Advocacia pode acabar em 100 anos, diz professor inglês

Assim como a doença não existe para dar emprego aos médicos, a lei não existe para dar emprego aos advogados. O autor desta premissa instigante, lançada em 1996, faz agora uma pergunta não menos intrigante: os advogados existirão daqui a 100 anos? Ele é Richard Susskind, professor e consultor inglês em tecnologia da informação, que fez da dúvida cruel o tema de um livro chamado The End of Lawyers? (O Fim dos Advogados?). Segundo Susskind, a tecnologia e a mercantilização da função tornarão os advogados cada vez menos necessários.

O especialista, que é professor de Direito do Gresham College, na Inglaterra, e conselheiro de Tecnologia da Informação do Lord Chief Justice (principal autoridade judicial do país), argumenta que a profissão de advogado como a conhecemos hoje está ameaçada de extinção — ou, pelo menos, “à beira de uma transformação fundamental”.

A mudança se dá por dois fatores, segundo ele. O primeiro é a expansão da tecnologia da informação, que permitirá a qualquer bom leitor entender os meandros da lei. O segundo é a mercantilização da profissão, que fará com que a preparação das peças jurídicas seja terceirizada para mão de obra mais barata.

Com isto, os tradicionais postos de trabalho dos advogados serão substancialmente diminuídos. Ele lembra que, da mesma forma que as pessoas se sentem confortáveis hoje em uma agência bancária, se sentirão à vontade em uma sala de tribunal.

A tese de Susskind não está finalizada. O advogado publicará seis resumos do livro no site do jornal The Times (clique aqui para acessar). A intenção é incorporar ao livro os possíveis argumentos e contra-argumentos que o polêmico debate gerará.

Este livro é a seqüência da obra The Future of Law (O Futuro da Lei), que criou grande celeuma na Inglaterra. Nele, Susskind faz uma análise que, em certa medida, contradiz a Constituição brasileira: “O advogado é indispensável à administração da Justiça”. Neste livro, o professor faz sua formulação radical: assim como a doença não existe para dar emprego aos médicos, a lei não está aí para dar sustento aos advogados.

O novo livro foi provocado também por uma percepção recente. Segundo o professor, os advogados cada vez mais parecem negar que são advogados. “Minimizam seu trabalho”, diz. Esquecem que são, além de tudo, terapeutas, confidentes, conselheiros e gerentes.

Já em seu primeiro resumo do novo livro, Susskind explica que a obra não é um tiro no pé e não tem a intenção de fazer agressões gratuitas. Ele diz que pretende pensar a profissão para melhor receber as grandes mudanças pelas quais o Direito certamente passará neste século. Na sua visão, as escolas não se preocupam com as próximas gerações de operadores de Direito.

“O desafio que se estabelece para os advogados é perguntar, com as mãos no coração, quais elementos do seu trabalho podem ser feitos de uma maneira diferente, o tornando mais barato, eficiente e de melhor qualidade”, argumenta.

Para o autor, os advogados não devem se desenvolver por meio de um cartel. Os organismos da classe precisam se engajar de forma mais criativa para contribuir melhor com a sociedade. Susskind diz que o mundo corporativo tem bons exemplos disso e cita um grupo estudo criado pela General Electric no momento em que se formou a bolha da internet.

No primeiro momento, este pessoal era chamado de destroyyourbusiness.com (destruindo seu negócio). Ao longo do tempo, o nome da equipe passou a ser growyourbusiness.com (crescendo seu negócio). Eles tinham concluído que a internet oferecia mais oportunidades do que ameaças. Em vez de ficar na defensiva, eles se tornaram pró-ativos. O caminho para os advogados deve ser o mesmo.

Outro lado

Controvertida, a tese do professor não é bem aceita entre os mais importantes operadores de Direito do Brasil. O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, classifica tal idéia como “utopia maior”. Ele lembra que a Justiça tem como principal meta defender o cidadão do Estado. “Grande número dos processos são desta ordem. Não se pode imaginar uma harmonia entre os dois sem o Judiciário e os advogados”, argumenta o ministro. Segundo Marco Aurélio, dificilmente o direito brasileiro virará o de costume como o britânico. “Nosso direito é positivo, é vinculado, é um ato de vontade. Isto faz parte de nossa cultura”.

O ministro Gilmar Mendes, do STF, também discorda do professor inglês. “O Direito é técnico. É muito difícil acabarem os advogados”, diz reiterando que a tese não passa de um exercício de futurologia. Para o ministro, a tendência do direito no século XXI, na verdade, é a sua internacionalização. As constituições nacionais tendem a ser mais homogêneas. Os tratados internacionais se tornarão normas cada vez mais importantes, argumenta o ministro. “Temos hoje um maior diálogo entre os países”, afirma.

Para o desembargador José Carlos Schmidt Murta Ribeiro, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o advogado é imprescindível para se fazer Justiça, já que o Direito é uma ciência eminentemente social.

Ele argumenta que as modificações da sociedade sempre geram este tipo de idéia. “Não se falou que os livros iriam acabar”, questiona. Ele cita ainda o caso dos jornalistas. O fim da profissão foi decretada por estudiosos com a internet. “E isto não se concretizou”, diz. Na sua visão, a tendência neste século é uma assimilação maior da boa-fé. O juiz não será mais apenas um aplicador cego da lei, mas alguém que tende a ver as especificidades de cada caso.

Globalização

No evento de lançamento do livro A Evolução do Direito no Século XXI — Estudos de Homenagem ao Professor Arnoldo Wald, na sexta-feira (26/10) São Paulo, o advogado Arnaldo Wald também se manifestou em discordância com o professor inglês. Para ele, os advogados sempre serão necessários, inclusive para consultorias. “Uma grande fusão financeira, por exemplo, é organizada pelos economistas, mas na hora de redigir o contrato o trabalho é preciso dos advogados”, argumenta Wald ao reiterar a necessidade de se conhecer as normas jurídicas para este tipo de ofício.

Apesar disso, Wald diz que existe hoje em dia uma “concorrência desleal”. “Muitos pensam que podem ser advogados. O que não é verdade”, diz. O Direito tende a ser humanizar e se flexibilizar, afirma. Para o advogado, existirá uma mudança de mão dupla no Direito. Ao mesmo tempo que ele se tornará mais globalizado, também se virará para as necessidades locais das pessoas.

O professor e jurista Ives Gandra da Silva Martins não poupa palavras: “os advogados acabarão só quando a civilização ocidental terminar”. Para ele, a profissão fortalecerá já que há um clima para diminuir as garantis individuais. “O papel do advogado é exercer esta defesa”, lembra.

A mudança, na opinião de Ives Gandra, também é a internacionalização. Um dos pontos mais importantes é a questão do Direito de Guerra. “Temos focos de conflitos locais, mas com armas cada vez mais devastadoras”, diz. Para ele, é preciso regulamentar este assunto de forma mais humanitária. “Trata-se de algo que mexe com a segurança dos estados”, afirma o advogado. Os próximos 50 anos serão também decisivos para o Direito Constitucional. “Depois de 200 da revolução francesa e da independência americana, os conceitos constitucionais passarão por nova mudança”, declara Ives Granda.

Visão européia

Já os europeus concordam em parte com a tese do teórico inglês. O professor português José Joaquim Gomes Canotilho, um dos maiores constitucionalistas do mundo, admite que os advogados correm o risco de não serem no futuro o que são hoje. Ele cita a mudança na União Européia que passou a considerar a profissão de advogado não mais como liberal, mas como prestador de serviço.

Os advogados, segundo o professor, não serão mais necessários em causas pequenas em que o entendimento já está pacificado. “A velha banca do advogado de porta aberta — geralmente ligado a valores da República — não haverá mais. Não existirá o bom e velho Direito que aprendemos na escola”, argumenta. No entanto, não será fácil uma Justiça sem a presença dos advogados.

O Direito como uma entidade principalmente estatal também perderá força. As Constituições serão documentos históricos que representarão a soberania estatal. No entanto, o grosso das demandas será regido por esquema de regulação com normas supra-estatais. “No Direito Desportivo, quem é o responsável pelo futebol, por exemplo? A Fifa, que não é uma entidade do Estado”, lembra Canotilho. As normas da Fifa são supranacionais e supraconstitucionais. Ou os estados membros as acatam, ou são excluídos do esporte. A aviação e a medicina passam por um processo de intercionalização parecido. “Os procedimentos médicos podem se tornar mais universalistas”, diz.

Segundo o professor, a tendência é haver mais tribunais de conciliação e câmara de arbitragem. Os tratados internacionais também terão mais peso. Um caso emblemático é a mudança pela qual a Constituição portuguesa teve que passar depois da criação do Tribunal Penal Internacional, cujo tratado foi aprovado pela ONU em 1998. “Depois que se assinou o tratado, alguns itens eram inconstitucionais. A alteração da Constituição foi necessária, já que o acordo estava feito”, afirma.

Na mesma linha segue outro professor português, Diogo Leite de Campos, um dos autores do livro A Evolução do Direito no Século XXI. Para ele, não é possível pensar no fim dos advogados. “Eles continuarão importante para a defesa de seus clientes”. No entanto, ele enxergar uma grande reviravolta na forma em que funciona o Judiciário, traçando um cenário igualmente arrasador ao desenhado por Susskind.

Campos acredita que os juízes de Estado poderão acabar com o presença mais marcante das câmaras de arbitragem. Para Leite de Campos, advogados, juízes e promotores poderão seguir existindo por muitos e muitos anos ainda. Mas terão outras atribuições e desempenharão papéis muito diferentes daqueles que cumpriram até agora.

Daniel Roncaglia

é repórter da revista Consultor Jurídico.

ATHENIENSE disse:
27 de outubro de 2007 às 09:42

Ainda que a previsão possa causar surpresa, a quem não esteja devidamente atualizado com o tema, ouso discordar da possibilidade aventada. O dia em que o advogado tornar-se supérfluo, em razaõ da técnica aplicada ao direito, o mesmo poderá ocorrer com os juizes. Por maior que sejam as inovações que surgem na seara do direito isto não significa que o seu conteúdo humanístico esteja fadado a acabar.O entendimento do professor inglês não deixa de ser curioso, admitindo, mesmo, que possa encontrar adeptos, entre nós, onde há uma significativa parcela de "conhecedores" desse assunto que gostariam de ver extinta a nossa classe...

patriotabrasil disse:
27 de outubro de 2007 às 09:59

Bom dia a todos,

Que grande besteira. Imagina o que seria o mundo sem álguém para interpletar os direitos e deveres dos cidadãos?
Como sabemos em todo o mundo existem atrocidades do tipo pena de morte e quantos não recebem esse calvário mesmo sendo inocente. Já imaginaram se ainda por cima estes não tivessem direito a sere acusados por um ministério público justo, bons juizes para julga-los e advogados qualificados para defende-los?
Como conseguir esses profissionais sem a devida formação nesse segmento? Como acabar com as discórdias sem esse profissionais? Voltando a lei do mais forte?
Eu mesmo estaria perdido pois sou baixinho e bem fraquinho, não consigo fazer mal a uma mosquinha sequer.
Parem com essa besteira, oq eu acho que vai acontecer com todos os ramos do direito é uma maior conscientização da comunidade mundial no sentido de conhecer mais e mais da legislação, porém, nunca enteenderão de tudo.
Abraços a todos e bom fim de semana, Feliz Shabat a todos....

disse:
27 de outubro de 2007 às 11:02

O professor Susskind, não querendo ser mal educado, é muito sagaz e muito bom marqueteiro. Ele sabe que os advogados são uma categoria com grande número de profissionais em todo o mundo. Portanto, falar no fim de uma categoria assim, rende muito e bons comentários. Ora, sabemos que no futuro muitos categorias de profissionais sofrerão grandes modificações tendo em vista a evolução dos tempos e os avanços causados pela evolução natural, donde tudo tende a se modicar, espero que para melhor, e assim TERIA que ser. Sabemos também que a crueldade, a injustiça, os desmandos, a diferença cada vez maior entre ricos e pobres, das superpotências e os subdesenvolvidos, da ganância, etc, etc, caminham a passos largos. Isso não está modificando para melhor, como disse acima, "teria" que ser para melhor.

Assim sendo, não vejo, como vê o grande marqueteiro, Richard, que com certeza encontrou grande filão, e venderá muitos livros, uma grande ameaça à classe dos advogados, sem que todas as classes de profissionais sofram grandes modificações, que diga-se, estão a caminho. Ora, tudo tende a se modificar. As necessidades do ser humano, também!!!

Atreve-se o tempo a colunas de mármore quanto mais a sistemas e condições humanas, que são de cêra?

Parabéns ao professor pela sagacidade. Ele venderá livros por algum tempo e também terá notoriedade, por algum tempo, como tudo é passageiro!

Donde se deduz que todas as profissões, daqui a algum tempo, não mais existirão. Como a de professor que, com certeza será substituidda por um chip implantado no cérebro com tudo que se precisa saber, inclusive conhecimentos de direito.

Parabéns ao professor...

Ampueiro Potiguar disse:
27 de outubro de 2007 às 11:33

Como dissera famoso economista "a longo prazo, estaremos todos mortos." É muito tempo para a profissão ser extinta. Como anda este mundo, deveria ser extinta já. Assim como a tecnologia permite consultas médicas a até orientação de como realizar cirurgias à distância; o software que substitui arquitetos; matemáticos,et caterva, todos desaparecerão.Incluindo jornalistas. Pois todos hoje, com a internet, metem-se a ser. A grande interrogação dessa ontologia invertida é: que fazer com a turma que não terá o que fazer? Fazer amor? Jogar damas na praça? Tito ao alvo em velhos. Bons tempos virão.

Arqueiro disse:
27 de outubro de 2007 às 12:03

TOMARÁ QUE ACABE MESMO!!!!!

PELO MENOS ACABA O NOSSO SOFRIMENTO.

Orlando Maluf disse:
27 de outubro de 2007 às 12:11

O prof. inglês, ao que consta, baseia-se em observações à advocacia no mundo inteiro.
Se ele se ativesse somente ao Brasil, e aplicasse seus critérios, os cem anos estimados certamente seriam reduzidos para cinco ou dez.
Pessoalmente discordo de tais critérios, que revelam análise matemática e exata próprias de quem não considera o humanismo mais importante que as ciências mais "globalmente palatáveis".
Concordo com os ministros Marco Aurelio e Gilmar, e com o prof. Ives, quanto ao conceito imortal da advocacia.
Acredito, no entanto, que se não nos conscientizarmos da verdadeira necessidade de uma boa formação para os advogados, em breve nos transformaremos em meros burocratas diplomados.

Ramiro. disse:
27 de outubro de 2007 às 12:53

Isso é coisa de quem quer defender o próprio emprego e verbas para suas pesquisas, que não vou discutir aqui a seriedade. Infelizmente os especialistas em computação em paralelo não aparecem na mídia, são mais calados e mais eficientes.

Não tenho medo de apostar na pura falácia.

Quando a Internet apareceu surgiram incontáveis teóricos da informação vaticinando o fim do livro. O livro de papel, impresso, como se conhecia, estaria fadado ao fim. Onde?

O que eu vejo hoje é a Internet facilitando a venda de bons livros. Ninguém deixou de comprar livros, pelo contrário, há quem compre pelos comentários de especialistas reconhecidamente sérios, ou por que descobrem pela internet que autores bons publicaram recentemente.

A computação algébrica, programas como o Maple ao invés de acabarem com os matemáticos, os tornaram mais matemáticos, fazendo o trabalho de força bruta e deixando as mentes para pensarem ciência abstrata.

Cirurgias por robótica exigem um perito e bem treinado cirurgião nos comandos do outro lado da rede. O robô é a mão do cirurgião a distância.

O AUTOCAD não substituiu os arquitetos, apenas poupou as colunas dos mesmos que passam mais tempo criando e menos tempo nas pranchetas.

Lúcido mesmo foi o Ministro Sepúlveda Pertence quando afirmou que a Internet acabou com a necessidade de escritórios em Brasília para acompanhamento processual no STF.

Genial mesmo foi Kubrick em 1966 com Fahrenheit 451, livro do mais visionário Ray Bradbury que fez o texto em 1953, filme que vale ser visto, prevista toda essa retórica com décadas de antecipação.

O que eu vejo é a necessidade de advogados especialistas em contratos e delitos de informática e tecnologia da informação. Deixo aos nobres advogados já experientes a questão.

Ampueiro Potiguar disse:
27 de outubro de 2007 às 13:19

Ora direis ler Ray Bradbury. Melhor seria Rimbeau. Ou então, contratar motoristas bacharéis (em Direito, principalmente) para puxar carroças. Hoje há grande quantidade deles dirigindo táxis. Na Itália, um dos berços das artes, não por acaso, arquitetos dirigem ônibus.

Lucas Janusckiewicz Coletta disse:
27 de outubro de 2007 às 14:19

Talvez ate concorde com o professor, ao dizer que a advocacia sera extinta, mesmo porque o Estado, daqui a cem anos, comecara a observar as leis que os proprios governantes criaram, entao os advogados nao precisarao entrar na justica para defender os direitos de pessoas que nao irao mais ter seus direitos nao observados; as pessoas nao mais farao separacoes, o homem e a mulher terao uma familia bonita, ninguem mais traira ninguem, todos respeitarao os mandamentos da lei de Deus, principalmente o nao mataras, entao nao havera mais homicidios, ou ainda, o mandamento de Deus nao furtaras, entao nao havera roubos...
Ou viveremos numa republica socialista daqui a cem anos, onde nao precisa de advogados, porque Lula, Chavez e Fidel implantaram o socialismo, resolve-se tudo no paredao, que e uma otima forma de tribunal de conciliacao, ou entao, teremos chegado no fim do mundo e aqui sera o Reino de Jesus Cristo na Terra, mas por enquanto, se continuar neste desordem, o Brasil continuara precisando de muitos advogados.

Fabricio M Souza disse:
27 de outubro de 2007 às 21:23

Ufa, ainda bem que nasci no Brasil! Aqui, tem trabalho a pencas! Ainda, mais, se a turma do Partido dos Tungas (PT), passarem mais quatro anos no poder...
kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Armando do Prado disse:
28 de outubro de 2007 às 00:02

Creio que tem uma pergunta anterior a que faz o Richard da reportagem: o ser humano ainda existirá daqui a 100 anos?

nersoedil disse:
28 de outubro de 2007 às 07:12

Creio que a reportagem não dá o correto enfoque ao tema. O pesquisador não vislumbra o fim da profissão, mas sua completa mutação.
Não se trata de uma tese escatológica, mas simplesmente óbvia; na sociedade ocidental hodierna, não é corrente que os fenômenos sociais se mantenham inalterados no curso de muito tempo.
Por certo se trata apenas de uma afirmação de impacto para chamar a atenção dos leitores aos argumentos que posteriormente lançará, para apontar quais os novos contornos que adotará a profissão.
A reportagem somenta dá o enfoque devido quanto aos demais entrevistados.
Mas nesse momento, já chamou a atenção do leitor...

Pinheiro disse:
28 de outubro de 2007 às 12:09

Gente, a tese não é de que não vai haver mais pessoas para defender os direitos dos cidadãos. Vai ser o fim dos advogados como os conhecemos hoje porque todos vamos ser advogados.

Antigamente, uma pessoa precisava entrar numa faculdade, passar anos estudando e mais uns tantos trabalhando para compreender "os meandros da lei". Hoje em dia, todas as peças, decisões dos tribunais e leis estão disponíveis na Internet. Cada vez mais, cada cidadão percebe que os advogados são, na grande maioria dos casos, desnecessários.

Um dia, a sociedade vai se revoltar contra essa reserva de mercado que existe hoje e defender que qualquer cidadão possa exercer atos da advocacia sem precisar ter diplomas e títulos.

Além disso, a tendência é que o estado tenha cada vez menos importância e o direito se torne privado. Não precisamos do estado para regular o futebol e não precisaremos dele para regular os contratos de trabalho, de prestação de serviços, etc. Tribunais particulares tomarão conta disso.

Edna disse:
28 de outubro de 2007 às 15:48

Daqui a 100a nos nem sei se minha filha estará viva, ou se algum meteoro bateu na terra. Ou se jesus terá retrornado. Por ora, sou advogada e preciso pensar em coisas mais práticas (como a minha anuuidade da oab doe 2008) do que nessas teses idiotas feitas pára quem não tem o que fazer, ler.

Urpiano disse:
29 de outubro de 2007 às 00:19

Quer dizer então que, no futuro, em meio a essa explosão demográfica, com a universalização de uma consciência ambiental, de um conhecimento maior das normas, das garantias, dos deveres de cada indíviduo,da explosão da renda e do consumo, e das interelações sociais internas e as internacionais mesmo assim, o teórico supõe que se deverá abster da figura do mediador dos conflitos?O fato de alguém conhecer a norma, então, diminui a necessidade de um advogado? Considero que na prática acontece justamente o contrário, aumenta a demanda pelo serviço do profissional.

Rodrigo Zampoli Pereira disse:
29 de outubro de 2007 às 09:58

Respeito o posicionamento do professor inglês, mas discordo. Qualquer cidadão seja ele intruido ou não, quando quer qualidade juridica contrata um bom Advogado, seja no contencioso, consultoria ou consensual. Contrata Advogado com "A" maísculo. O que já é possível enxergar são pessoas que entram até o teto de 20 salários mininos nos Juizados Especiais sem a presença do bom profissional (Advogado), e a outra parte vem bem acompanhada em sua defesa técnica, aí começa a correria para contratar um Advogado e tentar salvar os pedidos da inicial. Isso constato com frequência em meu escritório.

Rodrigo Zampoli Pereira disse:
29 de outubro de 2007 às 10:01

Imperisoso salientar que aquelas pessoas que insistem ficar sem a defesa técnica, regra geral perdem os processos. Não é corporativismo, é o que eu constato na prática.

Marcelo Augusto Pedromônico disse:
29 de outubro de 2007 às 16:35

Quer dizer então que é "reserva de mercado..."

E "a sociedade vai se dar conta disso, porque a transformação é na facilitação do conhecimento"...

Quer dizer que não há diferença entre o conhecimento científico e o conhecimento empírico? Aprendi tudo errado... puxa...

Então, meu caro, isso vai acontecer também com os médicos, com os contadores, com os administradores, com os farmacêuticos???

Quer dizer que em breve teremos gente fazendo remédios em casa?? Que legal!!

Meus bisnetos poderão fazer um transplantezinho de coração no quartinho do fundos de casa, desde que bem desinfetadinho?? Que bom!

Alguém poderá decidir a respeito do inventário dos meus netinhos, desde que já tenha tido algum defunto próximo na família...

...

Zerlottini disse:
29 de outubro de 2007 às 22:51

Que me desculpe esse professor lá das "ingréia", mas são duas profissões que não acabarão nunca: a de advogado e médico. Afinal de contas, ambas têm "reserva de domínio". Há de chegar o dia em que, pra se comprar um comprimido de R$0,50, a gente vai ter de pagar uma consulta de R$200,00. Porque, saúde pública e defensoria pública, neste país, não funcionam. Se alguém me acusar de alguma coisa, eu sou OBRIGADO a ter um advogado, pra poder chegar à "justiça" e me defender da calúnia.
E ainda costuma acontecer o que aconteceu comigo. Eu vendi um carro e o sacana só me pagou metade e me deu um cheque (borracha), que está aqui em casa, até hoje. Dei parte, arranjei um advogado, fomos ao fórum, minha mulher, minhas testemunhas e eu. Os acusados, foram "convidados" - foram convidados, pois não compareceram e o juiz não mandou buscá-los. E tudo ficou por isso mesmo. Eu paguei o advogado e tomei o cano do cheque. Ficamos, minha mulher, meu advogado e eu, "batendo papo" com o juiz. Esta é a "dona justiça" brasileira.
Francisco Alexandre Zerlottini. BH/MG.

Luís da Velosa disse:
29 de outubro de 2007 às 22:52

Esse inglês pode estar com a razão. Mas, uma coisa é certa: daqui a 100 anos, o neto do guitarrista dos Rolling Stones, Keith Richards, vai também poder cheirar cocaína, misturada com as cinzas do profeta "celta".

allmirante disse:
29 de outubro de 2007 às 23:10

Nao ha quem saiba responder coetamente o que venha a se a justica. Eu sei. E um artificio ciado por Platao pa tomar grana de trouxa.
Viverei os cem anos. Como Keith Richards. Vai ver, esta cansado do podre odor dos falsos moralistas, por isso prefee outros cheios.
Verei os sanguessugas no mato sem cachoro.

Eri Coelho - Jornalista disse:
30 de outubro de 2007 às 07:52

O professor não sabe de nada, aqui no Brasil a profissão de advogado já acabou para muitos, vejamos:

1. Os Juizados Especiais afastaram os advogados nas causas até 20 salários mínios, no âmbito federal até 60 s.m.

2. Na Justiça do Trabalho também não precisa de advogado.

3. Os processos demoram décadas, isso faz com que muitos clientes deixem de pagar seus advogados, seja parcial ou totalmente.

4. A grande demora do Poder Judiciário, principalmente no TJSP, desestimula a propositura de ações esvaziando a clientela do advogado.

5. Os advogados não têm férias, portanto, ou abandonam a profissão ou morrem enfartados, estressados...

6. O custo de atualização é alto, há uma edição diária de leis, normas, portarias, regulamentos, MPs e outros... que obriga ao advogado gastar muito para saber o que acontece, seja por meio de livros, cursos, palestras, acesso à internet, etc.

7. A OAB que cobra anuidade alta e praticamente nada faz em benefício dos advogados.

João disse:
30 de outubro de 2007 às 08:56

Saudades do “causídico”!

O controverso professor pode até ter razão, a nobre profissão da advocacia vigora entre uma das mais atacadas nos últimos anos, ser advogado no Brasil tem ficado cada vez mais difícil e complicado. Resultado, jovens mentes brilhantes acabam por aproveitar seus conhecimentos na busca frenética por uma vaga em empregos Públicos. A moda agora é ser Juiz, Promotor ou quem sabe Procurador. O “nobre causídico” tem sido esquecido, desvalorizado. Lembro-me quando mais jovem, via na figura do advogado uma pessoa culta, ponderada, extremamente diferenciado, hoje, vemos advogados de todo jeito. É verdade que ainda existem “causídicos” como antes, que escolheram a nobre profissão por verdadeiro amor, não por conveniência. E de quem é a culpa? Não vislumbro outra culpada senão a OAB. A referida ordem nunca esteve tão desprestigiada como agora. Perdeu força, perdeu respeito, passou a ser um órgão político e não uma entidade de classe.
Mas, quem sabe a coisa muda, o mundo dá voltas e, talvez, venhamos novamente ter em nosso meio aquela saudosa figura do “ILUSTRE CAUSÍDICO”

rodolpho disse:
30 de outubro de 2007 às 09:28

Parabéns! Parabéns! Parabéns!
Ao Professor Richard Susskind.
Neste mundo, em que todos são invisíveis, ele conseguiu aparecer de maneira arrasadora. E todos, desde as mais altas personalidades e autoridades do país e do mundo, mergulharam de cabeça na tese por ele proposta.
Quero a fórmula! Quero a fórmula! Quero a fórmula!
Ser famoso e ganhar essa grana toda; ganhar em libras, em euros, em dólares, e até, pasmem todos, até em reais!
Quero a fórmula!
Não é fácil ser profeta: Izaias, Jeremias, Ezequiel e Daniel, que o digam!
Quero ficar amigo, confidente e defensor do Professor Richard Susskind.
Ele é inteligente, pois venceu, e inteligente é quem vence.
Se eu me tornar amigo dele vai ser ótimo. O único problema é que, quando eu for contar uma piada a ele, ele, sendo profeta, se antecipará, dará uma enorme gargalhada, e dirá: “ESSA PIADA VAI SER MUITO BOA!”

Dr. Tarcisio disse:
30 de outubro de 2007 às 10:17

É....ESTE TIPO DE PREVISÃO É BEM INTERESSANTE, AFINAL, NENHUM DE NÓS ESTARÁ AQUI PARA COMPROVAR SE TAL FATO SERÁ VERDADEIRO OU NÃO.

Mas analisando a coisa pela LÓGICA, creio q o futuro da advocacia é muito mais amplo...ao contrário VEJO O FIM DO JUDICIÁRIO QUE TORNOU-SE 'GORDO - PESADO - LENTO E FALIDO' e a participação EFETIVA DE ADVOGADOS nas causas, para a solução de conflitos.

Enfim, só o tempo dirá..!!!

Castro Maia disse:
30 de outubro de 2007 às 10:39

Penso que o prognóstico do autor está equivocado.
Hoje, a necessidade do advogado é maior do que há alguns anos, apesar da existência de procedimentos judiciais que não exigem sua participação (como no caso dos Juizados Especiais).
Com a globalização, a massificação das relações humanas e a crescente complexidade do Direito, decorrente da própria diversificação das relações que tutela, cada vez mais será necessário o advogado. E cada vez mais especializado. Talvez seja o fim do advogado que pratica a "clínica geral".
O prognóstico é similar a outros formulados acerca da propagação do computador pessoal. Imaginava-se que, que com a difusão do computador e a utilização da internet, seria o fim do papel. Contudo, o papel nunca foi tão utilizado...

futuka disse:
30 de outubro de 2007 às 11:04

Alguém por aí está se dando conta desse grave problema..e quanto ao PROFESSOR provavelmente substituído por "instrutores-de-uso"(?)sabe, como anda a internet, tentem imaginar, né!? ..rs
Bem, eu fui aluno nos anos cinquenta ..eu sei!

Citoyen disse:
30 de outubro de 2007 às 11:10

Rio de Janeiro, 30/10/07
A verdade é que os Professores Susskind, Canotilho e Diogo Leite Campos NÃO ESTÃO dizendo nada demais, que a prática do DIREITO, em diferentes países, já não esteja sinalizando.
As estuturas jurídicas internas de empresas japonesas, por exemplo, na maioria das vezes NÃO SÃO FORMADAS por Advogados. Elas se constituem de profissionais que fizeram cursos de aperfeiçoamento em negócios, em contratos ou em qualquer atividade industrial, em que algum conhecimento técnico seja necessário.
Na Europa, em vários países, não sendo os Tribunais do Trabalho órgão judicial, já não há justiça do trabalho.
Na França, em que o Judiciário se encontra no mesmo nível do CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO, os Advogados se fazem ainda necessários, porque a legislação cria uma espécie de ESPECIALISTA, para atuar em certos tribunais.
No Brasil, NÃO SE FORMAM ADVOGADOS para a atividade de CONSULTORIA e para a MILITÂNCIA EMPRESARIAL, que difere totalmente daquela JUDICIÁRIA.
A verdade é que o ENCAMINHAMENTO de uma SOLUÇÃO EMPRESARIAL tem que engajar o ADVOGADO na assunção de certos riscos, a que os Advogados Judiciários não sáo afeitos a assumir.
Até mesmo já há ausência de profissionais habilitados a atuarem nos JUIZADOS ARBITRAIS -e só me refiro aos sérios e NUNCA àqueles que foram improvizados por toda a parte!-em que a prática do DIREITO se faz de forma diferente daquela preconizada e necessária, ainda, na advocacia judiciária!
Portanto, TODOS os ESTRANGEIROS que estáo se manifestando sobre o tema têm razáo.
E esta mudança é uma realidade internacional e nós, brasileiros, temos que estar preparados para ela. E deveríamos estar nos preparando através da REFORMA do ENSINO JURÍDICO no BRASIL!
Pedro José Alves, Advogado.

Gilson Raslan disse:
30 de outubro de 2007 às 12:33

A figura do advogado só vai desaparecer, quando não mais existir conflito de interesses na sociedade, o que jamais acontecerá entre os terráquios.

Valter disse:
30 de outubro de 2007 às 14:05

Pra daqui a cem anos, qualquer previsão é válida! Afinal, o profeta dificilmente estará vivo mesmo... Na minha modesta opinião, enquanto existir gente com idéias diferentes, é possível a existência de conflitos. E, existindo conflitos, indispensável que haja alguém para expor as idéias e um outro alguém para decidir, bem ou mal, qual delas deverá prevalecer. Lembremo-nos de que "mesmo entre os anjos pode haver diversidade de opinião, sem que isto lhes diminua a santidade", como afirmou o Padre Antonio Vieira há muitos e muitos anos. Salvo engano, houve alguém que previu, na virada do século XIX para o século XX, que "não havia mais nada para ser inventado". Graaaande profeta!

Valter disse:
30 de outubro de 2007 às 14:05

Pra daqui a cem anos, qualquer previsão é válida! Afinal, o profeta dificilmente estará vivo mesmo... Na minha modesta opinião, enquanto existir gente com idéias diferentes, é possível a existência de conflitos. E, existindo conflitos, indispensável que haja alguém para expor as idéias e um outro alguém para decidir, bem ou mal, qual delas deverá prevalecer. Lembremo-nos de que "mesmo entre os anjos pode haver diversidade de opinião, sem que isto lhes diminua a santidade", como afirmou o Padre Antonio Vieira há muitos e muitos anos. Salvo engano, houve alguém que previu, na virada do século XIX para o século XX, que "não havia mais nada para ser inventado". Graaaande profeta!

Pedro Afonso Gomes disse:
30 de outubro de 2007 às 14:44

A propósito, impossível não lembrar da estorinha dos três amigos - um médico, um advogado e um economista - discutindo, à mesa de um bar, qual era a profissão mais antiga da humanidade. "É o médico, pois está escrito que Deus tirou uma costela de Adão, função privativa de médico". "É o advogado, porque está escrito que, antes de criar o homem, Deus colocou ordem no caos, e isso é função do advogado". Ao que o economista respondeu: "E quem vocês acham que criou o caos?".
Dizer que a função hoje exercida por advogado, economistas e médicos será realizada de outra forma, daqui a 100 anos, não é novidade alguma. E que a disseminação da informação também facilita a menor dependência das pessoas em geral desses profissionais, também não espanta. O economista só existe porque alguém precisa orientar a utilização dos recursos escassos, e ele tem o instrumental para tanto, mas desde que tais instrumentos sejam compreendidos por maior número de pessoas, o economista só será chamado para casos mais complexos. Do mesmo modo o advogado, que domina as leis e as técnicas de argumentação. Está claro que a ineficiência do Judiciário acaba levando as pessoas a soluções negociadas, extrajudiciais, portanto é necessário que advogados e peritos, por exemplo, percebam que não podem sustentar-se apenas com causas judiciais. Mas o seu conhecimento específico sempre será necessário. A pergunta é: quantos poderão dedicar-se exclusivamente à advocacia? Será que o número que está sendo preparado pelas universidades? Mais uns 3 anos, o Estado de São Paulo terá 1 advogado para cada 100 pessoas. Não é muito?

Diaz disse:
30 de outubro de 2007 às 15:52

A tese é interessante. Gostei.

MAFFEI DARDIS disse:
30 de outubro de 2007 às 16:15

ORA, DAR CRÉDITO A TAIS PAROLAS, NADA MAIS É QUE ACREDITAR QUE GATO VOA.

O GRANDE MAL NO BRASIL É DAR CRÉDITO A MITOMANIA, MORMENTE DO ESTRANGEIRO.

FERNANDO MAFFEI DARDIS.
ADV. CRIMINAL.

acdinamarco disse:
30 de outubro de 2007 às 17:31

A impressão que tenho é que o Advogado, enquanto profissional liberal, aquele que tinha "banca de Advogado", já não existe há tempos. A Advocacia artesanal de Waldir, Alceu, Raimundo, Talles, Toledinho, Ianni, Biazzoti, e etc., há muito desapareceu. Hoje...
acdinamarco@aasp.org.br = al. joaquim eugênio de lima, 696 = cj. 34 = fone: 3294-1935 = São Paulo.

Serjão disse:
30 de outubro de 2007 às 19:51

Só saberemos, ah ah ah, nós não, mas na minha opinião, enquanto existirem "homens da Lei" julgando contrariamente a tudo que a Lei diz, necessitaremos sempre dos bons advogados para fazerem prevalecer nossos direitos. Todas as profissões devem "super-lotar" o mercado, mas os bons profissionais continuarão "vivos"

ANTONIEL disse:
31 de outubro de 2007 às 00:21

É DIFÍCIL QUE AS ATRIBUIÇÕES ADVOCATÍCIAS ACABEM, MESMO DAQUI A 100 ANOS. NA EUROPA E NOS PAÍSES MAIS DESENVOLVIDOS IRÃO INEVITAVELMENTE PASSAR POR MUDANÇAS ABISAIS, INCLUSIVE AS ATRIBUIÇÕES DE PROMOTORIA E MAGISTRATURA.

NO BRASIL, POR OUTRO LADO, MUITOS SÉCULOS VÃO SE PASSAR ATÉ SE INICIAR MUDANÇAS SIGNIFICATIVAS. PAÍS ONDE JUÍZES, PROMOTORES E DELEGADOS AINDA SÃO CHAMADOS DE DOUTORES, A POLÍCIA É MILITARIZADA, O VOTO É DE CABRESTO, PAÍS ONDE A LEI É PARA TODOS, MAS A JUSTIÇA PARA QUE PODE PAGAR OU DAR UM JEITINHO, PAÍS ONDE AINDA CONSIDERO QUE SOMOS BÁRBAROS É DIFÍCIL IMAGINAR UM FUTURO DIFERENTE OU MELHOR!

Skeptical Eyes disse:
31 de outubro de 2007 às 00:54

De certa forma concordo com a previsão pessimista do comentado autor. Não concordo com o termo desnecessário mas sim desempregado. Por alguns motivos que listo:
1) O processo, especialmente o cível engessa a inverdade. É rígido quanto ao momento da produção e apresentação de provas e castiga a parte mesmo quando o erro é do advogado.
2) Os julgamentos "excessivamente processualistas" julga procedimentos e não a causa. Aos Srs. que são do ramo pergunto: quanto do mérito é apreciado nos julgamentos? Já lí aqui mesmo neste site Ministro do STJ reclamando que estava fazendo trabalho de juíz de 1ª instância tal o número de agravos de instrumento que recebem.
3) Os custos processuais cobrados pelo Estado não são assim tão grandes mas a contratação do advogado qualificado para gerir tal processualística é muito oneroso.
4) Cada vez mais se percebe pelos exames da Ordem que a formação profissional está cada vez pior dado a baixa aprovação.
5) Outra crise que se avisinha(no Brasil) é muito mais profunda: a descrença em todo o sistema e um possível retorno à justiça com as próprias mãos.
Coisas muito estranhas acontecem: Habeas corpus para réu confesso, poderosos econômicos(por exemplo os Estados e seus precatórios) que usam os processos para postergar cumprimento de obrigações.....entre outros. Tudo isso faz do cidadão leigo que sustenta a máquina um descrente.
Portanto, diria que se as câmaras de arbitragem proliferassem no Brasil esta seria a melhor hipótese das previsíveis.
6) A obsolescência técnica já soterrou profissões que não gozavam de obrigatoriedade constitucional. Valerem-se portanto dessa obrigatoriedade revelaria a meu ver cegueira mercadológica e um arriscado gráu de prepotência, ou seja, "aceitem-me como sou pois você está obrigado!"

BrunoAlmeida disse:
31 de outubro de 2007 às 09:42

Bruno Almeida - Creio que há um equívoco do professor inglês, pois o advogado não é um mero argumentador com base na disposição fria da Lei, é também interprete da mesma a luz dos princípios de direito e um construtor de pensamentos jurídicos que ensejam a formação de entendimentos dos tribunais.
O advogado como intérprete e pensador do direito não irá acabar, pois ele é um técnico com maior conhecimento da matéria e treinamento para formular argumentação sobre o texto de lei e o direito na situação jurídica particular ou na transindividual, sem advogado creio que não haverá oxigenação do direito e este tenderá a não evoluir como se espera dele.
Há sim, é verdade, uma tendência a certas demandas por atividade de advogado, em padronizar e uniformizar argumentação jurídica, quase sempre para baixar custos e atender a exigências dos contratantes, mas tal situação não é a única no direito.
Desta forma concluo que de permanece a verdade da disposição do art.133 da Constituição, qual seja, o advogado é de fato "indispensável à administração da justiça".

não disse:
01 de novembro de 2007 às 09:11

O QUE IMPORTA É ESTAR REPRESENTADO, ACOMPANHADO. SE O ADVOGADO MORRER, O QUE FAZER COM A TESTEMUNHA?

Gui Rodrigues disse:
11 de novembro de 2007 às 09:32

Peço perdão por não ter lido o artigo inteiro, mas prever a extinção do advogado é o mesmo que prever a extinção do professor, afinal, o estudante pode ler enciclopédias monumentais, tem acesso a milhares de livros em bibliotecas...

corravi disse:
29 de dezembro de 2007 às 11:04

Este artigo , no meu modo de entender, trata-se de uma grande utopia.
o professor inglês ,autor do texto, é especialista em direito inglês que é um direito costumeiro.
o Direito costumeiro é um direito antigo que tende a se modificar.
Na nosso ordenamento jurídico temos um exemplo nato dessa tendência mundial sobre esta importância da codificação de leis que é o Código de defesa do consumidor, código este que teve um grande reconhecimento jurídico em diversos países.
o Pensamento deste nobre professor parece que revela um certo desconhecimento acerca da função do verdadeiro operador do direito.
A globalização, a modernização telemática, a informática e etcr só tendem a massificar as relações jurídicas entre as pessoas e o Estado.
o advogado é uma das profissões mais antigas que existe e sinceramente não acredito que aconteça essa utopia desenvolvida pelo eminente professor.

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