Suzane e irmãos Cravinhos voltam ao júri em 17 de julho

Já era esperado que o julgamento de Suzane von Richthofen e dos irmãos Christian e Daniel Cravinhos, réus confessos do assassinato dos pais dela, Marisia e Manfred von Richthofen, fosse cercado de manobras. O que não se esperava era que o primeiro de julgamento se encerrasse sem sequer instalar-se a sessão do Júri.

A sessão que não começou acabou com uma hora de discussão no plenário entre juiz advogado e Ministério Público sobre uma questão tecnicamente, já superada.

Tudo começou quando Mauro Octávio Nacif, um dos advogados de Suzane, numa questão de ordem, apontou a ausência de uma testemunha que, segundo ele, era essencial para o processo. Ela era amiga de Marisia e ia contar aos jurados detalhes do relacionamento de Suzane com os pais.

O juiz responsável pelo caso, Alberto Anderson Filho, abriu os autos e viu que constava que a testemunha estava na Europa e que os advogados de Suzane o avisaram sobre a saída. Nacif interrompeu o juiz. Insistia na tese de que o julgamento devia ser suspenso já que a testemunha, imprescindível, não iria depor. Em vista disso, afirmou que, num suposto gesto de boa vontade com o juiz, poderia indicar uma nova testemunha.

Instalou-se então a balbúrdia. Juiz e advogado começaram a discutir. Nacif insistia na tese de marcar nova data de julgamento e ameaçava o juiz, com dedo em riste, dizendo que largaria o júri caso não atendesse sua solicitação. Anderson Filho indeferiu o pedido, com o argumento de que o próprio advogado estava se contradizendo, já que teria dito que faria outro júri, mesmo sem a testemunha.

Até mesmo Mário Sérgio de Oliveira, também advogado de defesa, discordou do colega Nacif. Nessa hora, o juiz não segurou a ironia. “Primeiro vamos esperar a defesa se entender e depois decidir sobre o andamento do processo”, disse.

O Ministério Público também interferiu na discussão. “Tudo o que a testemunha poderia fazer, já fez. A testemunha não é imprescindível e não vai trazer nenhuma novidade sobre o caso. Não há razão para adiar o júri”, ressaltou o promotor Roberto Tardelli, aos berros.

Nacif se exaltou. Ameaçou tirar a beca e se retirar do plenário. Depois de quase uma hora de discussão, aplausos da platéia entre uma resposta e outra do juiz, advogado e MP, a promessa foi cumprida. Os advogados de Suzane saíram do plenário sob protesto. Disseram que aquilo não era uma renúncia, mas sim a reação a uma arbitrariedade, injustiça e deslealdade do juiz.

Os promotores e o assistente de acusação, Alberto Zacharias Toron, reagiram. Pediram que o juiz nomeasse um defensor público para Suzane e que a mandasse de volta para a prisão em Rio Claro (interior de São Paulo), já que a prisão domiciliar que a beneficiou já tinha perdido a finalidade. Também solicitaram que a OAB fosse notificada sobre a discussão no plenário e que a ata de audiência fosse encaminhada ao Superior Tribunal de Justiça, aos cuidados do ministro Nilson Naves, relator dos pedidos de Suzane naquela corte.

O juiz acolheu parte do pedido, apenas para notificar a OAB e o STJ. No final, desabafou: “Não é a ré que vai sair daqui algemada, mas sim essa presidência”. Os promotores Tardelli e Nadir de Campos Júnior, e o assistente de acusação Toron também manifestaram sua decepção. “O deboche da defesa é indicativo de falte grave e de despreparo. Estamos à margem de um processo absurdo. O advogado não sabe qual é o limite do ridículo, porque riram de todos nós, juízes e promotores, na porta de saída”, disse Tardelli.

Com o ocorrido, o julgamento de Suzane ficou marcado para a mesma data designada aos irmãos Cravinhos, dia 17 de julho. O julgamento dos irmãos foi adiado horas antes do de Suzane porque o advogado Geraldo Jabur não compareceu ao Fórum da Barra Funda, em São Paulo. Disse que, se comparecesse ao julgamento, legitimaria o cerceamento de defesa de que seus clientes foram vítimas. Isso porque, segundo ele próprio afirma, foi impedido de orientar adequadamente os irmãos Cravinhos.

Júri

Suzane, seu namorado Daniel e o irmão dele, Christian Cravinhos, confessaram ter matado os pais dela, Marisia e Manfred von Richthofen, a golpes de barra de ferro, na casa em que a família vivia, em outubro de 2002.

Os três foram denunciados pelo Ministério Público por crime de duplo homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima.

Priscyla Costa

é repórter da revista Consultor Jurídico

Lu2007 disse:
05 de junho de 2006 às 16:27

Esta manipulação da defesa é vergonhosa. Este pedido para mudar o local do julgamento é hilário ( talvez fosse legal fazer o julgamento em Marte já que no Brasil o caso tomou proporções nacionais). O argumento de "virgem pura e manipulável" que os advogados estão querendo defender, além de machista, é medonhamente engraçada. Cai na gargalhada involuntariamente quando li isto. O desespero tomou conta da defesa. Fazem a Justiça de palhaça com estas manipulações e pioram a situação dos seus clientes perante a opinião pública e todos.

Armando do Prado disse:
05 de junho de 2006 às 16:31

Andou bem o Dr. Jabur: se presente, estaria coonestando a falta de liberdade junto aos seus cliente. O mesmo se diga quanto a todas as condições de defesa da moça.
Quanto aos interesses da mídia e do snsacionalismo barato, que se lixem. O bem a ser preservado é o da dignidade humana e a preservaçaõ da justiça.

brunotorreira disse:
05 de junho de 2006 às 16:38

Impecável a atuação dos advogados de defesa dos réus neste caso.

Assim como a acusação está fazendo seu show para a imprensa, insistindo em condenar os réus através da opinião publica os advogados de defesa estão utilizando os artifícios legais e morais que lhes são conferidos.

O que dizer dos sucessivos pedidos de prisão preventiva do Ministério Público para atender aos anseios da imprensa brasileira que TODAS as vezes foram derrubados, massacrados e execrados pelos tribunais superiores, cujo comprometimento é tão somente com a justiça, e não com a opinião publica.

Culpados ou não, deve ser garantido o livre, amplo e irrestrito direito de defesa, principalmente no que concerne à observância do procedimento legal aplicável ao caso.

O que não se pode tolerar é a imprensa - cujo único escrúpulo é a manchete do jornal ou revista do dia seguinte - pressionar a opinião pública e fazer de marionete o Ministério Público para atender seus falsos anseios de justiça a qualquer preço!

caiçara disse:
05 de junho de 2006 às 17:21

Andou mal das pernas o Nobre Presidente do Tribunal do Juri neste caso. A manobra da defesa, que por juristas mais éticos pode e deve ser determinada como chicana, é puramente procrastinatória e deveria ser punida. Visa ganhar tempo e dificultar a aplicação da Lei Penal, logo, ao adiamento da sessão deveria ser conciliado o recolhimento cautelar da ré em estabelecimento prisional, a fim de que não se deixe essa "sensação de impunidade" à sociedade. A ordem pública já está maculada, afinal, a ré é confessa de tramar o homicídio de seus pais e continua em "liberdade". Logo, presentes os fundamentos (garantia da aplicação da Lei Penal e da ordem pública) Suzane deveria ter rumado diretamente para a penitênciária. São essas manobras, tão reverênciadas por rábulas de ocasião, que trazem a sensação de impunidade à sociedade. Depois não reclamem eventual recrudescimento ao tratamento policial e legal de "seus clientes", afinal, nenhum dos advogados que defendem a postura patética dos "colegas" defensores de Suzane quer o julgamento, ou a aplicação da Justiça. Todos querem só ganhar tempo e "enganar a lei", ao passo que a sociedade está, cada vez mais, a clamar por penas mais adequadas às infâmias praticadas pelos criminosos. Hoje a Justiça perdeu mais uma vez em terras tupiniquins.

Comentarista disse:
05 de junho de 2006 às 17:24

O desespero parece ter tomado conta da acusação, pois tudo que ela faz sai pela culatra.

Primeiro, serviu de massa de manobra da Rede Globo, requerendo a prisão da jovem por ter mentido ao Fantástico (como se isso fosse tipificado penalmente no país).

Depois, viu o julgamento sendo legalmente desmembrado e adiado.

Isso tudo chega a ser cômico...

Isso sem falar que ainda hoje havia desembargadores septagenários participando de programas televisivos ao vivo e, dentre outras, insinuando que os advogados dos irmãos Cravinhos não teriam comparecido ao plenário por "medo" de fazê-lo (sic).

Ou seja, a situação é realmente preocupante, mas para a acusação, que, na busca desesperada pelos holofotes da mídia, está sendo ridicularizada pela defesa e, caso não mude sua "estratégia" midiática, ainda vai "apanhar" muito dela (defesa)...

Mas como tudo tem seu lado positivo, este episódio vai servir como uma lição para a acusação, que - mesmo pela dor - vai aprender a respeitar a dignidade de quem está sendo julgado e não tentar usar a mídia como peça processual, pois os únicos que perdem com isso é ela mesma (a acusação), que acaba sendo ridicularizada em cadeia nacional.

Esta é, data vênia, a minha opinião.

Um abraço a todos.

Rossi Vieira disse:
05 de junho de 2006 às 17:24

Por essas e outras fui favorável a transmissão, ao vivo, pela mídia falada e filmada. Estamos em pleno século XXI e a sociedade precisava ver a atuação dos personagens desse julgamento: O juiz, o promotor público e a defesa. Evidentemente a defesa agiu com corretíssima atuação nesse plenário do Júri. A sociedade tinha o direito de ver isso. Muitos Júris são suspensos por igual condições. Faz parte do devido processo legal. Regra é regra e não se pode esquecer o processo penal, especialmente quando a acusação é voraz somente no direito penal.

Otávio Augusto Rossi Vieira, 39
advogado criminal em São Paulo.

Rossi Vieira disse:
05 de junho de 2006 às 17:26

Nessa eu concordo com o Comentarista. Assino.

Otavio

caiçara disse:
05 de junho de 2006 às 17:38

Nossa! A imagem que ficou foi realmente essa? A Defesa ganhou? Ao que parece o Comentarista e o Dr. Rossi estão cometendo um "pequeno erro de leitura" dos fatos. Para o "cidadão comum", votante, o que ficou foi a sensação de que os advogados dos réus "correram da briga"....Ah, também ficou a sensação de impunidade que reina no país, aonde uma parricida confessa, diga-se de passagem, permanece em liberdade por meio de chicanas (advogado que falta, ou se ausenta do Tribunal, foge da raia sim senhores) Ficou também a impressão de que o Juiz é despreparado, pois já deveria ter selecionado um defensor público, esperando essa espécie de "estratégia defensiva" e deveria, ao final, ter recolhido a ré em penitênciária, afinal, foram, seus advogados que obstruiram a sessão e impediram a aplicação de Lei Penal. Repito, isso só me causa risos, afinal, conforme vai crescendo na sociedade a sensação de impunidade, gerada principalmente pelo bando de laxistas que cerca nosso Direito, maiores são as chances de voltarmos, até pelo voto, aos "bons tempos" da verdadeira repressão e de penas mais duras.

------- disse:
05 de junho de 2006 às 18:38

LUIZ COSTA - Deixei de comentar na Conjur em vista do baixo nível e do primarismo dos comentários. Evidente que tem aqueles advogados que fazem jus à profissão, mas outros, pelo amor de Deus!!! Com advogados como o Caiçara, não precisa de Promotoria Pública! A Constituição Federal estabelece que é amplo o direito de defesa...ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença condenatória (inc. LVII, art. 5º). Quem deu a prisão domiciliar à ré foi o STJ, só ele pode revogá-la!!! Os réus têm advogados constituídos, portanto, a hipótese do comentador de designar defensor dativo determinaria a anulação do julgamento, por falta de defesa, em vista de que o defensor dativo, na circunstância comentada, não poderia praticar a defesa, por falta de condições de conhecimento das provas dos autos! Ainda bem que o juiz não fez o que o comentador queria...Esse comentador!!! Poderia ser um comendador, ou não??? Vamos deixar o caiçara no lugar dele, ou não???

------- disse:
05 de junho de 2006 às 18:48

LUIZ COSTA - Desculpem, voltei porque não tinha visto o comentário da dra. Luciane.É um primor! Eu dissera que não fazia mais comentário na Conjur, por causa do baixo nível das discussões. Arrependo-me. Aqui neste espaço de discussão, a gente cresce! Rá!

Kehdi disse:
05 de junho de 2006 às 19:28

bom, em minha modesta opiniao, com todo o devido respeito, ela deveria mesmo ter sido recolhida, sem duvida, mas no caso dos advogados seremd destituidos, seria mais uma protelacao do processo'.. e no caso se eles protelarem isso por mais um ano seria extinta a punibilidade??

perdao pela "leiguice" no assunto.

Rossi Vieira disse:
05 de junho de 2006 às 19:31

Caiçara: se correr da briga é fazer sustentar o princípio sagrado da defesa e defesa ampla, sim, entendo como você.Como não sou caiçara, disputo a minha opinião em público com quem quer que seja. Saudações Caiçara.

Otavio Augusto Rossi Vieira, 39
advogado criminal em São Paulo

Paulo Henrique M. de Oliveira - Criminalista disse:
05 de junho de 2006 às 19:37

Os comentários desairosos em relação à brilhante atuação de todos os defensores só podem indicar que não partem de verdadeiros advogados. E se forem advogados, certamente não são afeitos às coisas do devido processo penal.

Juiz e Promotor parecem estar esquecendo de sua nobilíssima função pública e estão cedendo à pressão dos meios de comunicação. Isto, sim, é que é deplorável.

O adiamento de julgamento por ausência de testemunhas arroladas em caráter de imprescindibilidade acontece todos os dias, várias vezes ao dia, em todos os tribunais de júri do país inteiro. A diferença é que nos outros casos não há apelo de jornais e televisões ansiosos por fabricarem o escândalo.

Conheço pessoalmente o promotor Tardelli, o assistente de acusação Toron, os advogados Mario de Oliveira Filho, Mário Sérgio de Oliveira, Mauro Octávio Nacif e Geraldo Jabur e sei do brilhantismo que caracteriza todos eles.

Só não conheço pessoalmente o juiz do caso, mas, a julgar apenas pelo que li a respeito, parece que Sua Excelência não foi feliz na condução do episódio. Mesmo contrariado, se ele tivesse adiado de pronto o julgamento, não teria dado ensejo a tanta - e desnecessária - polêmica.

Minha irrestrita solidariedade e minhas mais efusivas congratulações aos nobres advogados, exemplo de dignidade e altivez que deveriam caracterizar todos os colegas.

É o que, respeitosamente, penso a respeito.

Paulo Henrique M. de Oliveira
ADVOGADO

Comentarista disse:
05 de junho de 2006 às 19:56

Que a defesa saiu vitoriosa do episódio não há dúvidas, pois o júri foi - de fato - desmembrado e adiado; e como todos sabemos, contra fatos não há argumentos...

Mas o mais engraçado mesmo foi assistir aos "desdobramentos" do circo:

- 45 emissoras de TV e rádio, de plantão há horas no local, não se conformavam com a notícia do adiamento do júri.

- Testemunhas de acusação (inclusive algumas que serviram como "peritos" no processo) davam "entrevistas" a emissoras de TV, dizendo que a Suzane era culpada, "mentora intelectual" do crime, etc, etc e tal.

- Vigias de supermercados, em horário de folga, davam verdadeiros "pareceres jurídicos" sobre o caso, sempre concluindo pela condenação dos acusados.

- Alguns advogados da área cível, sorteados pelo TJ para assistirem ao julgamento, davam entrevistas a redes de TV dizendo que "esperavam por justiça" (leia-se, obviamente, a condenação de Suzane).

- O promotor, como sempre rodeado de repórteres, dava entrevistas indignado, acusando a defesa de ter "debochado" da justiça, etc, etc e tal.

Apesar da fúria coletiva, o espetáculo não ocorreu, deixando os justiceiros de plantão totalmente desnorteados pela pitoresca "tentativa" de julgamento.

Diante disso tudo, perguntar não ofende: Nesse episódio todo (quase circense) houve algum "palhaço"?

Se houve, obviamente não foi a defesa e muito menos o povo (como pregaram alguns), que apenas assistiu de camarote (em suas poltronas e em frente aos seus aparelhos de TV) a um fato corriqueiro da justiça nacional, que é o adiamento de um plenário do júri.

Por fim, repita-se!, o mais proveitoso de tudo isso foi a veradeira lição experimentada pela acusação, que - talvez - aprenda de uma vez por todas, com este episódio, que a mídia não faz parte do processo (ou ao menos não deveria fazê-lo).

Esta é, data vênia, a minha opinião.

MUDABRASIL disse:
05 de junho de 2006 às 20:16

Alguns aqui parecem atacar a mídia como se fosse ela, noticiando o fato, a culpada pela morte do casal. O envolvimento da Rede Globo no caso e que levou Suzane de volta à cadeia foi obra de seus advogados, não dos jornalistas.
Eu continuo acreditando na imprensa livre, que noticia o que as pessoas querem saber. Se assim não fosse, este tema não renderia tantos comentários.
Outros acreditam que ser advogado é compactuar com chicanas e manobras escusas de "colegas". Primeiramente, não podemos esquecer que há um famoso advogado assistente de acusação. E basta ver a reação das pessoas nas ruas para ver quanto tais manobras contribuem para o descrédito da advocacia de modo geral. Basta sair do mundinho corporativista e ver que a "vitória" que alguns cantam nada tem de real.Em "sites" e "blogs" não jurídicos, consultem a opinião popular e se verá o quanto tais condutas fazem mal à advocacia. A ética e os valores jamais devem ser esquecidos.

glauco disse:
05 de junho de 2006 às 20:20

Detalhes técnicos a parte. A bem da verdade toda essa badalação em torno desse caso, sinceramente, já passou dos limites. Reflito a respeito do tratamento reservado a nós advogados por conta dessa pirotecnia.

Expectador disse:
05 de junho de 2006 às 20:50

O caso, por todas as suas circunstâncias, desperta interesse, até mórbido. Natural que a imprensa tenha se interessado; criticável, contudo, a exploração indevida por parte dos veículos de comunicação, na ânsia de mostrar um circo romano ao povo. Não se critique somente a Rede Globo, já que TODOS os órgãos de imprensa deram aos fatos o mesmo destaque, com a diferença da maior penetração da Globo. Por outro lado, acusação e defesa vêm realizando verdadeiro julgamento antecipado e público do caso, valendo-se da imprensa para expor suas teses e os dados que lhes convêm, por meio de entrevistas previamente agendadas. Acusação e defesa não são vítimas da imprensa: são todos cúmplices, que se agridem quando algo lhes desagrada. Pobre da ÉTICA, essa ignorada entre nós, há muito tempo ...

Comentarista disse:
05 de junho de 2006 às 21:19

Muitos evocam o povo para clamarem por justiça...

Dizem que o povo está "indignado" (sic).

Ah...O povo indignado, sempre o povo...

Mas esse povo é velho conhecido da história.

Que tal refrescarmos a memória com a "sabedoria" do povo?

Pois vamos lá:

- O povo indignado destruiu a Escola Base, cujos inocentes proprietários apenas não foram linchados por que conseguiram fugir a tempo.

- O povo elegeu Hitler através do voto.

- O povo, há séculos atrás, lotava os estádios romanos para assistirem os cristão serem mortos.

- O povo, durante a inquisição, queimou pessoas vivas.

- O povo absolveu Barrabás e condenou o Senhor Jesus Cristo à morte.

- O povo brasileiro, na sua grande maioria, tem a televisão como única fonte de informação.

- Por este mesmo motivo (anterior), o povo crê que mentir para o Fantástico é crime!

- O povo elegeu democraticamente o picolézinho de chuchu, que levou o Estado de SP à situação que se encontra hoje.

- Em recente pesquisa de opinião pública, a grande maioria do povo respondeu que considerava normal tirar proveito próprio do exercício de algum cargo público ou eletivo.

- O povo brasileiro é a matéria-prima de nossa polícia, nossos políticos e nossos homens públicos em geral.

Por essas e outras é que, velha ou não, a verdade ainda é a mesma, ou seja: "Cada povo tem o governo que merece".

E é justamente esse povo que está "indignado" com o caso Ritchofen!

Isso tudo é deprimente...

Com a palavra, as viuvinhas do povo.

Literalmente!

Comentarista disse:
05 de junho de 2006 às 22:14

Caro Superzémanénanet, né! (Advogado Sócio de Escritório),

No meio de tanta insanidade e estrabismo, seu comentário é um verdadeiro alento de sabedoria.

Isso é confortante, pois nos dá a certeza de que nem todos os profissionais do direito foram afetados pela cegueira da razão e do bom senso.

Aliás, o conhecimento da legislação (principalmente a processual) deveria ser o dever de todos, mas parece que infelizmente não é assim...

Parabéns!

Michael Crichton disse:
05 de junho de 2006 às 23:59

Quantos júris já fizeram os "especialistas" que comentaram antes? Como escrevente, já participei de mais de cem e posso dizer: adiamento de plenário em caso grave é o mais comum, sempre. Os problemas são, nesse caso: a) o promotor, que não cansa de falar besteira; b) a mídia, ansiosa por "justiça" e para desmoralizar o Poder Judiciário. Justiça será feita, tenham certeza.

Dijalma Lacerda disse:
06 de junho de 2006 às 09:17

Dijalma Lacerda - Pres. OAB/Campinas/Cosmópolis/Paulínia/SP.

É um absurdo o que vêm fazendo conosco, e isto não é de agora. Somos sim, e concordo plenamente, o saco de pancadas, não raro, de alguns juízes e promotores mal preparados no sentido filosófico - e axiológico principalmente - do diuturno e sagrado exercício da luta em busca do Direito e da Justiça. Esse pessoal, que infelizmente ganha na imprensa foros de notoriedade muito mais pelo cargo que ocupa do que pelo saber jurídico, espezinha sistemática e vorazmente a nossa classe, metendo o dedo indicador na nossa cara, como se fôssemos os culpados por toda a crise pela qual passa a "Justiça" em nosso país.
Esquece-se, esse pessoal, que nós constituímos a legitimação de uma Justiça melhor prestada e (desculpem-me o pleonasmo), "mais justa" !
Fala bobagem esse pessoal, "abóbrinha" como se diz na gíria, e bobagem que tem amiúde sérias conseqüências, porque o espectro de atuação na divulgação delas é imenso. Vocês viram o que o Juiz do caso da Suzane falou? Nossa !!! Você viu o que o Promotor do caso da Suzane falou? Nossa !!! Você viu, deu na Globo tal coisa assim-assado !! Você viu, o Estadão trouxe tal coisa assim-assado! Enfim, somos nós Advogados, hoje, na boca desse pessoal, o bode espiatório de uma Justiça mal prestada, lenta, e não raro de péssima qualidade, já que o número de juízes é reduzido e a magistratura hoje, de um modo geral e dadas as atribuições paralelas (eleitoral, aulas, corregedoria, etc. etc.) não tem mais tempo para estudar. Esse pessoal atua como aquele gigante que batia no peito e exibia braços fortes, mas esqueceu-se dos próprios pés, não conseguindo sair do lugar e sendo abatido por pigmeus.
Ora, é chegada a hora de nós resgatarmos o verdadeiro lugar que nos é reservado na agridoce luta pela consecução da Justiça, aquilo que a letra da Lei ( e da Constituição Federal) diz e que acaba ficando só no papel, isto é, que somos indispensáveis à administração da Justiça, Somos indispensáveis sim, porém do jeito que eles querem, pouco importa o que a Lei diga. Há Advogado preso há praticamente setenta dias, em cela comum no meio de condenados, e a nossa Magistratura dormita em berço esplêndido em cima de hábeas-corpus por nós impetrado, sem julgamento e sem no mínimo ao menos R E P E T I R o que a Lei diz, isto é, que ele tem direito a Sala de Estado Maior ou, na falta, a prisão domiciliar, como disse recentemente o STF. Desde o encerramento da rebelião, os Advogados estão impedidos de falar com presos no complexo penitenciário Campinas/Hortolândia, e a OAB, tendo ingressado com um Mandado de Segurança, não teve até agora o anteparo jurisdicional.
Só tem um jeito de se consertar, ou melhor, de se procurar consertar alguma coisa, é nós lutarmos com todas as forças e de todas as formas para que se tome como C R I M E o aviltamento a prerrogativas de Advogado, e com apenamento sério, enérgico.
Ora, foi só a nossa Lei 8906/94 estabelecer-nos prerrogativas, como por exemplo aquele de não ocorrência de desacato, que esse pessoal se uniu e, de forma organizada, posicionou-se contra nós, batendo às portas do Supremo. O que estamos esperando para desfraldar a bandeira da luta e buscarmos o que nos pertence?
Com a palavra, os Conselhos Estaduais e o Conselho Federal da OAB.

Dijalma Lacerda.

Ortolani disse:
06 de junho de 2006 às 12:02

Definitivamente, como bem disse o Dr. Luiz Costa, é simplesmente deprimente alguns comentários que são inseridos nesta revista eletrônica.

São raros, pouquíssimos, os profissionais realmente conhecedores do Direito e que comentam por aqui.

Este é o resultado da proliferação dos cursos de Direito no Brasil, onde conseguem formar profissionais que têm o desplante de afirmar que as atitudes dos advogados são manobras nefastas em defesa de assassinos confessos.

Pelo amor de Deus, o que houve foi apenas um adiamento e nada mais. Por exemplo, no próprio Tribunal do Júri localizado na Barra Funda, todos os dias, sem exceção, os julgamentos são adiados.

Querem mais! Diversos plenários que eu já participei foram adiados a pedido do Ministério Público e sabem por quê. Porque uma testemunha que eles arrolaram não compareceu. Mas como é o Ministério Público, ah, aí pode. O que não pode é a defesa pedir o adiamento, pois é manobra, é chicana.

Não comparecer ao plenário porque não houve possibilidade de conversar com o cliente reservadamente. Para que. Eles já confessaram (aliás já foram condenados). Só faltou dizer que o advogado teria condições de conversar com eles pouco antes, lá no fórum mesmo, afinal de contas, são apenas 2.000 páginas para se discutir e apenas 20 minutos é mais do que suficiente para acertar detalhes técnicos de uma defesa tão simples.

Agora, absurdo mesmo é abandonar o plenário, como fizeram os advogados da Suzane. Que absurdo é este. Só esquecem, ou não entendem porcaria nenhuma, que inúmeras vezes é o Promotor de Justiça que abandona o plenário, principalmente quando percebe que o advogado está aniquilando totalmente a sua tese defensiva e, o que fazer, vou embora.

Mas é verdade, o promotor pode, quem não pode é a defesa.

Parabéns aos advogados, em especial ao meu amigo Mauro Octávio Nacif pela exemplar e brilhante aula de Direito e como se deve defender um acusado, seja ele quem for.

Só não concordo com ele quando diz que a Suzane é mais bonita que a Ana Hickman, mas definitivamente o que o povo quer é sangue e ver uma jovem bela, de família rica, ser massacrada.

Por quê, então, a mídia e os críticos, não comparecem, por exemplo, no 3º Tribunal do Júri, em Santo Amaro, para acompanhar um processo de chacina, onde matam-se 05, 06 pessoas, totalmente inocentes, apenas para não servirem de testemunha de uma execução sumária. Ah, muitas vezes matam-se crianças e idosos.

Talvez porque os assassinos são traficantes, bandidos perigosos, residentes na periferia de São Paulo.

Parabéns aos advogados, mais uma vez.

Marcelo Ortolani Cardoso
advogado criminalista

EBASTOS disse:
06 de junho de 2006 às 14:31

Frustração? A mídia e todos aqueles que mais parecem estação retrasmissora dos comentários feito pelos jornalistas - princialmente nas "caras e bocas" que fazem quando noticiam fatos relacionados ao caso de Suzane - estavam prontos NÃO para alarmar que "aqui no Brasil se faz justiça, recebendo o condenado a exata pena que merece", e, sim, para aproveitar o episódio, transformá-lo em mega espetáculo e soltar fogos que se uniriam aos fogos da copa, completando a política do pão e circo que estamos acostumados a ver pelo país afora. Com o julgamento adiado para julho, talvez aproveitem a conquista do hexa para amarrar o julgamento de suzane num foguete de são joão, explodindo-o no ar, formando figuras e alegorias em cores jamais vistas.

Luís da Velosa disse:
07 de junho de 2006 às 04:11

Dom Evaristo Arns dizia, que no lugar onde houvesse um homem haveria luta pelo poder. E é verdade. Toda essas macaquices que presenciamos, não passa de uma mísersa luta pelo poder. Discutem a importância de uma testemunha, de antemão sabendo-se que de importante ela nada detém. ois é, os juris continuam uma grande armação. Geralmente é parcial e não ajuda a fazar justiça!

Andrade Filho disse:
07 de junho de 2006 às 05:06

Andrade Filho (Advogado Autônomo 07/06/2006 - 04:59
O agente de Estado, indicado para se viabilizar como fiel da balanca, náo esta` acima da legalidade. O desrespeito aos principios da dignidade do defensor privado, pelo magistrado, tal agente, e nesta mesma linha se conduzindo o outro agente de Estado, representante do MP, nao encontra nenhum respaldo pertinente nos anais da legalidade. Considerando estes comportamentos desrespeitosos, como afastar a iracibilidade de tais agentes nas proximas sessoes do Juri, ainda mais que o populacho encontra compatibilidade com tais tendencias inescrupulosas, o que servira` ao clamor publico reversamente indevido ou improprio, e certamente influenciara` os Jurados, o que nao e`correto dentro do principio da total isencao, o que servira` de motivacao para recurso anulador. Estes aspectos sao concretos e servem para caracterizar a suspeicao dos agentes publicos envolvidos, afastando-os das proximas sessoes de Juri. adv.andradefilho@terra.com.br

irado ms disse:
07 de junho de 2006 às 19:32

Existem certas coisas em nossa justiça que realmente são dificeis de engolir.No caso do adiamento do julgamento desta assassina de nome Suzane ouve um bate boca entre o juíz e um dos advogados de defesa.Queria saber o motivo pelo qual o juíz com sua autoridade não deu voz de prisão em fragante por desacato?Aposto que se fosse um pobre ser da vida estaria preso,e bota preso nisso!!A nossa justiça não é igualitária de maneira nenhuma,serve apenas para alguns.Nos pobres é que podemos facilmente ser presos e condenados.

Você precisa estar logado para enviar um comentário.