Juízes que participarem de paralisação terão desconto em salário

O Conselho da Justiça Federal (CJF) decidiu, na sessão desta segunda-feira (25/4), que os juízes federais que participarem da paralisação nacional programada para quarta-feira (27/4) terão descontados o dia não trabalhado. A proposta foi apresentada pelo presidente do CJF, ministro Ari Pargendler, e aprovada por unanimidade.

A paralisação foi decidida após votação na Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) no dia 24 de março: 74% dos participantes foram favoráveis à paralisação no dia 27 de abril; 17% optaram por dar continuidade às negociações; e 9% votaram pela greve imediata e por tempo indeterminado.

De acordo com comunicado da Ajufe, com a paralisação de 24 horas, os juízes federais pretendem chamar a atenção para a falta de segurança dos magistrados que trabalham contra o crime organizado e o tráfico de drogas. Os manifestantes também querem a simetria de direitos e prerrogativas com o Ministério Público Federal, aprovada pelo Conselho Nacional de Justiça; e a revisão dos subsídios de acordo com as perdas inflacionárias, como determina a Constituição.

Em Brasília, a manifestação começará às 10 horas com uma entrevista coletiva do presidente da Ajufe, Gabriel Wedy, na sede da Associação em Brasília. À tarde haverá um debate com a participação dos presidentes dos sindicatos de juízes de Portugal, Espanha e Itália, que lideraram movimentos em defesa da independência do poder Judiciário nos seus países. As palestras serão no Auditório da Seção Judiciária do Distrito Federal, edifício sede I.A entidade afirmou ainda que todos os casos de urgência serão atendidos para não prejudicar o cidadão. 

São Paulo
Além de cruzarem os braços nesta quarta-feira, os juízes de São Paulo e de Mato Grosso do Sul pretendem ainda fazer um ato em defesa da Justiça e da magistratura, às 15 horas, no Fórum Ministro Pedro Lessa.

O presidente da Associação dos Juízes Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul (Ajufesp), Ricardo Nascimento, afirmou que a movimentação é importante para que os juízes possam reforçar as reivindicações sobre a correção salarial, segurança e sobre a implantação da decisão do Conselho Nacional de Justiça, que estabeleceu a igualdade de direitos e garantias com os membros do Ministério Público Federal. O Fórum Pedro Lessa fica na Avenida Paulista, 1.682, em São Paulo.

Confira a programação:
10h – Entrevista coletiva do presidente da Ajufe, Gabriel Wedy.
Local: Sede da Ajufe Centro Brasil 21 – SHS quadra 06, bloco E sala 1305.

14h – Abertura do Ciclo de Palestras em Defesa da Valorização da Magistratura – Dr. Gabriel Wedy, presidente da Ajufe
Local: Auditório da Seção Judiciária do Distrito Federal, edifício sede I – SAS quadra 02 bloco G lote 08.

14h10 – Juiz Desembargador António João Latas, membro do Conselho Geral e do Gabinete de Relações Internacionais da Associação Sindical dos Juízes Portugueses.
Tema: Valorização da Magistratura Européia.

14h50 – Juiz Benito Raboso Del Amo, presidente do Foro Judicial Independente da Espanha
Tema: Valorização da Magistratura Européia.

15h30 – Juiz Luca Palamara, presidente da Associação dos Magistrados da Itália.
Tema: Valorização da Magistratura Européia: Segurança dos Magistrados. 

Gustavo P disse:
25 de abril de 2011 às 18:21

dizer de forma mais clara, apertando a tecla SAP:
"se for o caso, a AGU buscará manter a decisão do Conselho, fazendo de todo possível para defender o governo custe o que custar, vendendo a alma que tiver (e tem alguma?) para depois tentar ganhar mais que a magistratura e MPF".
Coisa mais asquerosa...

Gustavo P disse:
25 de abril de 2011 às 18:51

quantos juízes e TRFs ou TRTs não suspenderam prazos para não prejudicar movimentos grevistas da AGU e procuradoria federal???
É impressionante a ingratidão de alguns, que não se deram conta de que seu próprio salário só TRIPLICOU nos últimos 06 anos (caso da AGU, procuradoria federal, etc...) devido à compreensão de muitos magistrados que, agora, são atacados por esses mesmos ingratos, que não felizes com a mão, querem o braço e a jugular.

Le Roy Soleil disse:
25 de abril de 2011 às 20:19

Excelente, gostei de ver. Rédeas curtas neles, se não trabalhar não recebe.

Marcos Alves Pintar disse:
25 de abril de 2011 às 20:45

O CNJ não tenta impor "rédeas curtas" mas sim ficar "de bem" com a opinião pública, adotando uma postura supostamente austera. No fim, jamais haverá esse corte de ponto na prática, mas até o fim chegar ninguém mais se lembra disso.

Le Roy Soleil disse:
25 de abril de 2011 às 22:18

Não se trata do CNJ, mas sim do CJF - Conselho da Justiça Federal, com atribuições diversas daquele.

Igor M. disse:
26 de abril de 2011 às 01:22

Sempre defendi o direito de greve sem restrições. Mas o próprio judiciário – tanto os estaduais, quanto federal – que vem corroborando com o corte de ponto aos grevistas das mais diversas esferas do funcionalismo público quando praticam greve. Agora, sofreram um pequeno revés na própria carne, sentindo um pouco do gosto que qualquer cidadão, ora funcionário público, sem o poder de decidir nas mãos sente!

Igor M. disse:
26 de abril de 2011 às 01:24

Sempre defendi o direito de greve sem restrições, desde que não vá de encontro com a Lei e nem deixe de suprir o serviço público essencial. Na pressa, esqueci de explicar essa parte!

PEREIRA disse:
26 de abril de 2011 às 08:27

Estamos falando de seres humanos. Mas, seres humanos ungidos com o poder da justiça. Poder de julgar a minha, a sua conduta dentro da sociedade. E faz greve? E julga greve?
Desconhece o caminho da justiça para alcançar os seus direitos básicos? Então este é o caminho que o povo brasileiro deve buscar para encontrar seus direitos, greve? A Justiça para que serve? Nem ela sabe?
Bem estamos diante da falência das instituições, se elas fazem greve porque não conseguem seus direitos pelas vias legais, porque, nós, puros mortais temos que conhecer a lei? Porque não fazermos greve de pagamento de impostos, de salários, estão muito altos, junto com a falta de segurança, saúde, justiça e Juiz, já que estão de greve.

Lima disse:
26 de abril de 2011 às 08:28

Em governos anteriores, quando setores do funcionalismo público recorriam à greve a PTralhada era a primeira a defender tal direito, inclusive contrários ao corte do ponto... Agora.. nem tanto tempo depois... Essa mesma PTralhada sem vergonha é a primeira a se uriçar quando setores de seu desgoverno entram em greve.. imaginem... greve de verdadeiros trabalhadores durante um desgoverno de "trabalhadores", o que a sociedade irá pensar.. Enfim, esses sem vergonhas PTralhas o que fazem? Ameaçam cortar o ponto dos grevistas!!! Por fim, deixo meu registro a favor da paralisação e a favor do direito da Magistratura em perpetrar tal ato. PTralhada top top top chamem o Lula-lá para salvar vocês!

Marcos Alves Pintar disse:
26 de abril de 2011 às 11:12

Sim, prezado Túlio Mendonça. Equivoquei-me na grafia. Obrigado pela correção.

Marcos Alves Pintar disse:
26 de abril de 2011 às 11:16

De fato, conforme observado pelo Leitor1 (Outros), na maior parte das vezes os juízes federais tem flexibilizado a realização de audiências e outros atos processuais para se atender a greves e outros eventos envolvendo procuradores. Agora, quando precisam do apoio de todos, os próprios magistrados de hierarquia superior são os primeiros a lhes das as costas. Digo sempre que o dia-a-dia da advocacia é bastante complicado, com colegas procurando puxar o tapete de colegas a todo momento. Ao que parece, na magistratura, não é muito diferente ...

Edmilson_R disse:
26 de abril de 2011 às 11:18

Como a greve parece ser a nova vilã oficial, quando deveria ser defendida por carreiras que também entraram em greve e prejudicaram a União (advogados públicos, por exemplo), o Judiciário deve encontrar soluções mais elaboradas para usar o poder político que tem, o poder que suas decisões têm.
Os tribunais, especialmente os superiores, precisam usar o poder de decisão, o poder de definição, enfim o poder político, para assustar os grupos e interesses dominantes que tomaram de assalto o Poder Executivo no Brasil. Em uma pequena conta encontro mais de cinco ações que colocam o cabelo de qualquer governante em pé... São tão arrogantes que não respeitam os juízes que estão entre os que mais julgam no mundo. E não me interessa se você advogado tem uma historinha de como foi maltratado por um juiz... O fato persiste: entre os juízes que mais julgam no mundo em números absolutos.
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Alguns aqui dirão: que absurdo, o Judiciário, "último bastião da democracia", usando práticas tão abjetas! Sim, igualzinho a um certo Poder que quando quer aumentar o subsídio em mais de 60% simplesmente ameaça o Executivo com algumas votações-chave. Acordem! Esta é a política no Brasil, este é o país em que vivemos.

Gustavo P disse:
26 de abril de 2011 às 11:39

Seu raciocínio é bem o que ocorre na prática mesmo...algo que Hobbes (acho que foi ele) bem retratou em uma singela frase: " o homem é o lobo do homem".
É realmente muito triste essa decisão do CJF, mas de todo esperada.
De fato, esses mesmos presidentes de TRFs e membros do STJ amaciam as greves de advogados públicos, bem como de outras categorias, mas não hesitam 01 milésimo de segundo para virar as costas à magistratura sempre que tem alguma oportunidade (em especial a de 1º grau), em claro sinal de tentativa de sabotagem.
Por ai bem se vê que a magistratura não tinha (e não tem) outra alternativa que não a greve e o embate. Não há como dialogar com alguém que só quer puxar seu tapete, e que quer mais que a categoria vire pó. Como dialogar e negociar institucionalmente com quem está louco para aparecer como bastião da moralidade, de preferência usando a magistratura como exemplo??

Marcos Alves Pintar disse:
26 de abril de 2011 às 13:12

Devo discordar do Edmilson_R (Outro). Os juízes federais devem fazer tudo o que é possível e lícito para conseguir suas reivindicações, que considero justas em sua maioria (apesar de ser vítima constante de retaliações, represálias e perseguições de juízes federais), mas não mergulhar na seara do crime. Usar do poder de decidir para pressionar quem quer que seja é crime de prevaricação, sendo certo que se isso ocorrer a situação se agravará ainda mais diante da crise institucional que será gerada. O Executivo Federal faz de tudo para enfraquecer o Poder Judiciário (justamente por isso que os juízes federais estão entrando em greve) e nadando em dinheiro e dominando a imprensa terá condições amplas de demonstrar a situação e criar argumentos para sepultar em definitivo o Poder Judiciário como o conhecemos, transformando-o em definitivo em mero apêndice do Executivo (fenômeno que já se iniciou).

Edmilson_R disse:
26 de abril de 2011 às 14:11

Caro Marcos, hei de concordar que o paradigma que invoquei é exagerado e inadequado. Afinal, não é preciso adentrar na seara da ilicitude para se impor o poder do Judiciário. A liberdade de opinião, o livre-convecimento, os conceitos jurídicos abertos e as inflexões jurisprudenciais são exemplos de exercício de poder político dentro da legalidade.
Afinal, que mal faz um presidente de tribunal dar uma entrevista sobre valorização do Poder Judiciário em uma semana de importantes votações que interessam ao executivo?
Que mal faz um Juízo, dentro dos parâmetros legais, dar preferência a processos de improbidade administrativa ao invés de dar prioridade a execuções fiscais?
Que mal faz a mudança de jurisprudência quanto ao abuso das Medidas Provisórias, tornando a matéria passível de análise do próprio STF?
Que mal faz o mesmo STF dar plena efetividade ao mandado de injunção?
Que mal faz a Justiça Eleitoral dar plena efetividade ao art. 257 do Código Eleitoral, de modo a se executar imediatamente qualquer decisão eleitoral, inclusive e especialmente aquelas que cassam os mandatos dos mandatários do Poder Executivo?
É a esse tipo de ativismo que me refiro, não o que desborda para o campo do ilícito.
Desculpe-me pelo mal entendido.

Antônio dos Anjos disse:
26 de abril de 2011 às 15:12

Greve é um direito constitucionalmente assegurado.
Ninguém pode ser punido por exercício regular de direito, constitucionalmente previsto e assegurado, ainda que carente de regulamentação.
Se optarem pela greve, boa sorte aos magistrados federais.

Joseph K. disse:
26 de abril de 2011 às 15:32

Sou Juiz Federal e participarei amanhã, convicto, da paralisação. A manifestação não é por aumento de salário. É por respeito. É dirigida principalmente à cúpula do próprio Poder Judiciário e não aos demais poderes.
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Atuei em vara criminal por 6 anos e foi determinante para a minha saída saber que no dia em que eu vivesse um problema sério de segurança, não receberia um apoio institucional dedicado, senão algo improvisado através da intervenção voluntariosa de nossa própria associação, que é feita por juízes amadores, no bom sentido (aqueles que dedicam-se ao progresso da carreira e também das instituições). Dentre as centenas de resoluções do CJF não há uma linha sequer sobre procedimentos de segurança para os juízes em situação de risco. Joguei a toalha. Não vale a pena.
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Tampouco consigo conceber uma cúpula que não olha para os "seus", que admite que os Juízes Federais do Brasil recebam tratamento muito inferior àquele dispensado aos membros do Ministério Público em todos os aspectos, há mais de uma década, e nada faça pelos "seus". Na verdade, padecemos de uma cúpula que não se sente parte de uma Magistratura una. Como se cabeça e tronco e membros não constituíssem uma unidade orgânica.
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Quanto ao subsídio que constitui minha remuneração, sem nenhum acréscimo, registro apenas que não pleiteamos nada senão a recomposição do poder de compra corroída pela inflação alta dos últimos anos, recomposição essa que vem sendo sonegada ano após ano, de modo a fazer-nos mendigar aos parlementares aquilo que está na Constituição. Talvez isso também tenha um sentido, afinal, não é mesmo?
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Corte de salário no dia da paralisação? Já vimos suportando "cortes" há muito tempo. Para não dizer que não representa nada, digo que é uma motivação a mais.

Edmilson_R disse:
26 de abril de 2011 às 15:51

Caro Marcello,
O problema é que os "seus" da cúpula não são os juízes de carreira, aqueles que passam em concurso. Este é o verdadeiro problema.
De resto, parabéns pelo comentário.

Edmilson_R disse:
26 de abril de 2011 às 15:54

Apenas para corrigir o título.
.....
E já esperando os comentários pró-quinto, eu respeito suas opiniões e respeito o que está na CF. Mas também tenho a minha opinião.

Marcos Alves Pintar disse:
26 de abril de 2011 às 17:07

Prezado Edmilson_R (Outro). Agora concordo integralmente com a sugestão. Os juízes federais deveriam seguir esse roteiro, e procurar condições para a máxima publicidade, o que certamente alavancaria a imagem dos magistrados junto à opinião pública.

Marcos Alves Pintar disse:
26 de abril de 2011 às 17:18

Não sou juiz federal, nem ligado ao ambiente próprio desses profissionais, e nem quero desprezar o depoimento do Marcello Enes Figueira, por demais importante. Porém, creio que o problema da segurança dos juízes federais seja algo pontual, já que são poucos os que se dedicam com ênfase no combate ao crime organizado, sendo que a maioria acaba tratando de "crimes de pobre" como descaminho e fraudes contra a Previdência, na qual não há risco algum em desfavor do julgador (riscos todos nós corremos). Vejo entretanto que o movimento grevista tem usado o argumento da suposta falta de segurança para justificar aumento (ou melhor, reposição) de vencimentos (que é justo). Entendo que de forma geral as reivindicações dos juízes federais são justas, mas convém lembrar a esses profissionais que dificuldades no exercício da profissão todos nos enfrentamos, e não se mostra evidente, ao menos com os advogados, nenhuma preocupação por parte deles no sentido de atender às frequentes reivindicações por melhores condições de trabalho, inclusive no que tange à segurança (os colegas advogados se sentem seguros em seu ambiente de trabalho e segurança dos equipamentos e documentos de clientes?). Alguns deles querem dizer que por serem juízes estariam "no topo da carreira", e assim deveriam usufruir de melhores condições de trabalho quando comparados a todos os demais, e é aí que a "vaca vai para o brejo" porque a maior parte dos operadores do direito e a própria sociedade não aceita tal tipo de raciocínio.

Joseph K. disse:
26 de abril de 2011 às 18:31

Caro Marcos, a questão da segurança de forma alguma é pretexto. Se você reparar bem, perceberá que ela é uma parte relavantíssima de algo maior: a total ausência de política de recursos humanos para os Juízes Federais (eu não me acho um Deus, como diz a piada recorrente: sou humano e quero ser tratado como tal). Como pode uma atividade que envolve risco de intimidação não prever nada, nada, nada a esse respeito? E não é tão raro como você pensa. Eu tive os meus problemas. Se não foram tão graves a ponto de pedir escolta, não eram também insignificantes a ponto de eu dispensar uma orientação de segurança, ter uma equipe de sobreaviso. Mas isso não há. Quando acontece de a situação ficar grave, é um Deus nos acuda e o juiz (ao menos o juiz federal) está praticamente entregue a sua própria sorte.
.
Nessa mesma linha, de pensar uma política de recursos humanos, há muitas outras coisas (inclusive o cuidado de verem que não podemos ficar mendigando o reajuste, sob pena até de perda da independência. A autonomia financeira do Poder Judiciário tem uma razão de ser, ou não?). Estamos na idade da pedra em matéria de "gestão de pessoas": "pega teu salário no fim do mês e cala a boca!".
.
Entre os Juízes mais engajados na paralisação tenha certeza de que estão muitos daqueles mais verdadeiramente comprometidos com a Magistratura.

Joseph K. disse:
26 de abril de 2011 às 18:37

Caro Marcos, a questão da segurança de forma alguma é pretexto. Se você reparar bem, perceberá que ela é uma parte relavantíssima de algo maior: a total ausência de política de recursos humanos para os Juízes Federais (eu não me acho um Deus, como diz a piada recorrente: sou humano e quero ser tratado como tal). Como pode uma atividade que envolve risco de intimidação não prever nada, nada, nada a esse respeito? E não é tão raro como você pensa. Eu tive os meus problemas. Se não foram tão graves a ponto de pedir escolta, não eram também insignificantes a ponto de eu dispensar uma orientação de segurança, ter uma equipe de sobreaviso. Mas isso não há. Quando acontece de a situação ficar grave, é um Deus nos acuda e o juiz (ao menos o juiz federal) está praticamente entregue a sua própria sorte.
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Nessa mesma linha, de pensar uma política de recursos humanos, há muitas outras coisas (inclusive o cuidado de verem que não podemos ficar mendigando o reajuste, sob pena até de perda da independência. A autonomia financeira do Poder Judiciário tem uma razão de ser, ou não?). Estamos na idade da pedra em matéria de "gestão de pessoas": "pega teu salário no fim do mês e cala a boca!".
.
Entre os Juízes mais engajados na paralisação tenha certeza de que estão muitos daqueles mais verdadeiramente comprometidos com a Magistratura.

Joseph K. disse:
26 de abril de 2011 às 18:52

Caro Marcos, a questão da segurança de forma alguma é pretexto. Se você reparar bem, perceberá que ela é uma parte relavantíssima de algo maior: a total ausência de política de recursos humanos para os Juízes Federais (eu não me acho um Deus, como diz a piada recorrente: sou humano e quero ser tratado como tal). Como pode uma atividade que envolve risco de intimidação não prever nada, nada, nada a esse respeito? E não é tão raro como você pensa. Eu tive os meus problemas. Se não foram tão graves a ponto de pedir escolta, não eram também insignificantes a ponto de eu dispensar uma orientação de segurança, ter uma equipe de sobreaviso. Mas isso não há. Quando acontece de a situação ficar grave, é um Deus nos acuda e o juiz (ao menos o juiz federal) está praticamente entregue a sua própria sorte.
.
Nessa mesma linha, de pensar uma política de recursos humanos, há muitas outras coisas (inclusive o cuidado de verem que não podemos ficar mendigando o reajuste, sob pena até de perda da independência. A autonomia financeira do Poder Judiciário tem uma razão de ser, ou não?). Estamos na idade da pedra em matéria de "gestão de pessoas": "pega teu salário no fim do mês e cala a boca!".
.
Entre os Juízes mais engajados na paralisação tenha certeza de que estão muitos daqueles mais verdadeiramente comprometidos com a Magistratura.

Marcos Alves Pintar disse:
26 de abril de 2011 às 20:14

Prezado Marcello Enes Figueira. Devo dizer que apoio a reivindicação dos magistrados federais em muitos pontos, sabendo que as condições de trabalho dos bons juízes federais nem de longe são adequadas, como você mesmo apontou. Entretanto (e digo isso em benefício dos próprios magistrados) creio que há inúmeras posturas dos próprios juízes federais que acabam por prejudicar a formação de uma consciência popular a respeito da reivindicação, pondo tudo a perder. Tomo como exemplo a questão da segurança, por você evocada. Há alguns dias estava no Fórum da Justiça Federal aqui em São José do Rio Preto, que conta com um segurança em cada uma das portas e é necessário se submeter a detector de metais para entrar, quando um colega advogado (que inclusive mantém escritório aqui perto do meu) relatava que um ladrão entrou em seu local de trabalho à luz do dia e ameaçando a secretária com uma arma levou 4 mil reais em dinheiro e um notebook. Eu, por minha vez disse que era necessário reforçar a segurança, quando o colega esclareceu: "com o que, Doutor?" (sinalizando falta de dinheiro para isso). A falta de segurança não é uma realidade só dos juízes federais. Está presente também na advocacia, sendo que não raro, devido à baixa remuneração e elevação dos custos, os colegas não estão em condições de adotar as rotinas mais básicas de segurança, como alarmes e um guarda noturno. Nos últimos anos milhares de advogados foram assassinados, várias vezes no próprio local de trabalho. Nenhum juiz federal se preocupou ou se preocupa com isso, sendo certo que tudo fazer para diminuir cada vez mais a remuneração dos advogados (vide o valor da verba de sucumbência), prejudicando claramente uma segurança adequada a todos os advogados. (continua).

Marcos Alves Pintar disse:
26 de abril de 2011 às 20:21

(continua) Por esse e outros motivos, prezado Marcello, a reivindicação no que toca à segurança acaba sendo falha em argumentação, à míngua de casos concretos. Eu que sou advogado da área previdenciária, supostamente mais tranquila do que a área penal, já sofri ameaças várias vezes, seguindo sempre rigorosas rotinas visando manter minha integridade física. Assim, embora não discorde da necessidade do aperfeiçoamento do aparto de segurança em favor dos juízes federais, a fim de lhes propiciar a tranquilidade necessária ao exercício do cargo, resta certo que quando a esmagadora maioria vê de fora a situação acredita que os magistrados federais estão na prática em muito melhores condições do que os demais, no que tange à segurança, já que a violência domina o País e qualquer um pode ser assassinado, roubado ou mutilado a qualquer momento. Em resumo, todos acreditam piamente que a situação dos juízes federais é privilegiada, embora talvez não o seja na prática. Veja-se que digo isso em benefícios aos próprios magistrados.

Marcos Alves Pintar disse:
26 de abril de 2011 às 20:32

A problemática da independência funcional é outra questão que não soa bem. Não se duvida que os bons juízes precisam de independência para decidir, mas não é menos verdade que a minguada independência hoje existente não raro está a criar condições para a prática de delitos, sem a devida responsabilização. Para não cair no vazio, posso dizer que ainda há pouco conversava com uma cliente vítima de um delito cometido por um juiz federal a respeito das providência visando a responsabilização do magistrado. Após surgir um litígio entre autora e juiz, que motivou a interposição de uma exceção de suspeição visando o afastamento do magistrado, esse prosseguiu ilegalmente no julgamento do feito, sem processamento do incidente, e entre outros atos realizados mediante vingança determinou a instauração de um inquérito policial imputando falsamente a prática de um crime que sabia não ter se verificado com o intuito de fazê-la figurar na condição de acusada. O inquérito teve andamento, quando se concluiu ao final que a imputação criminal feita pelo magistrado vingativo era falsa. Nesse contexto, prezado Marcello, vá lá falar em "independência funcional" para essa vítima, seus familiares e amigos. A ideia que predomina quando há situações dessa natureza, que infelizmente não são incomuns, é de retirar a independência dos magistrados sabendo que uns acobertam os outros quando da prática de delitos. Veja-se, não sou contra a reivindicação por maior independência funcional e institucional, sabendo que os bons juízes precisam disso para bem atuar. Mas resta certo que a postura de alguns poucos acabam por macular toda a classe, fazendo com que as reivindicações não seja ouvidas. É justamente por isso que as coisas chegaram a esse ponto.

FRMARTINS disse:
27 de abril de 2011 às 09:00

O CNJ VAI COBRAR? ESTE CONSELHO NÃO CONSEGUE NEM ORGANIZAR HORÁRIO DE TRABALHO PARA OS JUÍZES( QUE SE QUEIXAM DE CALORES), QUANTO MAIS DESCONTAR UM DIA DE SALÁRIO. BRIGA DE CACHORRO GRANDE, NINGUÉM METE A COLHER.
CNJ ABRE O OLHO, QUEREM ACABAR CONTIGO.

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