Barrado, advogado peticiona para “exmo. sr. dr. guarda” do fórum

Com 20 anos de atuação na Comarca de Bauru, o advogado João Carlos de Almeida Prado Piccino foi barrado no fórum da cidade do interior paulista. Na ocasião, passou por detector de metais e revista íntima, mas não conseguir entrar por ter esquecido sua carteira da OAB.

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Barrado no fórum, advogado escreve petição dirigida ao guarda do órgão
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Mesmo após a confirmação de outros funcionários de que advogava rotineiramente ali, o guarda do local não permitiu a entrada dele. Ao ouvir pedidos para que verificasse seu nome e inscrição nos registros da Ordem, o segurança se limitou a dizer que não era obrigado e não arredou pé de suas convicções.

Fato consumado. O impedimento se deu. Ao lidar com a situação, o advogado decidiu dirigir uma petição diretamente ao ‘excelentíssimo senhor doutor guarda da portaria do Fórum de Bauru-SP’.

Nas seis páginas do documento, o advogado narra todo o episódio que culminou no dissabor de ser impedido de trabalhar e trata da falta de razoabilidade do profissional de segurança.

O profissional também cita o poder investido ao guarda de separar o joio [advogados] do trigo [juízes e promotores]. “Nada obstante a natureza objetiva do texto supra transcrito, forçoso é concluir que como qualquer regra, esta se demonstra passível de eventual exceção nos casos em que constatada a razoabilidade da medida, como no caso da cumulação entre as circunstâncias da força-maior e da boa-fé: a primeira a justificar eventual extravio do documento, apresentando-se a segunda ligada à regularidade da inscrição do profissional junto aos quadros da OAB”, diz trecho do documento.

Por fim, o advogado pede que o guarda pense no episódio e evite tratar profissionais da advocacia de forma “degradante”. Ele lembra que juízes, promotores e serventuários não são sumariamente barrados ao esquecerem sua carteira funcional e lembra que todos envolvidos no funcionamento de um fórum trabalham em prol da justiça.

Também assina a petição o advogado Douglas Lima Goulart, do escritório Lima Goulart e Lagonegro.

Clique aqui para ler a petição

Rafa Santos

é repórter da revista Consultor Jurídico.

Immanuel Kant disse:
06 de fevereiro de 2020 às 22:40

Faço minhas as palavras de Streck:

"A advocacia se tornou um exercício de humilhação e corrida de obstáculos."

Marcos Alves Pintar disse:
06 de fevereiro de 2020 às 23:50

Possivelmente o Advogado vai ser processado pelo guarda, na esfera cível e criminal, e condenado. Já a OAB, certamente instaurará um processo disciplinar em face ao Causídico, a pedido dos juízes, e o condenará por algum argumento qualquer.

JCCM disse:
07 de fevereiro de 2020 às 09:54

Já passei por coisa semelhante e reclamei formalmente.

E a resposta dos senhores do Castelo é de que seus servos seguem as normas.

É muita empafia dos poderosos magistrados que empoderam a ignorância dos seus servos.

Mas, vai piorar, já que o poderoso chefe do Executivo agora faz chover, e leva uma criança fardada ao palácio...

Rodrigo Zampoli Pereira disse:
07 de fevereiro de 2020 às 10:07

Parabéns pela sua atitude Dr. João Carlos de Almeida Prado Piccino, o mundo só muda, quando a gente muda.

Falando num âmbito geral, na minha opinião, a culpa é nossa, somente nossa, exclusivamente nossa, dos próprios Advogados (as).

Esses dias, um mês, mais ou menos, uma Corretora de Imóveis, conversando comigo me disse que estava assustada com a falta de prestigio da classe dos Advogados (as).

Ela vende imóveis (apartamentos) para a classe baixa (classe D/E) até ai tudo normal. ELA vende também para as classes A,B,C, imóveis do padrão destes clientes. Mas ela disse quando um (a) requerente do apartamento se apresenta como Advogado (a) ela "sobe a proposta" para a empresa analisar, e, regra geral 99% dos casos são indeferidos para os ADVOGADOS (AS) dos apartamentos da classe D/E. Perguntei o motivo, ela me respondeu, regra geral os Advogados (as) estão SEM RENDA. Não é novidade nenhuma eu disse a mesma, eu cobro CONSULTA, mas 98% dos Advogados (as) NÃO COBRAM CONSULTA, ou seja, se você não se valoriza, quem irá te valorizar????? O vento???? A chuva???? O sol???? O ser humano???? Quanta ingenuidade da classe, guardada as devidas exceções. E respondi ainda a mesma, não estou nem falando daquele colega novo (a) que saiu da faculdade ontem, e ainda nem conseguiu um bom estágio, seja na época da faculdade, seja após a faculdade. Colegas com mais de 10 anos de carreira não se valorizam a si próprio. Regra geral a classe dos Advogados (as) está sem AMOR PRÓPRIO. Enquanto isto não mudar, essa cenas lamentáveis serão rotinas nas nossas vidas, guardadas as devidas EXCEÇÕES.

ACORDA ADVOCACIA!!!!!

Se alguém se interessar, vejam:

https://www.youtube.com/watch?v=nyuViBrGQ-w

Atenciosamente,

Rodrigo Zampoli Pereira
OAB-MT 7198
OAB-SP 302569

Luiz Carlos de Oliveira Cesar Zubcov disse:
07 de fevereiro de 2020 às 16:30

Lamentável essa rotina de desarmonia social provocada no exercício das atividades públicas.
Infelizmente esses pequenos eventos significam muito quando se respira o ar rarefeito de uma tirania estatal, afinal isso é o reflexo da espúria prevalência do Estado no permanente embate com os legítimos interesses da sociedade.
São raros os profissionais que se encorajam em adotar atitudes dessa natureza que nada mais é que denunciar destemidamente os abusos do poder público.
Parabéns doutor João Carlos de Almeida Prado Piccino, postura modelar e que deve ser seguida por todos.

O IDEÓLOGO disse:
07 de fevereiro de 2020 às 22:43

Meus cumprimentos ao Dr. João Carlos de Almeida Prado Piccino.
Como um jurista e "gentleman" conseguiu demonstrar o equívoco do "gerente de segurança do Fórum".
Oxalá todos os advogados tivessem a inteligência e o "fino trato" do nobre jurista.

Riobaldo disse:
11 de fevereiro de 2020 às 18:09

Admirável, mas de todo questionável, a impávida fleuma do colega, de se dar ao trabalho de aplicar uma lição de cultura republicana e vida ia como resposta a conduta truculenta e descabida do miliciano fardado. Vivemos tempos distopicos. O fato lembra Macunaíma, personagem de Oswald de Andrade, quando discorria acerca do caráter nacional da era getuliana: vivemos num tempo em que o urubu de baixo caga no de cima...A toda evidência, a figura fardada deve ter recorrido 'ex- ofício ' ao maior responsável pela portaria fascista de exigir carteira de identidade, mormente da OAB, num espaço público como deveria ser as instalações do fórum.

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