Vencimentos em pauta

Fachin cria grupo para propor regras de remuneração da magistratura

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Grupo de trabalho deverá apresentar proejto de lei em 180 dias

O presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, Edson Fachin, instituiu um grupo de trabalho para revisar e elaborar uma proposta de regulamentação nacional para as verbas indenizatórias da magistratura.

A iniciativa faz parte de uma série de medidas voltadas a aumentar a transparência e a uniformizar a remuneração no Poder Judiciário.

A portaria que cria o colegiado foi assinada nesta sexta-feira (5/6), e a formalização do grupo deve ocorrer nos próximos dias. O objetivo é analisar o atual sistema remuneratório da magistratura, identificar distorções e apresentar soluções que garantam maior previsibilidade, publicidade e observância ao teto constitucional.

Os integrantes terão prazo de 180 dias para concluir os trabalhos. Ao final, deverão entregar um relatório detalhado sobre a situação das verbas indenizatórias e uma minuta de projeto de lei destinada a disciplinar nacionalmente esses pagamentos.

Diagnóstico de distorções

Na justificativa para a criação do grupo, Fachin afirma que o modelo remuneratório atualmente em vigor apresenta problemas estruturais acumulados ao longo dos anos.

Segundo o ministro, a ausência de uniformidade entre tribunais, a falta de atualização adequada do sistema e o uso crescente de parcelas indenizatórias criaram um cenário de insegurança jurídica e desigualdade entre magistrados.

O presidente do STF também apontou que verbas classificadas formalmente como indenizatórias passaram, em muitos casos, a desempenhar função remuneratória, permitindo que a remuneração final ultrapasse o teto constitucional.

Para ele, o fenômeno exige uma solução legislativa ampla e duradoura, capaz de estabelecer critérios claros para todo o serviço público.

Levantamento do próprio CNJ identificou mais de 500 rubricas diferentes utilizadas pelos tribunais para o pagamento dessas parcelas, o que evidenciou a dificuldade de fiscalização e de comparação entre os diversos ramos da Justiça.

Contracheque único

A criação do grupo de trabalho ocorre poucos dias após a aprovação, pelo CNJ, de uma resolução que instituiu o contracheque único para magistrados em todo o país.

A medida determina a padronização das rubricas remuneratórias e impede a utilização de folhas suplementares para o pagamento de benefícios e indenizações fora da folha principal.

A resolução também criou uma tabela remuneratória unificada, com o objetivo de permitir maior transparência sobre os valores pagos pelos tribunais e facilitar o controle dos gastos públicos.

Nomes dos três Poderes

O colegiado será coordenado por integrantes do CNJ e contará com representantes de diversos órgãos e instituições. Estão previstas participações de membros da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, do Poder Executivo, do Tribunal de Contas da União (TCU), da Advocacia-Geral da União (AGU), do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), da Defensoria Pública da União e de entidades representativas da magistratura.

A composição ampla busca conferir legitimidade à proposta e permitir que a discussão sobre remuneração e teto constitucional seja conduzida de forma integrada entre os Poderes e órgãos de controle.

Clique aqui para ler a portaria

Karla Gamba

é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.

Paulo Nogueira Fontes disse:
08 de junho de 2026 às 09:55

Nomear um Comissão para estudar o cumprimento da Constituição, nos parece piada e de mau gosto! Pois é muito estranho que o STF sendo guardião da Constituição na qual já foi claramente definido o teto remuneratório dos agentes públicos, não tem a firmeza necessária para finalmente impor o cumprimento da norma constitucional ! Não agindo assim, mais uma vez os Senhores Ministros mostram-se cúmplices no desrespeito ao que juraram cumprir e respeitar. Tal qual aconteceu há tempos atrás em relação ao cumprimento do pagamento dos precatórios. Lamentável!

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