O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil vai entrar com uma representação no Conselho Nacional de Justiça contra o juiz Glaucenir Silva de Oliveira, da 100ª Zona Eleitoral de Campos dos Goytacazes, devido ao vazamento de conversas entre o advogado Jonas Lopes de Carvalho Neto e seu cliente Anthony Garotinho, ex-governador do Rio de Janeiro, preso na última quarta-feira (16/11).
"Não se combate um crime com outro crime", afirma o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil ao repudiar o vazamento das conversas, divulgadas pelo programa Fantástico, da Rede Globo, neste domingo (20/11). "Admitir agressão ao direito de defesa, não importa o pretexto, indica retrocesso aos tempos mais sombrios da ditadura militar, quando garantias fundamentais dos cidadãos eram frequentemente violadas", diz trecho da nota assinada pelo Conselho Federal e pelo Colégio de Presidentes de Seccionais da OAB.

Reprodução
Atual secretário de governo de Campos dos Goytacazes (RJ) — onde sua mulher, Rosinha Garotinho, é prefeita — Garotinho foi preso sob acusação de fraude em um programa social. Após passar mal, foi encaminhado ao Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro do Rio de Janeiro.
Na quinta-feira (17/11), porém, o juiz Glaucenir Silva de Oliveira determinou que ele concluísse seus exames na rede pública e fosse imediatamente levado para a penitenciária. Sua transferência foi filmada, mostrando Garotinho exaltado, gritando e tentando agredir os bombeiros que o levavam de maca para a ambulância. Na sexta-feira (18/11), a ministra do Tribunal Superior Eleitoral Luciana Lóssio concedeu habeas corpus em favor de Garotinho, determinando que ele retornasse ao hospital e, depois, ficasse preso em regime domiciliar.
No diálogo divulgado pelo Fantástico, gravado antes de Garotinho ser preso, o ex-governador orienta seus advogados a procurarem a ministra Luciana Lóssio para tratar de um Habeas Corpus preventivo. Garotinho disse que já tinha o contato da ministra, mas que era melhor os advogados entrarem em contato com ela.
Em outro trecho, Garotinho diz que já conseguiu conversar com a ministra e que explicou todo o caso. Na fala do ex-governador, ela teria ficado "bastante impressionada". Esse trecho da conversa, o Fantástico atribuiu a uma conversa entre Garotinho e o advogado Fernando Fernandes, que também defende o político. No entanto, Fernandes nega que aquela seja sua voz: a conversa atribuída a ele foi entre Garotinho e o advogado Jonas Lopes Neto.
Fernando Fernandes afirmou que, assim como a OAB, também vai representar contra o juiz. "Além da violação do sigilo garantida por lei, a gravação atribuída a mim não é comigo e, sim, com o Jonas. Além disso, o trecho narra uma conversa legal e protocolar com a ministra. "Após a distribuição de um Habeas Corpus, Antony Garotinho foi, acompanhando por mim, oficialmente ao gabinete da ministra e esperou, de forma protocolar, enquanto os advogados despachavam", explica Fernandes.
O advogado lembra que o sigilo da comunicação entre os advogados e seus clientes é garantido pela Lei 8.906/1994. Para Fernandes, o levantamento de sigilo feito pelo juiz e o fornecimento para a imprensa está fora dos objetivos da lei e constitui mais um crime cometido pelo magistrado. Na última semana, o advogado já havia prometido entrar com processo contra o juiz por denunciação caluniosa, além de uma queixa crime por calúnia. As ações devem ser protocoladas ainda nesta semana.
O juiz acusou Garotinho e seu filho Wladimir de tentativa de suborno. Por meio de intermediários, os dois teriam feito ofertas de R$ 1,5 milhão e R$ 5 milhões para que pusesse fim a investigação de crimes eleitorais contra ambos. Para Fernando Fernandes a acusação do juiz é sem sentido, uma vez que o juiz está apenas cobrindo férias, estando à frente do processo por apenas 20 dias. "Seria absolutamente incompreensível que alguém oferecesse a ele R$ 5 milhões se nem juiz do caso ele é", afirma.
Fernandes diz causar estranhamento, ainda, o fato de a denúncia ter sido feita após a ministra Luciana Lóssio ter concedido o Habeas Corpus e criticado a decisão do juiz. Em determinado trecho do HC, a ministra classifica como temerária a decisão e afirmou: "não cabe à autoridade judiciária avaliar o quadro clínico do segregado, tal como levado a efeito pelo juiz zonal, que assim procedeu sem qualquer embasamento técnico-pericial por parte de equipe médica regularmente constituída". Para Fernando Fernandes, além de inverossímil, o relator do juiz teria como "objetivo uma retaliação midiática em relação aos atos abusivos que ele cometeu".
O advogado Jonas Lopes de Carvalho Neto, que aparece nas gravações, afirmou que a divulgação dos áudios é uma violência às prerrogativas dos advogados. "Os meus direitos e minhas prerrogativas foram violadas. Se houve autorização judicial, essa conversa jamais poderia ter sido vazada e, muito menos divulgada. Isso é crime e a OAB vai apurar", afirma. Apesar de o programa ter informado que as gravações foram obtidas com autorização judicial, o advogado afirma desconhecer essa autorização e diz não ter tido acesso a essas conversas que foram grampeadas. "Quando isso acontece toda advocacia é violentada. Estou recebendo inúmeras mensagens de colegas porque todos estão se sentindo aviltados. É uma indignação de toda a classe", conclui.
O Instituto dos Advogados de São Paulo engrossou o coro contra a divulgação das conversas e cobrou apuração das autoridades competentes. "O pretexto do combate à corrupção não autoriza desrespeitar a lei, ou promover um ambiente de insegurança jurídica contra os advogados no exercício da sua profissão", disse a entidade em nota de repúdio assinada pelo presidente José Horácio Halfzeld Rezende Ribeiro.
Em nota, o Movimento de Defesa da Advocacia (MDA) criticou a divulgação das conversas afirmando que a conversa entre advogado e cliente é inviolável. "Além disso, o diálogo exposto em programa televisivo semanal está protegido por sigilo processual. Sua divulgação, portanto, é mais um reflexo do ataque ao fundamental exercício da advocacia e à Lei."
Também por meio de comunicado, o Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) lembra que a divulgação de conversas entre clientes e advogados é crime. "A Justiça tem de prestar contas dessa violação, imediatamente, e o Ministério Público adotar as providências para responsabilizar os autores dessa grave violação cometida a partir de procedimento judicial."
Já o Sindicato dos Advogados do Rio de Janeiro afirmou que que o sigilo profissional é uma prerrogativa que deve ser respeitada e defendida tanto pela sociedade quanto pelos advogados. "É muito ruim que um órgão de imprensa se preste a esse papel apenas buscando a espetacularização do processo criminal. Não faz bem para a defesa da pessoa acusada, e não faz nada bem ao nosso sistema jurídico."
O Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD) afirmou que a interceptação telefônica deve ser uma ferramenta de investigação, não de marketing. "A interceptação dá aos investigadores o direito de ouvir os diálogos, não de divulgá-los", diz a nota de repúdio assinada pelo presidente da entidade, Fábio Tofic Simantob. Para ele, a divulgação feita no caso de Garotinho é uma violência inaceitável contra a privacidade constitucional da relação entre ele e sua defesa.
Sigilo quebrado
A quebra de sigilo entre advogado e cliente e a divulgação dessas conversas para a imprensa não tem sido exceção no Brasil. Um desses casos chamou a atenção por se dar nas investigações da operação "lava jato". O jornalista Fausto Macedo, do O Estado de S. Paulo, divulgou trechos de conversas entre Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, e o advogado Renato de Morais.
Criminalistas que atuam no caso e especialistas ouvidos pela revista Consultor Jurídico consideram o vazamento grave, pois viola o sigilo entre cliente e advogado. “Assim abrimos espaço para quebrar direitos em todos os outros casos. Todos podemos um dia precisar de um advogado, assim como nossas conversas com médicos também são sigilosas. O necessário combate à criminalidade não pode atingir direitos e garantias fundamentais”, afirmou na ocasião Augusto de Arruda Botelho, então presidente do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD).
Botelho também cobrou providências. “Enquanto as autoridades não começarem a investigar e punir, minuciosamente, a origem e autoria desses vazamentos criminosos, práticas desse jaez serão cometidas cada vez mais, visto que sempre terminam impunes”, diz ele.
Em outro episódio da "lava jato", o juiz Sergio Moro, responsável pela condução dos processos em Curitiba, autorizou o grampo do escritório de Roberto Teixeira, advogado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que conta com 25 profissionais, alegando que era preciso confirmar o nível de relação entre os dois, apesar de Teixeira advogar para Lula desde a década de 1980. Depois, ele argumentou que soube do episódio apenas depois que a ConJur noticiou o fato. O juiz disse que a informação “não foi percebida pelo Juízo ou pela Secretaria do Juízo até as referidas notícias extravagantes”.
Imunidade relativa
Apesar da bronca dos advogados, em 2014 a 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça decidiu que conversa entre advogado e cliente não é imune a grampo telefônico. A corte superior manteve entendimento do Tribunal Regional Federal da 3ª Região de que não há violação ao direito intimidade e nem ao sigilo profissional, se os aparelhos monitorados são do investigado, e não de um dos advogados. Conforme a relatora no STJ, ministra Laurita Vaz, a interceptação telefônica abrange a participação de qualquer interlocutor, e seria ilógico admitir que a prova colhida contra o interlocutor, que recebeu e fez chamadas para a linha legalmente interceptada, é ilegal. No caso analisado pelo STJ, contudo, não foi abordada a questão do vazamento desse diálogo para a imprensa.
O Supremo Tribunal Federal está com um caso semelhante para julgar. O advogado Aury Lopes Jr. pede que o STF anule uma decisão porque conversas entre o advogado e o réu foram gravadas. Segundo a defesa, as provas são ilegais porque resultaram de gravações das conversas travadas no parlatório do presídio, local reservado à visita dos presos com seus advogados. O Habeas Corpus está sob a relatoria do ministro Ricardo Lewandowski que, em setembro, permitiu o ingresso do Conselho Federal da OAB no processo.
Leia a nota da OAB sobre o caso envolvendo Garotinho e seu advogado:
Nota do Conselho Federal e do Colégio de Presidentes de Secionais da OAB sobre vazamento de conversa entre advogado e cliente em programa de TV de ontem, dia 20.
O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil e o Colégio de Presidentes de Seccionais da OAB, ao tempo em que reiteram seu mais veemente apoio ao combate à corrupção – em qualquer esfera em que se dê, envolvendo quem quer que seja -, volta a repudiar práticas ilegais que, em seu nome, têm sido efetuadas.
Não se combate um crime com outro crime, sob pena de se desmoralizar a própria investigação – e a lei.
Por essa razão, repudiamos o inconstitucional vazamento das conversas entre o advogado Jonas Lopes de Carvalho Neto e seu cliente, Antony Garotinho, que acaba de ser denunciado pela mídia.
A OAB exige apuração imediata desse grave delito e punição exemplar de seus autores. Admitir agressão ao direito de defesa, não importa o pretexto, indica retrocesso aos tempos mais sombrios da ditadura militar, quando garantias fundamentais dos cidadãos eram frequentemente violadas. A sociedade brasileira lutou contra isso, triunfando sobre a exceção.
A advocacia não aceita que, na vigência do Estado democrático de Direito, se produza tamanha ignominia e, cientes do papel que nos cabe na defesa da lei e da democracia, afirmamos que adotaremos as medidas cabíveis para que sejam punidos os autores da ofensa a cidadania e a democracia. Não admitimos o princípio de que os fins justificam os meios.
A democracia é o regime da lei – e fora dela, não há salvação.
* Texto atualizado pela última vez às 9h49 do dia 22/11 para acréscimos.
É grave essa situação de vazamento de conversas entre cliente e advogado.
É grave essa situação de vazamento de conversas entre cliente e advogado.
Eu esperava esta reportagem por volta das 11:00 horas do dia de hoje, que por algum motivo atrasou. O que há a se dizer pelos advogados é: NÃO, a OAB não é a vítima na história, mas a vilã. São anos reiterados de permanente omissão na defesa da classe dos advogados, que vem sendo aviltada, humilhada, achincalhada reiteradamente pela imprensa e por agentes estatais. A OAB só age efetivamente quanto o caso ganha notoriedade. Veja-se que atualmente está em discussão o aperfeiçoamento da lei do abuso de autoridade (que poderia ser evocada nesse caso), mas a Ordem nem sequer tem uma posição definitiva muito embora fosse sua obrigação estar defendendo a aprovação da nova lei de unhas e dentes. No final dessa história toda, ninguém será responsabilizado de coisa alguma. A OAB, em todas as suas instância, exceto em alguns casos pontuais NÃO SABE AGIR em face ao abuso cometido em face à profissão de advogado, ao passo que suas ações são desarticuladas, sem sequencia, nem cobrança. Estão anunciando medidas para conter a repercussão à imagem da Instituição, mas quando o caso esfriar junto ao grande público nada mais será feito.
para o curitibano, fica difícil não dar carta branca para os outros...
Teve também um caso muito conhecido de um juiz superstar que divulgou as conversas entre um famoso ex-presidente e seu(s) advogado(s). Tadeu Rover, o autor desta matéria, devia estar viajando à época. Viagem interplanetária, provavelmente.
Juízes não esmoreçam. O povo está do lado de vocês. Por um Brasil sem corrupção!
Por um país sem abuso de autoridade, sem espaço nu.
Quem é que tinha o contato da Juíza? Não era o acusado?
Dizem que a prisão de Garotinho seria desproporcional porque, se ele vier a ser condenado, cumprirá pena alternativa. Não sei!
Sei que há duas duas circunstâncias claras: o acusado tem contato com o magistrado, e o outro magistrado teria abusado de seu poder.
Em foco (que foi desviado), deveria estar a atuação do Judiciário! Estão abusando e desviando o foco, sim!
De outro lado, óbvio que a OAB tem alguma razão. Ocorre, todavia, que a OAB gasta energia de forma inadequada. Ninguém até hoje sabe do teor do inciso LVII, do art. 5º "LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;". Mas a OAB não mira no descumprimento do texto expresso da CF; não esclarece que a CF necessita ser modernizada pela atuação do Congresso eleito, que os eleitores precisam fiscalizar e cobrar. A OAB fica martelando na tecla da "presunção de inocência"... E ignora que a população não distingue figuras jurídicas. Ora, como presumir inocente um acusado confesso? É razoável a indignação do leigo! São essas coisas que vão "desacreditando" a OAB.
Quer outro exemplo: o Rio de Janeiro está falido! Um PM não ganha nem R$ 3.000,00/mês, mas policiais são mortos no atacado todos os dias. Todavia, quando a crise chega perto do Judiciário e do MP, resolvem prender ex-governadores?! As cúpulas dos Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e as funções de Estado (responsáveis pelo grave comprometimento da folha de pagamento, porque ganham muito) deveriam ser responsabilizadas pela bagunça no RJ.
Quando tentam mexer com vantagens imorais do Judiciário, começam a prender ex-governadores? Ora, só eles são culpados pela desordem financeira?
Renan é um grande parasita do Povo brasileiro. Mas tal como Eduardo Cunha (outro parasita), está fazendo as instituições funcionarem adequadamente; está executando os freios e contrapesos. Ele deve ser julgado com a máxima urgência (e Juízes do Judiciário não o julgam, vejam!), mas espero que ele atue para que os membros do Judiciário sejam tão iguais como tantos outros milhões de brasileiros... Renan está controlando um Poder que mais se assemelha a uma Monarquia.
E a OAB tem de mudar a abordagem! Não adianta! Estava vendo o calendário de feriados em 2017... O TRTSP terá suspensão emendada de expediente praticamente em todos os meses em razão de feriados... Processos continuarão parados nas prateleiras, e o advogado continuará sendo o culpado? Só os políticos são culpados pelo afundamento do Brasil?!
Vergonha, vergonha, vergonha!
O mais básico direito de defesa foi aviltado por uma simples decisão!
Um magistrado, em comentário pretérito, resumidamente afirmou que tudo isso seria resolvido com a publicidade de todos atos.
Ora, mas uma associação de classe dos magistrados impetrou uma série de ações contra jornalistas que divulgaram os seus salários!
Pode argumentar que n faz parte desta associação, bem, eu também nem era nascido quando a OAB supostamente apoiou a ditadura, logo, também não posso ser abarcado por esta comparação.
Digo mais, publicidade para todos os atos? Inclusive ligações entre magistrados, magistrados e desembargadores, magistrados e assessores, etc? É viável, é producente? Não!
Ademais, pra fulminar o raciocínio, o advogado cujo sigilo com o cliente foi quebrado é advogado da iniciativa privada.
Que tal grampeássemos os telefones de todos os magistrados, inclusive da ministra, o qual lançou certas dúvidas, ora, além de servidora pública seria outra forma de descobrir eventual ilícito sem violar uma lei.
Afinal, o princípio da publicidade é inerente à administração pública, do qual os magistrados são seus agentes, incorrendo sobre eles tal princípio.
Vergonha por encontrar quem advogue esta estulta decisão, ainda mais com fundamentos da profundidade de um pires.
Vergonha, vergonha de aplicadores da lei, justificarem a subversão da mesma para facilitarem seus trabalhos!
Vergonha OAB, no mínimo deve se buscar a aposentadoria compulsória deste magistrado, o mesmo envolvido na blitz no RJ, onde a agente de trânsito acabou indiciada, por querer multá-lo!
O mesmo que "mexeu" com a namorada de um empresário em uma boate no ES, que ao reagir, teve uma arma apontada pelo magistrado!
Vergonha, "brasil", arremedo de país.
O comentário do Luiz Fernando Cabeda (Juiz do Trabalho de 2ª. Instância), ou melhor, a forma de seu raciocínio, mostra bem os tempos obscuros que estamos vivendo. Segundo ele, haveria uma exceção à regra universal do sigilo entre advogado e juiz, pois se alguma autoridade considerar (mesmo sem um justo processo legal sob contraditório) que o sigilo está sendo usado para a prática de delitos, o sigilo deixa de existir. Pergunto: onde está escrito? Na verdade, o raciocínio é direcionado às massas, seguindo a linha de quase tudo na época atual. Para alguém mais acanhado o raciocínio parece sedutor: se há crime, então o sigilo não poderia ser usado para acobertar essa prática. Já um raciocínio mais complexo, mostra rapidamente o fiasco de tal forma de argumentação. O sigilo de uma forma geral é feito para acobertar alguns bens essenciais do indivíduo, abrangendo a área de família, jurisdição de menores, ligações telefônicas, o recinto do lar, etc., etc. Imagine-se por exemplo, se todos fossem obrigados a tomar seu banho diário, ou mesmo usar sanitários, com a possibilidade de qualquer um ver ou gravar em vídeo. A vida cotidiana se transformaria em um inferno. No entanto, nós sabemos que crimes podem ocorrem nesses locais. Mas, para "desvendar" o crime, é preciso quebrar o sigilo. Então, sob a alegação de que pode haver prática de crimes (de acordo com o critério do agente público, sem contraditório), deveríamos acabar com as chancelas nos sanitários, levantar o sigilo de todos os processos de famílias, menores, etc., etc. Por aí se vê o absurdo. O sigilo entre advogado e cliente é um direito universal que não pode ser afastado porque alguém acreditou que havia crime na atuação.
No caso sob apreciação, o Advogado supostamente envolvido já se adiantou em dizer que a voz nem era dele. Se a voz não era dele, e foi apresentada como se fosse, não é preciso muito para se concluir que há crime nessa história. Aí vem a pergunta: só esse crime? O que mais pode ter sido adulterado? Vê-se assim os tempos obscuros que se vive nesta República neste momento delicado, na qual qualquer coisa justifica alguma coisa, desde que seja da vontade do agente pública ou da imprensa. A essência das coisas está sendo esquecida, ignorada, para em um processo de "revisão oportunista" das normas nada mais tenha validade. Existe o sigilo entre advogado e cliente, e deve ser presentavo, mas... E nesse "mas" cada um vai enfiando o que quer, como se estivesse a descobrir a pólvora ou a roda.
Estou plenamente de acordo com o juiz Luiz Fernando Cabeda, pois, o sigilo não serve para o advogado instruir seu cliente a violar a lei, inclusive é infração disciplinar prevista no Estatuto da Advocacia!!!
A divulgação das conversações é uma obrigação da imprensa em respeito e seriedade nas suas matérias em esclarecer a real verdade dos fatos para mais de 200mi de brasileiros, o que querem é calar a imprensa e chamarem de ditadura quando apenas foi implantado o "regime militar", esses devem e temem que épocas saudáveis volte e acabe a mamata, excessos de garantias só alimentam advogados renomados e absolvem os cancerosos corruptos!!!!
A tênue linha que separa o direito à informação e o respeito à privacidade nas relações entre cliente e advogado tem sido testada pela mídia, o carrasco míope que desinforma e deseduca a população estarrecida diante a pandemia da corrupção que tomou conta do país. Não faz distinção. Neste caso do Garotinho o vazamente sabe à linxamento. De tudo o que foi dito, escrito e publicado, nenhuma ilicitude foi cometida, senão o direito do cliente combinar com o seu cliente a forma republicana de se defender junto ao tribunal que o prendeu. Nada mais legítimo que esse carrasco cego que é a imprensa satanizou, sem fazer a necessária distinção entre a conspiração corrupta e o direito da defesa. Expôs inutilmente uma situação em que fica caracterizada a violação de direitos, enfraquecendo, através do escândalo todo o arcabouço do combate à corrupção endêmica do país desacreditando-a. Tempos obscuros.
Senhores: vamos acabar de vez com a lengalenga. A "denúncia" não vai a lugar algum. Pode admitir até uns votos discordantes, mas é furo nágua. Mesmo dentro de entidades seríssimas, como o CNJ.
Não que haja uma Teoria da Conspiração. Mas o negócio é mais amplo. Envolve forças e interesse escusos do Judiciário com outras instituições políticas e cíveis que extrapola qualquer senso de decência ou legalidade.
E não se trata de ser a favor ou contra Garotinho. De achar ser ele inocente ou culpado no caso. Isto é apenas um episódio. O balcão de negócios, que antes era tratada pelos 2/3 de bandidos do Congresso teve sua base ampliada.
Querem mais grave e notório do que fizeram com a Presidenta Dilma? Com o Presidente Lula? Deu no quê?
A Corte de Suplicação dos Pampas já não fez jurisprudência, ao admitir que em assuntos políticos o Savonarola dos Pinhais tudo é possível? Foi o "salve" para a magistratura engajada instalar o regime de exceção, mascara de legalidade.
Mas, comenta-se que essas coisas esparramadas foram para blindar o condutor da Lava Jato no caso da denúncia junto a ONU. Com isto, sua defesa alegará que o País vive na maior tranquilidade judicial. No maior respeito a lei e à Constituição. Que tudo não passa de futriquinhas dos descontentes.
Suspeita-se ainda que isto é balão de ensaio para a prisão do ex-presidente. A do Garotinho e do Cabral. Estariam sopesando a reação pública.
E o mais grave é o silêncio, com aparência de cumplicidade, da direção nacional da OAB. Mostra que a politização partidária atingiu-a, tanto quanto ao Judiciário. Não nos iludamos com esta manifestação isolada. Já era esperada pelos estrategistas do caso.
Saudade dos tempos em que a OAB era "refúgio" do advogado. Hoje, mais parece relés "albergue".
O Judiciário opressor de certos "devogados" inocentes e seus impolutos clientes. A matéria que segue é de hj:
Operação prende advogados ligados a facção criminosa em São Paulo
Vice-presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos, Luiz Carlos dos Santos, é um dos presos na operação.
22/11/2016 07h51 - Atualizado em 22/11/2016 08h10
Uma operação na manhã desta terça-feira (22), em São Paulo, prende advogados ligados a facções criminosas. Eles são suspeitos de movimentar o dinheiro do crime organizado e de indicar agentes penitenciários para morrer.
O vice-presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos. Luiz Carlos dos Santos, está entre os alvos e já foi preso em Cotia, na Região Metropolitana de São Paulo.
Ele e os outros advogados são suspeitos de movimentar dinheiro do crime organizado em contas bancárias e ainda de ajudar a criar uma espécie de banco de dados com os nomes e endereços de agentes penitenciários e dos parentes deles para serem mortos.
A operação da Polícia Civil e o Ministério Público já cumpriu pelo menos 30 dos 41 mandados de prisão na capital e no interior de São Paulo.
A investigação começou em presidente Prudente, onde estão dois presídios de segurança máxima
Sempre quando vejo comentários como o do Adriano Las (Professor), gosto de lembrar um caso ocorrido em Bauru. Ex-membro da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, acusado de estupro e outros crimes gravíssimos, já julgado e condenado pela mídia. Tudo "ia bem" até que uma das "vítimas" revolveu entrar em contato com o escritório que defendia o advogado acusado (naquela época preso) para reclamar que não havia recebido integralmente sua parte no ajustado para MENTIR em depoimento visando incriminar o causídico. Curiosamente, somente a CONJUR e outros veículos especializados noticiaram o fato. Infelizmente hoje no Brasil pessoas de mentalidade infantil ingressaram no discurso, lançando opiniões imaturas e impensadas, atribuindo à ação de autoridades públicas e notícias veiculadas pela imprensa como verdades absolutas e incontestáveis, mesmo tendo a obrigação de saber que a mídia no Brasil é extremamente tendenciosa e oportunista, ao passo que os órgãos públicos são, em larga medida, celeiro fértil da prevaricação e do abuso de autoridade.
Lamentavelmente NÃO vai acontecer quase NADA. Talvez, com tudo dando muito certo, alguma notinha da MÍDIA se desculpando, mudanças NUNCA. Essa MÍDIA é a mesma que a OAB apoiou no GOLPE em curso. Deram poderes demais a esse monstro e está aí, devorando seus próprios criadores depois de DEVORAR, em prato principal, a advocacia criminalista. De entrada foi a democracia. Após o golpe, chove propaganda governamental nessa mídia que hoje é o VERDADEIRO poder nacional. Mantêm um governo e governante com quase 100% de impopularidade, que se utiliza de um ministério que a cada mês cai um e os que não caíram (Moraes e Geddel) não caíram por total falta de poder do governante. Esse não cabe na mídia pois quando abre a boca é para dizer absurdos como ao dizer que estudantes não saberiam ler uma PEC. Pau que deu em Lula/Dilma/eleitores/votos/democracia dá na Advocacia, lamentavelmente. O big brother 2016 continua, no paredão algo do jaez de: "Indispensável à administração da Justiça" (Art. 133 CF). Todos teremos motivos para o medo da mídia ??? A saída talvez seja a montanha.
Como pode? A miopia é intencional?
Sindicato de "professores" estimulando "ocupações pacíficas" em escolas, porque ao final, eles "querem trabalhar", mas os alunos não deixam... E enquanto alunos ficam sem aula, o salário continua garantido. Se não há greve, não podem descontar os dias parados. Ora, ora. E os vilões são os adEvogados? Não!
Vilões são os criminosos, sejam eles vestindo (travestidos) terno e gravata, ostentando estetoscópio no pescoço ou desfilando de jaleco branco com o giz na mão...
Questione a razão de um suposto criminoso com carteira de advogado ser NOMEADO para função pública! Quem o colocou na função? Quem está por trás da indicação?
A discussão séria começa por aí. Depois pode evoluir até chegar a toda uma classe.
Tropa de Elite explica muita coisa, "Mestre".
O título do meu comentário foi:
SALVE, SALVE OS VERDADEIROS ADVOGADOS.
Com isso, pensei ter deixado claro que a minha crítica, ao reproduzir a tal matéria jornalística, dirigia-se a uma porciúncula muitíssimo reduzida de malfeitores que exercem criminosamente o digníssimo ofício da ADVOCACIA (como de resto há facínoras "sem formação profissional" ou "desempregados" ou exercendo os mais variados ofícios) e que deveriam merecer a repulsa de toda a sociedade, principalmente, da absolutamente esmagadora maioria de ADVOGADOS honrados e dignos, que, estou certo, o faz.
Não tenho picareta de estimação, vista ele toga, jaleco, terno e gravata, macacão, use crachá, seja preto ou branco e por aí vai. Inclusive tenho a mesmíssima percepção sua quanto aos invasores das escolas e parte dos docentes nefastamente ideologizados que os manobrou.
De todo modo, agradeço a oportunidade de melhor me fazer entender, servindo esse como adendo.
MAP merece ser dicionarizado, dada as peculiaridades e singularidades. Tenho uma curiosidade jocosa em saber como MAP emenda o seu lé com o seu cré. Houve quando supus que MAP nutria repulsa a qq agente público, mas depois percebi que não é lá tudo isso não, pois ele se afeiçoou à ministra do Tribunal Superior Eleitoral, Luciana Lóssio, que mandou soltar imediatamente Lettle boy, logo após, segundo noticiado, ter sido inusitadamente contatada por este, antes da sua prisão. Manifestações como essa lhe são característico. Noves fora, MAP somente é contra o agente público que investiga e pune, verdade seja dita que se o punido for outro agente público ele extasia. Outra nuance bastante curiosa de MAP é a sua crença inabalável na virtude do ser humano advogado. Deve-lhe ser um martírio ter de conviver com colegas advogados que atuam como assistentes de acusação. Outro traço bastante pronunciado e pitoresco de MAP é o que não nega a materialidade ou as vítimas de nenhum dos zilhões de crimes dos quais os brasileiros são vítimas, mas repudia sistemática e obstinadamente qualquer autoria.
Como se vê, não posso ser eu a preencher o verbete. Quem se atreveria a preenchê-lo? Cedo o espaço (MAP: ).
Lettle boy por Little boy.
Esse Br vascularizado por políticos bandidos, hordas de juízes, legisladores picaretas, de fato não pode querer ocupar lugar nenhum que de fato não merece. Nessas avalanches de homens bandalhos vicejando nos mares da agonia (?) com exemplos pitorescos, banditismo profissional ninguem poderia ser execrados porque voce(s) os colocaram lá no altiplano dos deuses. N. Copérnico descobriu que a terra não é o centro do universo, Galileu os rudimentos da mecânica clássica, I. Newton os princípios da dinâmica, Instein a física moderna, mas atualmente falta discernimento e coerência em todos: Dar a Cesar o que é de Cesar, seja ônus seja Bônus. A nós resta o pão que o diabo , com seu rabo, amassou e que tem sido nossa hóstia sagrada. Politico algum, juiz nenhum muda o que deve ser mudado, porque ninguém tira água de seu posso, qdo vai em seca, para dar aos outros. Ao invés de ser pró ou contra urge fazer uma reflexão, porque "o leite derramado não volta mais". A corrupção emurchece a todos, jogando uns contra os outros. Então, não precisamos nos automutilar; tem que faça isso para nós contra nossa vontade. As guerras politicas, institucionais, morais, destroem mais que renovam, e quando revicejam o rebroto é de péssima qualidade.
Mais uma vez, CONJUR nos brinda com uma reportagem tendenciosa, diminuindo a relevância da operação e sonegando a gravidade da situação do RJ. Obviamente, o direito de defesa deve ser respeitado. No entanto, não há nada que desabone a conduta do Juiz responsável pela expedição dos mandados. Aliás, ridícula e temerária foi a postura do preso e seus familiares, certamente beneficiados pela situação peculiar e conhecida do RJ. Pobre povo fluminense! Além de aturar criminosos contumazes, ainda têm que dormir com essa. Lamentável!
Você precisa estar logado para enviar um comentário.
Fazer login