Delegada na PB já deu ordem de prisão por ter sido chamada de “você”

Uma das protagonistas do caso que terminou em agressão física de advogados na Delegacia Central de João Pessoa (PB), a delegada Viviane Magalhães é alvo de processo em que um homem pede indenização por ter recebido voz de prisão por tratá-la pelo pronome "você".

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Advogados foram agredidos em delegacia da Polícia Civil da Paraíba na sexta-feira (25/9)
Arquivo Pessoal

O episódio da agressão foi tema de reportagem da ConJur no último sábado (26/9) e provocou manifestações do Conselho Federal da OAB e de associações de delegados.

ConJur teve acesso a uma ação de indenização no Tribunal de Justiça da Paraíba contra Viviane, movida por um advogado. Segundo os autos, o reclamante compareceu a delegacia após ter sido informado no Instituto Médico Legal que era necessária a requisição de uma autoridade policial para fazer exame de corpo de delito.

No processo, o autor narra que a intenção de passar pelo exame era registrar as agressões sofridas pela esposa. Ao chegar na delegacia, o advogado alega ter sido tratado com desdém e só ter acesso a requisição após muita insistência.

A delegada então pediu que prestasse depoimento sobre o ocorrido para esclarecimento dos fatos e, em dado momento, exigiu que ele a tratasse apenas como "senhora delegada".

"É importante trazer à baila que em momento alguma parte promovente faltou com respeito para com a promovida. Muito pelo contrário, as expressões utilizadas a uma delegada de polícia foram: 'delegada', 'senhora', 'senhora delegada' e, por último, 'você'", argumenta o reclamante.

Segundo o autor do processo, após pedir reciprocidade no tratamento e usar a expressão "você" para dizer a delegada que ela não estava acima da lei, ele recebeu voz de prisão.

O autor da ação ainda alega que foi coagido a assinar um boletim de ocorrência sem ter ciência dos fatos narrados. No documento assinado pelo reclamante, a delegada afirma que foi desrespeitado pelo advogado que a tratou pelo pronome de "você" várias vezes de maneira pejorativa e que sua conduta foi grosseira desde o início da conversa.

O BO foi posteriormente arquivado a pedido do advogado, que alegou "atipicidade de conduta". Ao analisar a matéria, a juíza Luciana Matos Sarmento Diniz e Silva decidiu extinguir a punibilidade do advogado "por não se justificar a instauração de ação penal, ante a atipicidade da conduta descrita na peça informativa". A ação por danos morais segue em tramitação no TJ-PB.

0020810-33.2011.8.15.2001

Rafa Santos

é repórter da revista Consultor Jurídico.

Carlos Alvares disse:
02 de outubro de 2020 às 01:17

Guardadas as devidas proporções, evidente, está parecendo aquelas denúncias sobre abuso sexual. Aparece uma acusando fulano, aí outras criam coragem e cria-se uma multidão denunciando determinada pessoa.
No caso desta delegada, ao que tudo indica, a depender das devidas e sérias apurações, parece que ela deve ser imediatamente afastada e passe por avaliação psiquiátrica e psicológica, para avaliar com cautela a sanidade mental da mesma, visando apurar se ela possui condições de atuar como delegada de polícia.

Não é hora de colocar panos quentes, e sim, de apurar os fatos com total imparcialidade e ausência de corporativismo. A sociedade não quer uma servidora pública, nestas funções, "fora da casinha" (não estou acusando, estou sugerindo que se faça uma avaliação psicológica e psiquiátrica nela)

S. Queiroz disse:
02 de outubro de 2020 às 05:51

O Dr. advogado errou.
.
Existe a lei das EXCELÊNCIAS.
.
"Você" não se atentou que a zelosa autoridade policial, bacharela, pretensiosamente entende ser deus(minúsculo).
.
É assim, simples assim.

PH Sabino disse:
02 de outubro de 2020 às 07:01

A ação tramita há 09 anos, demonstrando que a morosidade do Judiciário não é causada apenas pelo período de pandemia, isso vem lá de trás... Agora tipificar como crime chamar alguém de você é o fim da picada, pra quê serve a prova oral nos concursos para delegado mesmo? Respondo, somente para beneficiar os "peixes", pois para mostrar a qualificação e o preparo que não é... Abraços pra "você"... Rsrsrs...

O ESCUDEIRO JURÍDICO disse:
02 de outubro de 2020 às 10:40

O advogado chega na Delegacia, nervoso, e é atendido por uma Delegada mulher.
Quis dar uma de bom em cima da Delegada e seu mal.
Agora, não vai poder atuar na área criminal. Está marcado pelos servidores e delegados da cidade.

JCCM disse:
05 de outubro de 2020 às 13:10

Sou delegado de polícia há 27 anos e tenho a consciência tranquila de sempre ter procurado tratar a todos respeitosamente e sem distinção.

SEMPRE mantendo a educação e o tom de voz ameno.

Mas, vez ou outra aparece alguém que faz questão de demonstrar um certo descaso para com a figura da Autoridade Policial. Fica nítido o desejo de demonstrar intimidade ou não intimidação por estar falando com a figura que exerce o cargo.

Não que isso tenha em algum momento atrapalhado o meu mister. Ao contrário, sempre mantive a razão e entreguei a minha prestação funcional de modo transparente e equilibrado, ainda que em meio a alguma agressividade por parte do cidadão que acorre ao Distrito Policial, seja o conduzido, a pretensa vítima, seus advogados, policiais militares, guardas municipais, policiais federais, peritos, jornalistas,etc.

Não raro ouvimos aquelas frases desprezíveis de que pagam o nosso salário, asseverando serem nossos patrões, a quem devemos obediência, ou pior, insinuam não confiar em nossa orientação... Uma falta total de cordialidade.

Nem assim, ainda que tivesse que me posicionar com firmeza em minha convicção e realização de minhas atribuições, deixei a emoção vencer a razão profissional.

Aliás, a presença do advogado sempre tive como bem vinda, evitando alegações infundadas posteriormente, até porque acompanhando, dentro dos limites impostos pela legislação, não deixa questionamentos.

Então, é lamentável que ainda aconteçam situações dessa ordem, que em nada contribuí para a consecução dos bem estar social.

Vamos ter juízo, já que devemos, isto sim, ajudar na administração da Justiça.

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