Sem legitimidade, senador faz representação contra ministro do TCU

A oficialização da atuação política de Sergio Moro (Podemos), pré-candidato à Presidência da República, tem movimentado as peças do tabuleiro da capital federal. O senador Alessandro Vieria (Cidadania-SE), por exemplo, decidiu nesta terça-feira (18/1) fazer uma representação por suposto abuso de autoridade contra o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, relator de processo que envolve o ex-juiz lavajatista. A agremiação de Vieira está negociando a formação de uma federação partidária com a sigla à qual Moro se filiou.

Arquivo Pessoal Senado Notícias

Senador Alessandro Vieira faz representação contra Bruno Dantas, relator no TCU de processo que apura relação de Moro com consultoria norte-americana
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Lei de Abuso de Autoridade é expressa: os crimes por ela previstos são de ação penal pública incondicionada. Ou seja, é prerrogativa do Ministério Público fazer denúncias sobre casos que envolvam esses delitos.

Entusiasta da candidatura de Moro, Alessandro Vieira anunciou a iniciativa por meio de seu perfil no Twitter. "Apresentei representação por abuso de autoridade em face do ministro do TCU Bruno Dantas. Não é razoável aceitar este roteiro que passa pano para corruptos e corruptores, ao mesmo tempo em que ataca investigadores e juízes. A lei vale para todos", esbravejou. 

A representação contra Bruno Dantas ocorre na mesma data em que o ministro determinou que o Ministério Público de Contas tenha acesso ao contrato e aos valores pagos pela consultoria Alvarez & Marsal a Sergio Moro. Isso porque, após abandonar a toga e o governo Bolsonaro, o ex-juiz passou a trabalhar, enquanto agente privado, à consultoria norte-americana que presta serviços à Odebrecht — construtora contra a qual, enquanto juiz, Moro proferiu diversas decisões. O conflito de interesses e a possibilidade de uso de informações privilegiadas são o objeto principal do processo no TCU.

Essa é a segunda movimentação de admiradores do Sergio Moro no bojo do processo que envolve o relacionamento entre ele e a consultoria que presta serviço para a Odebrecht. Na semana passada, Bruno Dantas negou o pedido do procurador do Ministério Público de Contas, Júlio Marcelo de Oliveira, para participar como custos legis no processo que apura a relação de Sergio Moro com a Alvarez & Marsal.

No pedido, Júlio Marcelo de Oliveira questionava a atuação do subprocurador-geral Lucas Furtado no caso e alegava que a competência para atuar no processo contra Moro era dele próprio. Entusiasta da finada "lava jato", Oliveira já chamou Moro de "exemplo de magistrado e homem público" e disse que o ex-juiz "merece todas as homenagens".

Os ataques tanto ao procurador Lucas Rocha Furtado como ao ministro Bruno Dantas têm se intensificado nos últimos dias. O ex-procurador Deltan Dallagnol — outro lavajatista que enveredou oficialmente para política — clamou pela ação "dos garantistas" após Bruno Dantas determinar o compartilhamento das informações do contrato de Moro com o Ministério Público de Contas.

Rafa Santos

é repórter da revista Consultor Jurídico.

Proofreader disse:
18 de janeiro de 2022 às 22:29

... a "representação", parece-me, nada mais é do que uma notícia-crime (CPP, art. 27), tanto que protocolada na PGR. Nada de errado, portanto, com a iniciativa do senador, que foi delegado de polícia e certamente conhece a norma processual.

Ariosvaldo Costa Homem disse:
19 de janeiro de 2022 às 01:34

Deve conhecer norma processual tanto quanto o MORO que tornou pública conversa telefônica de Presidente da República e que se portava como investigador e não como juiz. (DPF aposentado).

José C. de Oliveira disse:
19 de janeiro de 2022 às 07:23

"Logicamente a representação é possível. Chega a atenção apenas de que seria uma notícia crime" de fato "público e notório". Esse fato já é assunto há semanas, ou seja, apenas pressão política.

Afonso de Souza disse:
19 de janeiro de 2022 às 07:52

Ora, a "ofensiva política" é dos que detestam Moro contra o ex-juiz, e não do senador contra o ministro do TCU (que tomou uma decisão absurda mesmo)!

Afonso de Souza disse:
19 de janeiro de 2022 às 07:52

Ora, a "ofensiva política" é dos que detestam Moro contra o ex-juiz, e não do senador contra o ministro do TCU (que tomou uma decisão absurda mesmo)!

Proofreader disse:
19 de janeiro de 2022 às 10:37

Não entendi o propósito do teu comentário. Ninguém aqui falou em Moro, cara. Não sou potencial eleitor dele, muito menos do desprezível ex-chefe dele (que ainda espero ver na cadeia) – o que, por outro lado, também não me torna apoiador incondicional de nenhum político de espectro oposto. Fiz apenas um contraponto à reportagem da Conjur, que, como página voltada a temas jurídicos, tem o dever de reportar fatos com precisão. Não há erro – repito – na iniciativa do senador.

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