Os desembargadores da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Santa Catarina confirmaram, por unanimidade, a absolvição do empresário André de Camargo Aranha, acusado de estupro de vulnerável pela promotora de eventos Mariana Borges Ferreira — conhecida nas redes sociais como Mariana Ferrer.

Reprodução
O julgamento de recurso contra a absolvição ocorreu nesta quinta-feira (7/10). Participaram do julgamento os desembargadores Ana Lia Carneiro, Ariovaldo da Silva e Paulo Sartorato.
O empresário foi absolvido em 1ª instância pelo juiz Rudson Marcos, da 3ª Vara Criminal de Florianópolis (SC). Na ocasião, o julgador entendeu que a acusação de estupro só era baseada nos relatos da influencer e sua mãe e o absolveu em respeito ao princípio in dubio pro reo. A decisão é de 9 de setembro de 2020.
O Ministério Público de Santa Catarina denunciou Aranha por estupro de vulnerável (artigo 217-A, parágrafo 1º, do Código Penal). Isso pelo fato de o empresário supostamente ter praticado conjunção carnal com Mariana quando ela "não possuía condições de oferecer resistência ao ato". Nas alegações finais, contudo, o MP-SC pediu a absolvição do empresário por atipicidade da conduta — argumento semelhante ao de sua defesa.
O julgamento de 1ª instância que absolveu Aranha ganhou notoriedade após trechos do vídeo do julgamento serem publicados pelo site Intercept.
Nos trechos da audiência divulgados pela imprensa, o advogado de Aranha, Cláudio Gastão da Rosa Filho, apresentou fotos produzidas por Mariana e publicadas em seu perfil no Instagram que ele classificou como "ginecológicas", dizendo, entre outras coisas, que "jamais teria uma filha" do "nível de Mariana". Ele também afirmou que Ferrer estava fazendo um "showzinho" e que o seu "ganha pão era a desgraça dos outros".
Na ocasião, a OAB de Santa Catarina encaminhou um ofício ao advogado pedindo informações preliminares para prosseguir na apuração do caso.
O Conselho Nacional de Justiça também se mobilizou: o conselheiro Henrique Ávila pediu apuração sobre a conduta do juiz Rudson Marcos, por não ter impedido o advogado de humilhar a influencer.
O mesmo foi dito sobre o promotor do caso, Thiago Carriço de Oliveira, e o Conselho Nacional do Ministério Público esclareceu que já estava com um procedimento aberto de investigação desde outubro.
O próprio Ministério Público de Santa Catarina, por sua vez, pediu que fosse divulgado o vídeo com a íntegra da sessão para que ficasse claro que tanto o promotor quanto o juiz tinham intervindo para proteger Mariana. O caso tramita em segredo de Justiça.
Clique aqui para ler a decisão de 1ª instância
0004733-33.2019.8.24.0023
Ano passado quando toda impressa e opinião pública diziam que a absolvição do rapaz tinha sido um absurdo, dando a entender que a mariana era vítima de uma conspiração, fiz o que as pessoas que criticam não fizeram, isto é, li a sentença e assisti a audiência, e não tive nenhuma dúvida que a decisão do juiz foi acertada. O tratamento que a impressa deu para este caso é vergonhoso, pois claramente não leram os autos. O pior é que mesmo o rapaz tendo sido corretamente absolvido, para a opinião pública e publicada ele será sempre um condenado. As pessoas, incluindo os jornalistas, precisam criar o hábito de estudar minimamente o processo antes de julgar. O instagram é o novo tribunal da inquisição. A impressa deveria reconhecer que errou ao acreditar cegamente na versão da mariana, mas pelo visto o orgulho de nossos jornalistas é do tamanho do universo.
Diz o texto: "Nos trechos da audiência divulgados pela imprensa, o advogado de Aranha, Cláudio Gastão da Rosa Filho, apresentou fotos produzidas por Mariana e publicadas em seu perfil no Instagram que ele classificou como "ginecológicas", dizendo, entre outras coisas, que "jamais teria uma filha" do "nível de Mariana". Ele também afirmou que Ferrer estava fazendo um "showzinho" e que o seu "ganha pão era a desgraça dos outros".
Na ocasião, a OAB de Santa Catarina encaminhou um ofício ao advogado pedindo informações preliminares para prosseguir na apuração do caso.
O Conselho Nacional de Justiça também se mobilizou: o conselheiro Henrique Ávila pediu apuração sobre a conduta do juiz Rudson Marcos, por não ter impedido o advogado de humilhar a influencer.
O mesmo foi dito sobre o promotor do caso, Thiago Carriço de Oliveira, e o Conselho Nacional do Ministério Público esclareceu que já estava com um procedimento aberto de investigação desde outubro.
O próprio Ministério Público de Santa Catarina, por sua vez, pediu que fosse divulgado o vídeo com a íntegra da sessão para que ficasse claro que tanto o promotor quanto o juiz tinham intervindo para proteger Mariana. O caso tramita em segredo de Justiça".
Esse processo ficou nacionalmente conhecido, porque o advogado do acusado adotou estratégia errada, ao tentar investir contra a moral da acusadora, principalmente em um momento político, econômico, social, ético e constitucional, no qual maiorias como mulheres, desempregados e negros, e minorias, como ciganos, mendigos, judeus, idosos, pessoas com comportamentos sexuais distintos, são objetos de preocupação do Estado, da sociedade, dos intelectuais, da igreja, e do próprio Capitalismo.
A imprensa leu os autos. E publicou textos que incendiariam a opinião publica. Só. Sabiam muito bem o que estavam fazendo.
Reclamar de uma absolvição em que a perícia não encontrou nada?
Eu também li a sentença, porém, é de se causar estranheza o réu afirmar que não houve conjunção carnal, e, por outro lado, existir laudo pericial que comprova o contrário (que houve conjunção carnal), além do rompimento do hímen.
Quem quiser ver melhor, assista a AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO (tem no youtube, e é quase 3 horas). E depois conclua... Ela, dissimulada ao extremo, pior ainda a mãe dela... A versão que a mãe conta é mais vergonhosa ainda. Típica tentativa de "golpe", um golpe que não deu certo.
Afinal quem recorreu? Pois o MP deu parecer favorável a absolvição em sede de alegações finais.
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