Juízes premiam projeto que quer criar robôs para analisar petições

A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e o Instituto Brasileiro de Administração do Sistema Judiciário (Ibrajus) divulgaram os vencedores do concurso “Robotização no Poder Judiciário”. O primeiro colocado foi um projeto que planeja automatizar tarefas de execuções fiscais, criando robôs capazes de cadastrar documentos, checar dados de petições e verificar se há erros no protocolo.

Francisco Antonio Cavalcante Lima propôs a criação de softwares de automação com a ferramenta “SikuliX”, um sistema aberto sem custos de aquisição nem restrições de uso em sua licença. Segundo ele, os robôs poderiam, por exemplo, conferir se no texto de petições há pedido de citação por edital, comparar se o endereço do executado no sistema é o mesmo da petição e carregar processos eletrônicos, esperando o momento de clicar para a próxima página.

O segundo lugar da premiação ficou com André Luís de Aguiar Tesheiner, com a proposta de um algoritmo de cálculo de prescrição penal, que leve em conta as disposições da lei e da jurisprudência e pode ser inserido em sistemas já existentes nos tribunais. A ferramenta poderia verificar se determinados processos estão perto de prescrever, evitando falha na prestação jurisdicional.

A terceira posição foi de Rafael Leite Paulo, com um estudo de caso sobre a inexistência de equipes dedicadas ao desenvolvimento de softwares no Poder Judiciário. Ele defende a implantação de uma política de desenvolvimento local de pequenos aplicativos e scripts de automação, para a solução de problemas e a inclusão de novas funcionalidades. Apresenta como exemplo positivo o uso do programa AutoHotkey, também gratuito e com código aberto.

Os trabalhos foram avaliados por uma comissão composta pelo juiz federal Felipe Raul Borges Benali, pelo juiz de direito Marcos de Lima Porta e pelo professor Valter Klein Junior, do departamento de Engenharia de Controle e Automação da PUC-PR.

A apresentação dos trabalhos e a entrega dos prêmios — um tablet para o primeiro colocado, e celulares para o segundo e terceiro — serão promovidas em Curitiba (PR), durante o Fórum Nacional de Administração e Gestão Estratégica da Justiça Federal (Fonage). Com informações da assessoria de imprensa da Ajufe.

Ulysses disse:
03 de maio de 2016 às 17:04

Como diz o professor Lenio Streck, só estocando alimentos. Fugir para as montanhas pode ser a solução. Que "maravilhoso" projeto. E gastando dinheiro público, é claro. Finalmente o Brasil vai ganhar um premio Nobel. A criatividade do judiciário parece não ter qualquer limite. E a falta de pudor também. O projeto poderia ser bom, se os juizes pudessem ser substituidos mesmo. A vantagem do robô é não precisarmos pagar auxilio moradia e outros penduricalhos. Logo, vem o projeto de Ministerio Publico contratar robôs. E a defensoria não vai ficar atrás. Isonomia-robô. O direito brasileiro está é "robado".

O IDEÓLOGO disse:
03 de maio de 2016 às 19:07

Estudantes criam “advogado robô” nos EUA

Publicado em 12 de fevereiro de 2015

Um grupo de estudantes da Universidade de Toronto criou um “advogado virtual” com base no Watson, o supercomputador da IBM.
Chamado de Ross, o sistema está sendo apoiado pela própria IBM, e será oferecido para advogados e escritórios de advocacia como um serviço baseado na nuvem que pode responder questões jurídicas.
O usuário faz uma pergunta e o sistema gera uma resposta concreta, citando um precedente, além de sugerir leituras relevantes ao tema e uma porcentagem de chances de que aquela resposta esteja certa.
Se um novo caso que seja relevante entre no banco de dados, o Ross irá alertar seu usuário no smartphone.
“Basicamente, o que nós construímos é o melhor pesquisador jurídico do mundo. Ele é capaz de fazer em segundos o que um advogado levaria horas”, afirma Andrew Arruda, um dos criadores do Ross.
A IBM anunciou que irá dar aos estudantes livre acesso à plataforma do Watson e ainda estuda realizar um investimento na startup que eles formaram para vender o serviço.
Para criar o Ross, a equipe da Universidade de Toronto alimentou o sistema da IBM com um grande volume de precedentes jurídicos e leis do mundo inteiro.
Mas o que torna a máquina poderosa é a capacidade de computação cognitiva que possui, ou seja, de continuar aprendendo e melhorando à medida que os advogados a usem.
Agora, a intenção dos estudantes é fazer acordos com tribunais, para que eles alimentem o programa assim que novos julgamentos e processos estejam disponíveis em seus sistemas.
http://www.editoraforum.com.br/ef/index.php/noticias/estudantes-criam-advogado-virtual-baseado-em-supercomputador-da-ibm/

O IDEÓLOGO disse:
03 de maio de 2016 às 19:18

Consultor Jurídico
TRANSIÇÃO DOS ESCRITÓRIOS
Estudo prevê que robôs farão trabalho de novos advogados e paralegais
29 de outubro de 2015, 11h47
Por João Ozorio de Melo
No início dos anos 1970, uma célebre mensagem na porta de um banheiro na Universidade de Brasília dizia: “Quer mais uma vaga para engenharia? Mate um japonês”. A frase causou polêmica, mas era um reconhecimento à inteligência e à dedicação aos estudos dos nisseis. Houvesse “x” japoneses matriculados no vestibular para cursos de ciências exatas, sabia-se que a mesma quantidade de vagas seria ocupadas por eles. Cabia aos demais vestibulandos disputar as restantes.
Existem situações em que a competição é “ingrata”. Dentro de alguns anos, por exemplo, uma situação semelhante poderá se repetir para estudantes de Direito — em relação a emprego, porém. A mensagem na porta do banheiro da faculdade poderá ser, então: “Quer criar uma vaga em um escritório de advocacia? Quebre um robô”.
Uma outra possibilidade é aparecer escrito: “Mate o Watson”, o robô com inteligência artificial, inventado pela IBM. O site do Watson explica que ele é, na verdade, é um sistema de computação cognitiva que entende a linguagem natural e não precisa ser programado: aprende com o uso, a cada dia.
Ou então: “Mate o Ross”, o “primeiro advogado artificialmente inteligente do mundo”. O Ross foi criado por estudantes da Universidade de Toronto. Ele foi gerado de uma “costela” do Watson — isto é, criaram um aplicativo que resultou em uma versão do Watson, um robô especializado em serviços jurídicos.
Para tornar a perspectiva ainda mais assustadora, o Ross foi “adotado” pela maior banca do mundo, a Dentons, de acordo com o jornal The Globe and Mail e o site Ars Techinica. “Como um ser humano, o Ross está passando

O IDEÓLOGO disse:
03 de maio de 2016 às 19:21

por um período de experiência em um escritório de advocacia, está aprendendo e ficando melhor a cada dia”, disse ao jornal o cofundador da Ross (que criou uma start-up com o nome do robô) Andrew Arruda. Qualquer que seja o nome, o fato é que, dentro de dez anos, praticamente todos os serviços jurídicos executados hoje por advogados de primeiro ano de prática e por paralegais (ou auxiliares jurídicos) serão executados por robôs. Então, o Watson e o Ross poderão ser peças de museu, por conta da velocidade em que a tecnologia evolui. Mas a certeza é que em cinco anos, robôs mais evoluídos já darão sinais de vida. A previsão é para os Estados Unidos e foi feita por administradores ou “líderes” de escritórios de advocacia, em uma pesquisa realizada pela Altman Weil. Todos os anos, essa firma entrevista os “líderes” das bancas americanas, para analisar as transições que estão a caminho – e que irão ocorrer — nas atividades cotidianas da advocacia, para se prever o futuro. Se concorrer com japoneses no vestibular para engenharia já é uma tarefa difícil, concorrer com o Ross pode ser uma missão impossível. Ele pode “varrer” milhões de páginas de jurisprudência e legislação em segundos, para responder questões jurídicas — ele ganhou um concurso no programa Jeopardy, de perguntas e respostas, nos EUA, fazendo exatamente isso. Nem todos os “líderes” da advocacia americana apostam no sucesso dos robôs. De todos os entrevistados, 35% acreditam que o trabalho dos novos advogados será feito por robôs no futuro. E 47% acreditam que os paralegais perderão o emprego. Mas, em 2011, apenas 23% pensavam assim, em relação a novos advogados, e 35%, em relação aos paralegais. Uma boa parte dos advogados, em todo o mundo, no entanto, ainda são resistentes à computação

O IDEÓLOGO disse:
03 de maio de 2016 às 19:22

e à adoção de novas tecnologias. Mas à medida em que os robôs se comprovarem eficientes, reduzirem os custos do escritório, trabalharem quantas horas por dia forem necessárias sem reclamar, eles devem mudar de ideia.
A guerra do homem contra a máquina, pelo trabalho, não é nova, evidentemente. Teve grande expressão na Revolução Industrial, como se sabe. A máquina sempre irá prevalecer. E o homem sempre encontrará uma saída, mesmo que seja pela tangente.
A adoção do Ross pela Dentons é um alerta para a classe e para as faculdades de Direito se prepararem para a transição que virá — e estarem prontas para ajudar a salvar pelo menos os novos advogados.
As previsões são de que esses robôs vão invadir, primeiramente, o espaço dos advogados do primeiro ano de prática; depois do segundo ano de prática; depois do terceiro. Quantos aos paralegais (ou auxiliares jurídicos), eles poderão fazer parte, dentro de algum tempo, de uma classe em extinção.
João Ozorio de Melo é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.
Revista Consultor Jurídico, 29 de outubro de 2015, 11h47

Marcos Alves Pintar disse:
04 de maio de 2016 às 00:05

Agora mesmo eu fazia um agravo interno no STJ demonstrando que toda a decisão impugnada no recurso foi elaborada tomando por base uma "carimbadeira eletrônica". Não havia uma única palavra sequer na decisão tratando do caso em específico. Até fiz uma tabela mostrando. Se depender dos juízes eles vão encher o Judiciário de robôs e sairão todos de férias com a família ao redor do mundo, sem nenhuma preocupação com nós cidadãos ou com o País. Esse pessoal, infelizmente, salvo raras exceções só se preocupa mesmo com o próprio umbigo, e mais nada, e não pouparão esforços para manter o estilo de vida custe o que custar.

Aquiles disse:
04 de maio de 2016 às 00:27

Quando a máquina de escrever foi inventada, também fizeram esse tipo de crítica. A automação e a inteligência artificial estão presentes em nosso cotidiano, embora a maioria das pessoas não perceba. Não há porque deixar de usar essas poderosas ferramentas no Judiciário.

Aquiles disse:
04 de maio de 2016 às 00:27

Quando a máquina de escrever foi inventada, também fizeram esse tipo de crítica. A automação e a inteligência artificial estão presentes em nosso cotidiano, embora a maioria das pessoas não perceba. Não há porque deixar de usar essas poderosas ferramentas no Judiciário.

J. Ribeiro disse:
04 de maio de 2016 às 03:14

Talvez seja uma grande oportunidade para estudar um programa de computador para substituir os juizes de primeiro grau. É provável que sejam mais objetivas as sentenças e certamente mais justas as decisões. A inteligência artificial é inevitável e os serviços públicos burocráticos serão o grande objetivo.
Como não haverá despesas com vencimentos, aposentadoria e nem pensão para esses equipamentos, está ai a grande oportunidade de reduzir efetivamente o deficit publico.

Felip disse:
04 de maio de 2016 às 11:47

Os pensamentos catastróficos dos comentários dos colegas acima apenas mostra como o meio jurídico ainda precisa de uma surra de tecnologia. As pessoas tem medo da tecnologia, como assim?

É óbvio que tecnologia na mão de burocratas preguiçosos apenas resultará em má prestação jurisdicional, mas os exemplos premiados de robotização referem-se justamente às funções puramente mecânicas de contagem de prazos e de verificação de conformidade, que servidores pachorrentos levam muito tempo para fazer.

A virtude da tecnologia não é substituir o juiz em seu mister decisório "all-things-considered" (isto é, que considera em sua decisão todo o universo de motivações jurídicas e morais possíveis), mas auxiliar o magistrado (e todos os serviços jurídicos correlatos) eliminando funções repetitivas, fazendo triagem de casos, gerando estatísticas, apontando soluções mais prováveis, entre outros.

Precisamos sim de informatização e robotização no Judiciário! É aumento de produtividade e dispensabilidade de servidores tornados redundantes.

Que o ludismo jurídico nunca vença.

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