Google recorre para não retirar comunidades do ar

O Google Brasil irá recorrer da decisão do juiz Leandro de Paula Martins Constant, da 34ª Vara Cível de São Paulo, que obrigou a empresa a retirar do Orkut comunidades consideradas ofensivas ao bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da Rede Record.

A decisão, tomada no dia 13 de dezembro, foi publicada na segunda-feira (14/1) no Diário da Justiça Eletrônico e divulgada pela revista Consultor Jurídico no domingo (13/1). Pela medida, a empresa, que é a subsidiária brasileira da Google Inc. — verdadeira dona do site de relacionamento —, pode ser obrigada a pagar multa diária de R$ 1 mil por página ofensiva. Ela foi condenada ainda a pagar as custas processuais e honorários fixados em R$ 2,5 mil.

Algumas das páginas ainda estão no ar. O pedido refere-se especificamente a cinco comunidades. Além de xingarem Edir Macedo, as páginas o ameaçam de morte ou o classificam como um farsante. “Inegável o caráter ofensivo das expressões componentes no produto oferecido pela requerida no Brasil”, afirmou Constant. Para o juiz, o nome, a imagem e a honra do bispo foram feridos pelas comunidades.

Em um comunicado à imprensa, a Google Brasil afirma que há uma “confusão entre a autoria das agressões com o meio eleito pelos agressores para perpetrar tais atos”. Segundo a empresa, “confundir esses conceitos seria como penalizar uma companhia telefônica pela prática de trotes”. A Google cita a liberdade da expressão e afirma acreditar que “a Justiça reconhecerá o direito de liberdade de expressão na internet brasileira”.

A empresa já tinha alegado que não é autora das ofensas. Para o juiz Constant, contudo, a Google é responsável sim pelo que os usuários escrevem em seus sites. “Não há que se afastar a responsabilidade da ré pelo ato de terceiros, pois cria o universo virtual para o acesso de seus consumidores, ainda que gratuitamente, mas que devem se submeter à aceitação da ré. Portanto, a ré sabe desde a criação do conteúdo das comunidades formadas pelas comunidades, aceita a sua formalização e retransmite os seus termos de forma ampla”, diz o juiz.

O bispo pediu que o site fornecesse os endereços dos donos das comunidades. O juiz, no entanto, negou a solicitação por entender que isto feria o artigo 5º da Constituição, que garante o sigilo das comunicações de dados.

Na primeira instância, a Google Brasil argumentou que não poderia ser réu da ação porque ela não é a dona do Orkut. O site pertence à empresa nos Estados Unidos, afirmou. Usando precedentes do próprio TJ de São Paulo, o juiz entendeu que as empresas são parte de um mesmo grupo econômico.

Precedente

A Google já perdeu em uma ação idêntica na segunda instância da Justiça de São Paulo. Em julho do ano passado, a 3ª Câmara de Direito Privado do TJ paulista negou recurso da empresa. Na primeira instância, ela havia sido obrigada a retirar do Orkut comunidades que atacavam a honra do bispo.

A desembargadora entendeu que a Google Brasil funciona, na prática, como uma extensão das empresas que a constituíram e deve responder pelos danos causados por fatos ocorridos aqui, decorrentes de seus serviços e produtos. Destacou que suspender o entendimento dado pela 34ª Vara Cível, causaria perigo irreparável contra o bispo.

A desembargadora enfatizou que não há que se falar em aplicação da legislação norte-americana, já que o pedido foi formulado contra a empresa sediada no Brasil e que assim está sujeita à legislação nacional.

Pinheiro disse:
15 de janeiro de 2008 às 19:05

1) A Google Brasil não é dona do Orkut. O Orkut não está hospedado no Brasil, está nos Estados Unidos e é sujeito somente à legislação americana. Não compete à Google Brasil mandar que a Google Inc. faça ou não faça alguma coisa nos Estados Unidos. Se algum juiz ou qualquer pessoa quisesse censurar o Orkut, teria que determinar aos provedores de Internet, como UOL e Terra, que não permitissem o acesso dos usuários ao site americano.
2)A Google não tem nada a ver com o que as pessoas escrevem nas comunidades.
3)Se o bispo ficou ofendido, o problema é dele. Infelizmente, no Brasil não há tradição de liberdade de expressão. A toda hora vê-se juízes agindo como censores.
4)É uma vergonha ver meu país ao lado de Irã, China, Cuba e outras ditaduras que censuram a Internet.

Radar disse:
15 de janeiro de 2008 às 19:58

Não se confunda o direito com antipatias pessoais. Independentemente de se concordar ou não com o sr. Macedo, a verdade é que, nos termos da legislação vigente, sua honra e dignidade vêm sendo sistematicamente violados através dos mencionados espaços virtuais. Isso é o que basta para que a propalada liberdade de expressão (que jamais poderá ser absoluta) ceda lugar ao direito individual de não ter seu nome e honra enxovalhados por aqueles que dele discordam.

Vale dizer, temos liberdade de expressão, mas não direito de agredir. Aqueles que discordam do Sr. Macedo devem procurar as vias próprias para expressar seus ódios, ou se manifestarem nos estritos limites da legislação, como todo brasileiro.

Suponha-se que as ofensas fossem irrogadas contra um deputado, uma alta autoridade católica ou contra um juiz? Estaria até hoje no ar? Qual seria o valor da certeira e justa indenização por danos morais? Não é correto utilizar-se de dois pesos e duas medidas.

A empresa brasileira Google é sim extensão da matriz norte-americana, e pode ser responsabilizada, consoante inúmeros antecedentes.

Richard Smith disse:
16 de janeiro de 2008 às 00:55

"Suponha-se", caro Radar?

Pelo visto, você não conhece as "comunidades" do Orkut contra o cristianismo, contra a Igreja CAtólica e contra o Papa! Isso sem falar daquelas de cunho claramente satanista e outra que fazem apologia do suicídio!

Procure se informar, amigo, para não dizer asneiras.

futuka disse:
16 de janeiro de 2008 às 16:36

O que mais tem no orkut é a molecagem, além claro de muitas pessoas bem intencionadas, no entanto se um menor brasileiro(nos EUA vai p/cadeia)aqui pode matar,, imaginem a responsabilidade dêle quanto menor nas sua ações virtuais. Os juízes vão se divertir as custas das "empresinhas" brasileiras, se não ousarem ou tomar sérias providencias político-jurídicas,
se a moda pega qualquer que tenha seu bom advogado vai processar e "pum" - recado as empresas brasileiras:"podem fechar suas portas!"..quanto as americanas tá difícil é mais prá cima um juiz brasileiro não tem essa "bala".
Estou meio chateado pois creio não falar em nome de muitos, no entanto esse assunto de religião é uma praga na vida e pro futuro do ser humano E VAI TER QUE ACABAR"um dia".

Radar disse:
16 de janeiro de 2008 às 19:06

Sr. Smith. As pessoas ou entidades que se sentirem ofendidas devem recorrer ao Judiciário, tal e qual procedeu o sr. Edir Macedo. O Judiciário, como o sr. sabe, ou deveria saber, só age mediante provocação. E como, segundo a Constituição, a prestação jurisdicional é inafastável, alguma resposta virá, seja na forma de permissão ou vedação.

Realmente, não conheço as comunidades virtuais a que o sr. fez referência, nem perderei o meu tempo em conhecê-las. Mas se o sr. individualmente se sente ofendido, deveria espernear contra elas, respeitando, todavia, as opiniões dissonantes. Em síntese: ladre menos e aja mais.

Richard Smith disse:
16 de janeiro de 2008 às 20:54

Caro Radar:

Você foi mal-educado comigo, pois quem ladra é cachorro.

No mais, e sabedor das suas opiniões "de ocasião", quis ressaltar que você falou bobagem, pois os tais "hipotéticos" insultos contra outras religiões e contra o sentimento religioso da maioria do povo brasileiro JÁ EXISTEM, em profusão, e há muito tempo. Só isso.

Quanto às providências, saiba que já as tomei contra quem de direito e face às safadezas mais pesadas.

E nem porisso recorri à censura do veículo que abriga as referidas "comunidades". Só isso.

Até porquê, não ladro, mordo!

Passar bem.

Richard Smith disse:
16 de janeiro de 2008 às 21:00

É isso aí, caro Hammer!

É do DNA de cada seita que surge (e já seriam mais de 35.000!) colocar-se como a "única", a "pura", em oposição à todas as outras, que não prestariam.

Quando eu era mais novo meu pai me mostrou uma "igrejola" montada no espaço de uma loja, na Liberdade. Eram dois pastores, um casal. Um belo dia brigaram e a "pastora" abriu uma outra "igreja", do outro lado da rua, chamando-a pelo mesmo nome.

Imediatamente o "pastor" ex-meeiro, rebatizou a sua de "igreja 'x' PRIMITIVA", não é o fim da picada?

Graças à mais ampla liberdade de culto da qual gozamos, os trouxas podem escolher livremente aonde querem ser "tosquiados".

Um abraço.

Richard Smith disse:
17 de janeiro de 2008 às 00:15

Pequena nota de um jornal do Sul e publicada no site MONFORT (www.monfort.org.br):

Pastor protestante queima imagens sacras do século 17 no RS
Wálmaro Paz,

O pastor da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) Fábio Guimarães da Silva Pereira queimou, durante um culto, duas imagens da história missioneira cadastradas no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Ele havia retirado as estátuas da casa de uma família que era fiel depositária das peças em troca de orações para curar um doente. O pastor responde por crime contra o patrimônio histórico na 3ª Vara Cível de São Borja, no Rio Grande do Sul.

Pereira alegou que a queima de imagens é uma pratica comum nos cultos da Universal. Mas garantiu não saber que as duas imagens, uma do Senhor Morto e outra de São Pedro, eram cadastradas no Iphan.

A denúncia ao Ministério Público foi feita pelo diretor de Assuntos Culturais do município, Fernando Rodrigues, no mês passado, quando a família Ayala Chagas resolveu fazer a doação para o museu municipal de oito imagens de madeira das quais era guardiã.

Na ocasião, Oraides Chagas informou Rodrigues de que o pastor havia levado as duas imagens. Orientado pelo Iphan, o diretor procurou a Polícia Federal e o Ministério Público, que representou contra o pastor.

São Borja é um dos Sete Povos das Missões, fundado em 1636 pelos jesuítas como uma redução de índios guaranis. Dessa época, restam apenas 82 peças no estilo barroco jesuítico, todas tombadas pelo Iphan. Dessas, 35 estão no Museu Municipal Aparício Silva Rillo, 13 encontram-se em poder da Igreja Católica e as outras 34 estão espalhadas por casas de família que já detinham a posse delas.

A família Ayala Chagas, moradora de um bairro pobre da cidade, conservava em seu poder oito imagens que foram salvas de um incêndio em uma capela próxima de sua casa na primeira metade do século passado. Oraides Chagas contou que havia cinco gerações eles vinham cuidando das estátuas em um pequeno oratório na sala da residência. Com a doença de seu marido, Leôncio Ayala Chagas, que sofria de câncer, Oraides recorreu às orações do pastor para curá-lo. Em troca, ele exigiu as estátuas para queimá-las em um culto.

Chagas morreu de câncer em julho e os filhos procuraram o museu para fazer a doação com o objetivo de salvar as outras estátuas

Baraviera disse:
17 de janeiro de 2008 às 01:37

Ou não se compreende bem como funciona a rede mundial, ou no Brasil tudo funciona do avesso.
Ora, comunidades ou fóruns cujos tópicos se prestem a debater sem argumentos equivalem às celébres frases escritas em portas de banheiro ou às fofocas que correm de boca-em-boca.
A diferença é que qualquer um pode rir das asneiras escritas em qualquer lugar do mundo.
QUEREM VARRER A TOLICE DO MUNDO, A GROSSERIA NA INFINITA FOLHA DE PAPEL QUE É A INTERNET...
Enfim, querem tornar o que é sem compromisso e tosco em algo sério, similar a um processo judicial.
Data venia, querem aniquilar as manifestações primitivas de algo inerentemente humano: a sensação de liberdade ao escrever numa folha em branco, na porta do banheiro ao sentar no vaso, na internet...

Baraviera disse:
17 de janeiro de 2008 às 23:50

Leiam isso sobre o pEdir Maiscedo, é imperdível:http://conjur.estadao.com.br/static/text/61860,1

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