O ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux é conhecido por ser um homem de múltiplos interesses extrajurídicos. Ele foi surfista na juventude, é faixa-preta de jiu-jitsu, toca guitarra e canta — habilidade que demonstrou ao interpretar Um dia de domingo, de Tim Maia, no jantar de posse de Joaquim Barbosa na presidência do STF, em 2012. Mas ele tem ainda outra faceta, menos famosa: a de humorista.

Este lado do ministro esteve em evidência na semana passada, quando ele participou do V Simpósio de Direito Empresarial, organizado pela Aliança da Advocacia Empresarial (Alae), e no café da manhã promovido pelo Nery Advogados sobre o Novo Código de Processo Civil, ambos ocorridos em São Paulo. Nos dois eventos, por diversas vezes Fux arrancou risadas da plateia com suas piadas e tiradas irônicas.
Sobre o caso mais polêmico que o STF está julgando, o do porte de drogas para uso pessoal, o ministro disse que a decisão da Corte vai prejudicar a criação de seus filhos: “Como eu vou falar para o meu filho não usar drogas se ele vai rebater ‘então por que você votou pela descriminalização’?” Após levantar a questão, Fux percebeu o que tinha feito: “Acho que já adiantei o meu voto, né?”. Ele ainda brincou que, quando o presidente da Corte, Ricardo Lewandowski, convocou um intervalo na sessão, pensou em perguntar se haveria “algo a mais” além do cafezinho.
Ao citar que se interessa por medicina e psicologia, o ministro contou que esse gosto o alçou à condição de “médico informal” de seus colegas. Frequentemente, diz ele, recebe ligações pedindo diagnósticos ou indicações de remédios. Porém, seu amigo advogado Sérgio Bermudes de vez em quando o recorda de que está exercendo ilegalmente a medicina — crime do artigo 282 do Código Penal — para intimidá-lo de brincadeira.
O Novo CPC, do qual coordenou a redação, também foi alvo de gracejos. Quando comentava que os recursos intermináveis agora nem sempre valerão a pena, pelo maior peso da jurisprudência e pela sucumbência recursal, Fux destacou que caberá aos advogados explicar essa situação a seus clientes. Mas processualista ressaltou que o problema é que eles são insistentes, e exigem que os procuradores recorram ao máximo. Para ilustrar esse comportamento, o membro do STF imitou a postura de um cliente desse tipo, que sempre deseja mais: “Ah, eu quero um recurso ESPECIAL. O que?! Existe um recurso EXTRAORDINÁRIO?! Eu quero um desses também!"
As críticas à obrigação de os juízes terem de fundamentar suas decisões — estabelecida no artigo 489 do Novo CPC — foram igualmente ironizadas por Fux: “Não tem como reclamar disso. Outro dia, um rapaz veio chorar pra mim que a namorada terminou com ele e não deu nenhum motivo. Eu recomendei que dissesse a ela que o término havia sido inconstitucional, pois ela violou o dever constitucional de motivar”.
Após todos esses gracejos, o público riu demoradamente. E não foram risadas protocolares, daquelas dadas somente para não constranger o palestrante. Com isso, Fux quebrou a sisudez do cargo, e mostrou que “ministros e juízes são homens simples e do povo”, como afirmou no meio da música em homenagem a Barbosa em 2012.

Esse é um tipo de reportagem bom de se ler.
Ao publicá-la, o repórter meio que imita o ministro enfocado, ao quebrar o ambiente de opiniões estritamente jurídicas desse Consultor.
Tem meu apoio e que venham outras.
De todos os ministros, Fux é aquele por quem sempre tive a maior simpatia. Parabéns ao ministro pela espontaneidade! Ao contrário de alguns pares que acham (outros têm certeza) que são divindades relacionando-se com mortais, o ministro Fux demonstra que ser ministro do STF não implica abdicar da sua pessoalidade e do jeito de ser inerente a cada ser humano. Agora, a melhor piada de todas, ministro, é afirmar que “ministros e juízes são homens simples e do povo”. Com certeza, MUITOS ministros e juízes estão dando gargalhadas dessa assertiva!
Parabéns ao Ministro!!! Nos mostra que por trás da toga, há um homem "de carne e osso" com qualquer um!!!
Parabéns ao Ministro!!! Nos mostra que por trás da toga, há um homem "de carne e osso" com qualquer um!!!
Deveria o ministro utilizar seu bom humor para abortar os penduricalhos de seus vencimentos; assessores para todo tipo de serviços, comissionados irrestritos que querem exasperar.... O Executivo foi vencido pelo seu topete na prodigalidade das burras púbicas, esse mesmo exemplo deveria ser objeto de alquimia nos STF, visando dar bons exemplos que "vem de casa", como conduzido por Lavoisier, estruturando um moderno STF, aliás, como na química moderna elaborada pelo parisiense aqui citado.
Com o perdão da sinceridade, mas este Ministro passa uma imagem um tanto questionável. Nem digo por esta cabeleira que, salvo redondo engano, parece comportar litros de colorante. Mas aquelas maquinações acima de suspeitas para conseguir a vaga na Corte (até o Zé Dirceu foi acionado à época). Agora esta faceta piadista que mais me parece indício de infantilidade/imaturidade, a qual refoge absolutamente a liturgia do cargo que ocupa. Decisões de ministros da corte máxima podem quebrar o país, condenar regiões inteiras ao marasmo, etc. Será que ele vai fazer piadinhas entre um acórdão e outro?
Realmente Fux e os seus possuem muito do que rir. Veja-se que somente com o auxílio-moradia que o Ministro concedeu por liminar a todos os magistrados brasileiros significa mais de 1 bilhão anuais no bolso dos juízes que já recebem os maiores vencimentos do mundo para a função. Nem precisa se preocupar com modificação da decisão, já que o Colegiado que ele faz parte julga quando quer, e decide "como pensa". Mas, enquanto uns riem e debocham da cara do cidadão comum, outros choram com as omissões do Estado, a alta carga tributária para bancar tudo isso, a ineficiência total que toma conta do serviço público de uma forma geral.
Para não chorar. Precisa ser dito ao Ministro humorista que o povo não tem motivo algum para sorrir, quanto mais dar gargalhadas. Normalmente quem está obrigado a pagar a conta gerada por terceiros não está muito a fim de "graça" não, especialmente quando a fatura vencida decorre de total irresponsabilidade de quem a emitiu garantindo a tradição do corporativismo.
O Brasil de hoje se aproxima em muito do absolutismo monárquico imediatamente anterior à Revolução Francesa. Por aqui não há regra, princípios, lei ou ordem, mas apenas a satisfação dos interesses dos agentes do Estado. O que é bom ou da vontade do agente público, para ele, é o "direito" a ser aplicado. A mazela atinge, indistintamente, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, e poderá nos levar a um caminho trágico. Muitos dos "nobres" que tiveram as cabeças decepadas pelas guilhotinas tinham o mesmo comportamento de Fux e outros.
Tem comentários aqui muito hipócrita: se o juiz é sisudo, não dá papo para advogado, cidadãos, logo há um para apontar o dedo e dizer: "olha a arrogância". Agora, se o sujeito brinca, procura se entrosar com os demais cidadãos, ai vem aquela ladainha que o cargo que ocupa não permite esse tipo de coisa, que o ministro ri por que ganha muito. Que pessoalzinho "cri-cri"!!! Fora do STF, o ministro é uma pessoa comum. Então, o ministro não pode rememorar um momento engraçado de sua vida, não pode expor para a plateia uma peripécia sua? Ou seja, ser ministro do STF é renegar o passado, a história do sujeito, aquilo que o singulariza como ser humano. O cargo não se confunde com a sua vida pessoal! Aliás, se não me engano, somente no militarismo é que o cargo público funde-se com a vida pessoal: ou seja, militar é militar 24 horas por dia! Ministro do STF, não!
Meus caríssimos!
O Ministro Luiz Fux é uma pessoa extremamente de bem com a vida; feliz. Qual o problema conciliar a função de Ministro com o lado humorista, surfista, cantor, etc.
É melhor do que termos Juízes, que parecem odiar as pessoas, Advogados e vivem infelizes, com tudo e com todos, inclusive com a função que escolheram!
Parabéns Ministro! Nota mil!!!!
O rancor de alguns comentários causa espécie. Talvez porque foram feitos a partir de um outro texto escrito, sem a "identidade física" do crítico para com a palestra do Ministro. É a famosa "crítica pela crítica". Eu estava na citada palestra da ALAE e as gargalhadas da plateia foram, de fato, espontâneas, por um motivo específico: não se falava de momento político do Brasil, de situação do Poder Judiciário, falava-se apenas de "causos". D.v., experimentem fazerem uma próxima crítica contextualizada, e não apenas a partir da cercanias das suas escrivaninhas.
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