Tarso Genro anuncia Escola Superior da Polícia Federal

O 12º Congresso Nacional dos Policiais Federais, em Fortaleza, trouxe boas notícias para os agentes da Força. O ministro Tarso Genro informou que a Lei Orgânica da Polícia Federal deverá ser reescrita para possibilitar a progressão na carreira (hoje, para se tornar delegado, não é preciso galgar os degraus da PF, basta fazer concurso); e prometeu adequar a exigência de curso superior à remuneração (os cargos de agente, escrivão e papiloscopista são considerados ainda de nível médio), como já previu o artigo 144 da Constituição Federal. A promessa, disse o ministro, deverá ser cumprida “ainda neste segundo governo do presidente Lula”.

Mais tarde, o ministro revelou à revista Consultor Jurídico que o governo não só pretende criar a Escola Superior da Polícia Federal como a sua implementação já está prevista para o ano que vem. Perguntado sobre a necessidade de manter os policiais informados sobre a evolução da doutrina e da jurisprudência dos tribunais superiores e do Supremo, Genro disse considerar boa a idéia, mas que esse papel caberia à própria corporação e não ao Ministério que dirige.

Os discursos de abertura do evento foram pontuados por eloqüentes manifestações de admiração de parte a parte. A administração Lula foi diversas vezes cognominada de Governo Popular e a PF sempre acompanhada dos adjetivos “democrática” e “republicana”. O próprio presidente da Fenapef, a Federação dos policiais, Marcus Vinícius Wink, rememorou encontro ocorrido dez anos antes, no Rio Grande do Sul, quando o então advogado Tarso Genro afirmou aos sindicalistas da PF que quando chegasse ao poder o governo popular propugnado pelo PT, a Polícia Federal teria todo o apoio material e político para combater a corrupção com independência e autonomia – pelo que agradeceu ao ministro. A platéia foi generosa nos aplausos.

Com a palavra, Genro fez um relato histórico, desde a antiguidade, sobre o processo de construção do Estado moderno e da estruturação das normas que legitimam o uso da força e da violência para proteger a legalidade. O ministro chamou de revolução civilizatória o uso da Polícia para garantir o equilíbrio social. “A normalidade é uma sociedade dividida e desigual que demanda o uso da força como corretivo e instrumento de coerção para se atingir uma harmonia tênue, posto que não se dá por processo consensual”.

O ministro historiou a evolução das constituições brasileiras, mas foi buscar em Weimar, na Alemanha, em 1919, os princípios básicos da sociedade moderna. Num salto histórico, o ministro chegou aos dias atuais do país para reclamar a falta de uma reforma política que estabilize as relações nacionais. “Esses elementos é que vão forjar o processo de republicanização da Polícia Federal, que substitui a violência pela eficiência e pela tecnologia”.

Diplomaticamente, Tarso Genro fez remissões a críticas feitas ao trabalho policial e destacou o avanço verificado com a superação da era em que o processo probatório calcava-se em confissão, muitas vezes extorquida. Para o ministro, a inversão de um processo que já não se inicia pela confissão inquisitorial, causou estranheza a muitos. “Porque se é verdade que não há como pensar em democracia sem Judiciário e sem o Parlamento, não pode haver democracia sem uma Polícia Federal”. E repetiu que a PF deixou de ser órgão de governo para se tornar órgão de Estado, infensa à sua instrumentalização pela política.

Márcio Chaer

é diretor da revista Consultor Jurídico e assessor de imprensa.

Marcellus Glaucus Gerassi Parente disse:
05 de junho de 2007 às 14:42

"Diplomaticamente, Tarso Genro fez remissões a críticas feitas ao trabalho policial e destacou o avanço verificado com a superação da era em que o processo probatório calcava-se em confissão, muitas vezes extorquida. Para o ministro, a inversão de um processo que já não se inicia pela confissão inquisitorial, causou estranheza a muitos. 'Porque se é verdade que não há como pensar em democracia sem Judiciário e sem o Parlamento, não pode haver democracia sem uma Polícia Federal'. E repetiu que a PF deixou de ser órgão de governo para se tornar órgão de Estado, infensa à sua instrumentalização pela
política."

Segundo o "magistério" colhido do trecho da notícia acima, o Excelentíssimo Senhor Ministro da Justiça da República Federativa do Brasil afirma que não mais se procede de forma inquisitorial, ou melhor, segundo suas palavras, "...o processo probatório calcava-se em confissão, muitas vezes extorquida....".

Mas prender para colher depoimento, fazendo a mais estapafúrdia e espetaculosa ação através da PF, levando jornalista travestido de agente da PF, concedendo imagens exclusivas a determinada emissora, escrachando o "culpado" em rede nacional não é extorquir a confissão, aliás, da covarde forma de tortura moral e psicológica ?!?

A única estranheza é literalmente tentar tapar o sol com a peneira.

Como muito bem ditado àquele famoso dito de origem árabe, Deus nos concedeu dois olhos, dois ouvidos e uma boca, para ver mais, ouvir mais e falar menos.

Seria de bom tom o Excelentíssimo Senhor Ministro calcular suas falas antes de fazê-lo.

Armando do Prado disse:
05 de junho de 2007 às 14:57

Medida necessária, essa da progressão na carreira. Pindorama precisa de uma PF voltada apenas para sua missão, sem preocupações com carreira, concursos, etc.

Amigo da Justiça disse:
05 de junho de 2007 às 21:54

Que idiotice. Um agente passar a Delegado sem concurso público é um absurdo. Daqui uns dias o teto salarial vai deixar de ser de um min. do stf para ser de um pf. Que comparação absurda com o poder judiciário dizer que não há democracia sem a polícia federal. Vamos pagar e estamos pagando caro por ter colocado o lula no poder... Vamos rezar para que ele saia logo!

Armando do Prado disse:
05 de junho de 2007 às 23:40

Apesar dos urros e murros dos contras, é bom lembrar que plano de carreira existe em qualquer empresa, tão louvada pelos amigos do neoliberalismo. Concorrência e competição é isso amigos. Sobem os melhores. O mercado não era a mão invisível que regularia tudo? Pois bem, bebam do veneno que destilaram.

não tem disse:
06 de junho de 2007 às 00:06

O ministro Tarso Genro, que disse, em recente entrevista, ser admirador de
ANTONIO GRAMSCI, idealizador da hegemonia e de aparelhos ideológicos, além de LÊNIN, fundador do totalitarismo soviético, é habilidoso com as palavras,
principalmente quando joga para a platéia. Foi isto que ele fez. Nada mais. Ele, como hábil advogado que é, sabe que o STF não aceita esse tipo de provimento por transposição. Concurso público é pre-requisito constitucional. Airton Franco - aposentado.

Armando do Prado disse:
06 de junho de 2007 às 10:05

A PF deve continuar seu bom trabalho, inclusive e principalmente, extirpando as partes podres que existem nos órgãos públicos, inclusive na própria PF.

Diogo disse:
06 de junho de 2007 às 10:48

É, no mínimo estranho, ler a matéria acima.
Primeiro: será que o Ministro da Justiça não conhece a Academia Nacional de Polícia, órgão do Departamento de Polícia Federal, onde são formados todos os Policiais Federais e onde são ministrados treinamentos para outras polícias, para a Força Nacional de Segurança e até magistrados. A ANP, como é conhecida entre os Policiais Federais, é a melhor escola de polícia da América Latina e é tida como uma das melhores do mundo, sendo freqüentemente visitada por autoridades de diversos países, inclusive de “Primeiro Mundo”, interessadas em conhecer a instituição. Por isso, é espantoso ler que o Ministro tenha anunciado, a Policiais Federais, que pretende criar a “Escola Superior da Polícia Federal”.
Segundo: a referência de que para ser Delegado de Polícia Federal “basta fazer concurso” dá a entender que é muito fácil acessar o referido cargo. Há muito tempo, Policiais Federais subordinados a Delegados, que não obtêm êxito em ser aprovados no concurso para Delegado, tentam chegar ao referido cargo, sem concurso, ou com um concurso interno. Por certo, isso fere a Constituição. Trazendo-se esse raciocínio para o Poder Judiciário, dever-se-ia admitir o concurso interno na Justiça Federal, para que Analistas Judiciários pudessem ascender ao cargo de Juiz Federal sem prestarem concurso público.
Terceiro: Relativamente ao chamado “reconhecimento no nível superior”, os Policiais Federais não Delegados almejam receber a mesma remuneração do cargo em questão, alegando que os cargos de Agente, Escrivão e Papiloscopista requerem seja o candidato formado em qualquer curso superior. Trazendo-se, novamente a questão para o Poder Judiciário, ter-se-ia, com mais razão, que remunerar o Analista Judiciário com a mesma remuneração do Juiz Federal, haja vista que para acessar os dois cargos, faz-se necessário que o candidato tenha curso superior, sendo que, neste caso, para ambos é exigida a formação em Direito. Entretanto, ninguém em sã consciência ousa defender essa paridade.

Diogo disse:
06 de junho de 2007 às 10:48

É, no mínimo, estranho ler a matéria acima.
Primeiro: será que o Ministro da Justiça não conhece a Academia Nacional de Polícia, órgão do Departamento de Polícia Federal, onde são formados todos os Policiais Federais e onde são ministrados treinamentos para outras polícias, para a Força Nacional de Segurança e até magistrados. A ANP, como é conhecida entre os Policiais Federais, é a melhor escola de polícia da América Latina e é tida como uma das melhores do mundo, sendo freqüentemente visitada por autoridades de diversos países, inclusive de “Primeiro Mundo”, interessadas em conhecer a instituição. Por isso, é espantoso ler que o Ministro tenha anunciado, a Policiais Federais, que pretende criar a “Escola Superior da Polícia Federal”.
Segundo: a referência de que para ser Delegado de Polícia Federal “basta fazer concurso” dá a entender que é muito fácil acessar o referido cargo. Há muito tempo, Policiais Federais subordinados a Delegados, que não obtêm êxito em ser aprovados no concurso para Delegado, tentam chegar ao referido cargo, sem concurso, ou com um concurso interno. Por certo, isso fere a Constituição. Trazendo-se esse raciocínio para o Poder Judiciário, dever-se-ia admitir o concurso interno na Justiça Federal, para que Analistas Judiciários pudessem ascender ao cargo de Juiz Federal sem prestarem concurso público.
Terceiro: Relativamente ao chamado “reconhecimento no nível superior”, os Policiais Federais não Delegados almejam receber a mesma remuneração do cargo em questão, alegando que os cargos de Agente, Escrivão e Papiloscopista requerem seja o candidato formado em qualquer curso superior. Trazendo-se, novamente a questão para o Poder Judiciário, ter-se-ia, com mais razão, que remunerar o Analista Judiciário com a mesma remuneração do Juiz Federal, haja vista que para acessar os dois cargos, faz-se necessário que o candidato tenha curso superior, sendo que, neste caso, para ambos é exigida a formação em Direito. Entretanto, ninguém em sã consciência ousa defender essa paridade.

Sidney Jr disse:
07 de junho de 2007 às 01:12

Essa dor de cotovelo ainda vai matar um do coração. Senhores, embora pareça muito mais falácia do que promessa, o Sr. Ministro tocou num assunto que já está estabelecido na CF de 88, em seu art. 144, § 1º: "A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em carreira...". Ora, a carreira deve estar estruturada, e isso exige que se entre pelos cargos de agente, escrivão ou papiloscopista, para ascender aos de delegado ou perito. É difícil ter em cargos de chefia "meninos" que mal sabem das coisas da vida e são doutrinados a seguir uma cartilha antiqüada, dos tempos do militarismo. Deixem esse ranço de lado e aceitem a idéia de terem pessoas com o mesmo nível educacional e MUITO MAIS experiência nos cargos de comando. Será muito melhor para o órgão e para desinchar um pouco esse ego que tanto atrapalha a evolução da PF. Que seja verdade a declaração do Sr. Ministro, mesmo que enquanto durar.

Armando do Prado disse:
07 de junho de 2007 às 16:38

Chicaneiros, cadê v. quando o TJ rejeita os quintos dos..., cadê vocês diante desse absurdo que afronta a CF?

Frankil disse:
08 de junho de 2007 às 22:46

Carreira Única nos moldes do do FBI, isso é o que a Polícia Federal brasileira mais precisa. Valorizando aqueles que relamente sabem, se dedicam e adiquiriram o conhecimento policial ao longo da Carreira (que a CF já prevê que seja ÚNICA) postulem cargos de comando, valorizando-se assim os melhores policias federais (Agentes, Delegados, Escrivães Peritos e Papiloscopistas)

Parebéns ao ministro em levar a idéais adiante.

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