OAB estuda constitucionalidade do sistema Guardião

A Comissão Nacional de Estudos Constitucionais da OAB vai estudar a legalidade do Guardião, sistema de escutas telefônicas mantido e operado pela Polícia Federal. O pedido foi feito pelo presidente da OAB de Sergipe, Henri Clay Andrade. Para ele, o sistema é um “avanço autoritário” na invasão da privacidade dos cidadãos.

A proposta, apresentada durante sessão plenária do Conselho Federal da OAB desta terça-feira (12/8), foi acolhida e encaminhada pelo presidente nacional da entidade, Cezar Britto, para análise da Comissão. O próximo passo da entidade é decidir se o tema merece ser encaminhado para exame do Supremo Tribunal Federal.

O presidente da OAB-SE fez duras críticas ao sistema durante ato de desagravo aos conselheiros federais da OAB, Nélio Machado e Luiz Carlos Madeira, advogados do banqueiro Daniel Dantas. O desagravo ocorreu porque, segundo a entidade, os advogados foram ofendidos durante a Operação Satiagraha, da Polícia Federal.

Para Henri Clay, o Guardião — responsável oficialmente por mais de 400 mil escutas telefônicas em curso no país — está cometendo exorbitâncias, “transformando-se numa estrutura com superpoderes, de caráter autoritário, uma verdadeira grampolândia, também conhecida como o Big Brother brasileiro”.

O presidente da seccional sergipana explicou, ainda, que o sistema de interceptação está atingindo milhares de cidadãos que não estão sob investigação, afrontando assim direitos e garantidas individuais consagradas na Constituição.

Ao encerrar o ato de desagravo aos conselheiros, o presidente nacional da OAB, Cezar Britto, afirmou que o país não suporta mais “conviver com esse sistema de bisbilhotagem e o Big Brother em que se transformaram as escutas telefônicas”.

Britto ressaltou que informações extra-oficias apontam que existe no país de 30 a 40 milhões de pessoas sendo grampeadas — ao contrário de dados oficiais, que indicam um pouco mais de 400 mil autorizações. Para ele, isso é um verdadeiro absurdo.

JUSTIÇA VIVA disse:
12 de agosto de 2008 às 17:42

Essa foi uma das reportagens mais aberrantes do CONJUR.

Vamos estudar a constitucionalidade do fogo, que queima, da tempestadade, que destroi, da arma, que pode matar, etc.

Eu sinto-me envergonhado com alguns advogados. No momento em que o país passa por uma possibilidade de melhora vem algumas ideias bizarras como estas. Particularmente, não sou lá muito adepto da PF, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Está-se dando somente mais um tiro no pé da nação, desta feita patrocinado pela OAB.

Mário de Oliveira Filho disse:
12 de agosto de 2008 às 18:01

Pela razão da existência do tal sistema de bisbilhotagem, todos somos culpados de alguma coisa, a merecer a desconfiança e a sustentar a "investigação" do nosso dia a dia, da nossa vida.
Essa luta histórica. ininterrupta, contra os donos da verdade, detentores do monopólio do bem, é também ininterrupta.
As "ditaduras" enrustidas dos mais variados matizes, não morrem, se escondem, e às vezes, ou aparecem ou são descorbertas.
Precisam ser combatidas!

HERMAN disse:
12 de agosto de 2008 às 19:38

CONTINUAÇÃO
Entretanto; Ministério Público, Polícia Federal, Polícia Rodoviária, Polícia Militar, Polícia Civil utilizam-se destes métodos caríssimos para fazerem o que se pode ser feito pelas concessionárias sem custo algum. Alguém está levando muito $$$ com isto, e agindo contra as normas. A Lei 9.296/95 não pode sobrepor-se ao Código de Telecomunicações, tem de ser utilizada em consonância com a anterior “NÃO REVOGADA”. O grampo (VOIP = voz sobre IP) é realizado pela ligação de banda larga da net, via desvio de chamada, conectada a um computador comum, e não por um “equipamento” de grampo, entretanto, o softwere desenvolvido pela DIGITRO, dona do sistema GUARDIÃO, é vendido por valores que variam de R$500.000,00 a R$1.500.000,00, antes pagos por empresas particulares e cedidos às Polícias Federal e Rodoviária, e, hoje, comprados e mantidos com verba oriunda do GOVERNO FEDERAL. E continuo, com as autorizações judiciais de levantamento indiscriminadas de dados cadastrais, pode-se descobrir o ID de qualquer telefone, e, com o número SERIAL, mais a marca do telefone e com o seu número, pode-se fazer a clonagem da linha e gravar simultaneamente, como se fosse uma extensão qualquer telefone do Brasil.
Enfim, continuo sem entender porque comprar a peso

HERMAN disse:
12 de agosto de 2008 às 19:39

Não é apenas do GUARDIÃO que vivem os grampos, tem o BEDIN, WHITRON, SIGA-ME, VIGIA, SOMBRA, MALETA (GRAMPO POR RÁDIO), ROTEAMENTO FORÇADO (TIPO CLONE) etc. Ocorre que não é necessário nenhum sistema de grampo, até porque, apenas e tão somente, as concessionárias de telefonia podem operar tecnicamente as interceptações, tanto assim que o art. 56, par. 2º. Do Código de Telecomunicações determina que a operação técnica da interceptação somente pode ser efetuada pelos serviços das estações e postos oficiais.

CONTINUA

HERMAN disse:
12 de agosto de 2008 às 19:44

Desculpem-me, mas cortou o final que é assim vazado:

Enfim, continuo sem entender porque comprar a peso de ouro e manter um simples softwere (R$10.000,00 por mês para um grupo de 10 telefones), quando tudo pode ser feito sem ônus ao erário público, realizado pela própria empresa de telefonia. Será que é por isso que operações de grampos prospectivos duram até três anos? Será que alguém ganha comissão para grampear? Será se as empresas de grampo pagam passagens, hotéis, aluguel de veículos e diárias?

Glacidelson disse:
12 de agosto de 2008 às 20:01

Acho que a OAB não tem o que fazer. Ou será que os doutos Advogados estão com medo de grampos. O que será que eles temem?

Hamil MT disse:
12 de agosto de 2008 às 22:59

E por atitudes inúteis como esta da OAB, digna da Ordem, que nos país temos vários "estados paralelos"; a intimidade do cidadão é violada quando de dentro dos presidios os crimes são planejados e determinados, e posteriormente praticados pelos criminosos soltos. Ninquém fala em investigar o Daniel Dantas(e outros) e suas escutas telefônicas. As escutas da polícia, autorizadas pela Justiça, possuem apenas uma coisa errada, estão colocando intocáveis na cadeia; assim surgem projetos de lei como a inviolabilidade dos escritórios dos advogados, lei do Grampo, etc. Fala-se tanto em princípios, mas um processo penal moroso, que não permite punir quem merece ( os corruptos e de colarinho branco),um STF que não pune ninguém; um processo penal que em muito beneficia os advgados criminalistas. Se houvesse aplicação do direito penal, por intermédio de um processo penal célere, poderíamos falar tanto em princípios.

Spartacus disse:
13 de agosto de 2008 às 00:24

Antes tarde do que nunca. A iniciativa da OAB é boa. Mas deveriam começar por questionar se o sistema está homologado pelo Inmetro, que tipo de autorização legal o torna apto a ser empregado pelo setor público, já que as investigações feitas pela polícia são ações do poder público. Se foram adquirodos mediante licitação. Se há disponibilidade de informação sobre o código fonte de cada aparelho instalado, de modo que permita sua aferição. Essa são só algumas questões que podem permear o lavor da Comissão da OAB destinada a analisar o caso.

(a) Sérgio Niemeyer
Advogado – Diretor do Depto. de Prerrogativas da FADESP - Federação das Associações dos Advogados do Estado de São Paulo – Mestre em Direito pela USP – Professor de Direito – Palestrante – Parecerista – sergioniemeyer@adv.oabsp.org.br

Marcio sebastião aguiar disse:
13 de agosto de 2008 às 11:48

Só quem conhece um pouco da história do Brasil, sabe onde esse tipo de sistema de investigação a qualquer pode nos levar, é temerário que nos dias de hoje quem hoje discutir direitos e garantias individuais seja entendido como protetor de criminosos, ledo engano, é esse argumento ultrapassado de que os fins justificam os meios que nos levaram aos anos de chumbo, o OAB está fazendo o seu papel de preservar o Estado Democrático de Direito, isso não é apenas retórica, só quem está nas trincheiras do judiciário operando diretamento o direito é que pode ter exato noção do Estado que vivemos.

futuka disse:
13 de agosto de 2008 às 14:10

Sinto muito! ..mais, agora é tarde senhor presidente da OAB-SE, não adianta que já impregnou e transformou-se em uma 'nódoa social', portanto reitero que não vai sair mais, infeliz ou felizmente para a comunidade a qual representa.
Eu sinto muito, mais muito mesmo, pois, já houve a época em que o 'grampo' tinha um sentido bem mais Profissional e fazia bem menos 'estardalhaço midiático' do que nos proporciona hoje,, haja visto que o 'trabalho' continua sendo o mesmo o que se conversar ao telefone fica gravado e.
Que vença a JUSTIÇA!

Fftr disse:
13 de agosto de 2008 às 17:48

Verifica-se que os membros da OAB realmente não conhece nada sobre o sistema guardião. Quanta bobagem!

Glacidelson disse:
13 de agosto de 2008 às 18:34

Caro Walter,

Não só sou eu que critiquei a ação da OAB. Vários colegas seus também criticaram. Claro que não sou a favor dos abusos, mas querer impedir que se investigue, sinceramente, dá idéia de que os advogados têm medo sim. E parece que não é só em relação à conversa com os clientes (que, salvo conivênia na prática de crimes, não deve ser monitorada).

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