Dierle Nunes

é professor da UFMG e da PUC-Minas, membro honorário da Associação Iberoamericana de Direito e Inteligência Artificial, diretor do Instituto Direito e Inteligência Artificial (Ideia) e doutor em Direito pela PUC-Minas/Universitá degli Studi di Roma "La Sapienza".

O jurista que parou de tentar: governança da IA agêntica no Direito

Em artigo anterior, sustentamos que os designs dos sistemas de inteligência artificial não são neutros e que a integridade do raciocínio jurídico depende de fricções cognitivas calibradas às diferentes fases do trabalho. A premissa era que quando o jurista interage com uma IA generativa, a interface corretamente desenhada poderia retardar a adesão automática, exigir revisão […]

IA e processo judicial: entre a fraude invisível e o erro no caso do prompt injection no TRT-8

A incorporação de sistemas de inteligência artificial generativa no funcionamento cotidiano do Judiciário brasileiro é uma realidade em expansão. [1] Ferramentas como o sistema Galileu, utilizadas no âmbito da Justiça do Trabalho, passam a desempenhar funções relevantes no apoio à atividade jurisdicional, seja na organização de informações, seja na elaboração de minutas decisórias. [2] Para […]

O jurista que parou de tentar: IA, dependência cognitiva e como o design importa

A literatura especializada vem demonstrando há algum tempo [1] que o design dos sistemas de IA não é neutro, mas estruturado para maximizar engajamento, fluidez e adesão do usuário, muitas vezes por meio de mecanismos como a bajulação algorítmica, que validam respostas e reforçam percepções. O problema é que esse mesmo design, ao facilitar excessivamente […]

Quando tudo vira precedente: IA, teses, ementas e a erosão da hierarquia decisória

Com o advento do CPC/2015, o Direito brasileiro passou a estruturar, de forma mais sistemática, um sistema de precedentes judiciais. Esse movimento, contudo, não replica o modelo clássico do common law, no qual os precedentes se formam e se aplicam por meio de uma prática argumentativa sofisticada; fundada em analogias e contra-analogias e enraizada na […]

Decisões sob influência: como o design da IA molda o julgamento sem aviso

Ao longo dos últimos anos, tornou-se evidente que a maior parte das interações humanas passou a ser mediada por ambientes digitais. Das relações de consumo às interações afetivas, [1] da busca por informação à própria organização do trabalho intelectual, essas dinâmicas são estruturadas por arquiteturas de escolha que operam de forma invisível, mas que influenciam […]

Decisão na Justiça Digital: design, produtividade e risco de empobrecimento cognitivo

A consolidação da Justiça Digital no Brasil [1] evidencia que a transformação em curso não é meramente instrumental, mas estrutural, afetando a própria racionalidade que sustenta a decisão judicial. O procedimento deixou de ser apenas um encadeamento normativo de atos [2] para se tornar um ambiente sociotécnico redesenhado, no qual interfaces, fluxos informacionais, métricas de […]

Shadow AI no Direito: o risco do uso da IA nas sombras

Tenho abordado [1] [2] os riscos que envolvem o uso indiscriminado e não supervisionado de inteligência artificial (IA) no Direito. O fenômeno, conhecido como Shadow AI, descreve o uso de ferramentas de IA sem o conhecimento, controle ou autorização formal das instituições [3]. Magnific Na prática, trata-se de magistrados, servidores ou advogados que recorrem a […]

Implantação da IA no Judiciário passa ao largo do debate público

A quarta edição da pesquisa Inteligência Artificial no Poder Judiciário Brasileiro, coordenada pelo ministro Luis Felipe Salomão e cientificamente por mim, publicada pela FGV Justiça em 2025, oferece um abrangente retrato já produzido sobre o uso da inteligência artificial (IA) e, mais recentemente, da inteligência artificial generativa (IAG) no sistema de Justiça brasileiro. O estudo […]

IA generativa no Judiciário: como evitar muito gasto e pouco resultado

A discussão sobre a adoção de inteligência artificial (IA) no setor público e, em especial, no Judiciário, tem sido marcada, de um lado, por um salto preocupante ao desconhecido, apontando e apostando nas grandes benesses de (supostos) ganhos de produtividade e, de outro, por uma ênfase quase exclusiva nos riscos e limitações tecnológicas, como o […]

Quando a IA ‘mente’ no tribunal: as limitações matemáticas que ameaçam a Justiça

“É necessário extremo cuidado antes de aplicar LLMs a problemas ou casos de uso que exijam precisão, ou à resolução de problemas de complexidade não trivial.” Sikka e Sikka Freepik Todos já ouviram falar das “alucinações” das inteligências artificiais (IAs) generativas. Aqui mesmo já falei delas algumas vezes [1]. No entanto, um novo estudo revela que […]