Após casos de feminicídio, CNJ estuda mudar Lei Maria da Penha

O Conselho Nacional de Justiça criou um grupo de trabalho para estudar e propor o aperfeiçoamento da Resolução 128/2011, que trata da Lei Maria da Penha e determina a criação de coordenadorias estaduais das mulheres em situação de violência doméstica. A decisão foi tomada nessa terça-feira (15/3), durante sessão do órgão.

A proposta de alterar o texto partiu da conselheira Daldice Santana, que citou recente episódio de feminicídio ocorrido na Universidade de Brasília (UnB). “Já temos a Lei do Feminicídio [Lei 13.104/2015], mas precisamos acompanhar mais de perto e tornar mais visível essa política de enfrentamento à violência doméstica. Ainda que os recursos humanos e materiais, atualmente, sejam escassos, trazer esse debate para mais perto é fundamental”, defendeu.

Recentemente, dois crimes de feminicídio chocaram a população. Louise Ribeiro, de 20 anos, cursava o 4º semestre de Biologia na UnB e foi morta pelo colega de curso Vinícius Neres. Na mesma semana, Jane Carla Fernandes, também aos 20 anos e moradora da capital federal, foi assassinada pelo ex-namorado Jhonatan Pereira Alves, que, após o crime, cometeu suicídio. A vítima já havia registrado boletim de ocorrência contra o ex-namorado por agressão na Delegacia de Especial de Atendimento à Mulher.

A violência doméstica vem sendo discutida pelo CNJ desde 2007. Uma vez ao ano, o conselho promove uma jornada de trabalho sobre a Lei Maria da Penha, além de auxiliar na implantação das varas especializadas nos estados brasileiros. O órgão também criou o Fórum Permanente de Juízes de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e sempre incentivou a uniformização de procedimentos das varas especializadas em violência contra a mulher.

O Brasil ocupa a quinta posição no ranking global de homicídios de mulheres, entre 83 países registrados pela Organização das Nações Unidas, atrás apenas de El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia.

Farão parte do grupo de trabalho do CNJ os conselheiros Daldice Santana, Arnaldo Hossepian e Fernando Mattos. Dentro de 15 dias, deverá ser encaminhada ao presidente do CNJ, ministro Ricardo Lewandowski, uma lista de juízes para integrarem o grupo. Com informações da Assessoria de Imprensa do CNJ.

Hiran Carvalho disse:
16 de março de 2016 às 17:09

Os crimes passionais contra mulheres são os mais fáceis de comprovar, não há nenhum mistério. Todavia, até decisão de 2ª instância leva muitos anos, porque o Tribunal do Júri sempre é lento e complexo. Portanto, sem prisão preventiva, o sentimento de impunidade vai continuar e os crimes também, porque o assassino continua namorando, num verdadeiro deboche à família da vítima e à sociedade. Não adianta aumentar a pena, tem que haver rapidez na execução da mesma.

daniel disse:
16 de março de 2016 às 19:03

AFinal, ao tornarem obrigatória a instrução de qualquer delito, mesmo sem gravidade e não permitir a seleção dos mais graves, e aplicar suspensão condicional do processo aos menos graves, acabou gerando o colapso de processos e a impunidade. Além de tudo, a Presidente Dilma indultou (perdoou) os poucos condenados por Maria da Penha, isto sem falar nas prescrições e que o condenado cumpre pena no regime aberto domiciliar, logo muito melhor a suspensão do processo em vez de suspensão da pena (ao final) e com base no art. 77 do CP.

daniel disse:
16 de março de 2016 às 19:03

AFinal, ao tornarem obrigatória a instrução de qualquer delito, mesmo sem gravidade e não permitir a seleção dos mais graves, e aplicar suspensão condicional do processo aos menos graves, acabou gerando o colapso de processos e a impunidade. Além de tudo, a Presidente Dilma indultou (perdoou) os poucos condenados por Maria da Penha, isto sem falar nas prescrições e que o condenado cumpre pena no regime aberto domiciliar, logo muito melhor a suspensão do processo em vez de suspensão da pena (ao final) e com base no art. 77 do CP.

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