Protagonista de um livro sobre o médico Roger Abdelmassih, a estilista Vana Lopes aguardava interessados em ouvir a história de como ela investigou por conta própria o paradeiro do homem que estava foragido depois de condenado à prisão por estuprar clientes. Mas a maioria da imprensa e do público esperava na tarde desta quinta-feira (14/5) a chegada do juiz federal Sergio Fernando Moro, que assinou o prefácio da obra junto com a mulher, a advogada Rosângela Wolff Moro.

Dalmo Meireles/Divulgação
Foram cerca de 30 minutos sem saber se ele iria mesmo aparecer no segundo andar da Livraria Cultura, na Avenida Paulista. “Ainda não foi confirmada [a presença]”, respondeu uma assessora, já espremida por fotógrafos e equipes de TV. Até que uma aglomeração apontou a chegada do convidado, que foi recebido com aplausos, flores brancas, gritos de “fora PT” e a primeira parte do Hino Nacional.
Moro sorriu e preferiu ficar num canto afastado, longe da mesa que reunia Vana Lopes, os autores de Bem Vindo ao Inferno — Claudio Tognolli e Malu Magalhães — e autoridades policiais que atuaram na prisão de Abdelmassih. Vana disse que não via problemas em dividir a atenção com o juiz responsável pelos processos da operação “lava jato”.
“Não acho que tira o brilho do lançamento nada que se fale em termos de Justiça. Porque o livro é uma história de autoajuda e justiça. Se todos estiverem buscando isso, tudo bem. O livro pode ser um lema disso sim.”
Rosângela Moro também respondeu a algumas perguntas. Só sobre o prefácio, na qual ela e o marido afirmam que, “ao se passar por outra pessoa, sempre mirando consequências cidadãs, Vana adotou o que se chama de dolus bonus: aquele bom dolo a objetivar (e buscar) o bem social supremo”.
Moro saiu do evento cerca de 20 minutos depois de chegar, sem aceitar tirar retratos com fãs e seguido pelos próprios e por profissionais da imprensa no caminho até o elevador. Quando desceu, o grupo correu pelas escadas para encontrá-lo no térreo.
Ao ver a movimentação na saída da livraria, uma jovem perguntou para a amiga: "Quem é?". Recebeu a resposta prontamente: “Ah, é o juiz do mensalão!”
O juiz federal continuou sendo seguido porta afora, pela avenida Paulista. Ouviu gritos de “obrigado!” e “1, 2, 3, 4, 5 mil… queremos Sergio Moro presidente do Brasil!”. Entrou num táxi que estava parado no semáforo, sob o olhar surpreso do motorista idoso. Um manifestante abriu a carteira e disse que pagaria a corrida do taxista. Moro rejeitou. O carro virou pela rua Augusta, sentido Jardins, e a multidão começou a se dispersar.
Na livraria, já sem tumulto, personagens e responsáveis pelo livro continuaram os autógrafos. Alguns manifestantes tiraram fotos da mulher de Moro, que continuava ali. No fim da festa apareceu ainda o cantor Lobão.
Poucas palavras
Na coletiva de imprensa, Moro falou pouco:
ConJur – Em relação ao prefácio que seu marido assina junto, em que ponto ele ajudou a senhora a escrever [o texto]?
Rosângela Moro — Ele é sempre um grande parceiro meu em todas as decisões que tomei.
ConJur – O senhor escreve no prefácio sobre a existência do “bom dolo” para combater um monstro. Existe “bom dolo” para o combate à corrupção?
Sergio Moro — [Gesto de que não responderia]
Repórter 2 – O que o senhor achou dessa recepção tão calorosa?
Sergio Moro — Olha, é o seguinte: o evento hoje é o lançamento do livro. Eu vim só prestigiar isso e acho que vocês têm que prestigiar o lançamento, então vou pedir a compreensão de vocês.
ConJur – Mas tem um amplo público que veio prestigiá-lo, o que o senhor diz para essas pessoas?
Sergio Moro — Eu acho que é importante ter o apoio da população, é relevante. Mas realmente não vou fazer mais comentários.
Repórter 3 – Como o senhor viu esse ato?
Sergio Moro — Olha, como eu disse. O foco hoje é o lançamento do livro. Claro, a gente fica gratificado por ter uma recepção tão calorosa e atribuo a isso a simpatia das pessoas.
Repórter 4 – O senhor se considera um herói nacional?
Sergio Moro — Não.
Repórter 5 – Como foi ser recebido com status de herói?
Sergio Moro — Olha, o evento é sobre o lançamento do livro, eu só vim prestigiar. A gente fica feliz com essa recepção, mas eu não quero ser o foco da atenção.
Repórter 6 – Mas o senhor escreveu o prefácio, né?
Sergio Moro — Não, foi escrito pela minha esposa.
Repórter 6 – O senhor ajudou?
Sergio Moro — Eu sou um figurante.
Repórter 7 – O senhor pode falar um pouco sobre o livro?
Sergio Moro — Não, não vou comentar.
Obra
A protagonista de Bem Vindo ao Inferno (Editora Matrix), Vana Lopes, narra que pensou em suicídio depois de ter sido estuprada durante uma consulta, passar por problemas de saúde e separar-se do marido. Quando se pensava que o ex-médico estava no Líbano, ela decidiu investigar a localização de Abdelmassih. A estilista estudou Direito e até criou perfil falso em uma rede de relacionamentos para conseguir informações, depois repassadas às autoridades. Roger foi preso no Paraguai.
Segundo ela, todo o lucro com o livro será encaminhado para a ONG Vítimas Unidas, que reúne outras mulheres vítimas do ex-médico e planeja atender mais pessoas que passem por abusos sexuais. “Ninguém pode ganhar dinheiro com dores, nem eu com a minha própria vida”, afirmou.

Era feriado hoje em Curitiba?
Quando o Juiz Moro vai participar do Domingão do Faustão? Com tantas tietes em busca de autógrafos, fotos ou um simples aperto de mão, o magistrado segue tão concorrido quanto Neymar, Zezé de Camargo ou Gustavo Lima.
De fato o povo brasileiro é muito carente e qq pessoa se transforma, da noite pro dia, em seu super-herói.
Que péssima matéria do ConJur. Tentou fazer perguntas capciosas para pegar o juiz no contrapé.
Conteúdo jurídico nulo, especialmente pela piada de péssimo gosto acerca do direito ao silêncio.
Compreendo, sinceramente, a ironia do Dr.Pintar e do Dr. Caio.
Mas chamo atenção para um fato. O Juiz Moro é tratado assim - na minha visão, merecidamente - por estar o país na mão de incompetentes de várias matizes, mas que camuflam sua incompetência, sua inação, seu apreço à ideologias sem nenhum apreço pelas pessoas, sem controlar a extrema violência que vivemos em nosso cotidiano e uma corrupção faraônica (ladrão aqui quer construir pirâmide), tudo isto levando, de forma muito natural, à quem demonstre competência para enfrentar tudo isto, um tratamento dado à heróis da nação.
Acho natural. Pois aqui idolatramos o nada. Os fanfarrões da pátria. Pessoas que, de boca, tem solução para tudo, adoram se escutar e se ler, mas nada produzem e ainda ajudam o país a afundar no atoleiro diariamente.
Que bom que nossas referências estão mudando.
Bonne Chance, Juiz Moro.
Estudou para isso,fez sua parte,nada mais que a sua obrigação em defender os direitos do povo e da nação, o brasileiro tem mania de criar e inventar heróis
O "mandato" de Joaquim Barbosa caiu rapidamente.
Há pouco o aclamavam presidente e agora o fazem em favor de Moro. "Mandatos" curtos e perigosos. A heroicidade promovida sob julgo popular não pode prevalecer, somente após debate as ideias tem propósito sólido. Naturalmente o Juiz é um herói momentâneo e como outro será menos lembrado em breve. Mas o eleitor deve aproveitar o momento para reflexão e ficar ciente de que o melhor momento de construir mudanças vem com o voto nas possíveis e sólidas inovações de mandatos. A renovação do legislativo é sempre mínima. Os arquitetadores que planejam, lideram e matem o crime estarão às sombras, ou nas prerrogativas se assim permitir o eleitor. Renovação concreta nos poderes se faz nas eleições .
Infausto e farroupilha o povo que precisa de heróis para ser feliz, fazer valer os seus sagrados direitos humanos, estes que foram promovidos pelo jus naturalis, não por homens, que quando pelejam estão pensando nos frutos e beiral a advirem. Já teve um outro julgador, consabido de todos, que foi levado às alturas, hoje um estático em seu nicho. Veja, até Silvio Santos, foi cotado a Presidente. Vixe Maria!!!.Todas as grandes atuações não só na justiça, aliás, na cultura, no esporte, nas ciências, nada, absolutamente nada se construiu de modo próprio, salvo um dos pouquíssimos v.g, Charles Darwin, in Seleção natural das Espécies. Aliás, indagado a Isaac Newton, um dos gênios da mecânica moderna, porque teria progredido tanto, retrucou “Se consegui ver mais longe é porque apoiei nos ombros de gigantes”. Então, que se lembre: ninguém é especial por si mesmo. Veja, o " festejado" lula, a vaca de presépio, na verdade não merecia os encômios que recebera.
O juiz Moro é um bom juiz, que cumpre bem a sua função. Mas isso não deveria ser natural ? Pobre do país que precisa enaltecer e cantar quando encontra um juiz correto, corajoso e honesto. Mas estamos no Brasil e até isso é válido. Que venham os aplausos ao juiz Moro, até o dia em que possamos dizer que todos os nossos juízes são bons juízes. E convenhamos que há alguns anos era impensável ver na cadeia empreiteiros do calibre daqueles que hoje estão presos. Então, palmas para o juiz, para o Ministério Público Federal e para a Polícia Federal.
O Brasil se tornou um país árido mesmo. Juiz Moro à parte, qualquer um que faça algo que outros aplaudem, logo é "relativizado" em suas ações. Mesmo, ou principalmente, quando a pessoa nunca se considerou ou se percebeu "um herói".
Herói é um conceito subjetivo.Qual o problema de alguns o considerarem assim?Por que o "nunca um herói"?Por que o Brasil, este país macunaímico, adora tanto odiar heróis?Por isso não temos nenhum.Mas somos cheios de anti-heróis.
Heróis são um símbolo.Uma referência.Pessoas que conseguem, em situações caóticas, não pensar apenas em si.Geralmente, é um termo mais utilizado pelas Forças Armadas (de qualquer país) em tempos de guerra.
E o que, no conceito militar, distingue um herói dos outros?São aqueles que conseguem cumprir atos e tarefas com coragem desmedida, muito acima do esperado por seu dever, naquele determinado momento histórico.
O Juiz Moro sacudiu o Brasil.Agiu, dentro da lei, contra um sistema treinado à driblá-la.Um sistema forte, que utiliza-se de vários mecanismos e pessoas para se servir do país. Teve coragem (inclusive física), para enfrentar e bater de frente com tal sistema.
Entendo que ele cumpriu seu dever, para alguns.Para mim, diante do quadro atual, ele agiu como na guerra.Todos que são soldados estão "cumprindo o dever".Mas alguns, cumprem o dever com mais virtuosidade e coragem do que outros.Estes sempre serão os heróis.
Era, veio comer pizza em São Paulo...
Quem descobriu o paradeiro do médico taradão foi um produtor da Rede Record. Confira aqui:
http://www.conversaafiada .com.br/brasil/2015/05/11/moro-e-uma-das -vitimas-de-abdelmassih/
http:/ /www.conversaafiada.com.br/brasil/2014/0 8/19/abdelmassih-reporter-atravessa-biog rafia-de-gilmar/
Acho que o juiz está um tanto chateado com o Conjur. É preciso saber lidar com os elogios e com as críticas. Perdeu uma oportunidade de falar, esclarecer, de ser educado e cortês. Afinal, não está em uma audiência. Ali está um autor de um livro, que possui posturas pessoais, publicadas em jornais famosos, que merecem ser esclarecidas. Se tem coragem de publicar artigos em jornal, para o público, por que não haveria de comentar seus pensamentos e suas práticas também em público? Talvez não esteja acostumado ao debate....público.
Então o feriado era só na Justiça Federal, pois a Estadual funcionou normalmente. Um colega fez uma diligência no TJPR ontem, e o fórum estava funcionando normalmente.
"O maior prazer de um pervertido é assistir à queda de um puro", disse certa vez, com muita propriedade, Reinaldo Azevedo. E vejo no Brasil de hoje muita gente esperando isso acontecer com o juiz. Isso revela o caráter dessas pessoas. Quanto ao Felipe (serventuário), sugiro ler direito a matéria. O livro em questão não era dele, ele não era o autor.
Poderia decretar uma prisão preventiva ao "suspeito" ... e ...tchan, tchan,tchan,tchan ..... obter, ao menos uma delaçãozinha premiada.... afinal, como disse o Lenio ( em recente artigo aqui no Conjur) " na gaiola passarinho canta melhor" ...
O Conjur se transformou numa revista de fofocas. É uma revista eletrônica "que tem lado". Uma pena.
Ora, o Dr. Moro apenas está trabalhando...
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