Acusação de extorsão

Justiça aceita denúncia contra advogado e policiais

A Justiça paulista recebeu, na quarta-feira (7/11), denúncia contra seis pessoas. Entre elas, quatros policiais civis lotados no Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado (Deic) e um advogado. Eles são acusados de extorsão. A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público no dia 27 de outubro.

Foi determinada a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos acusados, desde 2004. A Justiça determinou, ainda, que a Polícia envie cópia da transcrição das interceptações telefônicas realizadas na fase do inquérito policial. As informações serão mantidas sob sigilo, em pasta própria, com consulta restrita às partes e seus procuradores. A OAB receberá uma cópia da denúncia para que indique membro da Comissão de Prerrogativas para acompanhar o caso e defender o advogado Isaac Araújo.

O processo vai tramitar na 11ª Vara Criminal Central de São Paulo, no Fórum da Barra Funda. O Ministério Público pediu o afastamento do chefe dos investigadores da equipe Apolo 31, da Delegacia de Roubos e Extorsões.

De acordo com a denúncia, os policiais exigiam dinheiro de comerciantes que estavam sendo investigados por participar de roubos de condomínios de luxo e usar postos de gasolina como fachada para lavagem de dinheiro para a facção criminosa que comandou ataques terroristas em São Paulo.

Nas ações criminosas os policiais contavam com a ajuda de um advogado e de um preposto que é amigo do chefe dos investigadores, segundo a denúncia. Os seis são acusados de extorquir o dono de um posto de gasolina.

As investigações

A denúncia foi baseada em investigação feita entre abril e maio do ano passado. Os seis agiram juntos para ameaçar dois comerciantes, de acordo com o MP.

Eles tentavam conseguir de um deles a quantia de R$ 200 mil, que mais tarde passou a ser de US$ 200 mil. Os policiais, de acordo com a denúncia, ameaçavam as vítimas dizendo que, caso o valor não fosse pago, teriam a prisão pedida à Justiça. As ameaças começaram depois que os réus descobriram que o comerciante vendera um de seus postos de gasolina por R$ 600 mil.

Os policiais investigavam um mega roubo a um condomínio na Moema, em novembro de 2004, quando descobriram, por meio de escutas telefônicas, que dois homens identificados com codinomes seriam os donos de postos alvos da extorsão.

Os dois teriam negócios com bandidos que roubaram o condomínio e deviam dinheiro a eles. Os policiais entraram em contato com o advogado, que defendia um dos empresários e passou a intermediar a negociação. Foram feitos dois encontros – um numa pizzaria no Belém e outro no Pari, segundo a denúncia. Nesse último, a conversa foi gravada e a queixa prestada ao Departamento de Inquéritos Policais (Dipo).

Fernando Porfírio

é repórter da revista Consultor Jurídico

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