Examinador aponta fraude em concurso de juiz no Rio

Testemunha-chave da investigação sobre fraudes no concurso para juízes estaduais do Rio de Janeiro, o advogado tributarista Ricardo Aziz Cretton confirmou nesta terça-feira (3/4) as denúncias, em depoimento no Conselho Nacional de Justiça. Integrante da banca que corrigiu as provas do concurso, Cretton confirmou ter “encontrado respostas idênticas ao gabarito em pelo menos um teste” e apresentou outras informações mantidas sob sigilo. A reportagem é do jornal O Globo.

Segundo o conselheiro Alexandre de Moraes, relator do caso no CNJ, os indícios reunidos até agora apontam respostas padrões em “quatro ou cinco provas” feitas pelos 24 candidatos aprovados, que já foram empossados. O conselheiro aguarda o resultado da perícia da Polícia Federal nos testes dos 77 candidatos que disputaram uma das vagas na segunda fase do concurso para concluir o seu relatório. Ele ainda ouvirá três outras testemunhas.

“Espero concluir as investigações ainda na semana que vem”, disse o conselheiro. Depois de concluído, o relatório de Moraes será votado pelo plenário do CNJ, que decidirá pela anulação ou não do concurso. Caso sejam identificados supostos responsáveis pelas irregularidades, eles podem sofrer processos administrativos e penais.

Nesta quarta-feira (4/3), o CNJ ouvirá Paulo Targa, ex-chefe de gabinete da presidência do Tribunal de Justiça, que, segundo o conselheiro, participou da organização do concurso. Na semana que vem, serão ouvidas outras duas testemunhas.

No dia 15 de março, o jornal O Globo revelou “suspeitas de quebra de sigilo e fraude para beneficiar filhos, noras, genros e sobrinhos de desembargadores do Tribunal de Justiça do Rio”. Detalhe: o exame era para juízes justamente os encarregados de julgar recursos contra todo e qualquer concurso público.

Em seguida, representação assinada pelo Conselho Federal da OAB e pela OAB-RJ pediu ao Conselho Nacional de Justiça que investigasse o concurso promovido pelo TJ do Rio, realizado em dezembro do ano passado. Dos 24 aprovados, pelo menos sete têm laços de parentesco com desembargadores do tribunal.

A principal prova usada pelas entidades é o exame prestado por uma candidata, parente de primeiro grau de um magistrado. No documento, ela é acusada de reproduzir textualmente, em seu exame, o gabarito de uma das provas específicas, a de Direito Tributário. A candidata foi reprovada na prova oral de Tributário (nota 1), mas a violação da prova escrita — alega a OAB — “compromete a lisura do concurso”, disputado por cerca de 1,8 mil candidatos.

Este fato, segundo as entidades, foi constatado pelo examinador Ricardo Aziz Cretton, um dos três da banca de Direito Tributário. Em declaração anexada à representação, ele disse ter visto outras provas de candidatos classificados para a etapa final do exame que “exibiam respostas com abordagens e raciocínio seqüencial similares aos do padrão gabaritado”.

O Tribunal de Justiça do Rio organiza seu próprio concurso, composto por três etapas eliminatórias — prova escrita preliminar, provas escritas específicas e provas orais. O presidente das etapas finais do último concurso foi o desembargador Sérgio Cavalieri, na época presidente do Tribunal.

Depois de passar pela prova preliminar, 77 candidatos classificados foram submetidos a provas escritas e orais específicas de Direito Civil, Processual Civil, Penal, Processual Penal, Constitucional, Administrativo, Empresarial e Tributário. Cada um dos temas contou com uma banca de três examinadores, que elaboraram as questões na hora, de acordo com o sorteio do ponto a ser abordado.

Pela regra, o ponto é sorteado na presença dos membros da comissão e de três candidatos, que se apresentam espontaneamente (eles ficam isolados, para não ter chance de fazer consultas antes do exame). Mas, diferentemente de anos anteriores, neste concurso os demais candidatos só chegaram duas horas depois (e não no momento do sorteio), quando as provas foram distribuídas, depois de rodadas na gráfica do Tribunal.

ACUSO disse:
04 de abril de 2007 às 19:10

É sempre assim neste nosso país: os apadrinhados, ou afilhados dos donos do poder estão sempre nas alturas! Quando são admitidos ou aprovados, assumem com a marca maior da arrogancia e da truculencia, exatamente porque têm " carta-branca" para impor suas ideias e "teses" nas decisões que tomam; pouco importando se são boas ou não para a sociedade ordeira! Viva o Brasil !

Fernando Dias disse:
04 de abril de 2007 às 22:04

A cada dia que passa tenho mais certeza de que o Conselho Nacional de Justiça foi a mudança mais bem-vinda que tivemos entre todas as Emendas Constitucionais que tivemos nestes quase 20 anos de Constituição. É órgão moralizador que acaba por ser uma saída eficiente e acessível a todos os cidadãos contra arbitrariedades praticadas por aqueles que deveriam ser exemplos para a sociedade. Vida longa ao CNJ.

allmirante disse:
05 de abril de 2007 às 07:44

Concurso, nem para miss!

Rachel disse:
05 de abril de 2007 às 18:43

qualquer cidadão, primo, irmão, não importa, tem todo direito de prestar concurso publico. Não se pode confundir as coisas. E eu não sou parente e nem me inscrevi para este concurso. Mas quando vc aprende o que é Democracia e cidadania, aparece a necessidade de separar as coisas. Não é por ser parente que já se tem suspeição. O problema está na lisura do concurso e na Ética. Conheço gente brilhante, séria e estudiosa que é parente de desembargador, juiz, promotor, etc. Nem se deve estranhar quando um filho de juiz passa na prova, pois é comum os filhos participarem da vida dos pais. Direito, Medicina, Engenharia, tanto faz. Vários filhos de médicos são médicos, tanto quanto engenheiros, etc. A publicidade do cargo é uma questão importante e torna o juiz muito exposto. Entretanto, o grau de parentesco não tem relevância, mas a mentalidade do levar vantagem em tudo e da impunidade, sendo considerado um fazer comum e normal da sociedade é que preocupa. Também não é verdade TODOS os juízes se deixam seduzir pelo fácil, apenas alguns num universo imenso. Ao contrário do que se quer disseminar, a probidade na magistratura é a regra. A profissão importantíssima para Democracia fica na berlinda e os dejetos da escória salpica na classe.

veritas disse:
05 de abril de 2007 às 20:28

23/03/07 - Amaerj contra CPI da Varig
A AMAERJ impetrou Mandado de Segurança em face da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro para tentar barrar a CPI instaurada para analisar o caso “VARIG”.

A associação sustenta que o processo de recuperação judicial não pode ser objeto de intervenção do Poder Legislativo, sendo de exclusiva competência do Poder Judiciário deliberar sobre as controvérsias jurídicas do caso e suas conseqüências.

Sustenta a associação que a hipótese não pode ser objeto de Comissão Parlamentar de Inquérito porque está submetida ao crivo da jurisdição e que o juiz da causa deve estar protegido de qualquer intervenção capaz de influir na sua decisão no curso do processo, não sendo sequer obrigado a comparecer perante tal comissão.

Segue adiante o inteiro teor da petição inicial

icon varig.doc

http://www.amaerj.org.br/index.php?option=content&task
=view&id=1592

veritas disse:
05 de abril de 2007 às 20:28

23/03/07 - Amaerj contra CPI da Varig
A AMAERJ impetrou Mandado de Segurança em face da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro para tentar barrar a CPI instaurada para analisar o caso “VARIG”.

A associação sustenta que o processo de recuperação judicial não pode ser objeto de intervenção do Poder Legislativo, sendo de exclusiva competência do Poder Judiciário deliberar sobre as controvérsias jurídicas do caso e suas conseqüências.

Sustenta a associação que a hipótese não pode ser objeto de Comissão Parlamentar de Inquérito porque está submetida ao crivo da jurisdição e que o juiz da causa deve estar protegido de qualquer intervenção capaz de influir na sua decisão no curso do processo, não sendo sequer obrigado a comparecer perante tal comissão.

Segue adiante o inteiro teor da petição inicial

icon varig.doc

http://www.amaerj.org.br/index.php?option=content&task
=view&id=1592

Bira disse:
11 de abril de 2007 às 18:21

O setor publico merece uma medalha. Nunca observei tantos candidatos qualificados. Certo concurso com 20 vagas, 30 acertaram tudo!.
Noutro, nunca vi tantas pessoas com habilidades incomuns em contabilidade...já nos concursos para professor o mesmo não ocorre...

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