Há consenso de que cerca de 90% dos mortos e internados nos hospitais devido à Covid são de não vacinados ou dos que não completaram a vacinação. É fato. Não há discussão. Contra fatos, só há interpretações? Contra as narrativas, os fatos.
Esse número assustador deveria fazer com que as autoridades tomassem providências para fazer um esclarecimento (uma espécie de iluminismo pandêmico) à população, acerca dessa platitude: as mortes e lotação das UTIS estão ligadas ao negacionismo. Relação diretíssima, indiscutível.
Mas, ao contrário, autoridades do governo federal fazem de tudo para atrapalhar a vacinação. Até nota técnica a favor da cloroquina autoridades da saúde emitem. O ministro da Saúde quer ficar na história como aquele que terminou com a pandemia — com certeza, uma insólita declaração que ficará nos anais da história da infâmia nacional. O tom é de deboche e só dá para acreditar porque estamos no Brasil.
Na TV — canal concedido pelo poder público, logo, pelo povo — pastores (especialmente RR Soares, quem esteve entubado por Covid) alardeia cem mil curas da doença por meio de rezas de copos de água e boletos bancários ou pix.
Se reza cura a Covid, por qual razão Soares teve que ser hospitalizado? Suas preces só curam os outros? Mas os seus pastores não poderiam orar por ele?
Nas rádios o espetáculo antivacina é contínuo. Respeitável público, o show tem de continuar. "A pandemia é culpa do STF que proibiu o Presidente de atuar na pandemia. A economia vai mal porque, no auge da crise, fez fechamentos. E uso de máscaras é bobagem. Crianças se vacinarem? Isso tudo faz parte de uma tentativa de controle das indústrias farmacêuticas". Isso é o que se ouve em várias rádios aqui no RS, em emissoras várias que têm nos seus quadros comentaristas negacionistas.
Para quem é liberal, vai uma questão para reflexão. Cada vez que um negacionista pega Covid e é internado, ele transfere recursos dos não-negacionistas para fazer a sua felicidade (ou, se quiserem, buscar a sua cura).
O não vacinado é antieconômico. Ele dá prejuízo. Assim como é indevida a transferência de impostos para as igrejas, isentas de tributos, que pregam charlatanismo (cura por reza), fazendo com que os fiéis, não vacinados que nisso acreditam, também lotem os hospitais, gastando, também nesse nível, recursos públicos.
E surge uma nova disciplina: A Análise Econômica do Negacionismo
Eis uma AEN — análise econômica do negacionismo. Dá pra fazer em visual law também: Negacionismo (setinha) internações e mortes (setinhas) danos públicos, coletivos (setinha) ou seja, de todos, inclusive você.
Portanto, negacionistas de todo o Brasil: pensem economicamente. Dá prejuízo econômico não se vacinar.
Um radialista ou comentador de TV ou pastor de igreja que prega a não vacina e o não uso de máscara… provoca mortes. E muito prejuízo econômico. Não precisa fazer a coisa certa. Esqueçam a moralidade, já que incomoda. Pensem com o bolso de todo mundo.
Você não precisa pensar de forma humanizada para abandonar o negacionismo. Basta ser um bom liberal em termos de economia. Adam Smith, por exemplo, aposto que mandaria que todos se vacinassem. Para que a economia andasse melhor. Simples assim.
E, by the way: o Ministério Público poderia fiscalizar rádios e igrejas negacionistas-charlatanistas. Se não é por nada, no mínimo para evitar mais mortes. E, quem sabe, gerar economia aos cofres públicos. Ou passemos a cobrar qualquer internação de não vacinados. Com penhora de bens. Alô, Paulo Guedes. E a responsabilidade fiscal?
E fazer como na Áustria: vacinação obrigatória. Não entra nem no armazém da esquina sem passaporte vacinal. A multa por lá é de 22 mil reais.
Lenio Streck a favor da AEN (Análise Econômica do Negacionismo)! Pronto. Está patenteada a nova disciplina.
Um texto que bem ilustra o anti-intelectualismo atualmente presente em Pindorama. O problema é discutir com esse tipo de gente. Contra os fatos, criam novos "fatos". Talvez a proposta de uma Análise Econômica do Negacionismo realmente se prove útil: qual seria o preço do absurdo ?
Tem gente que nega que há corrupção.
Tem gente que nega que condenados por corrupção são culpados.
A corrupção tirou quantas vidas? Quantas pessoas estão nas filas do SUS aguardando consultas, exames, cirurgias etc.. ?
Há como prever quantas pessoas foram mortas pelos infintimos desvios financeiros?
Em uma democracia há espaço para glorificação de corrupçãos?
Globo Rural do último domingo mostrou vacinação em massa das tilápias. Negacionistas entraram em polvorosa.
Brilhante coluna. De um ponto de vista prático, o negacionismo custa caro. Então se não querem estimular a vacinação e fiscalizar duramente o negacionismo pelo caráter humano, que façam pelo dinheiro que tanto amam!
A onda de negacionismo que vivemos faz parte de um fenômeno maior: o pós-verdade. O nível de desinformação que muitas sociedades contemporâneas têm atingido é sem precedentes desde o início do século XX. A matéria acima elenca dois dos setores da sociedade brasileira que têm os maiores pesos na promoção da desinformação da população: o jornalismo e a religião. Ambos estão protegidos pela liberdade de pensamento, da qual a liberdade de expressão e de imprensa e a liberdade de crença e de culto são corolários. Por outro lado, é bem assentado no Direito que não existe liberdade absoluta num ordenamento jurídico minimamente funcional (se existisse alguma liberdade absoluta, haveria alguma anomalia nos choques entre liberdades iguais ou distintas de pessoas distintas, de maneira que o sistema como um todo não fecharia). A sociedade deve discutir e levar para as instâncias judiciais e legislativas a questão de até que ponto deve ser admitido que atos de lideranças religiosas e jornalistas autoproclamados (sem diploma e sem compromisso com a verdade) podem funcionar como excludentes atípicos de ilicitude para crimes tipificados. Muito mais do que legítimo, é urgente a regulamentação das liberdades de culto e de imprensa por uma lei que proteja os demais valores da nossa sociedade, que são diversos.
Claro que não Dr. Streck.!!!!
Vamos baixar a censura em todos, incluindo ai os apologistas à legalização das drogas que negam os males que tais substâncias fazem à saude de seus estúpidos e viciados consumidores.
E porque não censurarmos também os apologistas da liberação dos jogos de azar?
Progressistas e suas taras por censuras...
Por falar em igrejas televisivas, acho que igrejas deveriam pagar impostos também. Vê se por ai igrejas milionárias que constroem templos suntuosos, os intitulados donos tem uma vida regada a luxos como verdadeiros reis. Acho que deveria haver um controle contábil maior no recolhimento de dízimos e ofertas. Se quer isenção de impostos prove que precisa, abra as contas. Melhorar identificação das doações e doadores. Evitar possível lavagem de dinheiro. Verificação de onde são aplicados os dízimos. Acabar com esta isenção automática de impostos. Quem quiser isenção prove que precisa. Até Jesus pagou o imposto. Mandou Pedro pescar um peixe e encontrar na boca do mesmo uma moeda (um estater). Mandou pagar o imposto. "Da-o por mim e por ti."
Para se ter a dimensão da coisa, esses malucos chegariam a chamar Adam Smith de "comunista" se assim fosse! Belo texto.
Não sei quantos acreditam na homeopatia como forma científica de tratamentos de diversos males da saúde como até da Covid-19.
Não houve questionamento da aplicação da homeopatia no tratamento da Covid.
Leiam o Nota Técnica nº 10/2020 – DAPS/SPS/SES, do Estado de Santa Catarina; ou, ainda, Orientação Da Sociedade Gaúcha De Homeopatia Sobre A Homeopatia No Contexto Da Pandemia De Coronavírus/Covid-19; bem como Associação Brasileira de Reciclagem e Assistência em Homeopatia – ABRAH, qual entendeu que Diante dessas análises será proposto como Gênio Medicamentoso como descrito por
Hahnemann para a pandemia provocada pelo covid-19, o medicamento
homeopático China officinalis, segundo patogenesia (estudo fisiopatológico
experimental em humano) que será descrita a seguir.
A posologia recomendada da China officinalis 6 CH líquido – 6 gotas 1 vez ao dia por
no máximo 6 meses.
Ainda bem que não nos negaram o acesso à homeopatia!
Os pensadores alemães, Theodor W. Adorno e Max Horkheimer escreveram a "Dialética do Esclarecimento" e afirmaram: "No sentido mais amplo do progresso do pensamento, o esclarecimento tem perseguido sempre o objetivo de livrar os homens do medo e de investi-los na posição de senhores. Mas a terra totalmente esclarecida resplandece sob o signo de uma calamidade triunfal. O programa do esclarecimento era o desencantamento do mundo. Sua meta era dissolver os mitos e substituir a imaginação pelo saber. Bacon, “o pai da filosofia experimental”, já reunira seus diferentes temas. Ele desprezava os adeptos da tradição, que “primeiro acreditam que os outros sabem o que eles não sabem; e depois que eles próprios sabem o que não sabem. Contudo, a credulidade, a aversão à dúvida, a temeridade no responder, o vangloriar-se com o saber, a timidez no contradizer, o agir por interesse, a preguiça nas investigações pessoais, o fetichismo verbal, o deter-se em conhecimentos parciais: isto e coisas semelhantes impediram um casamento feliz do entendimento humano com a natureza das coisas e o acasalaram, em vez disso, a conceitos vãos e experimentos erráticos; o fruto e a posteridade de tão gloriosa união pode-se facilmente imaginar. A imprensa não passou de uma invenção grosseira; o canhão era uma invenção que já estava praticamente assegurada; a bússola já era, até certo ponto, conhecida. Mas que mudança essas três invenções produziram – uma na ciência, a outra na guerra, a terceira nas finanças, no comércio e na navegação! E foi apenas por acaso, digo eu, que a gente tropeçou e caiu sobre elas. Portanto, a superioridade do homem está no saber, disso não há dúvida".
O grave problema é aquilo que prega o credo evangélico dentro de uma população que precisa (continua)
Alguém lúcido. Há luz em meio às trevas dos sensores da liberdade de expressão. Só pode ser livre se falar o que eles querem ouvir. Só é verdade o que eles dizem ser. Enfim, progressista não traz progresso a nada e vive com a ânsia incontornável de cercear a liberdade de expressão e outras correlatas.
de um guru, de um condutor, de um messias... . ialogos-da-fe/tres-coisas-que-e-preciso- saber-para-se-falar-dos-evangelicos-no-b rasil/).
Os evangélicos brasileiros se constituíram conservadores na teologia e na relação com a sociedade. Por conservadorismo evangélico entenda-se a posição que pauta os princípios da fé e do comportamento cristão pela leitura literal dos escritos da Bíblia. Por isso, rejeita interpretações teológicas que passem pela contextualização da leitura do texto sagrado e pela mediação das ciências. O conservadorismo evangélico pleiteia para si o cristianismo verdadeiro recusando o diálogo ecumênico e com setores não-religiosos (https://www.cartacapital.com.br/blogs/d
O supramencionado grupo evangélico predomina, ocasionando o desprezo à vida e a negação das conquistas científicas, E não demonstra nenhuma coerência, ao negar o óbvio, negando a própria vida.
Até as pedras sabem que as vacinas são uma injeção na economia, ou não teríamos chegados até aqui, com expectativa média de 80 anos de vida.
Sem as vacinas, não haveria sistema de previdência nem de seguros, não haveria financiamento imobiliário e nenhum outro, tampouco haveria o próprio capitalismo, porque não haveria expectativa de sobrevida que nos permitisse acumular bens.
E um dia já foi assim, nos tempos do século XVIII, mas vencemos a varíola, salvamos o capitalismo, e ninguém ousou negar os benefícios do imunizante.
Mesmo os asseclas mais religiosos também tomaram a vacina contra Covid-19, restando apenas os sabotadores, aqueles que não entendem de economia, de saúde, de nada, mas tem plena convicção de tudo que negam, imersos num paradoxo irredutível.
De nada adianta ser contra o lockdown desacreditando as medidas sanitárias e a própria vacina... isso não é inteligente.
Para estes a terra ainda é plana.
Acreditar em cura pela fé mediante oração não é charlatanismo, salvo para aquele que nega o direito do outro a ter fé. Será que os defensores do "novo aeon" acreditam que só a ciência salva? Fora da ciência não há salvação? Não estou aqui defendendo quem nega a eficácia das vacinas, ou quem apregoa teorias da conspiração. É possível ser a favor da vacinação e da cura pela fé (afinal, também está provado que a vacina não funciona 100% das vezes).
A "análise econômica do negacionismo", para ser justa, deveria ser levada para outros segmentos. Por exemplo: doentes pelo abuso de drogas deveriam ter seus tratamentos negados pelo SUS, sobretudo se você é um defensor da liberação das drogas.
Refrigerantes e doces poderiam entrar na brincadeira também.
Dr. Streck estes também podem operar na democracia?
E o caso do vereador Renato Freitas? Negou direito alheio devemos censurá-lo também?
Foi mencionado em seu comentário: "É possível ser a favor da vacinação e da cura pela fé (afinal, também está provado que a vacina não funciona 100% das vezes).
Em sua opinião, uma solução não excluiu a outra. A científica é aplicada em conjunto com aquela do mundo religioso.
O que o professor Streck explica, com clareza, é a adoção por certo líderes religiosos de usar, somente a solução por eles proposta, para curar a enfermidade, a religiosa, com renúncia total àquela determinada pelo STF, baseada na Ciência.
RESUMO: Pastor disse aos fiéis que ressuscitaria no terceiro dia após a sua morte. Inclusive fez declaração em cartório de notas.
RIO — "Deus tem a forma Dele de ressuscitar. Ressuscitar, para Deus, pode ser levar um espírito para o céu". A frase é de Ana Maria Oliveira Rodrigues, de 56 anos. De filha de lavrador que plantava milho e soja em Joviânia, no interior de Goiás, ela se tornou celebridade, da noite para o dia, em Goiatuba, cidade vizinha de sua terra natal, onde passou a morar. Na segunda-feira à noite, o tempo parou no local de pouco mais de 35 mil habitantes. Centenas de pessoas foram para a porta da funerária Paz Universal esperar o momento em que o marido de Ana Maria, o pastor Huber Rodrigues, de 49 anos, ressuscitaria. Não aconteceu. Por volta de meia-noite, o estabelecimento, que existe há 44 anos na região, deu início à cerimônia de despedida que, pela primeira vez, aconteceria de madrugada. A pedidos.
Com o coração na mão e dividida até o último minuto, porque temia que a profecia que o próprio marido fez constar em documento em 2008 não se cumprisse, Ana Maria não se envergonha, apesar de algumas pessoas terem transformado o caso em piada. Os cristãos queriam um milagre, que consistiria em Huber sair do caixão com as próprias pernas. Os céticos, por sua vez, só assistiam a distância por pura diversão. Uma "live" acompanhava os acontecimentos em tempo real.
— Não me importo com as brincadeiras, eu entendo. Mas muita gente que estava do lado de fora da capela viu um clarão no céu na hora em que o Huber tinha pedido para ser feito o sepultamento. Ele foi muito claro quanto ao horário"
...
O tom de realismo fantástico, descambando para o deboche, que parte da população local deu ao velório prolongado de Huber não a incomoda.
Ana Maria se manteve firme no propósito de velar o corpo do marido por três dias. Numa carta escrita há 13 anos, ele dizia que era o tempo necesssário para ser agraciado pelo "Mistério de Deus". Na previsão, o pastor afirmava: "minha integridade física tem que ser totalmente preservada, pois ficarei por três dias morto, sendo que no terceiro dia eu ressuscitarei. Meu corpo durante os três dias não terá mau cheiro nem se decomporá, pois o próprio Deus terá preparado minha carne e meu cérebro para passar por essa experiência". Pelas instruções deixadas pelo marido, que morreu no sábado de manhã, o enterro só poderia acontecer na segunda-feira às 23h30. Ana Maria ainda esperou mais dez minutos. Quando finalmente o caixão começou a baixar na cova, parte da multidão gritava: "abre! abre! abre!". Queriam ter a prova de que a premonição, soprada pelo Espírito Santo nos ouvidos de Huber, não se completara" (https://oglobo.globo.com/brasil/mulher- de-pastor-que-nao-ressuscitou-diz-que-de us-tem-seus-motivos-fieis-do-lado-de-for a-da-capela-dizem-ter-visto-clarao-25252 635).
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