Lista rejeitada não significa desprestígio, diz OAB

A rejeição da lista sêxtupla, para o preenchimento da vaga do Quinto Constitucional, pelos ministros do Superior Tribunal de Justiça não dá respaldo a insultos contra a Ordem dos Advogados do Brasil. O presidente do Conselho Federal da OAB, Cezar Britto, em nota, rebateu as críticas apresentadas pelo jornalista Elio Gaspari em artigo publicado nos jornais Folha de S. Paulo e O Globo.

Segundo Britto, o jornalista reuniu fatos isolados e sem conexões para apresentar um quadro que desprestigia a instituição. Britto explicou que a lista aprovada pela OAB passou pelos trâmites corretos e foi elaborada de forma transparente. Ele informou que as seções para a escolha dos candidatos foram abertas ao público e transmitidas pela internet.

“Cada um dos indicados teve seu currículo minuciosamente examinado e foi submetido a sabatinas pelos conselheiros federais, em sessão igualmente aberta, com a presença de numerosos advogados. Portanto, do ponto de vista técnico e processual, os requisitos constitucionais foram rigorosamente atendidos”, afirmou.

Já o STJ, segundo Britto, não teria agido com igual transparência, uma vez que havia quórum para a votação, mas os nomes não atingiram o mínimo de votos suficientes. “Um deles [dos nomes], o advogado Roberto Freitas, já havia inclusive sido votado positivamente pelo mesmo STJ, em lista anterior para preenchimento de vaga do Quinto Constitucional”, afirma.

Para o presidente da OAB, o jornalista distorceu os fatos relativos à lista e cometeu injustiças. “Lamentamos os conceitos injustos que o ilustre jornalista veiculou a nosso respeito. Mas a liberdade de expressão – inclusive para veicular equívocos – é a essência da democracia, pela qual lutamos no passado e continuamos a lutar no presente”, concluiu.

Em sua coluna, o jornalista afirmou que a crise entre a OAB e o STJ representa mais um episódio que desgasta a instituição, marcada por glórias, mas que ficaram em outros tempos. “Uma Ordem de Advogados não é tribunal de última instância para grandes (e pequenos) itens da agenda nacional”, afirmou, questionando o envolvimento da instituição em vários temas, desde a transposição do São Francisco ao movimento Cansei.

Leia a nota

Resposta a Elio Gaspari

Em artigo publicado em O Globo e na Folha de S.Paulo, neste domingo, o jornalista Élio Gaspari investe com truculência contra a Ordem dos Advogados do Brasil, sustentando que a instituição não faz jus a seu passado – e que os méritos que possui lá estariam confinados.

Para lastrear seus insultos, parte de um acontecimento presente – a lista sêxtupla que a OAB remeteu ao Superior Tribunal de Justiça para preenchimento de vaga do Quinto Constitucional da advocacia – e reúne episódios desconexos, de situações isoladas, em ocasiões e locais diversos, na tentativa de compor um quadro uno e depreciativo para nossa instituição.

Com que intenção o faz, não sabemos. O que sabemos é que, no caso específico dessa lista sêxtupla, agride os fatos, deles extrai conceitos despropositados e comete injustiças que não honram sua reputação de jornalista emérito.

Se aplicasse o mesmo critério à história recente ou remota do jornalismo, ou de qualquer outra nobre profissão, haveria também de colecionar episódios burlescos e controversos, já quem assim é a natureza humana. Não é razoável, no entanto, que o faça com propósitos predatórios, na evidente intenção de tomar partido numa controvérsia, cujos termos distorce em sua exposição.

A lista sêxtupla que a OAB aprovou foi elaborada da maneira mais transparente possível: em sessão que contou com a presença de todas as bancadas da federação e doze ex-presidentes do Conselho Federal, aberta ao público e transmitida ao vivo pela Internet.

Cada um dos indicados teve seu currículo minuciosamente examinado e foi submetido a sabatinas pelos conselheiros federais, em sessão igualmente aberta, com a presença de numerosos advogados. Portanto, do ponto de vista técnico e processual, os requisitos constitucionais foram rigorosamente atendidos.

O mesmo, porém, não se pode dizer da atitude do STJ, que até aqui não explicitou as razões de seu gesto, já que havia quórum para que os nomes fossem sufragados – e um deles, o advogado Roberto Freitas, já havia inclusive sido votado positivamente pelo mesmo STJ, em lista anterior para preenchimento de vaga do Quinto Constitucional.

Por que aquele advogado meses antes foi aprovado e agora não o é? E ainda: por que, mesmo tendo reconhecido o atendimento aos requisitos constitucionais de todos os indicados – conforme consta da ata da sessão -, o STJ rejeitou a lista?

São esclarecimentos como esse que aguardamos daquela Corte, pois os nossos já foram dados.

Sabemos que há setores da magistratura que não aceitam a regra do Quinto Constitucional, pelo qual a advocacia e o Ministério Público preenchem um quinto das vagas dos tribunais. Não cabe aqui discutir esse tema, mas ponderar que o âmbito de tal controvérsia é o Congresso Nacional, instituição que tem a prerrogativa de emendar a Carta Magna. A nós, cabe cumpri-la e rejeitar qualquer atitude que vise a desmoralizá-la ou depreciá-la.

O Conselho Federal da OAB é instituição democrática, que expressa não apenas os legítimos interesses corporativos da advocacia, mas também os anseios da sociedade civil, que nos tem brindado, em sucessivas consultas, com o reconhecimento dos serviços que nos empenhamos em continuar a prestar.

Lamentamos os conceitos injustos que o ilustre jornalista veiculou a nosso respeito. Mas a liberdade de expressão – inclusive para veicular equívocos – é a essência da democracia, pela qual lutamos no passado e continuamos a lutar no presente.

CEZAR BRITTO

Presidente do Conselho Federal da OAB

advogado de muletas disse:
17 de fevereiro de 2008 às 19:24

O colunista, neste deboche a OAB - Instituição que representa os Advogados Brasileiros, legitimamente e democraticamente eleita - deveria, também, dedicar algumas linhas aos JORNALISTAS E COLUNISTAS, do passado e do presente, que não fizeram e não fazem, de sua pena, instrumento de aluguel para causas e interesses, que respeitam seus leitores e não particularizam seus próprios rancores da vida.
Sei que a Imprensa não precisa ser justa, mas independente; porém menos, Seu Elio, devagar com o andor, porque V.Sa. escreveu bobagens, talvez a mando, talvez por "ouvir o galo cantar", talvez por antipatia, talvez por ignorância, talvez, até, porque não havia nada melhor, nenhum assunto pautado, afinal o papel aceita tudo.
Até onde sei, os Presidentes do Conselho Nacional e dos Conselhos Seccionais não tem impedimentos para a defesa de casos considerados pela sociedade de escárnio; direito de defesa, Seu Elio, é assunto sério, consta na Constituição que V.Sa. certamente não sabe interpretar, até porque nunca deve ter lido. Portanto, é bobagem e V.Sa. com sua idade nunca deveria ter confudido a atuação dos Presidentes com a dos Advogados Profissionais; nada de dizer que "Havia duas OABs, a escarnecida e a escarnecedora".
Normalmente, criador e criatura se confundem!
No caso vertente, ELIO GASPARI com EREMILDO O IDIOTA!!!!!!!!!!!!!!

Armando do Prado disse:
18 de fevereiro de 2008 às 10:15

Pode se discutir uma série de detalhes, mas o "quinto" ainda é a única maneira de "oxigenar" o judiciário, pois cada vez mais os magistrados de carreira, confundem independência com individualismo auto-suficiente e imparcialidade com indiferença.

dbistene disse:
18 de fevereiro de 2008 às 17:00

O oxigênio para a magistratura deve vir do fato de que, sendo os juízes aprovados em concurso, teremos pessoas com as mais variadas idéias e ideologias. Através do mecanismo do quinto, teremos pessoas que fizeram carreira puxando saco e pedindo favores.

Comentarista disse:
18 de fevereiro de 2008 às 18:36

Realmente, fazer carreira "puxando saco e pedindo favores" deve ser deprimente...

Pior ainda, no entanto, é ver uma "instituição", como o MP, acovardando-se coletivamente durante nada menos que VINTE ANOS de um regime golpista e criminoso.

Se cada um merece a "glória" do seu próprio passado, o estado de letargia e inanição do MP durante os sombrios e asquerosos anos da ditadura tupiniquim fazem-no por merecer o que hoje colhe.

Aliás, quem dormiu em "berço esplêndido" por 20 longos anos não deve ter nada a reclamar!

Simples assim...

Luís da Velosa disse:
19 de fevereiro de 2008 às 10:13

Por mais que tentem, jamais a Ordem dos Advogados do Brasil - OAB, será desprestigiada. Ninguém tem esse poder e procedem de má fé, portanto, temerariamente.

Se não fossem as ações incontestes da OAB, sob o "doce jugo" do Direito, a democracia ainda agonizava entre as pernas da ditadura.

Fábio disse:
13 de abril de 2008 às 21:22

Os Juízes são, em sua maioria, contra o quinto Constitucional porque defendem interesses corporativos deles próprios. Ou ninguém percebe que com advogados e membros do Ministério Público fora dos Tribunais vai sobrar mais vaguinhas nos Tribunais para os Juízes de Carreira?
Agora, para que não sejam tendenciosos, façam uma pesquisa e vejam quantos advogados concordam com as férias anuais de 60 dias dos Magsitrados.
Eu particularmente acho que o direito dos Magistrados de terem férias de 60 dias é um privilégio inaceitável!!!
Nenhum trabalhador brasileiro tem direito a ter 60 dias de férias no ano.
Os Juízes são melhores do que os outros???
Eu não acho e acho que a OAB deveria dar o Troco na AMB, fazendo uma Campanha Nacional contra o privilégio dos 60 dias de ferias anauais dos Magsitrados. A Sociedade brasileira não está em condições de arcar com esse privilégio.
PELO FIM DO PRIVILÉGIO DAS FÉRIAS ANUAIS DE 60 DIAS PARA OS MAGISTRADOS JÁ!!!

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