Desembargadora confirma que juiz sabia de grampo no STF

A desembargadora Suzana Camargo, vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (SP e MS), confirmou à Polícia Federal que o juiz Fausto Martin de Sanctis lhe contou em julho detalhes sobre conversas captadas em ações de espionagem feitas no Supremo Tribunal Federal, conforme informa o jornalista Josias de Souza, em seu blog.

Segundo Suzana, De Sanctis afirmava ter recebido relatos de críticas feitas pelo ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo, ao seu trabalho. Suzana disse, no depoimento, ter ouvido de De Sanctis que Gilmar Mendes, entre outros comentários, o chamara de “incompetente” por causa da Operação Satiagraha. O desabafo do ministro aconteceu quando ele analisava o primeiro pedido de Habeas Corpus do banqueiro Daniel Dantas.

O depoimento de Suzana encontra-se anexado ao inquérito aberto pela PF para apurar a suspeita de que Gilmar Mendes foi vítima de grampos ilegais. Em 10 de julho, Suzana telefonou a Gilmar Mendes para avisar que ele estava sendo espionado, como revelou a revista Consultor Jurídico.

A suspeita de grampo veio a público depois que relatório da segurança do tribunal rastreou indícios de espionagem no STF. A varredura eletrônica feita no mesmo dia 10 de julho detectou sinal de rádio freqüência na sala da presidência do Supremo.

Em agosto, a revista Veja revelou diálogo telefônico entre Gilmar Mendes e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). A suspeita é que o grampo tenha sido feito por Francisco Ambrósio e 52 servidores da Abin recrutados pelo delegado Protógenes Queiroz para atuar na Satiagraha.

Na semana passada, a desembargadora encontrou o ministro na cerimônia de posse da presidência do Superior Tribunal de Justiça. Ela repetiu as informações. Gilmar Mendes então a aconselhou a prestar depoimento à PF sobre o que sabia.

Em depoimento à CPI das Escutas Telefônicas, na Câmara de Deputados, De Sanctis negou ter dito o que Suzana confirma agora à PF. A polícia quer ouvir o juiz. Na quarta-feira (10/9), a CPI aprovou a convocação de Suzana Camargo para depor na Câmara.

Émerson Fernandes de Carvalho disse:
13 de setembro de 2008 às 14:32

E agora? Sair acusando o juiz De Sanctis de Justiceiro ou outras coisas piores; ou assegurar ao mesmo o sagrado direito a presunção de inocência, a defesa inviolável, ampla e irrestrita? Eu acredito na segunda opção.

olhovivo disse:
13 de setembro de 2008 às 14:34

Isso virou o país do constitucionalismo do faz de conta. O De Sanctis era informado do teor da conversa, ilegalmente interceptada, por quem? Por pessoas que atuaram em feito conduzido por ele? É melhor as pessoas de escalões inferiores fazerem delação premiada, pois a sujeira parece ser das grandes.

Gabriel disse:
13 de setembro de 2008 às 14:53

Eta, Suzana Camargo ein...lamentável.

Gabriel disse:
13 de setembro de 2008 às 15:01

Essa desembargadora vai encontrar muita inimizade dentro do próprio tribunal, por defender os amigos do criminoso Dantas.

Republicano disse:
13 de setembro de 2008 às 15:22

Juiz é pago para julgar com consciência constitucional, acima de tudo. Combater criminalidade é coisa pra polícia, ministério público, receira federal e fisco, tão só. A inversão de valores está sendo feita em razão de que os embargos auriculares são feitos precionando o magistrado, que acaba não resistindo ao "charme" do interlocutor. O que deve acabar é a aproximação excessiva entre juízes e promotores, aliás o assento de promotor nunca, jamais, deve ser ao lado dos juízes.

Republicano disse:
13 de setembro de 2008 às 15:23

Juiz é pago para julgar com consciência constitucional, acima de tudo. Combater criminalidade é coisa pra polícia, ministério público, receira federal e fisco, tão só. A inversão de valores está sendo feita em razão de que os embargos auriculares são feitos pressionando o magistrado, que acaba não resistindo ao "charme" do interlocutor. O que deve acabar é a aproximação excessiva entre juízes e promotores, aliás o assento de promotor nunca, jamais, deve ser ao lado dos juízes

João G. dos Santos disse:
13 de setembro de 2008 às 16:08

Pouco a pouco vai aparecendo a face da turma da brigada dos tigres. Só os tolos acreditam em heróis televisivos.

SANTA INQUISIÇÃO disse:
13 de setembro de 2008 às 17:28

AVANTE PF!

Senhora disse:
13 de setembro de 2008 às 19:19

Uma pergunta que não quer calar:
Cadê a gravação com as conversas do Ministro Supremo?
Cadê a materialidade do crime? Vão condenar o Juiz, o Delegado, o Procurador e sabe Deus quem mais, sem a materialidade do delito?
Onde estão os advogados de plantão para defender esse absurdo jurídico? As provas do delito vão se basear numa reportagem de Revista sem nenhuma credibilidade? Quero ler o relatório do Delegado de Polícia Federal que vai ter coragem de indiciar alguém sem provas suficientes para a materialidade do delito...O que ele vai dizer? Que as provas da materialidade estão na fl. xxx da Revista Veja, edição xxx de xx de xx de 2008?

Gabriel disse:
13 de setembro de 2008 às 19:57

Georgia,
a única materialidade que tem é a da grana que rola no meio desses pilantras!

Senhora disse:
13 de setembro de 2008 às 19:58

Grande prova essa... Qualquer um pode afirmar que teve uma determinada conversa. O que isso prova? Materialidade do crime é muito mais que isso. Se uma pessoa confessa que matou alguém, ela vai ser condenada sem o corpo ter sido encontrado, sem nenhum outro indício que comprove a materialidade do delito?
Pergunto mais uma vez: Cadê a gravação? O povo quer saber...

Senhora disse:
13 de setembro de 2008 às 20:00

É Gabriel, é bem por aí mesmo, infelizmente.

Luiz P. Carlos (((ô''ô))) disse:
13 de setembro de 2008 às 20:04

O Executivo reconhece.
O Legislativo endossa.
O judiciário garante.
Assim sendo se limpa o dinheiro se justifica a origem e o destino “sem levantar suspeitas”.
Havendo impasses de ordem fiscal e tributaria imediatamente é acionado a CVM e o BC.
Havendo litígios de ordem Jurídica ao tribunal competente para dirimir, o STF.
Ambos se acionados, viabilizam e dão legitimidade na “forma da Lei” as operações.
Daí eles não quebrarem o sigilo dos Bancos e Fundos de Pensão (Captadores).
Daí eles não autorizarem as buscas no Banco Central (Certificadores e Expedidores).
Daí o silêncio comprometedor da CVM (Órgão Fiscalizador).
Daí a declaração purgatória do STF quando inquirido pela Policia Federal em Brasília...
- Se abrirmos os computadores dos Fundos e do Banco Central o País vai ficar ingovernável...!
- Ingovernável...?
- Claro...!
- Sem Poder Judiciário não há nação que se sustente.
Ainda que se mude o Presidente...!

Rossi Vieira disse:
13 de setembro de 2008 às 21:14

Grave. Muito grave. Confiar em quem ?

Otavio Augusto Rossi Vieira, 41
Advogado Criminal em São Paulo

Leila disse:
13 de setembro de 2008 às 21:16

Realmente, isso é muito, mas muito grave mesmo! E deve, evidentemente, ser rigorosamente investigado...

João Bosco Ferrara disse:
13 de setembro de 2008 às 22:02

De acordo com o depoimento da desembargadora federal à PF, aqueles que se coçaram para esboçar um pedido de impeachment do ministro Gilmar Mendes deveriam pedir a exoneração do juiz De Sanctis e do Promotor de Grandis, pois atrevimento e uso do poder em que estão investidos tem limite. É inadmissível esse modo com que ambos vêm exercendo a judicatura e a procuradoria da república, como que revolucionários subversivos que afrontam a ordem pública e tentam intimidar autoridades superiores, tudo para forçá-la a aceitar e emplacar suas próprias visões de mundo e de justiça. A democracia só funciona se as instituições forem respeitadas. Se cada um executar seu papel com apego ético e respeito às instituições, as coisas fluirão e as mudanças necessárias virão a seu tempo, gradualmente, como convém que seja. O que não cabe numa democracia são pessoas pretensiosas aspirando o posto de paladinos da sociedade, porque isso é modelo adaptado de sistemas autoritários, ditatoriais, tirânicos, totalitários. Todo ditadorzinho não tolera ver seus desígnios desatendidos. Já numa democracia não há quem não experimente limites nos poderes em que está investido. Essas novas gerações de juízes, promotores, procuradores etc. parecem não ter limite para nada. Também, pudera, fazem parte de uma geração que recebeu uma educação lassa, em que o respeito a limites era de somenos importância; não têm nenhuma memória da ditadura militar que findou nos anos 80. Eram ainda crianças e sem nenhum discernimento político; Por isso, seu único ideal é construir uma sociedade segundo uma justiça pessoal, a justiça em que eles acreditam, não a que decorre da aplicação da lei, a lei que juraram defender quando tomaram posse dos cargos que hoje exercem. Que ética, que moral é essa?

Rossi Vieira disse:
14 de setembro de 2008 às 01:10

"As praias do Brasil ensolaradas,
O chão onde o país se elevou,
A mão de Deus abençoou,
Mulher que nasce aqui tem muito mais amor.
O céu do meu Brasil tem mais estrelas.
O sol do meu país, mais esplendor.
A mão de Deus abençoou,
Em terras brasileiras vou plantar amor.
Eu te amo, meu Brasil, eu te amo!
Meu coração é verde, amarelo, branco, azul anil.
Eu te amo, meu Brasil, eu te amo!
Ninguém segura a juventude do Brasil.
As tardes do Brasil são mais douradas.
Mulatas brotam cheias de calor.
A mão de Deus abençoou,
Eu vou ficar aqui, porque existe amor.
No carnaval, os gringos querem vê-las,
No colossal desfile multicor.
A mão de Deus abençoou,
Em terras brasileiras vou plantar amor.
Adoro meu Brasil de madrugada,
Nas horas que estou com meu amor.
A mão de Deus abençoou,
A minha amada vai comigo aonde eu for.
As noites do Brasil tem mais beleza.
A hora chora de tristeza e dor,
Porque a natureza sopra
E ela vai-se embora, enquanto eu planto amor."

Otavio Augusto Rossi Vieira, 41
Advogado Criminal em Sao Paulo

Crítico disse:
14 de setembro de 2008 às 11:36

Os comentaristas estão começando a perder o senso do ridículo.

E este é o resultado:

Ruberval, de Apiacás, MT disse:
14 de setembro de 2008 às 12:50

Quem vai investigar o STF, pois se houve grampo eh porque tambem la deve haver algo 'estranho" ou negociaçoes suspeitas...hum....criar dificuldade para negociar facilidade.

olhovivo disse:
14 de setembro de 2008 às 14:18

Tem que ir fundo nessa história, sob pena de subversão da hierarquia do Judiciário. Supremo é supremo, juiz é juiz. General é general, soldado é soldado. Não vamos virar as coisas de ponta cabeça. É a estrutura Constitucional que está em jogo e não os anseios da galera ensandecida.

Bob Esponja disse:
14 de setembro de 2008 às 16:52

eu acredito que o juiz deveria falar por meio do processo. os juizes estão querendo muito a midia

Ramiro. disse:
14 de setembro de 2008 às 17:14

Tecnicamente seria interessante uma acareação, colocar frente à frente a Desembargadora e o Juiz, mas...

No mais, com todo respeito, mas tem gente tratando desta séria questão como um bando de bugio roncadores... Só que nesta história não avança e vence quem gritar mais alto.

Radar disse:
14 de setembro de 2008 às 20:25

Também é grave fazer afirmações que não se pode provar. Fica parecendo inconfidência, indiscrição ou, em linguagem direta, fofoca, já que a outra parte nega.

Grampo telefônico, gravações clandestinas e tudo mais é feio. O "ouvi dizer" pode ser ainda mais, já que não se o pode embasar em prova material, ainda que ilegítima. Isso se aplica a todos, inclusive à nobre desembargadora.

João G. dos Santos disse:
15 de setembro de 2008 às 11:56

Se ousaram isso contra o Supremo - guardião da CF - dá pra ter uma idéia de como as coisas andam aqui embaixo. O brocardo jurídico que impera é o "salve-se quem puder", ou melhor, "quem eles quiserem".

sebastian disse:
15 de setembro de 2008 às 12:40

Engana-se quem pensa que comando paralelo voltado para o crime só existe em morro ou favela. infelizmente, essa praga hoje está instalada dentro do serviço público, com todos os perigos que representa para a democracia.

Senhora disse:
16 de setembro de 2008 às 22:46

O povo quer saber: Cadê a gravação?

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