Francisco Codevila

é pós-doutorando, doutor e mestre em Direito. Juiz federal em Brasília.

Cessão de conta laranja e lavagem de capitais: concurso de pessoas e consunção

A Lei nº 15.397/2026 introduziu no Código Penal o artigo 171, § 2º, VII, passando a prever como modalidade equiparada ao estelionato a conduta de quem “cede, gratuita ou onerosamente, conta bancária para que nela transitem recursos destinados ao financiamento de atividade criminosa ou que dela sejam fruto”. A inovação legislativa provocou intenso debate doutrinário […]

Coaf e reserva de jurisdição

Em recente artigo, tive a oportunidade de fazer um breve histórico sobre as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça em relação ao tema do compartilhamento de dados pessoais financeiros entre o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e os órgãos de persecução penal, e de salientar alguns aspectos […]

Compartilhamento de RIF: abrangência da decisão proferida no RE 1.537.165-SP

Nesta semana, o ministro Alexandre de Moraes, relator do Recurso Extraordinário nº 1.537.165-SP, que tramita sob o rito da repercussão geral, proferiu, a pedido da Procuradoria-Geral da República, decisão no sentido de “determinar a suspensão, em âmbito nacional, de todos os processos pendentes que tratem da matéria discutida no Tema 1.404 da Repercussão Geral, conforme […]

RIF e direito fundamental à proteção de dados pessoais

O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário (RE) nº 1.055.941/SP, sob a sistemática da repercussão geral (Tema 990), fixou a tese no sentido de que é válido o compartilhamento dos relatórios de inteligência financeira (RIFs) com o Ministério Público e a polícia, para fins criminais, independentemente de prévia autorização judicial. “1. É constitucional […]

Direito Penal (financeiramente) possível: menos é mais efetivo

A corrente punitivista do pensamento político-criminal, que defende o Direito Penal como o mecanismo de pacificação social mais eficaz e ensejou políticas repressivas como a da “Lei e Ordem” e “Tolerância Zero”, sustenta que o pensamento jurídico-penal dominante se encontra desconectado da função do Estado de proporcionar segurança pública. Freepik Segundo alega, o foco da […]

Corrupção passiva e lavagem de capitais: concurso aparente de normas (consunção)?

O presente artigo tem por objetivo realizar uma breve análise da relação dogmática entre os tipos penais da corrupção passiva e da lavagem de capitais. Em especial, verificar a possibilidade de resolução do aparente conflito entre as referidas normas através da incidência do critério da consunção ou absorção. Assim sendo, suponha-se a seguinte situação: um […]

Francisco Codevila: População de rua e cautelares alternativas

Segundo o artigo 282, §6º, do CPP, a prisão preventiva somente poderá ser decretada pelo juiz se não for cabível a aplicação de medida cautelar alternativa menos severa. Os pressupostos para a aplicação das medidas cautelares alternativas são basicamente os mesmos da prisão preventiva. Em suma, na atualidade, a prisão preventiva ostenta caráter subsidiário, vale […]

Francisco Codevila: A origem da teoria da descoberta inevitável

A teoria da descoberta inevitável das provas (inevitable discovery exception) foi desenvolvida pela Suprema Corte norte-americana, no julgamento do caso Nix v. Williams, em 1984. Considerou-se que a confissão obtida através de perguntas realizadas por um policial que conduzia o acusado de homicídio, da cidade onde foi preso até a cidade onde o crime ocorrera, […]

Francisco Codevila: O juiz e o ANPP: o necessário exame das provas

Atualmente, o ordenamento jurídico brasileiro dispõe dos seguintes mecanismos de Justiça penal negocial: transação penal para crimes de menor potencial ofensivo (artigo 76, Lei nº 9.099/95), suspensão condicional do processo (artigo 89, Lei nº 9.099/95), colaboração premiada (Lei nº 12.850/2013) e acordo de não persecução penal (artigo 28-A do Código de Processo Penal, instituído pela Lei nº […]

Francisco Codevila: O princípio da subsidiariedade do Direito Penal

1) Introdução A denominada criminalidade clássica, praticada essencialmente contra a vida e a propriedade privada, tem por características a possibilidade de delimitação da autoria, do espaço, do tempo, do modus operandi e dos seus efeitos, tal qual o característico crime de homicídio consumado, praticado na presença de testemunhas. Na verdade, essa é a base metodológica […]