Políticos e advogados discordam sobre os culpados

A opinião do governador Cláudio Lembo, de que a culpa pelo estado de violência vivido em São Paulo nos últimos dias é de “uma elite branca má e perversa” é polêmica entre os criminalistas e parlamentares ouvidos pela revista Consultor Jurídico.

Em entrevista à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Pauloo governador criticou a elite ao comentar a crise provocada pela onda de ataques atribuídos à facção criminosa Primeiro Comando da Capital e disse que “o país só conheceu derrotas… derrotas sociais. Nós temos uma burguesia muito má, uma minoria branca muito perversa”. Em outro ponto diz que “temos de ter consciência que é um país cínico. O cinismo nacional mata o Brasil”. Lembo se mostrou inconformado com a intenção revelada na véspera por socialites e intelectuais de faze protestos contra a violência: “Todos são bonzinhos publicamente. E depois exploram a sociedade, seus serviçais, exploram todos os serviços públicos.”

Fugindo da responsabilidade

O senador Jefferson Peres (PDT-AM) chama a atenção para o fato de que o governador Cláudio Lembo também é membro da elite e, portanto, um dos responsáveis pelos atos de violência. E pergunta: “E os políticos? Não têm nada a ver com isso?”. Para o senador, os responsáveis pela situação são os governos dos últimos 20 anos que “nunca priorizaram a questão da segurança pública”.

Peres defende um projeto nacional de políticas básicas como de educação e reurbanização, além da política de segurança pública. Neste ponto específico, a prioridade está na mudança das leis penais, no aparelhamento das polícias, na ampliação do sistema penitenciário e na vigilância das fronteiras para reduzir o contrabando de armas.

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) diz que há um quê de verdade na declaração do governador. Na opinião do senador, a sociedade brasileira, incluindo a elite, tem de tomar medidas para “corrigir as raízes dos problemas”. “O tamanho grau de violência está relacionado às suas desigualdades, que está entre as mais graves do mundo”. Suplicy defende que a elite “participe mais das decisões e que dialogue com os representantes do governo no parlamento” para que sejam adotadas, rapidamente, políticas públicas e econômicas que sejam “compatíveis com a realização de melhor Justiça”.

O deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA) está totalmente de acordo com as declarações do governador de São Paulo, mas pondera que ele não afirmou que a onda de violência em São Paulo seja culpa da elite. “O governador reconhece que há um problema social por trás disso, mas não afirmou que a classe alta seja a culpada. Todas as sociedades modernas enfrentam o problema do crime organizado, que está relacionado ao tráfico”. Para ele a elite faz parte do problema quando assume o papel de consumidora de drogas. “Muitos usuários de drogas são da elite, que deveria passar a apostar no Brasil, investindo no país de forma produtiva e não gastando dinheiro em garrafas caras de whisky”.

O deputado argumenta que não há no país prioridade no combate ao crime organizado e que autoridades do Poder Judiciário tendem a ser muito liberais e condescendentes com algumas questões. “A responsabilidade do estado é flagrante, mas aaplicação liberal da lei e a falta de recursos para o sistema policial e carcerária também contribuíram para o que se viu nos últimos dias em São Paulo”.

Já o deputado Cláudio Cajado (PLF-BA) acha que “a culpa é da sociedade como um todo, que não tem exigido dos seus governantes uma política séria de segurança pública. Os governantes também são culpados porque ainda não assumiram esse compromisso com a sociedade”, afirma. O deputado defende que a segurança pública seja uma prioridade de todos os governos. E afirma que o Judiciário não está isento de críticas pela onda de violência deflagrada em São Paulo. “Temos de exigir da Justiça uma postura mais célere e punitiva. O sentimento de impunidade nesse país é gritante”, afirma.

O deputado Vilmar Rocha (PFL-GO), situa a declaração do governador num contexto mais amplo. “Lembo é um grande governador e está num momento de tensão e pressões. Sempre houve violência e haverá mais. O que existe é muita politicagem do governo federal, que quer transformar isso num evento meramente eleitoreiro”, afirma o deputado. Rocha acredita que Lembo agiu certo em não aceitar a ajuda oferecida de forma demagógica pelo governo federal. “O governador tomou todas as providências necessárias e fez certo em apoiar a polícia do estado. Não houve acordo os fatos estão comprovando isso”, declara o deputado.

Segundo Jorge Maurique, presidente da Associação dos Juízes Federais, “esse discurso legitima a violência e, por outro lado, parece querer retirar a culpa do poder público”. Maurique afirmou, ainda, que a falta de responsabilidade social coletiva contribui para a marginalização, “mas não é verdade que uma pessoa entra para o crime só pelo fato de ser pobre”. Maurique, acredita que uma forma de a elite ajudar a melhorar realidade social dos brasileiros é apoiar políticas públicas como financiar escolas, e manter universidades “como acontece tradicionalmente nos Estados Unidos”.

O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, Rodrigo Collaço acha que manifestações como a do governador de São Paulo “é uma forma de as autoridades públicas se eximirem de responsabilidade”. Collaço acredita que essa opção “só deixa clara a incapacidade do país de resolver seu problema de segurança”, quando, idealmente, deveria se demonstrar uma capacidade de reação.

Elite culpada

A linha de raciocínio de Lembo é seguida por muitos advogados criminalistas e parlamentares ouvidos pela ConJur. Para eles, a onda de violência e insegurança tem origem na exclusão, na marginalidade e é fruto de uma péssima prestação de serviços públicos: educação ruim, sistema de saúde precário, problemas na alimentação da população e de distribuição de renda.

O criminalista José Luís Oliveira Lima acredita ser “inegável que a fala do governador, no tocante à culpa da elite na violência, é correta”. No entanto, o advogado frisa que há um conjunto de medidas que devem ser adotadas para melhorar a segurança pública: aparelhamento da polícia, melhorar os salários, desenvolver o Serviço de Inteligência. Segundo ele, os acontecimentos “merecem uma profunda reflexão da classe dominante do país”.

O especialista em matéria penal Luiz Flávio Gomes concorda com a opinião de Lembo. “De fato, a criminalidade organizada PCC nasceu dentro dos presídios. É um tipo de crime que nasceu na exclusão social. A classe rica comete crimes e não vai pra cadeia”, declarou. No entanto, se disse contra a forma como o governador colocou a questão, “ele não pode dizer isso como se fosse um professor, tem que dar soluções”.

O presidente da Comissão de Prerrogativas da OAB Nacional, Alberto Toron, também especialista em Direito Criminal, aplaude as declarações dadas pelo governador do estado. Para ele, a elite é co-responsável pela miséria do país. “A elevada população carcerária, confinada como gado, contribui de forma decisiva para os acontecimentos”, declarou Toron para quem é necessária uma reestruturação dos sistemas de ensino, saúde e carcerário.

A advogada Daniela Regina Pellin distingue duas elites no país: a estatal e a privada. A elite privada, afirma “investe muito no país”, pagando seus impostos e, em especial, quando tem incentivos fiscais, exemplifica. A responsável pelos episódios recentes, diz, é a elite estatal, que engloba a classe política brasileira.

Maria Fernanda Erdelyi

é correspondente da Revista Consultor Jurídico em Brasília.

Lilian Matsuura

é repórter da revista Consultor Jurídico.

Zito disse:
18 de maio de 2006 às 23:09

Cada exprime a sua critica, quanto ao fatos ocorridos em SP. Mas a sociedade de que tanto falam, esquecem de que o Sr. Contribuinte náo tem culpa, pois paga seus impostos, que as vezes são desviados para outras finalidades e não no cumrpimento constitucional (segurança, saúde, escolas e outros). Por favor mudem o discurso e tomem decisões acertadas em beneficios de todos.

Adriana dos Santos disse:
18 de maio de 2006 às 23:30

No caso em questão, não cabe discutir de quem é ou não a culpa, no momento deve-se encontrar soluções para a essa endemica violencia da qual somos todos refens.Ocorre que em nenhum momento pensou-se no excesso populacional; não se teve uma politica de controle de natalidade, a violencia é fruto da miséria e, esta está ligada ao excesso populacional. Não se criou uma politica capaz de frear a explosão demografica. O código civil diz que cabe a familia decidir o numero de filhos, porem, infelizmente, quanto mais pobre é a familia, mais filhos esta tem. Então, não esta na hora de se pensar num controle de natalidade?

Cláudio Fernando disse:
19 de maio de 2006 às 07:43

Tais acontecimentos são sintomas de uma sociedade cada dia mais doente, onde acumular riquezas é mais importante do que o próprio ser humano.
Todas as vezes que ocorrem fatos como estes, os nossos parlamentares resolvem trabalhar a toque de caixa na tentativa de dar alguma resposta a sociedade, e quase sempre com leis inúteis como eles, principalmente agora que estamos próximos das eleições.
Não é brincando de fazer leis que se constroi um país, não é depositando e esquecendo marginais em prisões que se acaba com a violência, nem mesmo impondo controle de natalidade.
Porque não investir em educação?
Este seria o correto e o único caminho, porém não se pode educar para não perder as massas facilmente manipuláveis.

João disse:
19 de maio de 2006 às 08:13

Se excesso populacional dessem origem a crimes, a China e a Índia seriam os países mais violentos do mundo. Mas estão justamente no outro extremo da escala.

Albert Drunen disse:
19 de maio de 2006 às 08:54

Culpa da elite? Que discurso bonito, Sr.Lembo. Que tal dizer quem é esta elite branca? Não estamos na África do Sul, Sr. Governador. A verdade é que nosso sistema carcerário está sem controle, o excesso de presos para poucas cadeias fez com apenas colocássemos os presos entre muros e pronto, passamos a esperar que por um milagre todos se ressoabilizem. O Estado é incapaz de evitar a ocorrência de rebeliões, afinal, quem controla quem, o Estado ou os presos? Devemos para com essa discussão estéril que não nos conduz a nada de que falta investimento em educação, em saúde e tal, todos sabemos disse que o políticos como o Sr.Lembo não contribuem para a solução. De imediato, o que deve ser feito, é reestruturar nosso sistema carcerário, pagando melhores salários aos agentes penitenciários, por exemplo, construindo novos presídios. Não adianta de nada nossos parlamentares aprovarem leis que aumentam o limite de pena de 30 para 40 ou obrigam operadoras de celulares a bloquear seus sinais perto de presídios, essas medidas parecem até galhofa. Afinal, acham que a "elite branca" é tão babaca assim?

Albert Drunen disse:
19 de maio de 2006 às 08:56

Culpa da elite? Que discurso bonito, Sr.Lembo. Que tal dizer quem é esta elite branca? Não estamos na África do Sul, Sr. Governador. A verdade é que nosso sistema carcerário está sem controle, o excesso de presos para poucas cadeias fez com apenas colocássemos os presos entre muros e pronto, passamos a esperar que por um milagre todos se ressoabilizem. O Estado é incapaz de evitar a ocorrência de rebeliões, afinal, quem controla quem, o Estado ou os presos? Devemos parar com essa discussão estéril que não nos conduz a nada de que falta investimento em educação, em saúde e tal, todos sabemos disso, que o políticos como o Sr.Lembo não contribuem para a solução. De imediato, o que deve ser feito, é reestruturar nosso sistema carcerário, pagando melhores salários aos agentes penitenciários, por exemplo, construindo novos presídios. Não adianta de nada nossos parlamentares aprovarem leis que aumentam o limite de pena de 30 para 40 ou obrigam operadoras de celulares a bloquear seus sinais perto de presídios, essas medidas parecem até galhofa. Afinal, acham que a "elite branca" é tão babaca assim? Paciência...

Felipe Morais disse:
19 de maio de 2006 às 08:59

É obvio que o excesso de população, principalmente na classe social mais pobre, gera uma dificuldade maior para o governante em prover saúde, educação de qualidade, lazer, enfim, todas as condições básicas que a população neessita. O que precisam, os que tomam decisões políticas (sejam políticos ou empresários), é deixar de hipocrisia e comodismo, como disse o governador de SP, e agir de forma inteligente e responsável para resolver o problema social. Alguém tem que pagar o custo e o meio mais justo é que esse dinheiro venha ou do governo ou da classe mais rica do país.

José Eduardo R. de Camargo disse:
19 de maio de 2006 às 09:29

O governador disse o óbvio, somente. A elite branca, e também boa parte da classe média, mal tolera os pobres. Mas quando o pobre trilha o caminho do crime a intolerância sobrevem de imediato. A sociedade (os incluídos) sempre corroborou e corrobora tacitamente os mal tratos nos presídios e a morte sumária de criminosos por parte da polícia ou por justiceiros pagos por essa mesma sociedade. E essa é uma das heranças do passado colonial-escravista nunca superado.
Mas se se deseja mesmo acabar com o crime organizado, não é acabando com marcolas e macarrões que o problema estará resolvido. Além das causas sociais do crime é preciso acabar também com as a causas da corrupção nos âmbitos do Estado e da sociedade. O crime está entranhado no Estado, nos setores empresariais e financeiros. Marcolas e macarrões são apenas os intermediários nas operações do crime. O graúdos, os verdadeiros chefões, devem ser procurados no interior das colunas sociais, nos meios políticos e nos setores empresariais e financeiros. Se isso não for feito, de nada adiantará o combate ao crime e à corrupção. Tudo não passará de uma farsa monumental da qual a nação, alíás, está cansada de assistir!

sergio disse:
19 de maio de 2006 às 10:06

É muito fácil vir a televisão e transferir a responsabilidade, jogar nas costas dos outros, ao invés de procurar soluções para enterrar de vez essa situação que se repete sempre,investimento tem que ser feito em educação politicas sociais que dêem retorno a longo prazo, reformulação do código penal,dar melhores condições de trabalho as servidores do Estado, não deixando que às vezes por R$ 200,OO se deixe corromper como é o caso do servidor do Congresso Nacional, que vendeu uma fita com depoimentos, e que não poderia ser revelado,e por falar em revelar... Toda vez que a policia seja militar,civil ou federal vai fazer alguma ação vem sempre um palhaço na televisão informar o que será feito, agora a quem interessa saber as atitudes da policia, ao cidadão comum ? não ele precisa saber só do resultado,aos bandidos? esses sim para que fiquem sabendo antecipadamente e tomem suas providências... isso é a falada má administração ou conluio.

Embira disse:
19 de maio de 2006 às 10:33

O que mais existe no Brasil é técnico de futebol e especialista em políticas penitenciárias. O futebol, apesar da má administração e dos “técnicos”, vai muito bem; já os presídios, estão sucumbindo à má administração. Fala-se na privatização dos presídios, olvidando-se que a iniciativa privada só se interessa por empreendimentos que gerem lucro. A mão de obra dos presídios pode ser utilizada por alguma empresa, mas, de um modo geral, prefere-se mão de obra qualificada, o que não existe ali. A direção dos presídios, sim, poderia ser atribuída a entidades privadas. Seria o chamado “choque de gestão”, do qual tão bem falam os políticos tucanos. A administração de nossos presídios segue um padrão secular, no qual os postos-chave são ocupados por integrantes do Judiciário, do MP, ou da área de segurança, geralmente em fim de carreira. Um bom gerenciamento terceirizado contribuiria muito para a melhoria do sistema. Já, quanto à questão das armas usadas pelos bandidos, fala-se em vigiar melhor as fronteiras, como se isso fosse viável. O ideal seria proibir a importação, através de portos brasileiros, de armamento de guerra destinado a países como o Paraguai, abrindo-se e verificando-se os contêineres. Depois que essas armas chegam ao Paraguai, seu destino preferencial será o Brasil e pouco poderá ser feito para evitá-lo.

Armando do Prado disse:
19 de maio de 2006 às 11:25

Culpados: elite predadora e incompetência do governo tucano que há 10 anos não trata da educação como algo sério e fundamental. Não falo de ouvir, conheço a realidade das escolas públicas do estado de SP. Por outro lado, o tempo todo manipularam números, alguns delegados sabem bem como se faz isso. E finalmente, não se cumpre a Constituição e a L.E.P. É óbvio assim. Agora os pais da pátria, começam por onde já era esperado: arrocho de leis penais, novas leis penais, e outras bobagens.

mangusto disse:
19 de maio de 2006 às 11:54

O painel das opiniões publicadas no Consultor Jurídico, dão certeza de que o país tem boas cabeças pensantes, que juntas abarcam a realidade nacional. O mal, contudo, está em que, enquanto os problemas são crônicos, permanentes, disseminados, as discussões, os debates só têm lugar nas crises agudas, como a atual, sem que contudo, daí resultem soluções, medidas de efeito prático consequentes, não meras conjecturas, fenômenos intelectuais, sem reflexo no mundo real. O governador atingiu, pelo menos verbalmente, por enquanto, o alvo, conquanto se possa dizer sem ressalvas, que seu partido político, especializado em ser governista, tem muita culpa neste cenário desastroso. E tem ilustres companhias, na desídia com que questões de relevancia são deixadas de lado, enquanto se disputa poder, político, partidário, pessoal, de grupos e de instituições. Não há um só projeto Brasil nesse mar de digressões em que se afundam as autoridades ditas responsáveis. Prosperam, entretanto, a arrogância, a propotência, a cobiça, a incontinência no dispendio das verbas públicas e - aqui parabéns ao prof. Lembo pelo realismo inusitado em políticos - o cinismo, miséria moral que permeia e ensombrece até as melhores intenções. Cinismo endêmico, que não poupa, nobreza, clero nem o terceiro estado. Estamos demorando muito, para passar o Brasil a limpo. Haja água!

Dijalma Lacerda disse:
19 de maio de 2006 às 14:24

Dijalma Lacerda - Pres. OAB/Campinas/Cosmópolis/Paulínia/SP.

Hoje fui indagado por dois clientes de um mesmo atendimento, qual seria, na minha leitura, a "solução" para um país melhor, com índices mínimos e estáveis de violência, etc. etc.
Apressei-me em responder e o faço também aqui.
Por óbvio, tudo se resume numa única palavra: E D U C A Ç Ã O .
É evidente que com investimentos de massa na educação e aplicação de um programa sério - entendida aí educação não pura e simplesmente com o aprender a ler e a escrever, mas sim como o aprendizado dos verdadeiros valores morais do homem - nós teríamos, a LONGO PRAZO, uma sociedade com freios morais mais eficazes, inclusive melhor aparelhada para cobrar do Estado a assunção de seu real papel perante a Nação.
O difícil é saber a quem interessa !

Dijama Lacerda,

Vander Lúcio Costa disse:
19 de maio de 2006 às 15:14

Existem vários métodos de adquirir o conhecimento, o de forma ativa em que o aprendiz desbrava o conhecimento, busca junto com o professor a menhor forma de adquiri-lo, ou a forma passiva em que o aluno senta da mesa e o professor repassa o conhecimento, tomando o aluno uma posição passiva, sem questionamento, nem o professor informa qual método está utilizando. Na nossa cultura, como regra, a forma de adquirir conhecimento é passiva e individualista em que o indivíduo adquire o conhecimento somente para proveito próprio, ou seja, para passar no vestibular, no concurso, etc, enfim para ganhar dinheiro. Não aprendemos dar função social ao nosso conhecimento, portanto quando é para nosso bem estar individual, nosso conhecimento aflora, quando é para o grupo, míngua. Quando vamos comprar um carro, roupa ou qualquer outra coisa para nós, temos todo o cuidado, conferimos minucionsamente, todavia quando pagamos impostos, não preocupamos com este dinheiro que é enviado aos cofres públicos, não tem fiscalização, parece que o dinheiro nem é o mesmo. E exatamente este dinheiro encarregado de resolver os problemas sociais. Não fiscalizamos porque não fomos educados para isso. Existem aqueles que não estudaram e portanto não detêm conhecimento técnico suficiente para tal, todavia temos uma classe intelectual respeitável que também não fiscaliza, equiparando todos nós por baixo. Precisamos criar no país uma cultura de fiscalização do dinheiro público assim como fazemos para nosso individualismo. Vejo muitas entidades sociais frequentadas por pessoas de conhecimento suficiente para tal incubência, todavia não fazem, optam sempre pela caridade, doando alimentos, roupas, etc. Se formassem grupos para fiscalizar as Prefeituras, Estados, Empresas Públicas e Governo Federal, o resultado seria muito melhor. Lembro de um caso em que um grupo de contadores e advogados aposentados fiscalizaram um determinado Município e o Prefeito foi cassado. Não podemos deixar somente para o Ministério Público, Tribunal de Contas e Controladoria da União. Nós particulares precisamos agir.

Renata disse:
19 de maio de 2006 às 15:18

Pergunto: cadê a segurança que a CF nos garantiu? A questão da segurança pública no combate à violência e às drogas, que é um problema nacional é da competência federal. Está disposto na Constituição Federal que compete à polícia federal a prevenção e a repressão ao tráfico. O que ocorreu e ainda está ocorrendo no Estado de São Paulo é de repercussão interestadual e internacional. Como cidadã, indignada, publicamente peço explicação ao Chefe da Polícia Federal. Explicação quanto a entrada de drogas e armas no Brasil. Explicação quanto ao que está se fazendo para prevenir e combater o tráfico e o crime organizado. Porque as demais polícias podem até justificar os baixos salários e a falta de armamento, mas a Polícia Federal não! E que sistema pífio é esse de vigilância de nossas fronteiras que não impede – nem vai impedir, por absoluta falta de organização - o tráfico de entorpecentes, o contrabando de armas? E que Polícia Federal é essa, diminuta e cheia de encargos para enfrentar o crime organizado, o narcotráfico e os criminosos que passam pelas imensas fronteiras? De que valeu a lei que tornou crime o porte de armas ilegais? Sabem por que o crime está ganhando espaço? Porque o crime é ORGANIZADO! O Estado e, consequentemente, a Polícia, não! À partir daí já saímos perdendo...

Renata disse:
19 de maio de 2006 às 15:22

O preâmbulo da Constituição Federal soa como poesia aos nossos ouvidos: “Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a SEGURANÇA, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.”
Isso não é piada! Mesmo porque se fosse, seria das mais sem graça... mas parece letra morta... precisamos urgentemente nos mobilizar e responder às autoridades à altura... de que forma? através do voto! porque entendo que até certo ponto a responsabilidade é nossa tbém! porque votamos mal! se não tem candidato, não vote! Queria ver se alguém teria ideologia política, se alguém haveria de se candidatar a qualquer cargo se o salário do legislativo e do executivo, em todas as esferas (federal, estadual e municipal) fosse um ou dois salários mínimos. Queria ver se ainda haveria alguém disposto a melhorar o nosso país se tivesse que ter uma vida igual à grande maioria dos cidadãos que saem de suas casas pela manhã para o trabalho e no início do mês vê que o dinheiro mal dá para pagar o aluguel.

Renata disse:
19 de maio de 2006 às 15:25

Autoridades olhem para nós com respeito! Notem o quanto estamos fragilizados, mas não subestimem a nossa inteligência, tampouco o nosso poder! A violência, além de inquietar a população, se não resolvida, cria problemas de estabilidade e legitimidade política.
O que pleiteamos é o mínimo! Educação! Saúde! Segurança! Direitos fundamentais garantidos pela CF.

Jose Antonio Dias disse:
19 de maio de 2006 às 19:11

A culpa é nossa, que instalamos em Brasilia uma quadrilha de ladrões impunes. Porque punir o Marcola e sua quadrilha e deixar soltos aqueles que tantos crimes cometeram e nos governam?
A elite, os celulares, a justiça etc. são culpas esfarrapadas para a incompetência do governo federal e dos governos estaduais e municipais, que pouco estão ligando para a educação e saúde do povo, principal pivô desses acontecimentos.
Fiquei com pena do governador Claudio Lembo após suas declarações desencontradas. Que falta de preparo de um homem que sempre participou do executivo paulista. É desolador. Confessou, publicamente, que fez acordo com os bandidos, após desmintir, por diversas vezes que não hovera acordo. LAMENTÁVEL!!! Devia renunciar e pedir desculpas, publicamente, aos paulistas, como fazem os japoneses quando cometem asneiras que ofendem seus semelhantes...

edson areias disse:
19 de maio de 2006 às 19:51

Branco, quem, Cara Pálida?

Até quando vamos deixar de assumir nossas responsabilidades e debitá-las aos inidentificáveis? Elite tem cor?Elite branca? Quem é branco neste País?quantos que se intitulam "brancos " aqui o seriam na Europa? Será que a culpa nào está na omissão, na tolerância, na desídia, na corrupção , na incompetência que grassa em todos os setores e nas campanhas eleitorais de quem admite a interlocução com grupos suspeitos ?

Parem com isto: mandem os filhinhos pararem de cheirar e de fumar, de cometerem os delitos que estão a seu alcance. Instem os meios de comunicação pararem de endeusar os ilícitos e os meliantes.Parem de romantizar e caiam na real. Polícia séria , em nenhum lugar do mundo é "delicada". Duvido que dentre os leitores não haja quem não tenha presenciado intervenções até violentas das polícias de países ditos civilizados. Pois bem, continuem a defender direitos dos "manos" até não restar altenativa senão reclamar ao Papa ou a D'us no Juízo Final. Certo que é necessário eliminar as diferenças sociais, privilegiar a cidadania etc.; comecemos por dar segurança para que as escolas, hospitais e setores produtivos possam funcionar normalmente. Bom começo seria colocar ordem na casa e passar a interpretar e aplicar as leis , com os pés no chão. Basta de demagocia e irresponsabilidade, de qualquer matiz político ou politiqueiro.E , se algum "progressistas"se sentir incomodado, antes de qualquer coisa,que exercite o seguinte raciocínio: o que Fidel(ou Chavez,Morales etc.) faria numa situação destas? Negociaria com os meliantes ou promoveria espancamentos e justiçamentos democráticos ?Fala sério, Pessoal !!!

Paulo Chaves de Araujo disse:
19 de maio de 2006 às 19:58

Nesse momento de violência com milhares de jovens sem perspeciva de futuro sugiro um grande debate nacional nos jornais e na televisão para convencer a sociedade civil organizada, o governo federal, os governadores e prefeitos para juntos criarem Corpos de Bombeiros Voluntários por meio de OSCIP nos cerca de 4.900 municípios brasileiros que ainda não possui serviços de bombeiros como forma de gerar algumas centemas de empregos diretos nas OSCIPs, centenas de empregos indiretos nas fabricas de Viaturas de bombeiros, fabricas de mangueiras, extintores, uniformes e equipamentos. Este programa irá atrair os jovens serão bombeiros voluntários e as crianças que serão Bombeiros Mirins,com mais cidadania e inclusão social, diminuindo a possibilidade de serem atraidos para o crime organizado.

José Eduardo R. de Camargo disse:
20 de maio de 2006 às 11:49

Vivemos num país verdadeiramente sui generis. O branco e privilegiado prefere negar sempre, mas apenas publicamente, sua condição de "branco e privilegiado". A elite, por sua vez, nega a sua condição de elite e por aí vai. Quem é rico ou classe média e alta é, em termos sociais, considerado branco independente das tonalidades de pele. O pobre, e também independente da cor, é desde sempre preto ou pardo. Ou seja, o que existe no Brasil é um racismo peculiar: o racismo social. Assim, não é a toa que somos certamente o país mais racista do mundo porque o mais desigual! Portanto, doutores, parem com a hipocrisia e as tergiversações e assumem a parcela de culpa de lhes cabem, culpa que também assumo, aliás!

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