Disse-me alguém que os esquerdistas mais radicais que apoiaram a candidatura do nosso atual presidente exigiam a implantação de uma tal de “Ditadura do Proletariado”. Isso teria sido decidido numa reunião onde várias garrafas de vodka foram consumidas.
O porta-voz dessa esquerda “polonesa” (bem diferente da “escocesa”, que apoiava outro candidato e consumia apenas uísque) transmitiu o recado por telefone a uma pessoa que não entendeu bem o que ouviu e, além disso, tinha uma letra péssima.
Recebida a mensagem manuscrita, a secretária equivocou-se e no documento datilografado constou “protelatória” no lugar de “proletariado”. O equívoco não foi percebido e a exigência vem sendo cumprida integralmente.
Os integrantes da esquerda estão a implantar neste país a Ditadura Protelatória, comandada por uma nova “nomenklatura” de burocratas egressos do sindicalismo ou mesmo das academias mais renomadas.
Alguns desses acadêmicos parecem graduados nos botecos que proliferam no entorno das universidades e se leram alguma coisa certamente não entenderam, da mesma forma que hoje não entendemos o que eles escrevem, falam ou fazem.
Vamos aos fatos. No discurso de posse de seu primeiro mandato o nosso atual presidente garantiu que uma de suas prioridades era a Reforma Tributária, que até hoje não saiu do papel. Diz agora, reeleito, que a “prioridade” continua, como se assuntos prioritários pudessem ser indefinidamente adiados. Claro que se trata de mais uma conversa mole para boi dormir…
Os itens fundamentais de qualquer Reforma Tributária que se pretenda séria para este país podem ser contados nos dedos de uma só mão e ainda sobram dedos, mesmo que a pessoa não os tenha todos. São apenas três esses elementos essenciais da Reforma Tributária de que necessitamos:
1º redução da carga tributária;
2º simplificação da burocracia fiscal;
3º estabilidade das regras e normas tributárias;
A proposta que vai ser encaminhada ao Congresso nos próximos dias não contempla o atendimento de nenhuma dessas necessidades.
A redução da carga tributária não está clara ou implicitamente inserida no que se anunciou até aqui. Ao contrário: já se fala em revisão para maior das alíquotas do imposto de renda e a ampliação (especialmente nos tributos estaduais) da substituição tributária já de imediato vem causando uma pressão maior nos preços de determinadas mercadorias. Exemplo: o que se fez com medicamentos acaba de inviabilizar o fornecimento a preço mais baixo nas entidades assistenciais, cuja imunidade tributária, fixada na Constituição, vem sendo desrespeitada pela voracidade fiscal que impera nos governos perdulários, sejam eles deste ou daquele partido.
A simplificação da burocracia fiscal não recebeu na proposta qualquer atenção. Anunciou-se que a fusão da Receita Federal com a Previdência facilitaria a vida do contribuinte, mas isso é uma farsa até agora. O INSS continua matando os velhinhos nas filas, negando benefícios sem qualquer pudor e até mesmo descumprindo ordens judiciais, o que é tolerado por alguns juizes covardes que não hesitam em prender contribuintes, ou bloquear contas a torto e a direito, ao mesmo tempo em que, ante uma desobediência de um burocrata qualquer, se limitam a enviar ofícios dilatando prazos.
Se algum desses juizes “fazendeiros” se sentir ofendido e me interpelar, direi de público seus nomes e os números dos processos. Provas disso há às dúzias!
No âmbito da Receita Federal a tal fusão conseguiu piorar a porcaria de serviço público que tínhamos antes. Há pessoas que esperam mais de três meses para abrir uma firma ou mesmo uma ONG, apenas porque alguns funcionários públicos não cumprem sua obrigação. Não observam prazo, ficam no horário de expediente se “coçando” e atendem muito mal seus patrões, ou seja, nós, os idiotas que pagamos impostos.
Aceito, também aqui, o desafio de dar “nome aos bois”. Se interpelado judicialmente, darei nomes, números de processos, etc. e tal, ressalvado um ou outro caso em que o cliente (ou “vítima”) não me autorizar…
Já a Secretaria da Fazenda, no próprio “sistema” do Sintegra, confessa que demora para atualizar seus dados. Um cliente de meu escritório já mudou de endereço há meses, mas até hoje o tal “Sintegra” registra o endereço antigo.
Uma vergonha, já que o computador foi inventado para fazer isso na hora ou “on line” como preferem os professores-doutores, enquanto no tempo da fichinha de cartolina não havia essas falhas.
E no âmbito da nossa Prefeitura, a mesma coisa: uma empresa que ficou inativa porque não tinha clientes e agora quer voltar às atividades porque os conseguiu, tem que esperar quatro meses ou mais para poder conseguir autorização para emitir notas fiscais. Ou seja: alugou nova sede, contratou funcionários, fez contrato, mas não pode emitir nota fiscal e pagar imposto, porque a burocracia não deixa. Os burocratas que a impedem de trabalhar , claro, continuam recebendo salários ou mesmo comprando tapioca com o cartão corporativo….
Quanto ao terceiro item, ou seja, a estabilidade das regras e normas tributárias também não existe no tal projeto de reforma qualquer indício ou promessa de que seja alcançado. Continuamos dormindo hoje sem saber qual a norma que vai valer amanhã. Todo dia o burrocrata de plantão faz uma nova norma qualquer, ignorando no mais das vezes as normas da Lei Maior e os direitos do cidadão. São os mini-ditadores de guichê, os reizinhos de “hollerith”, as “princesinhas” de crachá no peito…
Por essas e mais aquelas é que o Brasil não consegue ter o mesmo índice de crescimento de países bem menos favorecidos com extensão territorial, riquezas naturais e tantas outras facilidades.
Crescemos apesar de alguns governantes despreparados ou mal intencionados; apesar da nossa “nomenklatura” formada em boa parte por apedeutas arrogantes e estúpidos; apesar dos nossos muitos legisladores preguiçosos ou mesmo corruptos; e até mesmo apesar de um Judiciário que descobriu, em pesquisa de opinião, que o animal que o simboliza é a tartaruga…
Essa Ditadura Protelatória é que inviabiliza a reforma tributária que o Brasil precisa; impede o empresário de trabalhar; rouba a esperança dos que procuram a Justiça; desilude os que acreditam nas pessoas em que votaram e ainda faz com que jovens pensem em vender o seu talento e os seus sonhos a quem os possa pagar fora do nosso país.
Nós, que um dia arriscamos nossas vidas gritando viva o proletariado, somos agora instados a gritar: abaixo os proteladores!
Precisamos sair do tunel do tempo. Há uma luz no fim dele. Não está em questão a implantação da ditadura do proletariado, mas, da democracia. Essa não é uma ninfa, a irmã siamesa da imprensa, a ser cantada em versos parnasianos, mas, o objeto da nossa luta diária. É a luta pelo direito, a que se refere Ihering. Emblemática a questão da CPMF. Suas prorrogações sempre foram tratadas no recôndito dos gabinetes legislativos. Comentavam sobre elas, apenas, os especialistas, já que o assunto era vetado aos “leigos”, embora esses arcassem com seu ônus financeiro. A discussão sobre a reforma tributária deve ser aberta, com a participação, na medida do possível, do maior contingente da população, que deve defender seus direitos. Não pode ser um projeto capitaneado, exclusivamente, pela Fiesp e seus mandatários. O cidadão tem de opinar, contestar. Se queriam desburocratizar, por que extinguiram a CPMF? Não é só o povão que deve ser ouvido. O empresário Eike Batista, há pouco tempo, disse que a carga tributária, no Brasil, não é muito elevada. Aqueles que estivessem descontentes, poderiam ir para o Canadá, para ver o que é bom. A mídia tem de ouvir e divulgar as opiniões divergentes, senão nossa democracia continuará a ser a irmã siamesa do parnaso, e o povo continuará alijado das grandes decisões políticas.
Resta razão ao Dr. Raul Haidar. Apenas, um pequeno equívoco. O lado responsável por esta situação é a direita. Sim, direita, mercê da economia que temos que favorece a especulação e os bancos. Lula para viabilizar avanços sociais e normalidade política trouxe para o governo o PMDB, ou seja, os mesmos que (des)governaram o país junto com os tucanos e demos. À esquerda, sobrou as políticas sociais e culturais que, diga-se de passagem não é pouco, mas a máquina econômica é tocada à direita. Simples assim, meu caro Dr.Raul.
Parabenizo o Dr. Raul Haidar pela, brilhante, exposição e pela denominação correta e adequada que dá à "esquerda arrogante, incompetente e fracassada", que pratica, com naturalidade, (10 vezes mais) todos os erros que, sempre, condenou nos governos adversários ! ! !
Caro Moreira. Em 1963, durante o governo João Goulart, todas as discussões eram centradas nesse ponto: esquerda ou direita. Quarenta e cinco anos depois, isto é, quase meio século, continuamos com o mesmo refrão. Está na hora de discutirmos a reforma tributária. Somos leigos, mas, não somos ignorantes. Podemos entender, opinar. O fundamental é que a reforma não fique restrita ao recôndito dos gabinetes legislativos, ou seja conduzida, unicamente, pela Fiesp e seu pessoal. É necessária a participação do cidadão, porque é ele quem paga os impostos. As questões em discussão devem ser levadas ao público, deixando de lado os costumeiros clichês: a) o governo gasta mal; b) a carga tributária é muito elevada. Algum dos poderes de República irá diminuir seus gastos? As sedes judiciárias e legislativas serão construídas a preços módicos? Então, como iremos reduzir a arrecadação?
Realmente, Embira. Que se faça qualquer reforma, mas sem monopólio de FIESP, Febraban e quejandos, ou então, sob a "proteção" do deus mercado. Tem que se fazer a reforma respeitando a supremacia do interesse público.
O artigo até que estava "engraçadinho" em seus primeiros parágtrafos, quando descambou para o palavreado chulo e preconceituoso, isso nas ocasiões em que o articulista não fugiu completamente do assunto. Certamente fruto de quem não enxerga outra coisa que não uma pseudosupremacia de uma elite cansada e inconformada por não ter tido a capacidade de fazer o país crescer com distribuição de renda.
"Nós, que um dia arriscamos nossas vidas gritando viva o proletariado, somos agora instados a gritar"
Ora proletário enquanto estão la no chão da fabrica , na mesa do escritório ou no caixa do banco , vivendo do que conseguem receber do seu trabalho. Entretanto ,quando deixam o chão da fabrica , e suas atribuições para galgarem o "pude", a direção a chefia, pode ser tudo menos proletário.
Proletário é o cidadão mais pobre, o último da classe do povo, ele é isento de pagar imposto, os romanos só o consideravam útil pelos filhos que tinha.
.......................
[editar] Trabalho Proletário
O trabalho proletário surge com a Revolução Industrial. Com o surgimento da Indústria, o proletário passa a ser um empregado, recebendo um mau salário, e cujo resultado de seu trabalho vai para a burguesia. Assim , o proletário perde sua liberdade, fazendo sempre o mesmo serviço, se alienando em sua produção, como Karl Marx dizia. Marx lutou pela liberdade dos Proletários, como se pode ver em Manifesto Comunista, a famosa frase "Proletários de todos os países, uni-vos!"
http://pt.wikipedia.org/wiki/Prolet%C3%A1rio
Sr. Haidar, porque tanto ódio no coração? Quanta valentia, quanta bravata?
Diga a verdade: o sistema atual é o sonho de todo tributarista, e esse discurso todo é apenas teatro. Ora, com um sistema mais racional, de que vão viver os advogados tributaristas, que se refestelam às custas das trapalhadas dos sucessivos governos.
Aliás, por que reclamas tanto do atual governo? Por acaso o príncipe FHC, e sua turma do scotch, fizeram alguma coisa pra reduzir a carga tributária? Pelo contrário, é só comparar a carga em 1995 e em 2002 ...
É que, como bem disse um prócer da esquerda, ex-petista, a um punhado de "burgueses", preocupados com uma possível revolução socialista com a eleição de Lula: "Não se preocupem, são apenas sindicalistas querendo melhorar de vida". É isso. Veja quanto lucraram os bancos sob o governo Lula. Quem quer mudar o que? E cá entre nós, ainda bem que são "só" sindicalistas querendo um lugarzinho ao sol. Afinal, a única coisa pior do que um esquerdista sem princípios é um esquerdista COM princípios (ok, essa eu plagiei do Mainardi, confesso).
Você precisa estar logado para enviar um comentário.
Fazer login