Repúdio à violência

IAB critica ação policial mais letal da história do Rio de Janeiro

O Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) divugou nesta quarta-feira (29/10) uma nota para criticar a ação policial colocada em prática no Rio de Janeiro nesta terça (28/10).

Instituto dos Advogados Brasileiros criticou atuação do governo do Rio de Janeiro em operação policial que resultou em mais de 100 mortes

Entidade criticou atuação do governo do Rio de Janeiro em ação policial

O número de mortos em consequência da ação, promovida contra o Comando Vermelho nos Complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio, é incerto — o governo fluminense diz que foram 121, incluindo quatro policiais, mas moradores alegam que a quantidade é maior. Seja como for, é certo que se trata da ação mais letal da história do estado, com mais do que o quádruplo de vítimas da incursão no Jacarezinho, em 2021, que gerou 28 mortos (de acordo com a contagem oficial).

O IAB se solidarizou com as vítimas e defendeu a necessidade de “uma política de segurança pública racional, legítima e humana”, como prevê a Constituição Federal. “A segurança deve ser exercida com legalidade, proporcionalidade, eficiência e finalidade pública.”

A nota, feita por iniciativa do presidente e do vice-presidente da Comissão de Segurança Pública do IAB, Mario Aufiero e Flávio Pita, respectivamente, é assinada pela presidente nacional da entidade, Rita Cortez. “A morte de suspeitos, majoritariamente jovens negros e pobres, mesmo em confrontos, não fortalece o Estado de Direito nem promove a paz social.”

Leia a nota na íntegra:

O Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), por iniciativa do presidente e do vice-presidente da sua Comissão de Segurança Pública, Mario Aufiero e Flávio Pita, respectivamente, diante da megaoperação policial nos Complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro — com 60 mortes confirmadas, incluindo agentes públicos — reafirma seu compromisso com o Estado Democrático de Direito, as garantias fundamentais e o direito à vida.

O IAB defende uma política de segurança pública racional, legítima e humana, conforme os artigos 1º, 5º e 144 da Constituição Federal. A segurança deve ser exercida com legalidade, proporcionalidade, eficiência e finalidade pública.

A perda de vidas — policiais, civis ou suspeitos — representa um dano irreparável e uma derrota moral para o Estado. Honrar os agentes públicos exige inteligência, planejamento e proteção da vida. A morte de suspeitos, majoritariamente jovens negros e pobres, mesmo em confrontos, não fortalece o Estado de Direito nem promove a paz social.
A efetividade da segurança pública está na preservação de vidas e na redução da letalidade, sem suspensão de garantias nem enfraquecimento do pacto civilizatório. Embora haja avanços com planejamento estratégico, tecnologia e integração institucional, ainda é insuficiente.

O enfrentamento ao crime organizado deve respeitar a dignidade humana e combater o narcoterritorialismo que priva milhões de direitos básicos. O IAB manifesta solidariedade às famílias das vítimas e conclama a sociedade à construção de políticas públicas que aliem inteligência, prevenção social, controle externo da atividade policial e reconstrução da confiança entre Estado e comunidades.

O Instituto reafirma seu compromisso com estudos e propostas para o aperfeiçoamento da segurança pública, com base na legalidade, transparência e defesa da vida.

Rio de Janeiro, 28 de outubro de 2025.

Rita Cortez
Presidente nacional do IAB

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