No ano passado, 12.552 novos advogados chegaram ao mercado de trabalho no estado de São Paulo. Foram feitos três Exames de Ordem. No primeiro, de número 131, foram aprovados 3.825 candidatos. Na prova seguinte, 5.547 bacharéis tornaram-se advogados. O Exame de Ordem 133 habilitou mais 2.845 profissionais. Haveria ainda um quarto exame no ano, mas foi cancelado por suspeita de fraude. Desde 2005, são mais de 30 mil novos advogados no estado. O número de habilitados praticamente dobra a cada dez anos.
A maioria dos advogados é oriunda de escolas não tradicionais — onde estudam cerca de 70% dos brasileiros que fazem cursos superiores. O percentual de aprovados nessas faculdades é baixo se comparado com o das universidades tradicionais.
A escola campeã de aprovacão, em números absolutos em 2007, foi a Unip. Considerada apenas a capital paulista — a universidade tem outras 14 unidades no estado — a escola colocou no mercado 854 novos advogados no ano passado. Em segundo lugar aparece a FMU, outra escola privada e não tradicional, com 829 aprovados nos três exames. Em seguida, estão Mackenzie (719 advogados), PUC-SP (461) e USP (412).
No Exame 133, com 17.892 candidatos, a taxa de aprovados foi de 17,7%. Na edição anterior, a taxa de aprovação foi a mais alta dos últimos oito Exames: 30,43%
No primeiro lugar do ranking de taxa de eficiência do Exame 133 está a Faculdade de Direito da USP, que aprovou 74,1% dos seus alunos. Ao todo, 62 alunos prestaram a segunda fase da prova e 46 foram aprovados. No segundo lugar ficou o Mackenzie, com 73,8% de aprovação: de 420 bacharéis, 310 foram aprovados.
A Unesp Franca ficou em terceiro lugar. Aprovou 11 dos 17 participantes (64,7%). Em seguida, vem a PUC-SP (54%). Dos 50 alunos que se fizeram a prova, 27 conseguiram a carteira da OAB. A PUC-Campinas aparece em quinto lugar, com 41 aprovados e índice de 44,9%.
Este Exame de Ordem é peculiar. O presidente da Comissão de Exame de Ordem da OAB-SP, Braz Martins Neto, diz que parte dos candidatos é daqueles que não conseguiram passar nos concursos que aconteceram no começo do ano, do qual participam os recém-formados. Por isso, o número de inscritos é menor e o de aprovados também cai.
No ranking das escolas menos tradicionais, a FMU conseguiu uma média de aprovação de 24,5%. Aprovou 193 alunos dos 787 bacharéis que prestaram a prova. A Unip participou do Exame 133 com alunos de 18 unidades. A de Ribeirão Preto foi a mais bem-sucedida: 21% de aprovados. A escola teve 229 alunos presentes na prova e 48 novos advogados. Da Unip São Paulo receberão a carteira de advogados 242 bacharéis, de 1.946 que fizeram a prova (12,5%).
Depois da fraude no Exame de Ordem 134, Braz Martins Neto afirma que ainda está selecionando as questões para a prova que acontece no próximo dia 27. Nesta quarta-feira (9/1), a prova estará pronta e será entregue ao Cespe — entidade que a aplica. No dia 15, ela será homologada e enviada a Brasília para impressão.
Visão das escolas
Para o coordenador-geral do curso de Direito da Unip, Ruben Teixeira Garcia, o número de advogados que chegou ao mercado é até pequeno. “Basta olhar, por exemplo, a quantidade de vagas sobrando no serviço público na área do Direito. Há carência de juízes, de promotores, de delegados, de procuradores de municípios. Isso significa que o mercado tem muito espaço a ser ocupado ainda”, afirma.
Para Garcia, a dinâmica da economia pede profissionais de Direito habilitados. E, à medida que crescem os negócios, cresce o mercado de ação dos advogados. O coordenador afirma que a crítica de que há uma indústria de escolas de Direito é infundada e elitista. “A crítica parte daqueles que estão dentro do sistema, que querem evitar a concorrência ampla, importante em um mercado aberto como o brasileiro”, diz.
Formado pela USP em 1980, Ruben Teixeira Garcia ainda levanta a questão de que a USP aprova mais porque já recebe, em geral, um aluno mais qualificado, um aluno cuja família tem condições de permitir que ele dedique mais tempo aos estudos. Já as universidades privadas recebem os alunos que, se elas não existissem, não teriam possibilidade de se formar e alargar a possibilidade de alcançar condições melhores de vida. “Onde estariam os 242 advogados formados na Unip que, segundo a OAB, estão aptos para exercer a profissão, se a universidade não existisse?”, questiona.
Para o professor Núncio Theophilo Neto, diretor da Faculdade de Direito do Mackenzie, o número de novos profissionais é razoável para um universo do tamanho do estado de São Paulo. “Temos que considerar o crescimento das demandas e da quantidade de negócios, que exigem cada vez mais conhecimento amplo. É o número que o mercado exige”, afirma.
Este equilíbrio pode ser creditado, para ele, ao Exame de Ordem. “A quantidade de pessoas que ingressam no curso no Direito é maior do que é necessário”, afirma o professor. Ele, porém, não pensa que existam escolas em excesso. “Acredito no valor do conhecimento e gosto muito de escola. Mesmo sem passar no Exame, o estudante se aprimora como pessoa. Tem condição de compreender melhor as coisas da vida”, afirma. Theophilo lembra que estes profissionais podem exercer atividades em outras áreas fora do Direito.
O professor afirma que, depois que passa no Exame de Ordem, o advogado oriundo de escolas menos tradicionais demonstra grande capacidade de superação. Mas, ele não será visto da mesma forma no mercado de trabalho. “Muitos escritórios, quando promovem seleções, não se baseiam apenas no Exame da Ordem, mas também no nome da universidade”, afirma Theophilo
Já o professor João Grandino Rodas, diretor da Faculdade de Direito da USP, não tem a mesma visão. Dos 12 mil novos advogados, ele acredita que apenas 6 ou 8 mil exercerão a profissão. Para ele, alguns não chegarão por falta de oportunidade e outros por falta de desejo. “Em poucos lugares no mundo chegam tantos advogados ao mercado como em São Paulo”, explica.
O aumento de advogado no mercado, para Grandino Rodas, tem um lado positivo e um negativo. Em primeiro lugar, ele renova os profissionais. Por outro, os honorários diminuem de valor por causa da concorrência. “Em lugares menores, se nota a relativização da hora trabalhada em função da oferta”, explica.
A grande procura pelo curso de Direito, segundo Grandino, decorre da visão tradicionalista de algumas famílias. “No Brasil, os pais ainda acham que os filhos devem fazer um curso tradicional como Direito, Medicina e Engenharia. É uma característica que não foi ultrapassada”, afirma o professor.
Para Grandino, o aumento no número de escolas faz com que as outras rebaixem a qualidade. “A falta de cuidado de alguns cursos tende a fazer com que os outros relativizem”, argumenta. Segundo o professor, para que os cursos de Direito se tornem melhores é preciso que o Ministério da Educação, OAB e as próprias faculdades elaborem planos de qualidade.
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Resultados dos Últimos Exames da OAB-SP |
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| Inscritos | Presentes |
Aprovados |
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Total |
Taxa |
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133 – Set/2007 |
18.487 |
17.892 |
3.180 |
17,77% |
|
132 – Mai/2007 |
20.173 |
18.229 |
5.547 |
30,43% |
|
131 – Jan/2007 |
28.195 |
27.079 |
3.825 |
14,13% |
|
130 – Set/2006 |
19.644 |
18.660 |
3.016 |
16,16% |
|
129 – Mai/2006 |
22.207 |
20.975 |
2.053 |
9,79% |
|
128 – Jan/2006 |
28.331 |
27.382 |
3.128 |
11,42% |
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127 – Ago/2005 |
17.978 |
17.515 |
3.295 |
18,81% |
|
126 – Mai/2005 |
27.724 |
26.912 |
5.727 |
21,28% |

Boa sorte aos neófitos advogados. Basta garra, perseverança, idealismo e não desistir nunca. Dificultades têm ! Basta superá-las. No final cada um tem seu lugar e a concorrência, embora exista, não é razão para desilusão e desitência prévia. Não é motivo para não enfrentar o mercado; aliás motivação é ter o prazer de mesmo sem bons honorários ou gratuitamente ver seu próprio trabalho realizado com sucesso. Por isso sucesso aos que chegam. Parabéns e bem vindos ao enfrentamento diário em que a única concorrência é você mesmo.
Otávio Augusto Rossi Vieira, 41
Advogado Criminal em São Paulo
FMU ñ tem tradição? hmmmm...
nessas matérias do Conjur, as vezes o pessoal força... mas não é primeira vez isso... hahaha
Queiro deixar claro que: Se todos fossem conhecedor da área Jurídica, nossa classe,a cada dia que passa, se fortaleceria, ainda mais.
Concordo com o Dr. Moacyr Pinto Costa Júnior. Aduzo que nessa toada, em breve não haverá mais mercado para tantos advogados. A OAB tem o poder de regular a oferta dos serviços da advocacia. Basta tornar mais rigoroso o Exame de Ordem. Sou favorável às seguintes medidas: 1) haja apenas um Exame por ano; 2)a média para ser aprovado seja 7; 3) à prova objetiva sejam adicionadas 10 questões sobre a língua portuguesa e 10 de lógica; 4) cada questão errada anule uma certa.
Aduzo que nessa toada, em breve não haverá mais mercado para tantos advogados. A OAB tem o poder de regular a oferta dos serviços da advocacia. Basta tornar mais rigoroso o Exame de Ordem. Sou favorável às seguintes medidas:
1) haja Exames de 5 em 5 anos para TODOS OS ADVOGADOS manterem as carteiras da oab ( piloto de aeronave as provas são de 6 em 6 meses );
2)a média para ser aprovado seja 7;
3) à prova objetiva sejam adicionadas 10 questões sobre a língua portuguesa e 10 de lógica;
4) cada questão errada anule uma certa.
Só posso exigir E PROPOR O APERTO NOS EXAMES Para manter a minha carteira DA OAB se também for obrigado a participar DO APERTO QUE ESTOU PROPONDO, caso contrario não me consideraria legitimo parar SUGERIR qualquer aperto nos exames.
TODOS DEVEM PARTICIPAR E NÃO SÓ QUEM SAI AGORA DA FACULDADE.
Gostei dos comentários, acrescento: Reserva de mercado já e muita pimenta no "zóio" dos novos formandos e deixa essas facul formar bel úteis, melhorar de geito nenhum, ou criar a ORDEM DO BACHAREIS EM DIREITO, não seria a segunda classe mas talves os excluidos!!!!! Pimenta no "zóio" dessa gente memo.
Após ler os comentário, gostaria de fazer algumas observações:
- se as faculdades não enriquecem o curso oferecido com um bom corpo docente e outros requisitos,quantos estaram aptos a passar no exame de Ordem ao final do curso?
- com três Exames de Ordem por ano, pouquissímas vezes o exame teve aprovação superior a 20%;
- há novas áreas surgindo todos os anos, já que o mercado cresce em ritmo acelerado;
Concorrência?...ainda bem que ela existe, para diferenciar o trabalho dos profissionais.Assim sabemos quem é bom e que não é.
Acredito que a concorrência é a própria pessoa, como já disse Dr. Otavio.
Passa a frente dos outros os que acreditam no trabalho que realizam, e que tem um pouco de paixão e gostam de desafios.
Prezada Fernanda : reveja sua redação, pois, a continuar assim, não será aprovada no Exame de Ordem, respeitosamente.
acdinamarco@aasp.org.br = rua leite de morais, 377 = santana = fone: 9987-7450 = são paulo.
Sr. Antonio
Obrigada por me alertar quanto aos erros de ortográfia.
Ao comentarista Veritas, estou pronta para prestar quantos exames forem necessários. Mantenho-me atualizada permanentemente. Apesar de formada há muito tempo, dedico 2,5 horas diárias ao estudo do direito, de filosofia, de história e de sociologia, destinando cada dia a uma matéria. E o senhor, também está preparado para isso?
À acadêmica Fernanda, não poderia esperar outra reação, afinal, sua visão do mercado é ainda uma ilusão. Depois que se formar, caso seja aprovada no Exame de Ordem, pois a julgar por seu comentário, é preciso melhor bastante alguns pontos (não me leve a mal, a crítica é para o seu bem), descobrirá o quanto está iludida. O mercado de hoje, com uma justiça tão morosa, seleciona o profissional pelo valor que cobra de honorários, e não por sua capacidade técnica. A ilustre estudante saberia dizer o que de mais importante o/a advogado/advogada oferece para o cliente? Respondo: conhecimento profundo sobre a matéria referente à questão jurídica controvertida, ou seja, sobre o direito, e combatividade. Estes os dois predicados maiores de qualquer causídico/causídica. Um bom profissional, que apresente em franca evidência tais atributos, cobra honorários que logo o deixará sem clientes. Aí, ele pára de estudar, de se atualizar, pois isso custa dinheiro, aliás, muito dinheiro. Quanto custa um livro, p.ex., o CPC do Theotonio Negrão? Não menos de R$170,00. O cliente, por sua vez, vai fazer leilão. Vai consultar vários advogados. O que cobrar consulta, ele descarta. A prostituição da profissão já começa aí. A maioria atende sem cobrar consulta, de graça. Depois, o cliente escolhe o que cobrar mais barato e oferecer a possibilidade de pagamento a perder de vista. Sob tais circunstâncias, as chances são enormes de contratar um péssimo profissional. Mas o cliente só vai descobrir isso depois de longos 8, 10, talvez 15 ou 20 anos, dependendo da natureza da causa, quando se vir vencido. Esse estado de coisas não é apenas desalentador. É frustrante. E muitos advogados só descobrem essa triste realidade depois que ingressam no mercado. Eu mesma, já experimentei maus bocados. Já me vi submetida a situações que beirariam o desespero se eu não tivesse amigos e amigas. Só para prestar um testemunho pessoal, houve época em que não entrou uma única causa nova durante 2 anos. Eu vivi com o que poupei de causas anteriores e da ajuda financeira de amigos. Por isso, minha vida sempre foi muito modesta. Para piorar as coisas, nas causas que patrocinei e venci ou o perdedor sumiu com seus bens e não consigo receber os honorários de sucumbência a que foi condenado, ou o juiz condenou a parte vencida em honorário pífios, que mais parecem esmola do que remuneração justa para quem exerce uma nobre profissão. Esse é o mosaico da profissão de advogado. Só ganham mesmo os grandes escritórios. Pense nisso, mas pense bastante, pois a advocacia é, antes de tudo, uma vocação que exige da pessoa muita abnegação, ou será uma eterna revoltada.
Boa sorte.
Fiquei embasbacada com a falta de sensibilidade demonstrada em vários comentários, particularmente dirigidos aos mais jovens. Sabemos que a moçada tem uma linguagem, no coloquial, super reduzida/abreviada/cifrada. Se forem concisos demais em seus textos profissionais, correm o risco de não serem atendidos e se forem prolixos acabam passando vergonha pq ninguém vai ler o que não tem sentido e é confuso. Agora, é fato, não só na advocacia mas em qquer profissão, que o fracassado está sempre e sempre a reclamar e murmurar e culpar o sistema, o vizinho, o pai, o governo, ih... Qdo vc acredita em si mesmo, vc briga pra subir e pra crescer, pq nascer já é difícil, imaginem crescer... conversa de derrotado não me engana, pq é fruto da inveja do esforço daquele que batalhou e alcançou sucesso/sucesso/sucesso, item quae proibido por lei no Brasil. Fernanda: BATALHE E CONFIE. TUDO O Q VC SEMEAR COLHERÁ.
Caiu a máscara. O percentual é bem menor. O preço deve ser bem salgado.
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