhor Líder do Partido dos Trabalhadores.

É inegável que a matéria suscitada nesta impetração (desde que efetivamente presentes, na espécie, quanto a ela, os elementos que lhe dão substância) pode revestir-se de extrema relevância jurídica, poiscomo enfatizado pelo magistério da doutrina (J. M. SILVA LEITÃO, “Constituição e Direito de Oposição”, 1987, Almedina, Coimbra; J. J. GOMES CANOTILHO, “Direito Constitucional e Teoria da Constituição”, p. 309/312, 1998, Almedina, Coimbra; DERLY BARRETO E SILVA FILHO, “Controle dos Atos Parlamentares pelo Poder Judiciário”, p. 131/134, item n. 3.1, 2003, Malheiros; JOSÉ WANDERLEY BEZERRA ALVES, “Comissões Parlamentares de Inquérito: Poderes e Limites de Atuação”, p. 169/170, item n. 2.1.2, 2004, Fabris; UADI LAMMÊGO BULOS, “Comissão Parlamentar de Inquérito”, p. 216, item n. 5, 2001, Saraiva; MANOEL MESSIAS PEIXINHO/RICARDO GUANABARA, “Comissões Parlamentares de Inquérito: Princípios, Poderes e Limites”, p. 76/77, item n. 4.2.3, 2001, Lumen Juris; MARCOS EVANDRO CARDOSO SANTI, “Criação de Comissões Parlamentares de Inquérito: Tensão entre o direito constitucional de minorias e os interesses políticos da maioria”, 2007, Fabris Editor, v.g.) — existe, em nosso sistema político-jurídico, tal como já o reconheceu a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (ADI 3.619/SP, Rel. Min. EROS GRAU – MS 24.831/DF, Rel. Min. CELSO DE MELLO – MS 24.847/DF, Rel. Min. CELSO DE MELLO, v.g.), verdadeiro estatuto constitucional das minorias legislativas, o que viabiliza, por isso mesmo, na perspectiva do regime democrático, a proteção jurisdicional ao direito de oposição (que tem, na CPI, um poderoso instrumento de concretização), que deve ser amparado no contexto da prática republicana das instituições parlamentares.

Tornou-se necessário explicitar as razões que venho de expor, pelo fato de elas ensejarem o reconhecimento, ao menos nesta fase preliminar, da possibilidade de cognição do presente mandado de segurança. É que, tal como enfatizado pelos ilustres impetrantes, a alegação de ofensa a direitos impregnados de qualificação constitucional legitimaria — superada eventual objeção fundada no caráter “interna corporis” dos atos questionados — o exercício, pelo Supremo Tribunal Federal, da jurisdição que lhe é inerente, considerada a natureza mesma da controvérsia ora em exame (RTJ 173/805-810, 806, Rel. Min. CELSO DE MELLO, Pleno).

Assentadas tais premissas, e tendo presente o alto significado que assume, em nosso sistema político-jurídico, o postulado constitucional da separação de poderes (CF, art. 2º), entendo prudente, antes de qualquer decisão, requisitar informações à eminente autoridade ora apontada como coatora, notadamente porque Sua Excelência, na condição de Presidente de uma das Casas do Congresso Nacional, reconheceu atendidos os requisitos constitucionais necessários à criação da CPI em causa.

Prestadas tais informações, apreciarei, então, o pedido de medida cautelar.

Publique-se.

Brasília, 14 de março de 2007 (21h15).

Ministro CELSO DE MELLO

Relator

Rodrigo Haidar

é chefe de redação da revista Consultor Jurídico.

Daniel Roncaglia

é repórter da revista Consultor Jurídico.

Embira disse:
15 de março de 2007 às 00:02

Realmente, existem muitos problemas a serem resolvidos em nosso transporte aéreo e eles já são antigos. Quando se construiu o aeroporto de Cumbica, tinha se em mente diminuir o fluxo em Congonhas, região de muitos edifícios e difícil operação. O local escolhido, por razões técnicas, para a construção do novo aeroporto era Caucaia do Alto, na região de Cotia e Ibiúna. Chacareiros de fim de semana, entretanto, fizeram um lobby contra a construção do aeroporto naquele local e o governo estadual foi sensível ao movimento. Construiu-se o aeroporto em Cumbica, local de difícil acesso, fazendo com que Congonhas continue a ser o maior centro de operações aéreas, mesmo sem boas condições. Há, também, entre outros, o problema do controle de vôo, que em nossa modesta opinião, deveria ser feito pelas empresas aéreas; há outros problemas e problemas, mas, nenhuma CPI irá resolvê-los, como a CPI da cratera do metrô, em Pinheiros, não resolverá o problema da falta de acompanhamento técnico das obras públicas no Brasil. Depois que sai na mídia um problema como do fórum da Barra Funda, aí alguns órgãos começam a investigar. O “apagão aéreo”, aliás, tem múltiplas causas: uma delas é o atraso na emissão de passaportes pela Polícia Federal, que também já é crônico.

hammer eduardo disse:
15 de março de 2007 às 11:05

Dando os devidos descontos para o fato de que se trata da "oposição" pedindo a instalação da CPI do apagão aéreo , não tenho duvidas de que o nescio lula e os demais quadrilheiros a sua volta farão o possivel e o impossivel para evitar a qualquer pre$$o que tal CPI se instale. De qualquer forma lembremos que historicamente falando , a instituição chamada de "cpi" costuma sempre fazer muita espuma , ganhar os seus "15" minutos de fama na midia e depois cair no esquecimento , aos que não concordarem comigo sugiro uma revirada na gaveta de suas memorias individuais.
De qualquer forma , a petralhada literalmente SE BORRA DE MEDO de que alguem comece a fuçar onde não deve ( para eles é claro) pois ai passa a existir uma quase certeza que aparecerão os podres convenientemente varridos para baixo do tapete pela petralhada que des-administra esse Pais. Lembremos dois fatos principais, a atual ANARQUIA , digo , ANAC que substituiu o antigo DAC , é composta na maioria do seu quadro de comando atual por um bando de petralhas despreparados , arrogantes porem nomeados por serem proximos ao dito "nucleo do poder" , por exemplo aquele tal de zuanazzi que se parece fsicamente com o falecido Ronald Golias ( perdão grande comediante pela comparação grosseira), foi indicado pela nossa dama de ferro tupiniquim (dilma) apesar de ser totalmente estranho no ninho. denise abreu foi indicação direta do insepulto zedirceu que a qualquer hora pode reaparecer do caixão em que se encontra, e por ai vai. NENHUM deles entende do assunto e estão ali ocupando cargos importantissimos apenas por serem "proximos" ao pudê como diria o Ze Sarney. Imagino quando horas diarias de projeções e aulas particulares cada um recebe para tentarem ao menos entender em pouco tempo como funciona a maquina de alta responsabilidade que "por acidente aéreo" terminou caindo no colo deles. Os demais não ficam atras , aquilo ai virou um cabide de empregos nojento em que os verdadeiramente capazes foram aposentados na marra ou encostados em carguinhos apagados. Graças a isso temos hoje uma verdadeira avacalhação aérea em que se tentam procurar os culpados devidamente escondidos atras de cargos de confiança na eterna espera de que a "maldita" IMPRENSA pare de encher os aco. Brigadeiros e Coroneis "bonzinhos" em cargos de maior comando tambem ajudam a onda a passar sem maiores questionamentos.
Lembremos que os comprometimentos existem SIM , haja visto que no auge da crise da Varig , o des-governo cruzou os braços a espera de uma morte que só por milagre não ocorreu. No final do ano passado quando a TAM apostou pesado no cassino do overbooking e perdeu feio, a petralhada comprometida chegou ao cumulo de "emprestar" aeronaves da Força Aerea Brasileira para ajudar num momento dificl , isto são FATOS, o resto é conversinha reaça para desviar a atenção do principal.
Que venha a CPI do apagão SIM! , se vai dar resultado, ai ja é outra coisa, pobre Brasil comandado por "manicacas" e homunculos.

Richard Smith disse:
15 de março de 2007 às 12:02

Por oportuno, do blog do REINALDO AZEVEDO de hoje (quinta-feira)?

"O APAGÃO AÉREO. AGORA EM TERRA.

Por que o governo teme tanto a CPI do Apagão Aéreo. Abaixo, há duas pistas. Uma está no site do Estadão On Line. Outra foi publicada pela Veja:

Por Isabel Sobral, no Estadão On Line:
Uma auditoria preliminar do Tribunal de Contas da União (TCU) encontrou indícios de superfaturamento de preços na licitação das obras de recuperação da pista de pouso auxiliar do aeroporto de Congonhas que estão em andamento desde o final de fevereiro.
O relatório, que ainda não foi concluído pelo tribunal, veio a público nesta quarta-feira, durante audiência na Comissão de Fiscalização da Câmara que ouviu o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, sobre as obras no aeroporto paulista.
Sobre a pista auxiliar, já em recuperação, os auditores do TCU analisaram o plano básico dessas obras entre os dias 28 de abril e 26 de maio de 2006 e apontaram 12 falhas.
Entre os problemas estão o privilégio à técnica em detrimento dos preços, a utilização inadequada da exigência de pré-qualificação - que pode ter restringido a concorrência -, a ausência de justificativa para preços acima das tabelas de referência de construção que são as usadas pela Caixa Econômica Federal e o início da licitação antes da aprovação do plano básico.
No documento, os auditores ressaltam que, 'se confirmadas as irregularidades' elas podem ter afetado o preço final da obra, orçada em R$ 7,8 milhões.
Questionado sobre o documento, o presidente da Infraero afirmou que já determinou à auditoria interna da estatal a correção 'dos erros' apontados, para que não se repitam. Ele ponderou, no entanto, que a tabela de preços que serve de base para todos os tipos de auditorias do TCU deve se adequar às diferentes realidades das obras, já que a construção de moradias populares ou de recuperação de uma rodovia são bem diferentes de uma obra numa pista de pouso de um aeroporto.
Pereira disse ainda que, quando se trata de assuntos relacionados à aeronáutica, é muito comum que a tecnologia seja prioridade, e não os preços mais baixos, porque envolvem segurança.

- - -

Por Julia Duailibi, na Veja de 25 de outubro de 2006:

Ao inaugurar, em dezembro do ano passado, parte das obras de ampliação e modernização do Aeroporto de Congonhas, na cidade de São Paulo, o presidente Lula elogiou o então presidente da Infraero, Carlos Wilson, pela 'dedicação' e pela 'contribuição extraordinária que fez ao Brasil'. Dez meses depois, o Ministério Público Federal e o Tribunal de Contas da União começam a desvendar o lado obscuro de uma contribuição extraordinária de Wilson. Superfaturadas, as obras podem ter causado ao Erário uma perda superior a 100 milhões de reais. Com base em ampla pesquisa de mercado realizada pelo TCU, o Ministério Público constatou preços de 31% a 252% acima dos de mercado num conjunto de 29 produtos e serviços. O caso mais escandaloso é o da compra das chamadas pontes de embarque (ou 'fingers', em inglês), que dão ao passageiro acesso ao avião. A Infraero pagou ao consórcio vencedor a bagatela de 2,2 milhões de reais por unidade. Com base em outras compras idênticas feitas pelo poder público, o TCU constatou que cada finger não custaria mais do que 630.000 reais. Também houve superfaturamento de 226% nos serviços de fundação da obra. Cobraram-se, por exemplo, 354,15 reais por estacas que não deveriam custar mais de 108,60 reais.

O Ministério Público Federal também acusa a Infraero de ter direcionado a licitação para o consórcio formado pelas empreiteiras OAS/Camargo Corrêa/Galvão. Na avaliação dos procuradores, a licitação de Congonhas deveria ter sido fracionada em várias concorrências menores, garantindo, assim, maior disputa e melhor preço. Ao exigir que um mesmo participante executasse desde as obras de pavimentação até as reformas do terminal de passageiros, a Infraero colocou todo o projeto nas mãos das grandes empreiteiras – que, por sua vez, acabaram subcontratando, em alguns casos irregularmente, empresas menores. A investigação destaca ainda que, um ano após a celebração do contrato entre a Infraero e as vencedoras da licitação, foi realizado um aditamento suspeito, que elevou em 15 milhões o valor do contrato. Calcula-se que as obras em Congonhas, uma vez concluídas, custarão 180 milhões de reais. Pelas contas do Ministério Público, no entanto, elas poderiam chegar a 75 milhões de reais.

'São de extrema gravidade os dados ora levantados, que demonstram cabalmente um total desprezo pelo patrimônio público', afirma o Ministério Público numa ação cautelar ajuizada na semana passada, em que pede a indisponibilidade dos bens e a quebra dos sigilos fiscal e bancário do ex-presidente da Infraero, Carlos Wilson, e de outros quatro diretores e ex-diretores da empresa estatal. Ex-senador pelo PTB de Pernambuco, Wilson ocupou a presidência da Infraero do começo do governo Lula até março deste ano. Deixou o cargo para disputar uma cadeira de deputado federal pelo PT. Antes, coordenou um dos principais programas de investimento em infra-estrutura do governo Lula, com a criação, ampliação e reforma dos mais importantes aeroportos brasileiros. Questionado sobre as acusações, Wilson disse desconhecê-las e afirmou que sua gestão na Infraero foi amplamente 'fiscalizada e transparente'. Os procuradores investigam irregularidades nas obras de Congonhas desde 2004. O aeroporto tem o maior movimento do país, com 45.000 passageiros diários. As obras de remodelação devem ficar prontas no começo de 2007. Ao todo, Wilson comandou a reforma de 66 aeroportos. Além de Congonhas, o Ministério Público Federal investiga irregularidades na execução das obras dos aeroportos de Vitória, Recife e Goiânia. Se o mesmo padrão de superfaturamento de Congonhas tiver ocorrido nas outras reformas, o Ministério Público acredita estar diante de um dos maiores desvios de recursos públicos deste governo."

Precisa mais para explicar o imenso "cagaço" deste (des)governo "que aí está"?!

"A cada enxadada, uma minhoca!" (ou um minhocuçú dos bem grandes, claro!).

Richard Smith disse:
15 de março de 2007 às 12:13

Ah, e só de sacanagem, mais esta, especialmente dedicada ao querido "fessô" PeTralha, fujão, borra-cuecas, mistificador, anti-clerical e mentiroso:

"SEM PORNOGRAFIA

O site da Presidência da República Federativa do Brasil tirou da página da Secretaria Especial para os Direitos das Mulheres os links que remetiam para um site pornográfico chamado 'Erosmania' e para um outro que fazia propaganda de saunas e clubes gays: o 'Sentido G'.

Tomaram o cuidado de evitar os links. Agora, apenas põem por extenso os endereços recomendados.

Não há mais como chegar, a partir do www.brasil.gov.br, à página que vendia CDs eloqüentes como 'O Estuprador de Coroas' ou 'Priminha Ardida'.

Agora, lá, só há entidades sérias como, entre outras, 'Hip Hop pela não Violência contra as Mulheres', 'Cotidiano Mujer', 'Articulación Feminista Mercosur' e 'Campanha 28 de setembro - Dia pela Discriminação do Aborto na América Latina e Caribe'."

Gostou, "Fessô"?

Isso tudo não lhe dá uma pulsão erótica ainda maior pelo Abortista/Excomungado? O homem do "Ponto G" ?

hammer eduardo disse:
15 de março de 2007 às 12:24

Mais um ponto para o Richard Smith que lembrou algo que Eu passei "batido" que foi o problema das ratazanas na INFRAZERO. A novelinha do superfaturamento na compra das pontes de embarque por parte dos "genios administradores petralhistas" , foi levantada pelo então Candidato Geraldo Alckmin que destampou o esgoto da roubalheira a céu aberto quando mostrou a multiplicação por mais de 3 vezes no preço de aquisição daqueles importantes equipamento aeroportuarios - Obviamente é deste tipo de falcatrua grosseira que se originam as verbas necessarias para os caixa dois da vida , mensalão para sustentar aquela denunciada corja de vagabundos de paletó Armani e por ai vai, lamentavelmente ainda não deu em nada e mais para frente , se acontecer algo , os Ali-babás de plantão na Infrazero ja estarão bem longe como sempre.Observemos tambem que as obras de modificação do Aeroporto Santo Dumont ja se encontram paradas a meses com o material ja comprado se deteriorrando a olhos vistos naquele ambiente saturado de salitre, provavelmente a grana foi "passear por ai" e terminou faltando onde devia. Como aquela outra inutilidade do PAN ja esta bem proximo e as obras tem que ser acabadas as pressas , preparaem-se para o subito aparecimento de novas "verbas emergenciais".

Por essas e outras é que a comparação do Richard é bem pertinente , petralhista que se preza tem mais medo de CPI do que traficante no morro quando ouve a sirene avisando da chegada da Policia , moralmente são parecidos demais. Fernandinho Beira Mar pra Presidente e Marcola pra Ministro da Justiça, afinal ja estamos bem proximos disso! Como dizia o Chico Buarque naquela musica: " - chame o ladrão , chame o ladrão , chame o ladrão.........."

Richard Smith disse:
15 de março de 2007 às 14:32

Ô meu caro amigo Hammer, agradeço, mas o mérito não é meu, é do Reinaldo Azevedo.

Sabe, aquele jornalista (como o Diogo Mainardi) que as "meninas" PeTralhas chamam de "fascista", "direitista" e que dizem, não "informa" nada?

Um abração a você.

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