Em posse, Dilma pede mudanças no Código Penal e nas leis eleitorais

Agência Brasil

Se depender do discurso de posse da presidente Dilma Rousseff, na tarde desta quinta-feira (1o/1), o Código Penal e a legislação eleitoral sofrerão diversas mudanças nos próximos anos. Em nome do combate à corrupção, a presidente quer endurecer as leis penais. Entre as medidas que Dilma disse que seu governo enviará para o Legislativo estão transformar em crime o enriquecimento de agentes públicos sem justificativa; criminalizar o caixa dois eleitoral; permitir o confisco de bens adquiridos de forma ilícita “ou sem comprovação” por agentes públicos; e acelerar o julgamento de processos envolvendo o desvio de recursos públicos.

Segundo a presidente, será preciso ainda uma reforma para o Judiciário, de forma a dar mais celeridade e eficiência para julgar aqueles que têm prerrogativa de foro, chamado de “foro privilegiado”. Depois de clamar por penas mais duras e julgamentos mais rápidos, no entanto, Dilma disse que as mudanças não irão contra o direito de defesa. “Buscamos medidas mais duras, mas sem a condenação prévia dos acusados e sem prejudicar a defesa dos inocentes”, afirmou.

Na tarde desta quinta, a presidente Dilma Rousseff tomou posse do cargo para seu segundo mandato, que vai até o dia 31 de dezembro de 2018. A presidente prestou o compromisso constitucional às 15h30, jurando “manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil”. Depois de empossada, discursou até cerca de 16h20, discorrendo sobre programas de governo e sobre a tão falada “reforma política”.

À mesa estavam, além de Dilma e de seu vice, Michel Temer, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski; o presidente do Senado, Renan Calheiros; o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves; e o deputado Arlindo Chinaglia.

Durante discurso, além de citar pontos que vê como avanço de seu governo, Dilma se comprometeu a fazer uma “defesa permanente e obstinada, da Constituição, das leis, das liberdades individuais, da liberdade de expressão e dos direitos humanos”. Três dias depois que seu governo anunciou medidas que dificultam o acesso a benefícios previdenciários, a presidente discursou que é possível fazer ajustes na economia sem revogar direitos conquistados.

As mudanças propostas pelo governo recém-eleito sofreram severas críticas. Reportagem da revista eletrônica Consultor Jurídico apontou que, segundo a medida proposta, 80% dos trabalhadores jovens do país perderão o direito ao seguro-desemprego. Ainda assim, a presidente disse reafirmar seu “compromisso de manter direitos trabalhistas e previdenciários”.

Reforma na gaveta
Dilma também falou da necessidade de uma reforma política, “práticas politicas mais modernas, éticas e, por isso mesmo, mais saudáveis”. A reforma, lembrou a presidente reeleita, é responsabilidade constitucional do Congresso, “mas deve mobilizar toda a sociedade em busca de novos caminhos”.

A ideia foi reiterada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, em seu discurso, logo após o da presidente. “O Brasil pede reformas e a mais premente se arrasta no Congresso há anos. Reforma politica, longe de envelhecer, depois de mofar nos nossos escaninhos, é imperiosa pelo alerta da pulverização, já que a partir de agora contaremos com 32 partidos, sendo 28 legendas com lugar no Congresso”, reclamou o senador. “[A reforma] não pode seguir sendo unanimidade estática, onde todos são favoráveis, mas [o projeto] não avança um milímetro”.

Questão tributária
Depois de falar sobre a ampliação do Simples Nacional (cujas mudanças entraram em vigor nesta quinta-feira), a presidente afirmou ter propostas para facilitar o crescimento das empresas inscritas no regime tributário simplificado. “Quero mandar ao Congresso o projeto prevendo mecanismos de transição entre as categorias do Simples e demais regimes tributários. Vamos acabar com o abismo que faz com que os pequenos negócios tenham medo de crescer”, afirmou.

Marcos de Vasconcellos

é chefe de redação da revista Consultor Jurídico.

Marcos Alves Pintar disse:
01 de janeiro de 2015 às 17:54

Há alguns dias Dilma e o autointitulado "Partido dos Trabalhadores" baixaram uma medida provisória impondo grave retrocesso social, ceifando direitos previdenciários adquiridos pelos trabalhadores brasileiros a duras penas. No discurso, tratava-se no dizer dos petistas de "alguns ajustes", como se fosse algo bom ao trabalhador. De se esperar, assim, que as mudanças propostas terão como objetivo único perseguir os inimigos do próprio PT, que não são poucos, e azeitar os mecanismos de perpetuação no poder.

WLStorer disse:
01 de janeiro de 2015 às 19:03

É só discurso e corrupção, nada além. A posse da reeleita "presidenta" é mais um fato lamentável para a história do Brasil. Pêsames aos brasileiros dotados de moral e ética!

Mário Fernando Ribeiro de Miranda Mourão disse:
01 de janeiro de 2015 às 19:53

Não acredito até ver algo em concreto. O Governo proporá alterações nos ritos e recursos do CPP? A visão processual da presidenta pode ser mostrada caso ela decida vetar a "inovação" que veio substituir os embargos infringentes, que o Congresso não ousou extirpar por inteiro no novo CPC, com a convocação de desembargadores na mesma sessão ou em posterior.

Além do mais, ela falou de "forum privilegiado", o que parece me mostrar que ela não entende muito bem dos aspectos técnicos do processo.

Fernando Bornéo disse:
02 de janeiro de 2015 às 08:09

Eu não sabia que a Anta Presidente era comediante. Essa piada de que acelerará os processos para coibir o enriquecimento ilícito foi a melhor piada depois da campanha eleitoral. O que me impressiona é a desfaçatez do Ministério Público, da Procuradoria da República e porque não do Poder Judiciário, os quais, a partir dos inumeráveis indícios de envolvimento da Dilma e do Lularápio com todo esse esquema de desmonte da Petrobrás. Eles aprenderam com FHC muita coisa e, não se iludam se de repente em rede nacional de televisão, os criminosos petistas, protegidos pela mais alta corte do país e pelos órgãos de comunicação, a Presidente anunciar a PRIVATIZAÇÃO DA PETROBRÁS. Quem viver verá.

Citoyen disse:
02 de janeiro de 2015 às 08:20

Os DISCURSOS da PRESIDENTE, ontem, FORAM um ROSÁRIO de FRASES FEITAS e TRANSCENDENTALISMOS, em que, EM NENHUM momento, se ouviu senão vetores " de métodos alógicos de compreensão da verdade...", que transcendiam a toda a compreensão da verdade humana possível. E, para não faltar a pitada do LULLISMO, a que a Presidente está viciada, descobrimos que o BRASIL antes dos dois NÃO EXISTIU, e o BRASIL, a despeito de estar no MUNDO, começou a VIVER com eles. Será que tais premissas funcionam? Puxa, o pior é que, creio, funcionam, sim, desde que repetidos à exaustão, porque, mesmo que REPRESENTANDO a VONTADE da MINORIA do POVO BRASILEIRO, porque a MAIORIA NÃO A QUERIA MAIS ou QUERIA O OUTRO CANDIDATO. Todavia, pelo nosso sistema de contagem de votos, ou do que aparece nos relatórios de votos, ELA está lá, como Presidente. E com 39 ministros. E muitos da mídia dizem que NÃO SÃO 40, por razões óbvias. Senão seriam...! É uma maldade, mas a voz da mídia é a voz de Deus! E a DISTÂNCIA entre o DISCURSO de CAMPANHA, o DISCURSO do DIA da ELEIÇÃO e os de ONTEM é IMENSA, é INCOMENSURÁVEL. COMPROMISSOS já desapareceram, tais como OUVIR o POVO sobre a REFORMA POLÍTICA; tais como OUVIR o POVO, para a REFORMA TRIBUTÁRIA e FISCAL, porque são coisas diferentes, sendo que a FISCAL é pertinente, também, às DESPESAS e INVESTIMENTOS, enquanto a TRIBUTÁRIA somente aos TRIBUTOS e à sua repartição. E, finalmente, ELA ALTEROU DIREITOS TRABALHISTAS, reduzindo-os, embora tenha AFIRMADO (é incrível a ousadia dessa afirmação!) QUE NÃO ALTERARIA DIREITOS TRABALHISTAS. E o mais escandaloso é o fato de que o CUSTO para as EMPRESAS, nos primeiros 30 dias do AUXÍLIO DOENÇA é de CEM POR CENTO da REMUNERAÇÃO. Todavia, o CUSTO para o ESTADO, após, É MENOR, é a média de 12 meses.

Citoyen disse:
02 de janeiro de 2015 às 08:33

SIM, e prosseguindo, vamos para a parte final das observações. ELA se DECLARA pugnadora dos princípios CONTRA a CORRUPÇÃO. Mas, POR QUE MENTE? Como bem afirmou e reafirmou, além de PROVAR, o Prof. Carvalhosa, numa entrevista no Roda Viva, o GOVERNO LANÇA MÃO de TODOS os MEIOS para DESACREDITAR a VIGÊNCIA da LEI ANTI-CORRUPÇÃO. ATÉ sua DEPENDÊNCIA a uma REGULAMENTAÇÃO que NÃO FOI FEITA e acho que NÃO SERÁ, porque ELA NÃO PRECISA de REGULAMENTO, alguns MINISTROS do GOVERNO APREGOAM, enquanto a PRESIDENTE USA outro DISCURSO. É uma técnica anciã da dialética mendaz. MAS, se fala na CORRUPÇÃO, que NÃO QUER COMBATER, por que NÃO FALA no comportamento que os INDICADOS pelo GOVERNO deverão ter nos CONSELHOS de ADMINISTRAÇÃO das ESTATAIS? __ POR QUE NÃO FALA em ACABAR com o CONSELHO de ADMINISTRAÇÃO das ESTATAIS, já que as SOCIEDADES PODERIAM FUNCIONAR só COM DIRETORIAS??? __ SABEMOS QUE, nas ESTATAIS, ESSES CONSELHOS de ADMINISTRAÇÃO se prestam, tão somente, para ALAVANCAR REMUNERAÇÕES MENSAIS de POLÍTICOS, ENTÃO, POR QUE NÃO REDUZIR DESPESAS do ESTADO, ao invés de DIMINUIR DIREITOS dos TRABALHADORES? __ NÃO HÁ TAXA de DESEMPREGO no PAÍS? __ POR QUE NÃO FAZER CONCURSO E CONTRATAR PESSOAS SÉRIAS para a FISCALIZAÇÃO, tais como os FISCAIS do TCU ou da VIGILÂNCIA SANITÁRIA FEDERAL, como os destacados para trabalharem no SUL DO PAÍS, em SANTA CATARINA, por exemplo, QUE FAZEM UM EXCELENTE TRABALHO PROFILÁTICO, muitas vezes com a VIDA AMEAÇADA? __ E COMO FICARÁ A PRESIDENTE, quando os PROCESSOS INICIADOS NA JUSTIÇA AMERICANA a ALCANÇAREM, como membro do CONSELHO da PETROBRÁS, ADMINISTRADORA, portanto? __ ESTE ANO SERÁ PRÓDIGO de SURPRESAS. E ACHO QUE NÓS, ADVOGADOS, PRECISAMOS ESTAR MAIS ATENTOS PARA O QUE PODE E DEVE ACONTECER. É OLHAR a LEI!

Observador.. disse:
02 de janeiro de 2015 às 10:43

O Brasil está de luto e tal discurso só engana trouxa, militantes cegos e os desassistidos que precisam acreditar em algo para ter esperança.
Uma pessoa que fez foi Ministra, fez parte do Conselho da empresa e agora - ao assisti-la espoliada ao extremo - vem querendo fingir que nada tem a ver com isto.
Um país lamentável. Difícil conviver com tanta desfaçatez e sendo dirigidos por incompetentes que fazem do ar sério e da chamada "cara feia", uma cortina de fumaça para não deixar transparecer tamanha falta de saber e desconhecimento total de como gerir algo.Nem lojinhas de rua conseguiriam gerir sem quebrá-las.

Nazário Moreira Neto disse:
02 de janeiro de 2015 às 19:37

Todos os envolvidos nas corrupções desde o início do governo do PT é gente de confiança do Lula ou da Dilma, do partido que a elegeu ou da base aliada. Então, para ela mudar essa situação tem que dar um golpe e governar sozinha, visto que nem a oposição vai querer ajudar quem foi presidente do Conselho Administrativo da Petrobrás, Ministra das Minas Energia, quem indicou ou deixou essa quadrilha saquear e quebrar as estatais e os bancos públicos.

Palpiteiro da web disse:
02 de janeiro de 2015 às 22:38

Esse tipo de discurso só tem efeito na cabeça distorcida dos miseráveis ignorantes que, vêem nella seu espelho.
No "gúverno" do PT só existe discurso e nada de realização positiva.

Ademir Coelho da Silva disse:
03 de janeiro de 2015 às 09:04

Quem conduzirá a reforma do Código Penal? Quais integrantes? A coordenação da reforma será feita por juristas renomados ou por congressistas com conhecimento mediano de Direito? Se analisarmos os membros integrantes do Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado) chegaremos a conclusão de que são bem poucos os capacitados para conduzir a reforma do CP. Oxalá, venham convidar, por exemplo, Miguel Reale Junior, Luiz Flávio Gomes, Ives Gandra, entre outros, para conduzir a reforma. Profissionais competentes, que estudam e se dedicam com intensidade ao Direito e suas tendências.

daniel disse:
03 de janeiro de 2015 às 12:02

muita cara de pau da Presidenta, pois concedeu indulto (perdão da pena) até para quem cometeu crimes de corrupção....

Palpiteiro da web disse:
03 de janeiro de 2015 às 16:45

Observo que a Revista Conjur não preza pela liberdade de expressão ao restringir a publicidade de alguns comentários feitos por seus leitores, sobretudo, quando tais ideias são divergentes a linha de pensamento da citada Revista. Uma pena, pois a unanimidade nunca foi e nem será sinônimo de certo. A riqueza da democracia está justamente no debate de ideias, respeitando cada ponto de vista, ainda que divergente.

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