No mês que prendeu Dantas, PF fez outras 11 operações

O trabalho da Polícia Federal está sob os holofotes. Ao mesmo tempo em que investiga dois dos homens mais ricos do Brasil — o banqueiro Daniel Dantas e o empresário Eike Batista —, a PF fez 12 operações só nos primeiros 11 dias de julho.

Foram investigados desde o comércio de músicas e programas de computador pela internet até uma quadrilha acusada de contrabando, fraude e clonagem de cartões de crédito de Jales, interior de São Paulo.

Além da chamada Operação Satiagraha, que investigou um suposto esquema desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro e prendeu Daniel Dantas, Naji Nahas e Celso Pitta, a PF também fez, por exemplo, uma operação para erradicar pés de maconha no Maranhão e Pará.

Não é de hoje que a polícia atua de forma tão efetiva e ampla. Em 2007, a PF prendeu 2.876 pessoas em 188 operações. Os números revelam aumento de 7,5% no total de presos na comparação com 2006. Este ano, já foram 97 operações que levaram 845 pessoas à prisão.

A possibilidade da PF agir em tantas diretrizes decorre do aumento no número de policiais. Antes do governo Lula, em 2003, havia 7 mil policiais. O efetivo então pulou para 13 mil. No ano passado, o ministro da Justiça, Tarso Genro, anunciou que a PF será reforçada com a contratação de cinco mil novos agentes. Só semana passada, 355 novos policias foram formados.

O começo do mês também foi agitado na questão de apreensão de drogas, que nem sempre fazem parte das operações. Em Santa Catarina, por exemplo, foi apreendida, na sexta-feira (11/7), uma tonelada de maconha em Santa Catarina. Na Bahia, outros 305 quilos foram encontrados. Já em Mato Grosso, a apreensão foi de 380 quilos de pasta de cocaína. No Paraná, dois caminhões foram parados com 1.700 caixas de cigarros contrabandeados.

Fora isso, a PF conseguiu encontrar um italiano que estava foragido há 26 anos da Justiça de seu país.

Operações da PF em julho

I-COMMERCE 2

Nove estados e DF

1º de julho

Combate ao comércio ilegal de músicas e programas de computador pela internet

49 mandados de busca e apreensão

Play-back

Santa Catarina

3 de julho

Repressão ao comércio de músicas com violação dos direitos autorais de artistas através de máquinas tipo Jukebox

Dois mandados de busca e apreensão, cinco máquinas aprendidas e um preso em flagrante

Olympia

São Paulo

3 de julho

Contrabando, fraude e clonagem de cartões de crédito praticados por quadrilha de Jales, no interior de São Paulo

17 mandados de prisão temporária e 19 mandados de busca e apreensão

Operação Mão Invisível

Minas Gerais e Rio

3 de julho

Cartel do combustível

23 mandados de prisão e 42 mandados de busca e apreensão

Satiagraha

São Paulo e Rio

8 de julho

Esquema de desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro. Foi a operação que prendeu Daniel Dantas, Naji Nahas e Celso Pitta

24 mandados de prisão, sendo 17 presos, e 56 de busca e apreensão

Clone

Paraná

8 de julho

Fraude de despachantes e servidores públicos para fazer falsos documentos de automóveis

Foi apreendido documentos, computadores e dinheiro. Um mandado de prisão

Camelô

Santa Catarina

8 de julho

Combate ao contrabando em Lages

10 barracas apreendidas

Bicho Mineiro

Minas Gerais

10 de julho

Grupo de exportadores de café suspeitos da prática de estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica, evasão de divisas e de lavagem de dinheiro

Sete prisões, sendo quatro delas preventivas e 18 mandados de busca e apreensão

Colheita Norte

Maranhão e Pará

10 de julho

Erradicação de pés de maconha no Maranhão e Pará

A operação deve durar duas semanas. Sem prisões

Combate

Maranhão

10 de julho

Grupo envolvido em assalto a bancos e a aviões pagadores

Três pessoas presas

Mãos Dadas

Rio Grande do Sul

11 de julho

Desfalque de dinheiro público, através de fraudes processuais contra a União em processos que tramitavam na Justiça Federal e na Justiça do Trabalho.

Seis mandados de prisão temporária e 12 mandados de busca e apreensão

Toque de Midas

Amapá

11 de julho

Fraude ao processo licitatório de concessão da estrada de ferro do Amapá e de sonegação de imposto sobre lavra de ouro. Foi nesta operação que a PF fez busca e apreensão na casa do empresário Eike Batista

12 mandados de busca e apreensão

Daniel Roncaglia

é repórter da revista Consultor Jurídico.

Axel Figueiredo disse:
13 de julho de 2008 às 01:05

A pergunta que não quer calar:
Quantas dessas operações pegaram peixes graúdos do PT?

Robespierre disse:
13 de julho de 2008 às 10:19

"Quem não quer ser incomodado pela PF, que ande na linha".

Resposta ao Axel: que culpa tem a PF, se bandido e gatuno gostam de ser banqueiros e militar no DEM e com os tucanos?

Robespierre disse:
13 de julho de 2008 às 10:30

(...) "Mas parece que a PF já conhecia o caráter “libertário”, digamos assim, do ministro Gilmar Mendes e já contava com a soltura de Dantas. Reuniu mais provas de que a tentativa de suborno era realmente orquestrada por Dantas e pediu sua prisão preventiva. Agora, em vez de cinco dias da prisão provisória, Dantas poderia ficar preso por tempo indeterminado. Gilmar Mendes? Mandou abrir uma investigação contra o juiz da primeira instância que concedeu o pedido de prisão preventiva contra seu cliente, digo, contra o réu.

O engraçado é que o argumento daqueles que defendem o ministro Gilmar Mendes é justamente a “desinstitucionalização” dos poderes da República, ou seja, o enfraquecimento das instituições. Há algo que enfraqueça mais os poderes da República do que cuspir na Polícia Federal mandando soltar um preso que acabara de subornar um delegado da própria polícia? Será que as ações de Gilmar Mendes contribuem para o fortalecimento do Supremo? Alguém aí sabe me dizer o nome de um único político que foi condenado pelo Supremo?" (...)

Gerald Thomas

olhovivo disse:
13 de julho de 2008 às 10:56

Cabe a pergunta: nessas operações também há algo parecido com a estória dos juros do FED ou, ainda, da jornalista da Folha acusada de integrar a "organização criminosa"? Se houver, a saída é o aeroporto mais próximo.

Vinícius Campos Prado disse:
13 de julho de 2008 às 15:21

O que a reportagem sugere? Que a Polícia Federal deixe de realizar Operações? O autor está com saudades da década de noventa, quando toda investigação era barrada pela cúpula? Sempre pensei que o trabalho da Polícia fosse investigar crimes. Pelo que tenho lido por aqui, deveria-se criar uma tabela quanto ao imposto de Renda para as operações, mas inversa. Quem receber acima de trinta salários mínimos terá isenção de investigações. Os " juristas" de plantão ficam satisfeitos desta forma?

Axel Figueiredo disse:
13 de julho de 2008 às 16:10

patuléia:até o ridículo tem limites.
parece que você os desconhece.
mas o que se pode esperar de um petralha como vc?

Robespierre disse:
13 de julho de 2008 às 17:38

...axel, ignorância é compreenssível para quem não teve oportunidade e acesso à educação, já ignorância de quem teve oportunidade, como pessoas iguais a você, é má fé no mínimo, ou interesse de quem tem rabo preso.

É triste ver a classe média predadora e alienada comemorando a soltura de gatunos do andar de cima, como se fosse a coisa mais normal da vida e, talvez, seja mesmo, pois para esses fascistinhas de encomenda é terrível ver banqueiros, poderosos e canalhas experimetando a cadeia, já que entendem que essa foi feita para os pretos, pobres e putas.

Robespierre disse:
13 de julho de 2008 às 17:40

...a pergunta que não quer calar é outra: porque certos operadores do direito (sic) defendem com tanta garra gatunos e bandidos do andar de cima?

Seria por interesses inconfessáveis ou falta de caráter mesmo?

Silvio Curitiba disse:
13 de julho de 2008 às 18:04

Plantão do Jornal Passei-mal:
Ministro manda soltar os camelôs de Lages. Desconhece-se a filiação política dos perigosos contrabandistas.

Ramiro. disse:
13 de julho de 2008 às 18:54

Uma perguntinha que não quer calar. Se fosse feito exame de impressões digitais e de resíduos de DNA nas cédulas do suposto suborno o que apareceria? Só apareceria vestígios de mãos dos agentes federais.

Uma conversa num bar, foi gravada. A questão! Se estavam gravando e são tão competentes por que falta as filmagens do sujeito indo ao suposto apartamento, pegando o dinheiro e entregando ao delegado. Entre um fato e outro fica uma imensa lacuna. A única prova científica capaz de fazer nexo é estragada pela própria PF.

Ia me esquecendo, dão um pau nos caras que eles confessam e a "confissão é a madrinha de todas as provas".

Robespierre disse:
13 de julho de 2008 às 21:44

..."Para se entender a tranqüilidade do banqueiro DD é preciso relembrar atos e fatos do passado, notadamente do governo FHC (...) Privatização de um lado, e a compra dos votos para o 2º mandato de FHC foram abafados pela presteza do ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO". (Cony)

Quem era o Advogado-Geral da União? Pois é, hoje ele é o "supremo presidente" e continua muito prestativo.

Axel Figueiredo disse:
14 de julho de 2008 às 12:35

É só dar um pouquinho de corda para a petralhada botar o FHC na história.
Esse amor sem fim é inexplicável.

Axel Figueiredo disse:
14 de julho de 2008 às 12:39

Aliás, patuléia, vc ainda não respondeu:
Quantos peixes graúdos do PT já foram presos pela "avante PF" que vc e seu alter ego (ou vice-versa) idolatram?
Depois vem dizer q não são ações políticas?
Ridículo.

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