*Este texto integra uma série de reportagens sobre as propostas dos candidatos à Presidência da República para o Judiciário, o Ministério Público, as polícias, a advocacia pública, a legislação penal e o sistema penitenciário.
Após seu partido, o PT, ser duramente atingido pela operação “lava jato” e ter seu líder — Lula — condenado, preso e declarado inelegível, o candidato a presidente Fernando Haddad quer maior controle sobre o Judiciário e o Ministério Público, redução de benefícios de magistrados, promotores e procuradores e a instituição de mandato fixo para ministros do Supremo Tribunal Federal.

Ricardo Stuckert
Haddad disse à ConJur que o Judiciário brasileiro não é transparente e que não há controle suficiente sobre o órgão. “O Poder Judiciário, mesmo após a Constituição Federal de 1988, permaneceu refratário à incorporação de princípios de controle e de transparência à sua estrutura e práticas institucionais. Há grande resistência às mais simples formas de abertura e prestação de contas à sociedade.”
Com isso, o Judiciário passou a interferir em “questões de cunho estritamente político”, entrando em conflitos com o Legislativo e o Executivo. E o ativismo judicial de “alguns magistrados” prejudica a atividade jurisdicional, opinou o petista, que é formado em Direito pela Universidade de São Paulo.
Uma mudança que Haddad pretende fazer, se eleito, é instituir mandatos fixos para ministros de cortes superiores e do STF, não coincidentes com a troca de governos e legislaturas. A medida é um “elemento-chave de uma república”, diz o candidato em seu programa de governo.
O ex-prefeito de São Paulo também quer alterar o processo de escolha dos ministros de tribunais superiores e do STF, conferindo transparência e um papel maior à sociedade civil organizada. Hoje, para o Supremo, o presidente da República indica alguém para o cargo, e este, se for aprovado em sabatina do Senado, assume o posto. As demais cortes altas têm regras específicas para a escolha de ministros, mas a palavra final é sempre do presidente, e o eleito também fica sujeito a aval dos senadores.
“Os nomeados devem ter compromisso com a democracia, com o Estado Democrático de Direito e com a separação de Poderes, sobretudo com as garantias judiciais previstas na Constituição Federal”, aponta Fernando Haddad no seu programa de governo.
Para aperfeiçoar o controle sobre o Judiciário, o presidenciável defende que se repense o papel do Conselho Nacional Justiça. Mas não só: sugere instituir ouvidorias externas, ocupadas por não magistrados. O objetivo é ampliar a participação da sociedade na fiscalização da instituição.
O acesso à Justiça pelos mais pobres também precisa ser aperfeiçoado, aponta o candidato do PT. Algumas ações a serem tomadas nesse sentido são a simplificação de procedimentos judiciais, a ampliação dos serviços nas regiões mais carentes e a valorização de carreiras auxiliares do Judiciário.
Fernando Haddad ainda declarou à ConJur que buscará aumentar “significativamente” a presença de mulheres e negros no Judiciário.
MP em debate
Da mesma forma que no Judiciário, “alguns membros do Ministério Público têm prejudicado a imagem da instituição, desviando o órgão de suas funções precípuas e agindo de maneira a influenciar o processo político-eleitoral”, avalia o candidato a presidente.

Ricardo Stuckert
Ele aponta como exemplos dessa postura “a atuação midiática e apresentações estapafúrdias, o vazamento seletivo de investigações e o ajuizamento de ações casado com o calendário eleitoral”.
“O Ministério Público é importante demais para ter esse tipo de postura, se deixar usar eleitoralmente”, criticou Haddad após ser denunciado pelo MP-SP, no começo de setembro, por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. A denúncia se baseia na delação do executivo Ricardo Pessoa, ex-presidente da UTC, feita em maio de 2015 e tornada pública em dezembro daquele ano pelo STF. De acordo com o depoimento, o PT pediu R$ 2,6 milhões à UTC para pagar despesas da campanha de Haddad à Prefeitura de São Paulo, em 2012.
Buscando frear abusos, o presidenciável igualmente advoga pela reestruturação do Conselho Nacional do Ministério Público e pela criação de uma ouvidoria externa para o MP. “Como órgão de controle, o Ministério Público deveria ser exemplo de transparência, prestação de contas e controle social em vez de prestigiar pautas de benefícios corporativos”, ressaltou Haddad à ConJur.
Redução de benefícios
Para reduzir a desigualdade com outras carreiras públicas e privadas e promover a moralidade administrativa, o candidato do PT quer alterar os benefícios do MP e da magistratura.
Uma das idéias é acabar com o auxílio-moradia para quem possuir casa própria e morar na cidade em que atua ou usar imóvel funcional. Polêmico, o benefício foi estendido a todos os juízes por uma liminar do ministro do STF Luiz Fux de 2014. Com base na decisão e na simetria constitucional entre a magistratura e o MP, a Resolução 117/2014 do CNMP assegurou a verba a promotores e procuradores. A matéria ainda não foi analisada pelo Plenário do Supremo.
Além disso, Fernando Haddad propõe a redução do período de férias de 60 para 30 dias para todas as carreiras que “conservam esse privilégio” — como a magistratura e as de integrantes do MP.
Por fim, o ex-prefeito de SP destaca a necessidade de implementar uma “regulamentação definitiva e segura” da aplicação do teto do funcionalismo público. O limite é equivalente ao salário dos ministros do STF — atualmente em R$ 33,7 mil.
Polícia e advocacia pública
Com relação às polícias, o presidenciável afirma que é preciso avançar no debate sobre a desmilitarização e a implementação do ciclo completo de policiamento. Ou seja: ter corporações que façam tanto o policiamento ostensivo (prática que hoje cabe à Polícia Militar) quanto a investigação (função da Polícia Civil e da Polícia Federal).
Buscando coibir abusos, Haddad pretende repensar a formação dos policiais militares. Estes, de acordo com o candidato, devem tratar todos da mesma maneira, independentemente de a abordagem ocorrer na periferia ou em uma área rica. E mais: o petista sugere que o controle externo das corporações seja aperfeiçoado e mais transparente.
Outras propostas são a valorização dos policiais e o fortalecimento das polícias científicas. Como a Polícia Militar e a Polícia Civil são entidades estaduais, caberia ao governo federal estimular o debate para promover tais alterações, ressalta Haddad.
Reconhecendo que o papel da advocacia pública como função essencial à Justiça foi fortalecido pelo Código de Processo Civil, o ex-prefeito de São Paulo declara que irá valorizar a carreira e aprimorar suas funções institucionais.
Saúde pública
No campo penal, Fernando Haddad é favorável ao fim da política de enfrentamento ao tráfico de drogas.
“Temos a irracional política de ‘guerra às drogas’, que se mostrou ineficaz, injusta e equivocada no Brasil e no mundo. É o grande nó a ser desatado em favor do presente e do futuro de nossas crianças e jovens. Hoje, o país prende mais pessoas não violentas, não organizadas e desarmadas, envolvidas no varejo disperso do comércio de substâncias ilícitas, do que homicidas, traficantes de armas e lideranças do crime organizado, que já se transnacionalizou. Com isso, agrava a já desumana condição dos presídios e funciona como recrutamento em massa para facções criminosas”, analisa o integrante do PT.
A seu ver, a questão das drogas precisa ser encarada sob o ângulo da saúde pública e da educação. Haddad apóia políticas de prevenção ao consumo e redução de danos — eixos do programa Braços Abertos, que implementou na região da cracolândia, no centro de São Paulo. Não só, o ex-prefeito quer que o Brasil estude os casos de países e regiões que descriminalizaram o uso de entorpecentes e regularizaram seu comércio.
Com essa mudança de enfoque, o sistema penitenciário ficaria menos sobrecarregado, acredita o petista. Em junho de 2016, tráfico de drogas era o crime responsável pela prisão de 30% dos encarcerados no Brasil, segundo o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen).
Contudo, essa não é a única ideia dele para desafogar os presídios. Haddad propõe a aprovação de lei sobre a audiência de custódia, para evitar prisões ilegais e arbitrárias. Ele também tem o objetivo de implementar um Plano Nacional de Política Criminal e Penitenciária que estabeleça uma Política Nacional de Alternativas Penais. Uma de suas prioridades seria reformar a legislação penal para reservar o encarceramento para crimes violentos, ampliando a aplicação de penas alternativas para delitos sem agressão e de baixo potencial lesivo. Outra, a capacitação dos gestores de prisões, para recuperar o controle dos espaços, que hoje é exercido por organizações criminosas.
A diminuição da pressão sobre o sistema carcerário permitirá que as polícias Civil e Militar se concentrem na repressão a crimes violentos e no combate às organizações criminosas, com foco na redução de homicídios, destaca Fernando Haddad. Por outro lado, o combate à criminalidade exige políticas de geração de trabalho e renda para jovens de periferia, aponta.
Vamos ser governados por um presidiário, vocês alimentaram o monstro agora aguenta, e só de pensar que a segunda turma do STF ainda queria soltar o Lula é tenebroso.
Se 30% dessas idéias de fato forem postas em práticas, acho muito boa e bem vinda. Tem de haver mudanças, do jeito que está não dá mais.
Bolsonaro é filho da operação lava a jato.Na Itália, depois das mãos limpas os italianos elegeram Silvio Berlusconi; no Brasil, após a lava a jato, veio o messias. É que a sensação de moralidade, combate à corrupção fica impregnada pela mídia na população em geral. Isso atrai ideias fascistas, que se ve pela indolência do índio e malandragem do negro :armas para os pais de família e trabalhadores de bem, e repulsa às liberdades públicas.O STF tem grande parcela de culpa, em tudo isso, quando se transformou em Tribunal da opinião pública que opina e não controlou, como deveria, os abusos ao Estado de Direito perpetrados pela lava a jato, Moro, D'Artagnan e seus acólitos.Se mesmo com Lula preso,condenado pela lava a jato por corrupção, o candidato poste Fernando Haddad tem 23% dos votos válidos do eleitorado "muita gente que não opina, não vem influenciando os julgamentos do STF".
Estava em dúvida e mais inclinado a votar no Ciro, apesar de ter votado no PSDB em outras eleições. Mas, ao ler essas propostas do Haddad, passei a considerar seriamente o voto nele. Trata-se de alguém com excelente formação acadêmica e que parece, junto com Ciro, o mais preparado a governar o Brasil. Não coloco Alckmin entre os três, porque sempre critiquei o seu jeito introspectivo de fazer política, é muito difícil saber o que ele pretende. Enfim, entre as opções democráticas, acredito que agora defini o meu voto.
Eu penso que para o prof. Edson o ideal seria o Bolsonaro né?
Ele quer algo parecido com o STF da Venezuela. Mandatos fixos.
Se agradar fica, senão ...
Os membros da 2ª Turma ficariam "ad perpetuam"....
...foi escorraçado da prefeitura de SP, dada sua notória incompetência, e tem gente que acha que ele pode ser presidente?
Tem que ser muito fanático ou burro pra cair nesse conto do vigário...
Infelizmente levar Bolsonaro ao segundo turno é como é na França levar Marine Le Pen, o discurso raivoso, mas que perde para praticamente qualquer outro adversário com condições de chegar ao segundo turno.
Se o segundo turno for Haddad e Bolsonaro, as pesquisas estão mostrando o "mito" bateu no teto.
Do estudioso da democracia, e verdadeiro democrata, Augusto de Franco, a respeito do mais novo manifesto "pela democracia": "Não viram o mais maligno para a democracia, da estratégia petista, que é fazer “a revolução pela corrupção” (na expressão do saudoso Ferreira Gullar), em doses homeopáticas, com o objetivo de conquistar hegemonia sobre a sociedade a partir do Estado aparelhado pelo partido para nunca mais sair do governo. Acham que o PT é democrático porque não quer dar um golpe de Estado em termos clássicos. Ora, o PT não quer mesmo dar um golpe de Estado, não quer promover uma insurreição popular, não quer empreender uma guerra popular prolongada, não quer instalar focos revolucionários e sim vencer eleições seguidamente, por tempo indeterminado, ganhando tempo para operar transformações por dentro do sistema que alterem o DNA da democracia".
Quer acabar com o Judiciário?
O Judiciário deve ser imparcial sempre!
E ministro com mandato a tendência é politizar uma Instituição que jamais deveria ser politizada.
Aliás, sou pela extinção do Quinto Constitucional.
Quem quiser fazer carreira no Judiciário que tenha capacidade de passar no difícil concurso público para magistrado.
Também deve modificar a forma de nomear Ministros para a Corte Suprema: deveria ser desembargador.
Alguém que sempre foi parcial (advogado ou membro do MP), chegar ao "final da carreira" e ser obrigado, ex-vi-legis, que ser imparcial.
O Judiciário não merece!
Nem digo que o Brasil não merece, porque essa gente não pensa no País, mas, em si própria, em sua ideologia.
Nenhum desses políticos quer um Brasil melhor, mas, o melhor para si mesmo.
Por isso que o País é esse eterno subdesenvolvimento.
E a tendência será piorar, porque o candidato quer, quer Mandato para o STF e é comandado de dentro da prisão por alguém condenado por crime contra a Administração Pública; o outro quer armar a população invés de educação.
O Brasil regride e não tem nenhum jeito de dar certo.
Que o Radical e que ameaça a Democracia, é o Bolsonaro.
CesarMello (Advogado Sócio de Escritório - Empresarial), o jornalista Fernão Lara Mesquita discorda de você:
“Jair Bolsonaro, pintado como ameaça iminente para a democracia, é o exemplo mais evidente. Quem tem tanques e está querendo dar golpe não sai à rua pedindo votos. Antidemocrático declarado, com papel passado, com promessa solene de volta atrás, com ‘plano de guerra’ aprovado em convenção nacional (2015) para a desmontagem das instituições republicanas já semi-implementado, com juras de amor diárias a ditadores com mãos sujas de sangue e supremas cortes recheadas de fantoches é o PT. Todas essas figuras sinistras da América do Sul e da África que estão enchendo o Brasil e o mundo de refugiados, com poucas exceções, são amigos diletos de Luiz Inácio Lula da Silva. Boa parte desses cujas ‘milícias’ hoje atiram contra quem lhes pede eleições limpas foi bancada pelo BNDES do PT para chegar pelo voto às posições de que agora se recusam a apear pelo voto (…).
E eu também.
O capacho do presidiário quer amordaçar o Judiciário e MP, além de sucatear a polícia federal e, pra piorar, irá conceder indulto ao seu ídolo preso em Curitiba. Em resumo, ele é o candidato do continuísmo da roubalheira e se mudar algo, será pra pior.
Por isso, dia 7 é 17!
A ordem do prisioneiro de Curitiba, para essa marionete denominada Hadad, é preparar um ambiente para que nossa republiqueta, em caso dele ser eleito, o que é muito improvável, faça recepcionar os modelos ditatoriais da Venezuela, Cuba, Nicarágua e outros de sua escola verduga.
"BOLSONARO VENCE NO 1º TURNO"
Parabéns pela matéria, pelo menos ficamos sabendo da real intenção do candidato. Não percebí desvios significativos do interesse coletivo, porém, como o candidato é bacharel em direito, deveria adicionar mais informações sobre suas reais intenções de mudanças na área jurídica. diante disso, não merece o voto de ninguém da área jurídica, existe outro candidato com propostas bem melhores.
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