Pedido de mudança de turma de Fachin gera dúvidas sobre “lava jato”

O pedido de transferência da 2ª para a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal feito pelo ministro Edson Fachin, relator da "lava jato" na corte, gerou dúvidas quanto a destino dos processos da operação.

Carlos Humberto/SCO/STF

Fachin pediu a Fux para ocupar vaga de Marco Aurélio na 1ª Turma do STF

A Presidência do STF entende que, ao mudar de órgão, o relator leva os novos casos da "lava jato", que passariam a tramitar na 1ª Turma. Nos julgamentos dos processos em curso, Fachin retornaria à 2ª Turma.

Por outro lado, o gabinete de Fachin avalia que o ministro, ao ser transferido, leva todo o seu acervo. E ele voltaria para a 2ª Turma para julgar todos os casos da "lava jato", sejam antigos ou novos.

Nos eventuais retornos de Fachin à 2ª Turma, o ministro que o substituir no colegiado ficará de fora do julgamento. Se houver questionamentos, a palavra final sobre a questão pode ser submetida ao Plenário.

A 1ª Turma do STF é composta pelos ministros Marco Aurélio, Dias Toffoli, Rosa Weber, Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes. Já a 2ª Turma é integrada pelos ministros Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski e Nunes Marques, além de Edson Fachin.

Pedido de transferência
Edson Fachin pediu nesta quinta-feira (15/4) para ser transferido para a 1ª Turma da corte após a aposentadoria do ministro Marco Aurélio, que ocorrerá em 5 de julho. 

Em ofício enviado ao presidente do STF, Luiz Fux, Fachin manifestou interesse de ser transferido para a 1ª Turma, se não houver intenção de outro ministro mais antigo. "Se verificada essa premissa e a de que seja do melhor interesse do colegiado do tribunal, expresso desde já pedido de compreensão aos ilustres colegas da 2ª Turma", disse Fachin.

Fachin disse estar à disposição do tribunal, "tanto pelo sentido de missão e dever, quanto pelo preito ao exemplo conspícuo do ministro Marco Aurélio, eminente decano que honra sobremaneira este tribunal".

Se o requerimento não for aceito, o ministro disse que permanecerá "com muita honra na posição em que atualmente me encontro".

O pedido de transferência vem após Fachin ser derrotado em diversos julgamentos da "lava jato". No mais importante deles, o ministro ficou vencido no caso em que a 2ª Turma declarou a suspeição do ex-juiz Sergio Moro para julgar o ex-presidente Lula no processo do tríplex no Guarujá (SP), anulando as decisões e inutilizando as provas. 

Para tentar evitar esse resultado, Fachin decidiu que a 13ª Vara Federal de Curitiba é incompetente para processar e julgar os casos de Lula. Com isso, as condenações do ex-presidente foram anuladas e ele voltou a ter todos os seus direitos políticos, se tornando novamente elegível. Porém, o ministro preservou as quebras de sigilo, interceptações e material resultante de buscas e apreensões. Os autos, que estavam no Paraná, foram enviados para a Justiça Federal do Distrito Federal, por ordem do magistrado.

Depois da decisão, Fachin declarou que a suspeição de Moro tinha perdido o objeto. Mas a 2ª Turma decidiu dar continuidade ao julgamento. Fachin então enviou o caso ao Plenário, que, por maioria, confirmou nesta quinta (15/4) a declaração de incompetência do juízo de Curitiba para julgar Lula.

O julgamento será finalizado na próxima quinta (22/4), com a análise se a decisão da incompetência fez a suspeição de Moro perder o objeto. Além disso, os ministros ainda decidirão para onde enviar os processos de Lula. Fachin recomendou que os casos fossem para a Justiça Federal do Distrito Federal. Porém, Alexandre de Moraes sugeriu que as ações sejam remetidas à Justiça Federal de São Paulo.

Sérgio Rodas

é editor da revista Consultor Jurídico no Rio de Janeiro.

Felipe Costa - Advogado Ceará disse:
16 de abril de 2021 às 10:12

Será que esse povo não cansa de manobrar, de tramar saídas mirabolantes?

Desde quando o Min., ao mudar de Turma, leva com ele o acervo que pertence à Turma de origem, que é o Juiz Natural?

Ou, então, desde quando o Min. ao mudar de Turma, retorna à Turma de origem para ficar dando plantão nos julgamentos de processos dos quais foi relator, excluindo o novo ministro (sic)?

Pera aí!!!1 Será que os Ministros não estão cansados com essa BABOSEIRA DE LAVA-JATO? Será que os Ministros não estão cansados de COLOCAR O STF EM FUNÇÃO DO PROPÓSITO DE SALVAR ESSA OPERAÇÃO E O JUIZECO QUE COLOCOU O BRASIL NESSE CAOS INSTITUCIONAL?

BASTA!!!!! O BRASIL NÃO SUPORTA MAIS A INSTRUMENTALIZAÇÃO DO DIREITOS E O STF!!!!

Rejane G. Amarante disse:
16 de abril de 2021 às 10:31

Há inúmeras provas da suspeição da maioria dos ministros da 2a Tur que, se tivessem decoro, declarar-se-iam suspeitos nos processos da Lava Jato, especialmente de Lula.

José Cuty disse:
16 de abril de 2021 às 11:53

Segundo dizem, desde quando consta no Regimento Interno do STF.

Proofreader disse:
16 de abril de 2021 às 13:51

Se for assim, então devemos admitir que todo o Tribunal é suspeito para julgar esse caso, porque há ministros (uns mais, outros menos) que claramente se posicionam, aconteça o que acontecer, a favor dos agentes públicos envolvidos e contra qualquer direito mínimo dos acusados, por mais que estes tenham razão.

Joro disse:
16 de abril de 2021 às 14:52

Ahá uhú!

O ESCUDEIRO JURÍDICO disse:
16 de abril de 2021 às 21:18

Existem outros fatos além das ilações contidas no artigo.

Harlen Magno disse:
17 de abril de 2021 às 03:47

Se nessa "maioria de suspeitos da 2ª turma" que ela fala, está incluso o Ministro do qual o representante-mór do órgão da acusação disse "Ahá-Uhú, o 'fulano' é nosso!". Porque olha, se isso não for suspeição...

Rejane G. Amarante disse:
19 de abril de 2021 às 18:24

Ambos têm razão. Há tempos defendo a tese de que as autoridades devem ser julgadas por júri popular

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