Execução antecipada pode voltar ao Pleno do STF nesta quarta

O ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal, pretende apresentar questão de ordem no Plenário nesta quarta-feira (21/3) para convocar o julgamento das duas ações que discutem a constitucionalidade da prisão antes do trânsito em julgado.

Nelson Jr./SCO/STF

Indefinição “produz insegurança jurídica”, segundo Marco Aurélio, relator de ações que discutem prisão antecipada.

A decisão foi tomada por ele depois que a presidente da corte, ministra Cármen Lúcia, deixou claro que não pretende chamar à pauta do Pleno os casos, que estão prontos para julgamento desde dezembro de 2017.

Marco Aurélio é o relator das ações, que pedem a declaração de constitucionalidade do artigo 283 do Código de Processo Penal. O dispositivo proíbe prisões antes do trânsito em julgado, a não ser em flagrante ou na aplicação de medidas cautelares. Uma das ações é de autoria do Conselho Federal da OAB e a outra, do PEN.

Nesta terça-feira (20/3), o ministro disse à ConJur que a presidente deve pautar o caso porque a indefinição “produz insegurança jurídica”. “Do jeito que está, não pode ficar”, disse o vice-decano.

Na noite de segunda (19/3), a TV Globo transmitiu entrevista com a ministra em que ela disse “não haver motivos” para levar o caso ao Plenário mais uma vez, apesar de as duas ações declaratórias de constitucionalidade sobre o assunto estarem liberadas para julgamento.

O ministro Celso de Mello tentou resolver o impasse propondo que Cármen convocasse uma reunião informal com os ministros “para trocar ideias” sobre o assunto e tentar responder às pressões de cima do tribunal – que ao final só expõem a ministra e fragilizam a corte institucionalmente. Mas “não houve interesse” por parte dela, disse Celso, nesta terça.

Porta a porta
Embora o assunto não estivesse na pauta formal do tribunal, os ministros passaram o dia enfrentando a questão. Representantes das entidades que pedem a declaração de constitucionalidade do 283 do CPP foram a diversos gabinetes nesta terça, liderados pelo advogado Juliano Brêda, conselheiro da OAB pelo Paraná, explicar que a discussão não envolve nenhum político, partido ou operação policial.

Trata-se de discutir questões constitucionais das mais fundamentais, o direito à liberdade e o princípio da presunção de inocência, disse Técio Lins e Silva, presidente do Instituto dos Advogados do Brasil (IAB), à ConJur. Eles foram aos gabinetes dos ministros Marco Aurélio, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

A preocupação dos advogados que foram ao Supremo era mostrar que, embora jornais tentem vincular a discussão da chamada execução antecipada ao ex-presidente Lula, as ações não têm relação com ele. “A ação foi protocolada em 2016, quando o ex-presidente nem réu era”, lembrou o advogado Fábio Tofic Simantob, presidente do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD).

“Ficou claro que os ministros têm consciência de que quem ‘fulanizou’ a discussão foi a ministra Cármen, e não nós”, disse outro advogado, que pediu para não ser identificado. O ex-presidente Lula teve a condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região em janeiro deste ano, e a execução da pena foi autorizada pela corte depois que sua jurisdição se esgotar.

Os ministros ficaram bastante impressionados com dados mostrados pelo defensor público Pedro Carriello, do Rio de Janeiro. Segundo ele, 50% das decisões penais do Supremo e do Superior Tribunal de Justiça melhoram a situação dos réus, seja para conceder liberdade, reduzir a pena, mudar o regime prisional ou resolver uma questão processual.

Segundo ele, os números são importantes para dar dimensão concreta à importância recursal. "E para mostrar que a disfuncionalidade do sistema é causada pelo Poder Judiciário: a enorme maioria dos recursos que apresentamos é para que o Supremo ou o STJ tomem decisões que já tomaram antes, mas foram desrespeitadas pelas demais instâncias", afirma Carriello. "São os tribunais de origem e a magistratura de primeiro grau que não seguem a jurisprudência e as tradições do Supremo."

“Não estamos ali defendendo político nenhum, muito menos partidos. Isso não tem nada a ver com ninguém, só com a cidadania, com a defesa dos princípios democráticos e de que ninguém pode ser preso antes de uma condenação definitiva”, disse Técio Lins e Silva.

“Não temos clientes, estamos representando instituições. O IAB tem 175 anos de história de defesa do Direito. Essa discussão de que estamos tentando proteger Lula ou o PT foi levantada pelos inimigos da liberdade.”

Pedro Canário

é jornalista.

Professor Edson disse:
20 de março de 2018 às 23:02

Até o fim para salvar Lula, esse é o o lema, né voto vencido.

Professor Edson disse:
20 de março de 2018 às 23:02

Até o fim para salvar Lula, esse é o o lema, né voto vencido.

Professor Edson disse:
20 de março de 2018 às 23:04

Perdeu na primeira, perdeu na segunda, mas, não vale nada.

Professor Edson disse:
20 de março de 2018 às 23:04

Perdeu na primeira, perdeu na segunda, mas, não vale nada.

Zé Machado disse:
21 de março de 2018 às 08:42

A presidente está a operar o mesmo jogo medíocre de Curitiba em conluio com a mídia. Se não é caso de flagrante ou de cautelar, que se cumpra a constituição, que não pode ser atingida pelas mazelas sociais, inclusive as do judiciário. Vamos ver se a CF tem mesmo guardiões dignos.

Zé Machado disse:
21 de março de 2018 às 08:42

A presidente está a operar o mesmo jogo medíocre de Curitiba em conluio com a mídia. Se não é caso de flagrante ou de cautelar, que se cumpra a constituição, que não pode ser atingida pelas mazelas sociais, inclusive as do judiciário. Vamos ver se a CF tem mesmo guardiões dignos.

BCRAS disse:
21 de março de 2018 às 10:15

Os “defensores da liberdade” alegam que tal julgamento não tem qualquer relação com partido ou candidato e que tais ações foram ajuizadas ainda em 2016, todavia, chama atenção o fato de que somente agora, nas vésperas da prisão do ícone esquerdista, estes autointitulados “defensores da liberdade” façam romaria ao STF para tentar pautar estas ações e revisar a jurisprudência da Corte. É coincidência demais para meu gosto.

Neli disse:
21 de março de 2018 às 10:59

A Corte não deveria servir para "salvar" quem foi condenado por duas instâncias.
Se o for sugiro:
a) acabe com as primeiras instâncias, já que não têm "capacidade jurídica" para julgar;
b) foro privilegiado para todos os brasileiros, desde o Zé da Esquina e Maria Ninguém.
Que o Supremo Tribunal Federal julgue a todos!
Sim, porque amanhã o STJ vai condenar “em 1ª Instância” e o condenado será um que não “merecia” ser condenado, então, dirá: a condenação só valerá aqui...
Antecipe o futuro, então!
Analisar literalmente os incisos do Art. 5º invés de seus princípios, suas diretrizes, nos Crimes contra a Administração Pública (e Caixa 2), sugiro: acabe com o STF e deixe apenas o computador julgar mediante um programa.
Seria menos custoso ao Brasil.
O Brasil é pobre e gastar com um Tribunal que aplica a lei Maior Literalmente é jogar dinheiro público no lixo, isto é, não ser aplicado no Interesse Público. Aliás, como o fez muitos dos condenados pelos Tribunais de segunda instância.
A crise que o Brasil atravessa(falta de saúde, saneamento básico, segurança, infraestrutura; gerações de brasileiros condenadas à eterna ignorância) se deve aos condenados que aplicaram dinheiro público indevidamente, invés de aplicar em prol do bem comum.
O Brasil se transformou no País selvagem. O crime venceu.
Tudo isso graças aqueles que receberam Autorização do Povo para agirem em prol do interesse público e agiram em prol do interesse pessoal .
E não adianta Intervenção Federal.
O crime, Excelências, venceu!
E o latrocida do erário continuará a elevar o interesse pessoal acima do bem comum.
O pobre Brasil continuará nesse eterno subdesenvolvimento e o que é pior:regredindo à brutalidade.
Que futuro os filhos da Pátria receberão?
Data vênia.

CarlosDePaula disse:
21 de março de 2018 às 11:05

Concordo com a Ministra Carmen: não houve alteração substancial sobre a composição da Corte. Por que motivo voltar à pauta em tão pouco tempo?
Qual a segurança jurídica em mudar de posição pouco tempo depois? Somente por que UM ministro (com "m" minúsculo) mudou seu posicionamento?
Ora, ora... cartas marcadas. Tribunal meramente político o STF.

Boris Antonio Baitala disse:
21 de março de 2018 às 11:21

Os Ministros falam em segurança jurídica. Mas que segurança é essa que hoje decide e amanhã volta à mesa para decidir de novo? Esse é o país da conveniência. Quando é o povo, vale a condenação. Quando é um político de nome, Ah precisamos rever!!! Toda essa balbúrdia, queiram ou não, só tem um motivo: Luiz Inácio Lula da Silva.

Leandro BR disse:
21 de março de 2018 às 12:10

193 de 194 países prendem após 1ª ou 2ª instância. Ganha um doce quem advinhar qual é o diferentão, a jabuticaba cuja suprema corte vive numa torre de marfim e abraça a impunidade (ok, não todos os ministros, mas a maioria, atualmente).

A CF fala que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado, mas prisão e culpa são coisas diferentes. Ademais, ter que esperar sempre o STJ e o STF, seria assumir oficialmente que a justiça não vale para os poderosos, que eles não precisam seguir a lei no Brasil.

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