Juíza admite que se baseou em sentença de Moro para condenar Lula

A juíza Gabriela Hardt afirma que usou a sentença dada pelo então juiz Sergio Moro no caso do triplex de Lula como "modelo" para sentenciar o ex-presidente no processo do sítio de Atibaia. A magistrada afirma que os erros apontados pela defesa de Lula são apenas materiais, e que não afetam sua decisão. 

Gabriela divulgou na noite desta quinta-feira (28/2) uma nova versão de sua decisão, com correção dos erros. No mesmo dia, durante a tarde, a defesa do ex-presidente pediu ao Supremo Tribunal Federal que acolha uma perícia que sustenta que a juíza copiou de forma indiscriminada a sentença de Moro, o que fere o direito de Lula ter um julgamento justo. 

A perícia aponta que elementos como espaçamentos e tipografias comprovam a cópia. Além disso, a juíza fala em "apartamento" quando julgava o caso do sítio, e cita corrupção ativa onde deveria ser passiva. 

A juíza diz que de fato usou a sentença de Moro como "modelo" e que o fez por conta do excesso de trabalho em caráter de urgência e também devido ao grande número de réus nas ações que julga. 

"Corrijo o erro material no item "d" do tópico IV – Disposições Finais – cujas redações inicial e final foram tiradas do documento 700003590925 do eproc, usado como 'modelo' neste ponto da sentença.  Assim, onde se lê "apartamento", deve-se ler "sítio", esclarecendo ainda que tanto o produto do confisco criminal como o valor mínimo para a reparação dos danos são devidos à Petrobrás", disse a juíza em sua retificação. 

Fernando Martines

é repórter da revista Consultor Jurídico.

Marcos Alves Pintar disse:
01 de março de 2019 às 17:00

Em qualquer outro país minimamente civilizado a douta Magistrada já estaria presa neste momento devido à forma como desenvolveu seu trabalho, aguardando sua expulsão da magistratura. Aqui, é tratada como heroína.

Felipe Costa - Advogado Ceará disse:
01 de março de 2019 às 17:26

Isso, no mínimo, mostra que a sentença foi feita de qualquer jeito e sem os necessários cuidados, sem a individualização necessária. Lamentável. O fato de existir muito trabalho ou de vários réus comporem o processo não justifica os erros cometidos pela magistrada.
O zelo que, em tese, deveria ter todo juiz ao proferir uma sentença, no caso do Lula, não existe. A narrativa de que Lula é tido como inimigo, cada vez mais, ganha força. Lamentável que o sistema de justiça esteja se prestando a essa ridículo papel.

acsgomes disse:
01 de março de 2019 às 17:31

Muito escarcéu por nada. Em qualquer profissão do mundo aproveita-se documentos cujos conteúdos retratam ou contém semelhanças. É a coisa mais natural do mundo. Patética a alegação da defesa inclusive fazendo menção a formatação do documento.

Advogada Civilista disse:
01 de março de 2019 às 17:55

Menosprezou uma personalidade "planetária". Imagino o que faz com o Zé da esquina.
E vamos que vamos!

MACUNAÍMA 001 disse:
01 de março de 2019 às 18:51

Só no Brasil mesmo. Sentença totalmente nula. Tragicômico, bizonho. Prêmio Ignóbil.

Papajojoy disse:
01 de março de 2019 às 19:47

Depois me chamam de machista...

Hans Zimmer disse:
01 de março de 2019 às 21:39

Faltou cuidado e esmero à magistrada. Mencionar apartamento no lugar de sítio foi digno do pior estagiário.

Isto posto, a atenuante é que imensa parte de seus críticos usam, também eles, modelos.

Aliás, no Brasil, é perfeitamente possível uma ação padronizada, uma contestação padronizada e uma sentença padronizada, e o processo transita em julgado sem que ninguém tenha escrito uma linha original. O problema não é deste ou daquele juiz, ou deste ou daquele advogado, mas sim de um sistema jurídico caótico como um todo.

O IDEÓLOGO disse:
01 de março de 2019 às 22:48

Diz o texto: "A juíza diz que de fato usou a sentença de Moro como "modelo" e que o fez por conta do excesso de trabalho em caráter de urgência e também devido ao grande número de réus nas ações que julga".

Justificativas esfarrapadas. Utilizaram o Lula como bode expiatório de toda a corrupção brasileira.

amigo de Voltaire disse:
01 de março de 2019 às 23:17

A maior das coincidencias encontra-se nos reus, em especial Luis Inacio, reu Crtl C , e em mais 6 processos em andamento , sempre ele , o tinhoso, o capiroto, o coiso, diferentes definicoes, mas o mesmo reu !

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