Médicos brasileiros deveriam defender a saúde dos menos favorecidos

A Justiça Federal de Minas Gerais, por despacho liminar lavrado pela 5ª Vara Federal de Belo Horizonte, indeferiu pretensão do Conselho Regional de Medicina a que não fosse obrigado a registrar provisoriamente os médicos estrangeiros lotados no programa Mais Médicos, empreendido pelo Ministério da Saúde, tudo legitimado, em tese, por medida provisória emanada do Executivo federal. É caso típico de “tiro pela culatra” ou, como dizem outros, “disparo no pé”. O juiz federal acentuou, no despacho, que negar o registro aos médicos “causaria à Administração o perigo da demora inverso, sob o aspecto de deixar ao desamparo cidadãos hipossuficientes da camada mais pobre de nossa sociedade”. Isso cria consequência muito curiosa, porque pode ser interpretado como obediência implícita a registro, embora não seja exatamente assim. De qualquer forma, cuida-se de precedente complexo, porque o despacho daquele magistrado federal, nos termos da prolação, não pode obrigar as outras sedes da competência. Parece que o pretor, enquanto negava abrigo à reivindicação do Conselho Regional de Medicina, estaria obrigando, por via travessa, a tal registro, numa espécie de efeito bumerangue. Se e quando houver tal entendimento, há de se submeter a seriíssima controvérsia jurídica. Dá-se, convenha-se, o começo de combate acirrado, pois a Medida Provisória 621/2013 dispensa o médico intercambista de revalidar o diploma. Tocante a Cuba, há acertamento com o governo local no sentido de intermediação, com retenção parcial, dos salários predeterminados.

O constitucionalista Ives Gandra da Silva Martins, extrapolando habitual discrição em tais aspectos, teceu considerações sobre a vocação ideológica exibida em Cuba, Venezuela e quejandos, criticando-a, pois vincados, tais países, nas chamadas ditaduras típicas ou derivadas. Preferível seria não se precisar discutir tais pormenores, embora a maioria dos médicos exportados para o Brasil traga nas costas a pesada mochila representada pelo padrão político vigendo entre os cubanos. A presidente da República, certamente, pode receber a nebulosa denominação de “populista”, não se indo mais longe, isto significando preocupação acentuada com as chamadas classes menos favorecidas. Há formas e formas de se demonstrar tais tendências. Uma delas pontifica no programa Mais Médicos, verificando-se a ausência de assistência à saúde em muitos municípios espalhados pelo país. O ministério respectivo tomou providências impactantes, importando os esculápios sem maiores indagações quanto à competência do grupo e dispensando, em algumas alternativas, a revalidação dos diplomas. Pretendeu-se tal resultado a poder de medida provisória vigendo com força de lei até apreciação pelo Congresso, ou perecendo pela inação. Uma espécie de zona cinzenta, mas com imposição no interregno. Evidentemente, os Conselhos Regionais de Medicina e o próprio Conselho Federal não admitem a situação, pois perdem, de um lado, a capacidade de fiscalizar a qualidade dos visitantes e, de outra parte, receiam pelo cometimento de erros médicos resultantes das referidas deficiências. Existe, além disso, justificada reação dos médicos brasileiros, porque destes, ou nestes, o requisito de inscrição nos Conselhos Regionais de Medicina é impositivo. A resposta do governo, na particularidade, é menos jurídica que factual: as regiões deficitárias precisam de facultativos. Na medida em que os nacionais não querem suprir as vagas, o remédio é buscar no exterior quem as queira. Isso lembra, muitos e muitos anos atrás, atitude assumida na China. Lá, em determinada época, o governo preparou uma espécie de enfermeiros melhorados, suprindo-os com apenas três anos de preparação. Num sentido bem grosseiro, é bom dizer que a China tem grande superavit de gente para morrer, pois a população ascende a mais de bilhão, havendo restrições, inclusive, a número de filhos. Apesar disso, aqueles orientais, em média, vivem mais do que nós. É uma forma de ver as coisas, convenha-se.

Um outro aspecto, este muito prático, precisa ser realçado: muitos moços brasileiros, com dificuldade de cursar medicina no Brasil, quer pela competição desmesurada, quer mesmo pelo dimensionamento excessivo de mensalidades nas escolas particulares, estudam medicina em países menos exigentes, fazendo-o na Bolívia, Venezuela, Cuba, Paraguai, Argentina e assim por diante. Praticam-no em estado de necessidade. Não se deve esquecer que São José do Rio Preto implantou, há pouco tempo, outra faculdade de Medicina porque médicos da região, influentes por certo, querem seus filhos seguindo a mesma carreira, a exemplo de Santos, hoje formando muitos profissionais assim referendados. É uma espécie de solução doméstica. Volte-se aos formados no exterior: sendo brasileiros, querem enricar no Brasil, obrigando-se a enfrentar a satisfação dos requisitos exigidos pelo Conselho Federal de Medicina. Vê-se, no programa Mais Médicos, uma oportunidade de laceamento das dificuldades atuais.

Quanto à acusação, advinda da classe médica e setores outros, no sentido de seccionamento do salário corresponder a uma espécie de trabalho escravo, há, é certo, dificuldade concernente a recolhimentos previstos na legislação trabalhista, mas isso não parece ser o óbice maior. A questão assume relevância com a oposição feita pelos Conselhos de Medicina, notadamente pelo Conselho Federal, entendendo-se que o não registro do médico naqueles órgãos constitui exercício ilegal de profissão. Dentro do contexto, os médicos, cubanos ou não, estariam pendurados na ilicitude. A hipótese difere do exercício da profissão de advogado. Já se fixou definitivamente que a inscrição de bacharel na OAB é requisito essencial à atividade da advocacia, ressalvadas aquelas profissões em que a criatura faz parte, por exemplo, do Ministério Público, havendo particularidades curiosas, porque diversos setores da iInstituição se vêm valendo de assessores jurídicos, assinando-se tal condição. Significaria isto que, dentro do sacrário dos gabinetes, qualquer auxiliar juridicamente qualificado poderia emitir pareceres oficiais, postos publicamente mais tarde nos processos e sem contas a prestar à OAB. Parta-se, assim, e então, para raciocínio filigranado, pois integrantes do Ministério Público, ou seus agentes, não podem advogar. Contraditoriamente, para assessorar juridicamente promotores de Justiça, o assistente precisa ser advogado. Veja-se a bruxaria do paradoxo. Vale, então, o ditado: “– Preso por ter cão e preso por não o ter”.

O conflito parece estar apenas em início. Tocante ao aspecto politicoideológico, no sentido de Cuba ser ou não país submetido a regime autoritário – e é –, não se preste atenção excessiva ao assunto. A presidente Dilma Rousseff é, com absoluta certeza, pertencente à denominada “esquerda”, abrigando-se em qualquer das múltiplas denominações existentes. Conhece-se criatura, aliás, bem defendida na Justiça Militar autoritária, que andava pelas ruas usando sandálias franciscanas, precisando esconder-se num mosteiro, onde era esporadicamente visitada. Aquele rapaz se arrependeu e é, hoje, empresário enriquecido por trato com o Brasil democrático. Não vale a pena, entretanto, esperar que mude de lado alguém que foi picotada nas câmaras de tortura do DOI-Codi. É tatuagem indelével. Dói (com o perdão do trocadilho) até a morte. Dentro do contexto, o jurista não pode ser ingênuo. Regra geral, somos o que fomos. Podemos disfarçar, mas o adulto de hoje é o escolar de ontem. Quando se quer examinar a personalidade de alguém, basta reduzi-lo a criança de curso primário. Aquilo não muda, ressalvadas exceções raríssimas.

Independentemente de aspectos jurídicos e ideologias contrastantes, seria muito bom que os médicos noviços brasileiros se engastassem na atividade de defesa da saúde de milhares de cidadãos perdidos na lama e no lixo de lugarejos longínquos. A medicina é profissão vocacionada a tanto. Ou não. Às vezes, no entremeio de municípios humildes, o médico da roça amadurece, vira pessoa graúda e até casa com filha de fazendeiro. Faz filhos e, ao morrer, vira nome de rua. A propósito, Carlos Stamato foi o primeiro dentista de Santo André. Seu nome é perpetuado naquela cidade que tem, hoje, quase 700 mil habitantes. Em outras oportunidades, o ideólogo paga o preço da doação aos desnutridos. A vida funciona assim.

A título de encerramento, não se desprezando os argumentos usados pelo constitucionalista Ives Gandra da Silva Martins, nosso respeitadíssimo amigo, cuja cultura, honestidade e vetustez fazem parte da sua capacidade de interpretar os fenômenos que turbilhonam a nação, valeria dizer aos jovens médicos brasileiros que a bata branca imaculada nem sempre é apanágio dos idealistas. Um pouco de sangue dos miseráveis pendurados nas palafitas pode retemperar, nos renitentes, a esperança de um Brasil melhor. E não se diga que os cronistas escrevem de boca cheia. Um deles, cinquenta e poucos anos atrás, recebia honorários, frequentemente, em meia dúzia de ovos ou em leitãozinho rosado que os filhos se recusavam a deixar matar, fazendo o bicho envelhecer, gordo e saudável, numa sitiola da vizinhança.

Rogério Seguins Martins Junior

é advogado criminalista, especialista em direito penal e processual penal pela PUC-SP.

Paulo Sérgio Leite Fernandes

é advogado criminalista.

Otávio Augusto Rossi Vieira

é advogado criminalista

Maurício Vasques de Campos Araujo

é advogado criminalista.

Gabriel Ribeiro de Escobar Ferraz

é advogado criminalista

Lucas Andreucci da Veiga

é advogado criminalista, doutorando em processo penal na PUC-SP e mestre em Direito Penal pela USP.

daniel disse:
30 de agosto de 2013 às 08:23

Então podemos importar advogados ? afinal, as pessoas alegam que há falta de advogados.
Também é preciso acabar com a tabela de honorários advocatícios mínimos, pois impede o acesso dos menos favorecidos.
alem disso é preciso quebrar todo corportivismo da advocacia, inclusive que tentam impedir atendimentos gratuitos.
ou seja, não é apenas para médicos

daniel disse:
30 de agosto de 2013 às 08:23

Então podemos importar advogados ? afinal, as pessoas alegam que há falta de advogados.
Também é preciso acabar com a tabela de honorários advocatícios mínimos, pois impede o acesso dos menos favorecidos.
alem disso é preciso quebrar todo corportivismo da advocacia, inclusive que tentam impedir atendimentos gratuitos.
ou seja, não é apenas para médicos

Zé Machado disse:
30 de agosto de 2013 às 08:30

Parece que o Juramento de Hipócrates foi para a berlinda. O problema é antigo, e, muita politicagem é feita a respeito, sem se resolvê-lo. O pais deveria estar exportando serviços médicos, quando ocorre exatamente ao contrário.É o mal da elitização das profissões, com suas patricinhas e mauricinhos almofadinhas, que não se afastam dos Shoppings.

Marcos Alves Pintar disse:
30 de agosto de 2013 às 12:03

A maioria dos médicos no Brasil só pensa em dinheiro, e nada mais do que isso. Há alguns dias eu vi uma entrevista com o diretor do Hospital do Câncer de Barretos, que afirmou com todas as letras que os médicos trabalharam duro nos últimos anos para elitizar ao máximo a profissão, impedindo a criação de novos cursos e limitando ao mínimo o número de vagas nas residências médicas. A ideia é hipervalorizar a profissão e ganhar mais dinheiro por haver carência de profissionais.

Marcos Alves Pintar disse:
30 de agosto de 2013 às 12:05

E porque então não importar juízes e membros do Ministério Público? Há uma carência enorme de magistrados no Brasil, conforme eles mesmo apontam. Quanto aos membros do Ministério Público, sabemos que muitas ações prescrevem porque o Parquet demora para denunciar, supostamente por falta de pessoal. Então, porque não seguir por essa linha?

Jaderbal disse:
30 de agosto de 2013 às 13:13

Não sei como se lavra um texto com esse (altíssimo) nível a seis mãos. Ou melhor, penso que sei: um escreveu, os outros assinaram em baixo. O que não desmerece nenhum deles, mas mostra altruísmo de um em favor dos demais.

Jaderbal disse:
30 de agosto de 2013 às 13:57

Não sei como se lavra um texto com esse (altíssimo) nível a seis mãos. Ou melhor, penso que sei: um escreveu, os outros assinaram em baixo. O que não desmerece nenhum deles, mas mostra altruísmo de um em favor dos demais.

CatilinaUFPE disse:
30 de agosto de 2013 às 17:57

Pergunto: desde quando as entidades médicas deixaram de pleitear por uma melhor assistência médica para todos os cidadãos de nosso país? Desde quando os serviços de vigilância, incluindo MP e mesmo a magistratura tiveram uma atitude de cobrança mais relevante? Alguma vez algum deles por livre iniciativa interditou serviços de saúde ou cobrou efetivamente do chefe do executivo estadual ou municipal um melhor atendimento a população? Todas as iniciativas surgiram dos CRMs, Sindicatos Médicos. Parece que vivo num país alienígena, que não enxerga que a luta não é corporativa. Trata-se de um combate contra uma medida eleitoreira de aparelhamento estatal, que procura atender prefeitos ou os menos esclarecidos. Vemos um verdadeiro desmantelo nas entidades de saúde. Deveria se investir nos PSF, na melhoria das unidades básicas, de infraestrutura dos hospitais. Não adianta trazer professores, advogados, engenheiros, etc, para todos os rincões. O exercício da medicina é muito maior e mais nobre do que esta proposta governamental.

Observador.. disse:
30 de agosto de 2013 às 20:43

Assino o que o senhor escreveu abaixo.E completo dizendo que esta ideologia que nos governa é mestra em manipular a realidade para "vender" sua nociva crença.
Nociva porque rasa, emburrecedora, vulgar, porque assassina a criatividade, o livre arbítrio e deixa a tutela de toda uma sociedade na mão de burocratas enfastiados em seus postos e sem desejo algum de algo mudar e desenvolver.O que importa é se eternizarem em seus cargos .
Quanto aos médicos brasileiros, não vão para o interior porque não há estrutura no interior.Não há incentivos, pessoal, apoio mas o governo consegue "colar" que a culpa é dos profissionais de saúde.Não da incompetência cristalina governamental.
O mesmo serve para outras funções.Mesmo as de estado.Vejam os militares.Os Mirages foram desativados, não há defesa aérea operacional para a capital e, se qualquer coisa acontecer, é provável (em um exagero retórico )que queiram importar pilotos com seus aviões.Mesmo estrangeiros e com bandeiras alienígenas em suas carcaças.Vão passar a impressão de que o problema não está na falta de planejamento, visão, estrutura etc e sim na de que os militares brasileiros não se sacrificam como os estrangeiros.
A única realidade é que ninguém livre se comporta como um semi-escravo. Se for visto assim, de fato entendo o que acontece em nosso triste país.

J. Ribeiro disse:
31 de agosto de 2013 às 05:18

Com razão o Conselho Federal de Medicina.
Ainda que provisória seja a inscrição no CRM, com pagamento de taxas, etc, ela deve ser obrigatória para o exercício da profissão de médico no país. É uma exigência legal que outra lei não pode dispensar, sob pena de todos os médicos não se obrigarem a tal registro e não se sujeitarem a fiscalização do exercício da medicina. É uma garantia e segurança ao cidadão brasileiro que será tratado ou medicado por profissional que reúna as condições para o exercício da profissão de médico.
A falta de registro no CRM poderá ser objeto de autuação os médicos alienígenas que estejam praticando a medicina no país.
Quanto ao atendimento médico aos necessitados é questão de política de saúde pública e não do profissional médico.
O Estado tem a obrigação de garantir a todos os cidadãos, em especial aos menos favorecidos e excluídos, condições mínimas de assistência a saúde.
Diariamente se ve na mídia a falta de estrutura adequada ou mesmo mínima necessária no atendimento médico hospitalar, não apenas no interior do país, mas nas grandes cidades.
Tudo indica que a questão de fundo não é a falta de médicos, mas sim de hospitais equipados com o mínimo necessário para se exercer a profissional de médico.
Se houvesse uma maior transparência e fiscalização mais rigorosa da gestão dos recursos públicos destinados a saúde, certamente esse quadro caótico poderia ser outro.
Por outro lado, sabemos que a saúde pública está relacionada diretamente com a EDUCAÇÃO e a INFRAESTRUTURA das cidades. O saneamento básico muito melhorou a saúde de todos, mas ainda é muito precário. Apenas os bons bairros das cidades é que gozam de uma infraestrutura adequada. Já a Educação, esta pode ser a grande diferença com resultados efetivos.

Zé Machado disse:
31 de agosto de 2013 às 07:55

Reformularam o julgamento de Hipócrates em claro benefício proprio, diferentemente do compromisso da OAB, que nos coloca pesadas responsabilidades. Todos sabemos que a medicina cubana tradicionalmente é uma das melhores. Temos no nosso consciente a imagem do bom médico,dedicado, respeitador, eficiente e solidário, que não se coaduna de forma nenhuma com os maiores trambiqueiros no serviço público, com os mercenários e, com os agora ciumentos e despeitados mauricinhos e patricinhas.

Igor M. disse:
31 de agosto de 2013 às 16:22

Primeiramente, o “programa” Mais Médicos não visa melhorar a saúde, mas sim colocar médicos em determinadas cidades com custo extremamente inferior ao que se deveria fazer. Não se está construindo mais hospitais ou reformando e aparelhando os existentes, ou seja, não está sendo feito nada pela infraestrutura da saúde. Está, sim, abrindo mão dos requisitos legais para o exercício da medicina, pagando salários menores, fraudando relações trabalhistas, ignorando princípios da Administração Pública (principalmente o da legalidade), relaxando a fiscalização, sendo leniente com a formação técnica e etc. Some-se isso a uma pitada de simpatia a determinado regime político, refogada de fisiologismo e temperada com malandragem, e temos o “programa” Mais Médicos.
Essa é somente mais uma das canetadas mágicas do governo petista! Resolve-se o problema não pela solução, mas sim escrevendo que o problema não é mais problema.

amigo de Voltaire disse:
03 de setembro de 2013 às 13:18

Infelizmente o programa nao é sério. Talvez os médicos sim mas a proposta é puro pano quente politico. Seria séria se o governo reconhecesse sua incompetência no plano da saude, esquecesse a falacia da quase perfeiçao mencionada pelo expresidente quando se referiu a saude na patria amada, e como medida paliativa mostrasse realmente que esta preocupado com a saude no Brasile enviasse os médicos às regioes mais carentes. Outra mentira é dizer que o governo esta preocupado com a saude dos mais pobres nos rincoes distantes do Pais, se realmente assim pensasse agiria diferente e nao com esse curativo importado e cheio de ideologia!

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