Guilherme Magalhães Martins

é professor associado de Direito Civil da Faculdade Nacional de Direito/UFRJ, professor permanente do programa de doutorado em Direito, Instituições e Negócios da UFF, pós-doutor em Direito da USP, doutor e mestre em Direito Civil pela Uerj, procurador de Justiça no MP-RJ, segundo vice-presidente do Instituto Brasilcon e diretor do Iberc.

Lente antidiscriminatória no Direito do Consumidor: interseção tardia e agenda propositiva

A Constituição da República de 1988 inaugurou um novo marco jurídico no enfrentamento de todas as formas de discriminações, com base na garantia da dignidade da pessoa humana no contexto da solidariedade social. Cuida-se de processo civilizatório tardio de emancipação do sujeito virtual para a pessoa concretamente considerada em suas múltiplas dimensões, que, sob o […]

Mera notificação digital ou negativação misteriosa? Uma análise trifásica

Em um julgamento de impacto nacional, o Superior Tribunal de Justiça detém a responsabilidade de estabelecer o rumo da proteção de dados e do acesso ao crédito no Brasil. A questão, submetida à sistemática dos recursos repetitivos e, portanto, com efeito vinculante para todas as instâncias judiciais do país, parece simples, mas é profundamente complexa: […]

Caiu um muro e não foi em Berlim: decisão do STF sobre Marco Civil da Internet

A análise das recentes teses emitidas pelo Supremo Tribunal Federal acerca do Marco Civil da Internet (MCI) [1] renova a necessidade de reflexão sobre a evolução da responsabilidade civil no ambiente digital brasileiro. A decisão configura um divisor de águas, evidenciando tanto avanços quanto pontos que ainda demandam aprimoramento. Inconstitucionalidade parcial do artigo 19: reconhecimento […]

Caso Virgínia Fonseca, bets e preço do like: quando a influência gera responsabilidade civil de consumo

“(…) o seguidor pode ser considerado consumidor, pois é o destinatário final da publicidade veiculada pelos influenciadores digitais. Estes, por sua vez, com base na teoria do “fornecedor equiparado”, podem ser considerados fornecedores, no instante em que atuam como intermediários ou facilitadores na concretização da relação principal, posicionando-se, perante o consumidor, como se fossem o […]

Liberdade ou censura? Soberania digital de quem? O anúncio da Meta e as muitas perguntas sem resposta

“… tudo que é bom, ruim e desagradável está à vista. Mas isso é liberdade de expressão…”  As plataformas da Meta foram projetadas para serem espaços onde as pessoas podem se expressar livremente. Isso pode ser uma bagunça. Em plataformas onde bilhões de pessoas têm voz, tudo que é bom, ruim e desagradável está à […]

Economia da atenção, gamificação e esfera lúdica: hipótese de nulidade e neurodano das apostas online

A popularização de jogos e apostas online e os efeitos econômicos, sociais e de saúde deles decorrentes, em tempos atuais, considerando especialmente a extrema facilitação de acesso e a dependência psíquica dos consumidores, reacende a necessidade de adoção de regulação mais incisiva dessa modalidade. Rawpixel.com/Freepix Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e […]

Juros, segurança jurídica e opção pela economia de mercado

“a quantia ou quantias não pagardes, concordais em ceder, por eqüidade, uma libra de vossa bela carne, que do corpo vos há de ser cortada onde bem me aprouver” Willian Shakespeare “O mercador de Veneza” Gesrey/Freepik Passou a viger entre nós a Lei 14.905/24 que alterou as redações dos artigos 389, 406, 407, 417, 418 […]

Crise climática, ecologia, pobreza e consumo

O Rio Grande do Sul enfrenta, atualmente, grave situação de calamidade devido às intensas chuvas e ao caos climático que têm assolado a região e o mundo. Este cenário alarmante expõe não apenas a vulnerabilidade das pessoas, como ainda a fragilidade das cidades e grandes centros, demonstrando ser indispensável a adoção, urgente e premente, de […]

Pós-colonialismo digital e justiça descolonial: desidentidade, datificação e alienação

Os “confins” [1] do poder tecnológico e a hiperutilização da economia da informação, quer seja através das plataformas online (bigs techs ou não) ou outros canais de “interação” cibernética, criados e radicados genuinamente em países líderes destas inovações, muito embora tenham significativa importância em diversos pontos (redução de custos, tempo e distâncias), operam, de outro […]

Martins e Martins: Marco Legal das Garantias afeta o consumidor

A entrada em vigor da Lei 14.711/2023, que insere o chamado “marco legal das garantias“, não enseja comemorações gerais [1]. Pode servir em contentamento parcial a setores exclusivamente “econômicos” pré-definidos (como o financeiro, imobiliário e registral) que levaram adiante a edição e aprovação do texto legal. Entretanto, não conta com a adesão de parte significativa […]