Para OAB, falhas no PJE justificam manutenção do peticionamento em papel

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil pedirá ao Conselho Nacional de Justiça a manutenção do peticionamento em papel, de forma concomitante ao Processo Judicial Eletrônico. De acordo com o presidente da OAB, Marcus Vinícius Coêlho, o objetivo é evitar que a sociedade seja prejudicada por conta de problemas estruturais do Estado, em menção às falhas no sistema do PJe. A reivindicação pela aceitação de petições em papel será encaminhada ao CNJ por uma comitiva com representantes de todos os estados, afirmou Marcus Vinícius.

Segundo ele, a Ordem não é contra o avanço tecnológico ou os avanços causados pelo processo eletrônico, mas “está comprovado que o sistema vem sendo instalado de maneira açodada”. O presidente da OAB afirmou que estão sendo deixados de lados aspectos humanos relacionados à transição, além das necessidades técnicas, e defendeu a segurança jurídica, que é desrespeitada quando um sistema “com inúmeras falhas” é visto como única opção para acesso ao Judiciário.

Claudio Lamachia, vice-presidente da OAB e coordenador nacional do Fórum Permanente de Discussão do Processo Judicial Eletrônico do Conselho Federal, citou dois grandes entraves ao PJe, constatados em pesquisa recente do Fórum. O primeiro aspecto apontado por ele é a ausência de internet banda larga em diversas comarcas de todo o Brasil, enquanto o segundo ponto é a falta de estrutura de energia elétrica, o que causa diversos apagões e impede a utilização do sistema.

Por fim, Lamachia lembrou que o PJe não oferece pleno acesso, o que impede sua utilização por profissionais com deficiência visual, além da dificuldade para seu uso por profissionais mais idosos. A Justiça do Trabalho já se posicionou a favor de uma adequação de seu Processo Judicial Eletrônico, mas isso não se repetiu em outros tribunais. Com informações da Assessoria de Imprensa da OAB.

Ademilson Pereira Diniz disse:
05 de dezembro de 2013 às 11:12

Bem, parece brincadeira, mas, só agora a OAB vem dizer isso? Agora quando já está em marcha a terrível informatização tupiniquim, toscamente arranjada, do Judiciário brasileiro? Ufa,finalmente a OAB descobriu a AMÉRICA!!! Há quanto tempo já não se brada contra o modo pelo qual se estava levando a efeito a informatização em foco? Essa informatização só está servindo para uma coisa: firmar cada vez mais o distanciamento do JUDICIÁRIO do jurisdicionado. É um biombo eletrônico por trás do qual se esconde, cada vez mais, um PODER que deveria ser a trincheira aberta ao povo, com portas escancaradas e funcionários à frente, solícitos, na guarda dosm direitos republicanos. Como está, funciona como aquelas 'lojas' virtuais que vem tijolos embrulhados, em lugar de marcadorias adquiridas virtualmente, e que, quando você vai atrás dos vendedores, no máximo obtém respostas por 'mensagens' absolutamente impessoais e inúteis. Como disse a reportagem: você posta uma petição e esta vira fumaça, vai para as nuvens... Você não sabe sequer se ela foi ao local certo, ou não! E o JUIZ, destinatário do petitório, também não sabe onde encontrá-la e, por isso mesmo, também não pode exigir do funcionário que a procure...Isto é: a JUSTIÇA torna-se cada vez mais inacessível, mais ausente, mais escondida, mais INjusta!

Edmilson_R disse:
05 de dezembro de 2013 às 14:20

Embora não seja desses entusiastas que acha o PJe a panaceia para os problemas gerenciais do Judiciário, uma coisa os advogados precisam entender: o referido sistema só implica em redução de custos se vier para acabar, definitivamente, com o processo em papel.
A duplicidade de vias, de estruturas, implica em MUITO mais gastos para a administração pública (se é que isso importa — não é o que parece pelo comentário de alguns)
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Não adianta tergiversar. Ou se busca implementá-lo da forma mais ampla possível; ou se abandona o projeto. Não dá para defender o PJe somente quando é conveniente para a classe dos advogados; é preciso abraçá-lo também nas (inúmeras) inconveniências (inclusive na extinção de 95%-99% do atendimento presencial).
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Repito: NÃO sou entusiasta do PJe, concordo que ele afasta o Poder Judiciário do povo, acho abobrinha esse papinho de que ele reduzirá substancialmente os custos do processo judicial. Mas não foi a esta a opção? Não é lei? Aliás, lei desde 2006!
Não faz mal tentar cumprir. É o que o PJ e o CNJ (com ou sem açodamento) estão tentando fazer e não adianta alegar surpresa quando se cumpre uma lei com 7 anos de existência!

Resec disse:
05 de dezembro de 2013 às 16:31

Isso é o básico do básico do básico !
O PJe é uma evolução admirável, um avanço necessário e merece aplausos.
No entanto, o exercicio da advocacia deve ser livre, não pode estar aprisionada ou limitada por qualquer sistema eletrônico, simplesmente porque a defesa dos jurisdicionados não pode correr risco algum.
Acorda CNJ !!!

Veritas veritas disse:
05 de dezembro de 2013 às 17:43

"O advogado não sabe mais onde está o processo?", referendo-se ao processo digital...
Será que eu li isto?

João Batista Favero Piza disse:
06 de dezembro de 2013 às 10:14

Vou comentar.
Com a ajuda da estagiária consegui me cadastrar.
Como o ex-presidente do TJ, vim da roça. Advogo há 26 anos, e faço meu salário todo dia.
Isto para demonstrar a dificuldade que tenho com o processo na forma digital, quando fui preparado para operar o direito manuseando livros, e toda biblioteca física que compõe meu patrimônio.
Urge que o judiciário e a OAB acordem para a realidade, porque aos olhos de muitos a maioria dos advogados passam por idiotas e alguns serventuários fingem que sabem ou por terem treinamento sem prejuízo do salário, se achem melhores.
Pobre país, onde importa CHIP (é isso?), e exporta cientistas, enquanto que os processos repousam em algum lugar do presente.
Longe de ser idiota, me considero um aprendiz do bom direito, quando manuseado pelos livros.
Como disse o poeta: "Bendito o que semeia livros, que faz o povo pensar...".
Que se volte o sistema anterior que é tão atual para nós brasileiros.

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