Corte de Haia não tem competência sobre caso Battisti, diz defesa

A decisão do governo brasileiro de não extraditar o italiano Cesare Battisti, ex-integrante de grupos de extrema esquerda condenado por quatro homicídios na Itália, só pode ser submetida à apreciação da Corte Internacional de Justiça, em Haia, na Holanda, se o Brasil concordar. Ou seja, a o tribunal internacional não tem competência para julgar o caso sem a anuência expressa das autoridades brasileiras.

Foi o que afirmou nesta quinta-feira (9/6), em nota, o advogado Luís Roberto Barroso, diante das notícias de que a Itália pretende recorrer à Corte internacional contra a decisão de manter Battisti no Brasil. “O Tratado de Extradição entre Brasil e Itália não prevê a jurisdição da Corte para dirimir controvérsias fundadas em suas disposições”, registra a nota.

Nesta quarta-feira (8/6), por seis votos a três, o Supremo Tribunal Federal decidiu que é legal o ato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que negou a extradição de Battisti pedida pelo governo da Itália. De acordo com a decisão, o governo italiano sequer poderia ter contestado o ato de Lula.

O Supremo também fixou que, depois que a Corte determina a extradição, a decisão de entregar ou não o cidadão que o Estado estrangeiro pede ao Brasil é discricionária. Ou seja, cabe apenas ao presidente da República decidir e o Judiciário não pode rever a decisão. Com a decisão, Battisti já deixou o Complexo Penitenciário da Papuda, onde estava preso há quatro anos.

Autoridades italianas reagiram à decisão. O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, divulgou em nota que recebia a notícia da negativa da extradição com profundo pesar e disse que vai acionar as instâncias judiciárias competentes para fazer valer o acordo de extradição assinado entre Brasil e Itália.

De acordo com a nota de Barroso, por esse critério, a Itália teria de ajuizar ações questionando também as decisões de países como França, Estados Unidos e Inglaterra que igualmente mantêm tratados de extradição com aquele país e já decidiram negar extradições por ele solicitadas.

Ainda segundo Barroso, o artigo 36 do estatuto da Corte de Haia dispõe que ela só pode atuar se as partes envolvidas concordarem em se submeter a ela. “Nem a República Federativa do Brasil e tampouco a República Italiana emitiram declaração reconhecendo em caráter geral a jurisdição da Corte da Haia”.

Em entrevista exclusiva à revista Consultor Jurídico antes do julgamento do Supremo, Battisti afirmou que é perseguido pelas autoridades italianas, que insistem em negar sua história, e que, em liberdade, pretende viver no Brasil e retomar o ofício de escritor.

Leia a nota da defesa de Battisti
 

A defesa de Cesare Battisti lamenta que a República Italiana não aceite a decisão soberana da República Federativa do Brasil, baseada na Constituição, no Estatuto do Estrangeiro, em tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil é signatário e no próprio Tratado de Extradição entre Brasil e Itália. Após a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a Itália divulgou a notícia de que cogita levar o caso à Corte Internacional de Justiça da Haia. A prevalecer esse critério, a Itália teria de ajuizar ações questionando também as decisões de países como França, Estados Unidos e Inglaterra que igualmente mantêm tratados de extradição com a Itália e, nada obstante, já decidiram negar extradições por ela solicitadas.

De todo modo, diante da declaração italiana, alguns esclarecimentos se fazem necessários. A Corte Internacional de Justiça da Haia é o principal órgão judiciário da Organização das Nações Unidas, conforme estabelecido no artigo 92 da Carta da ONU. Nos termos do art. 36 de seu Estatuto, a Corte apenas pode exercer jurisdição uma vez que as partes envolvidas consintam em se submeter a ela. Nem a República Federativa do Brasil e tampouco a República Italiana emitiram declaração reconhecendo em caráter geral a jurisdição da Corte da Haia. Da mesma forma, o Tratado de Extradição entre Brasil e Itália não prevê a jurisdição da Corte para dirimir controvérsias fundadas em suas disposições. Na prática, portanto, o caso só poderia ser submetido à Corte Internacional de Justiça com a concordância voluntária da República Federativa do Brasil.
Luís Roberto Barroso

Rodrigo Haidar

é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.

Richard Smith disse:
10 de junho de 2011 às 02:07

Ver o PeTralhíssimo greenhalg, que havia se afastado do palco da "affair" battisti para não dar na pinta, sorrindo na televisão me dá engulhos do mais profundo nôjo!
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A pergunta que se sempre faço é: se o celerado assassino condenado fosse da "direita", hoje estaria solto? Simples, claro e direto assim.
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Na VEJA da última semana o psiquiatra e ensaísta inglês Anthony Daniels fala acerca do episódio battisti e de suas implicações na França e no Brasil. É uma verdadeira aula que explica muitas coisas e da qual ressalto apenas o trecho final:
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"O que mais impressiona no caso Battisti é o fato de ele revelar, mais uma vez, como um importante e poderoso setor da intelligentsia de uma democracial liberal [fala da França] é capaz de oferecer simpatia e apoio à causa de uma pessoa cujo objetivo confesso era destruir essa própria democracia.
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Os membros da intelligentsia veem Battisti como alguém que teve a coragem (que eles não tiveram) de agir segundo os ideais revolucionários de que eles própios estavam convencidos na sua juventude; assim, não podem condená-lo com sinceridade SEM CONDENAR A SUA PRÓPRIA VIDA PASSADA.
Por sua vez, isso implicaria admitir a possibilidade de o seu idealismo da juventude não ter sido bem isso, mas apenas A ARROGÂNCIA E O EGOÍSMO JUVENIS POSTOS A SERVIÇO DO MAL; a condenação viria inevitavelmente acompanhada de uma REAVALIAÇÃO DO PRÓPRIO CARÁTER E DA PRÓPRIA VIDA. E se há algo de que o homem moderno foge mais do que da peste bubônica, É DO EXAME DE CONSCIÊNCIA." (grifos meus).
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Então, a resposta para a minha pergunta, claramente é: NÃO, não é?
Triste País! Quando será que irá acordar e justiçar essa corja que tantos malefícios nos trouxe?

Habib Tamer Badião disse:
10 de junho de 2011 às 05:24

A insistência de inúmeras instituições governamentais para ver o indiciado nas grades italianas é a prova de que a questão é política! Os crimes imputados ao indiciados foram praticados no calor das lutas políticas e como tal devam ser apreciadas. Levar para o Tribunal Internacional de Haya uma questão criminal e porque ela é eminentemente política e está confirmada a brilhante decisão do nosso Colendo STF!

Fabrício disse:
10 de junho de 2011 às 08:24

Muita gente defendeu o nome desse Senhor para o Supremo Tribunal Federal, dizendo-o um grande constitucionalista. Puif!', até parece. Pode ser (e é) excelente advogado, mas jurista...
E o 4o do art. 5o da CF?
"§ 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão". Só não vale para o terrorista/assassino italiano?

acs disse:
10 de junho de 2011 às 08:33

Sem duvidas a pior contribuição de Lula para o país foi no campo moral.Nos acostumamos a ver bandidos se dando bem,o tempo todo,os pais perderam o direito de exigir que seus filhos se esforcem,estudem e trabalhem posto que "o cara"e sua turma se dão bem sem jamais ter estudado ou trabalhado.O mérito foi ferido de morte,o brasileiro médio acostumou-se a mensalão,dolares na cueca,lenocinio institucionalizado com prostitutas chantageando as instituições.Se meu trabalho permitisse iria morar em outro país, pra que meus filhos não se acostummassem com o padrão de moral vigente no Brasil,pra que fossem capaz de discernir o certo do errado e o que é pior,pra justificar sua "ações" os petralhas espalha aos quatro ventos que ninguem presta,são todos corruptos e corruptores.

Gabriel Quireza disse:
10 de junho de 2011 às 10:38

Absurdas as comparações do caso Battisti com o de Cacciola.
Salvatore Cacciola é cidadão italiano, o que impedia sua extradição pela Itália, e situação semelhante não ocorre com Battisti.

sytote disse:
10 de junho de 2011 às 10:50

INFELIZMENTE SOMOS OBRIGADO A LER COISAS TOTALMETE ABSURDAS. PARA DEFENDER O VERDADEIRO TERRORISTAS O PRETENSOS ADVOGADOS QUEREM UM PAÍS INCHADO DELES !!!!
AMANHA TEREMOS AQUI TODOAS OS PROCURADOS DO MUNDO INTERIO !!! UMA VERGONHA!!!!!

VITAE-SPECTRUM disse:
10 de junho de 2011 às 20:58

Gente, quem não gostou da decisão do STF, vá acampar em frente da Corte Suprema e protestar contra a decisão. O pretenso advogado "teixeira" deve achar-se o suprassumo. Lugar de chorar é no pé do cabloco. Por quer não fazem uma passeata para reprender-se Cesare Battisti ou pedir o seu linchamento?! A Itália já pode ir queixar-se ao Papa. Ora! Por que a Itália não rosnou tanto diante da França e da Inglaterra?! Quanta bazófia!!! Todo o mundo pode reclamar, mas a última palavra não pode ser de outro senão do STF. TODO O MUNDO TEM DE ENGOLIR... Tomem um guaraná para não engasgar.

hammer eduardo disse:
10 de junho de 2011 às 21:37

Mais nauseante que o resultado deste julgamento de fancaria por parte da mais "alta corte" de Brogodó , é a constatação da petralhada no poder completo que inclui o indiscutivel dominio de uma corte que "em tese" seria acima de qualquer suspeita e mais uma vez não foi o caso. Palmas para os coerentes e HONESTOS Helen Gracie , Gilmar Mendes e Cesar Peluso que tentaram a nivel individual provar que não esta "tudo dominado" como vimos. O engraçado e que passaram ao largo de um Tratado de extradição ASSINADO expontaneamente por Nós e a Italia que é uma Republica soberana apesar dos Berlusconis da vida , mas nada que de grandes invejas em quem dispoe de ratazanas do calibre de sarney , renan canalheiros , vacarezzas e outras coisas abjetas infelizmente ainda a solta. A corte maior em sua maioria optou covardemente por fechar com o Fuhrer de Garanhuns que AINDA esta no comando, apenas saiu de campo para tomar "umas" enquanto a sua "guardadora oficial" da cadeira brinca de fazer de conta que "sou Eu que mando".
Tambem lembremos que a ideia nem é originalmente do lulla e sim daquele outro NESCIO que se elegeu governador do Rio Grande do Sul que literalmente "vendeu" o projeto bostisti para o 9 dedos que assumiu a criança. Lembremos em nome da honestidade que estes mesmissimos QUADRILHEIROS petralhas entregaram de mão beijada para as masmorras cubanas aqueles 2 Boxeadores que fugiram durante o PAN 2007 , foram capturados pela GESTAPO do tarso genro e tirados do Brasil na calada da noite sem direito a sequer um Advogado ou a falar com a Imprensa. É sem duvida um Pais de porcos e uma DITADURA branca que os alienados de plantão não conseguem enxergar por pura canalhice individual. Que nojo minha gente , que nojo ! BLEARGH........

Radar disse:
10 de junho de 2011 às 23:57

E ainda alguns aqui se dizem advogados!!! A verdade é que quando se diz que o país se sujeita à jurisdição a quem tiver manifestado adesão, quer-se dizer exatamente o que está escrito: o Brasil só se submeterá a jurisdição da Corte de Haia SE ANTECIPADAMENTE CONCORDAR em se submeter à mesma o eventual litígio. Portanto, se o Brasil não concordar, Haia simplesmente não nos pode coagir a nada.

JPLima disse:
11 de junho de 2011 às 00:10

Prezado Hammer Eduardo, concordo plenamente com seu comentário. Eu só queria saber quanto o Tarso Genro e o Lulla ganharam com essa brincadeira? Sim, porque estes caras são todos bandidos,sem escrúpulos.

JPLima disse:
11 de junho de 2011 às 00:16

11/06/2011 | 00:00
Battisti, bandido
pop star: hotel
de luxo e jatinho
Foi digna de Madonna a libertação do terrorista assassino Cesare Battisti, na madrugada de quarta: após a tietagem de “fãs”, liderados pela namorada brasileira Joice Lima, morena espetacular, os dois viajaram a São Paulo num jatinho fretado por um de seus advogados, o petista Luiz Eduardo Greenhalg, cuja banca se especializou em obter anistia política e polpudas indenizações de “companheiros”

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