Inocente, mãe ainda responde pela morte da filha

Um ano depois de comprovar que não matou a própria filha, Daniele Toledo do Prado, de 22 anos, continua respondendo pelo crime de homicídio duplamente qualificado com overdose de cocaína. “A Justiça é rápida para errar e lenta pra corrigir o erro”, desabafa a jovem, revoltada com a demora do processo e com a acusação. A reportagem é da jornalista Simone Menocchi, do jornal O Estado de S. Paulo.

Daniele ficou presa por 37 dias, acusada de matar a filha Victória Maria do Prado Carvalho, de 1 ano e 3 meses, no dia 29 de outubro do ano passado, com cocaína na mamadeira. A suspeita foi levantada por uma enfermeira e uma médica do Pronto Socorro Municipal de Taubaté, no Vale do Paraíba, onde a criança havia sido internada com convulsões.

Naquele dia, um exame preliminar feito com um teste rápido na mamadeira apontou a existência do entorpecente. Presa em flagrante, Daniele foi jogada em uma cela com outras 19 detentas da cadeia de Pindamonhangaba. Ali mesmo foi “julgada” e “punida”. Em conseqüência das agressões, perdeu 95% da visão no olho direito e parte da audição.“Furaram meu ouvido com caneta, me chutaram, me bateram muito.”

Três exames definitivos mostraram, na época, que não havia nenhum resíduo de cocaína na mamadeira e a Justiça decidiu libertar Daniele por falta de provas. Mais tarde, exames das vísceras do bebê, também comprovaram a inexistência da droga.

Mesmo assim, o Ministério Público manteve a acusação. A advogada Gladiwa de Almeida Ribeiro não descarta a possibilidade de Daniela ir a júri popular. Segundo a advogada, o MP poderia ter feito um aditamento modificando a denúncia. “Pedimos o encerramento do processo, mas o Tribunal de Justiça negou, alegando que Daniele não sofre constrangimentos”, disse Gladiwa. A Justiça ainda não sabe a causa da morte da menina e por este motivo mantém a acusação.

Aos três meses de idade Victória começou apresentar crises convulsivas e daí em diante as internações se tornaram rotineiras. Dias antes de morrer havia ficado 25 dias internada no Hospital Universitário de Taubaté, em tratamento. Foi nessa época que Daniele denunciou um estudante do curso de Medicina da Universidade de Taubaté de estupro, em 8 de outubro. Exames de corpo de delito comprovaram o abuso sexual e até hoje o crime está sendo investigado. “Deve ocorrer em breve a reconstituição desse crime.”

Daniele está em liberdade provisória, mas sai raramente de casa. Ela tentou pedir emprego, mas não conseguiu: “Tenho medo da reação das pessoas quando me olham, de lidar com o público e as pessoas ficarem me apontando, como ainda acontece”, diz. “Eu me sinto aprisionada, revoltada. Não confio na Justiça.”

Luismar disse:
27 de outubro de 2007 às 13:37

Pois é.
E quem vai pagar?

Daniel P. Almeida disse:
27 de outubro de 2007 às 18:15

Tái! mais um caso que mostra o Retrato do Brasil. Éta! Meu Brasilsão!!!
Políticos corruptos tem seus processos arquivados pela justiça com uma rapidez sem tamanho.... O Sr. Paulo Maluf bate no peito e diz: "eu não tenho nenhum processo com transito em julgado, por isso sou inocente".
O promotor bebado atropela e mata três Pessoas (um homem, uma mulher e uma CRIANÇA), e não pode ser preso em flagrante. O outro promotor mata um rapaz desarmado a tiros, e alega legítima defesa. O Ministro Maurício diz que é direito constitucional do réu (Caciola) fugir do país. etc, etc.

Agora, essa mulher Daniele que é inocente comprovadamente, mas o Tribunal de Justiça diz que não há constragimento em responder ao processo penal.
São dois pesos e duas medidas...

José Henrique disse:
27 de outubro de 2007 às 22:18

Essa senhora, assistida por um bom advogado, deveria processar a pessoa que fez o teste de entorpecente e o fabricante do teste solidariamente. Se um não errou então foi o outro. E o Estado pela lerdeza e cegueira (já que não há nenhum poderoso ou rico na história).

Marcelo Bona disse:
29 de outubro de 2007 às 14:35

As vezes é melhor ficar calado, mas, a omissão é a pior das atitudes!
Enquanto isso, um covarde atira pelas costa de uma mulher, um procurador que mata a mulher com um filho no ventre vagueiam desfrutando destas atitudes JURÍDICAS!PESSOAS COM NÍVEL SUPERIOR, ESTUDADAAASS!
TENHA FORÇA SENHORA! O QUE NÃO DEVE ESTAR SENDO FÁCIL! MAS, SIGA O QUE O SRº JOSÉ HENRIQUE, LOGO AI ABAIXO ESTÁ LHE ORIENTANDO, PORQUE, PASSAR O QUE ESTÁS PASSANDO, O RESTO É MOLEZA!

Jesiel Nascimento disse:
30 de outubro de 2007 às 18:35

“A Justiça é rápida para errar e lenta pra corrigir o erro”
Essa é a sintese de nossa Justiça.
Pior ainda é que o juiz pode (quase que numa declaração cínica) absolver por falta de provas e com isso impossibilitar a indenização daquela pobre mulher.

Sandra Paulino disse:
02 de novembro de 2007 às 14:15

Caro José Henrique, creio que vc não saiba que há, sim, gente poderosa envolvida nessa história. O pior: ninguém, até agora, se interessou em investigar melhor o que de fato ocorreu. Seja como for que termine o caso, uma coisa é certa: a pobre Daniele JAMAIS terá de volta sua filhinha. Que vergonha, meu Deus, que vergonha, essa 'justissa', cujos 'aussiliares' escondem e manipulam a verdade. E então eu pergunto: o que se pode fazer? E respondo: PODEMOS USAR ESSE SITE AQUI E AGORA, PARA COBRAR INCESSANTEMENTE, POSTURA DAS AUTORIDADES DO CASO. Alguém me acompanha? Colo a seguir, pedindo licença, manifestação do leitor PAVESI, com a qual concordo inteiramente, em dezembro do ano passado e também a notícia publicada na Conjur.

Sandra Paulino disse:
02 de novembro de 2007 às 14:16

Pavesi (Consultor 14/12/2006 - 11:35
Lamentável. Vejo ainda que nesta coluna, o óbvio não está sendo considerado.

Em primeiro lugar, a imprensa não é culpada por divulgar. Chamaram a imprensa e deram à ela as coordenadas: "Esta mãe matou a própria filha colocando cocaína na mamadeira". Discordo que a imprensa deva investigar, pois a imprensa não tem este papel. O papel da imprensa é divulgar. Também foi assim com a escola de base. A imprensa noticiou o que foi divulgado e ponto.

Me incomoda novamente e mais uma vez, que os verdadeiros culpados estão sendo protegidos. Reparem que a mãe do bebê foi ESTUPRADA por um MÉDICO.

Em seguida, ao denunciar o fato e comprová-lo através de laudos, a mãe foi acusada por um MÉDICO de ter matado a própria filha. A mãe foi jogada aos leões, tendo como base de acusação bastando apenas a afirmação de um médico que garantia ser cocaína o pó branco. Depois disseram que foi devido a um laudo preliminar? Laudo preliminar? O que é um Laudo Preliminar? Um perito estudo e avalia o caso e fornece um laudo preliminar?

Ora, laudo preliminar não existe. Enquanto a mãe foi jogada numa cela para ser espancada o inquérito aberto para apurar o estupro sofrido, corria sob sigilo de justiça para que o MÉDICO acusado não tivesse a identidade injustamente revelada, pois pertence a uma família tradicional e importante da região.

Me admira o nível que a sociedade brasileira está chegando. É tão absurdo o que está acontecendo neste país! Quem tem poder faz o que quer, e quem não tem é jogado aos leões.

Até quando?

A mãe foi estuprada por um MÉDICO, depois acusada por um MÉDICO, não pode ir ao enterro da própria filha, foi espancada até perder a consciência e ainda hoje o nome do MÉDICO estuprador está sendo protegido?

A justiça deste país é uma piada.

Enquanto isso, as contas de Lula, cujo dinheiro (dólares) deve ter corrido por várias cuecas por ai, estão sendo aprovadas - com ressalvas, mas diversas declarações de imposto de renda, foram rejeitadas sem ressalvas, sem chances ao contribuinte que pode ser acusado de SONEGADOR por não ter declarado alguma renda.

Finalizando, o Observatório da Imprensa fez o mesmo com o caso do meu filho assassinado em 2000 por médicos transplantistas para fins de tráfico de órgãos. O Observatório afirmou através de um jornalista muito amigo do assassino, que tudo foi um ledo engano. O caso acabou em CPI FEDERAL e o médico responde até hoje por homicídio doloso. Agora, a minha denúncia vai à OEA, pois no Brasil,o poder tomou conta da justiça.

Sandra Paulino disse:
02 de novembro de 2007 às 14:42

Para aqueles que quiserem ler a notícia publicada no site na época:

http://conjur.estadao.com.br/static/text/51031,1

Alguns comentários do incomparável jornalista Carlos Brickmann:

"Desafiando os ilustres

Detalhe importante: na semana anterior à morte do bebê, a mãe registrou queixa de estupro contra um médico-residente do hospital. Terá sua ousadia, de acusar um futuro-doutor, algo a ver com a tragédia que se abateu sobre ela, com a participação intensa das autoridades e da imprensa?

Pergunta que não se fez

Uma dúvida que deveria ter levado os jornalistas a desconfiar do caso: por que matar um bebê com cocaína, que é cara e deixa traços? Se a mãe fosse viciada, por que desperdiçaria cocaína com o bebê, em vez de cheirá-la?"

UM ANO DEPOIS DESSA DESGRAÇA TODA, PERGUNTO: ONDE ESTÁ A VERDADE SOBRE A MAMADEIRA QUE NÃO TINHA COCAÍNA?

Você precisa estar logado para enviar um comentário.