Pedido de prisão do MP afeta mais a ordem do que críticas de Lula

O Ministério Público de São Paulo invocou a garantia da ordem pública para pedir a prisão preventiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, ao requisitar essa medida às vésperas de diversos protestos pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff que estavam marcados há meses, os promotores arriscam mais a paz social do que o petista o faz com suas críticas às investigações e discursos inflamando seguidores dele a protestar.

Essa é a opinião de diversos especialistas ouvidos pela ConJur. Para o ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio, a medida fortalece Lula e eleva a temperatura dos protestos. “Claro que [o pedido de prisão preventiva] colabora para se ter o acirramento de ânimos, porque Lula acaba se colocando como vítima. Com a condução coercitiva, Lula ressurgiu em termos políticos. Ele estava em banho-maria, e agora está a todo vapor”.

Fellipe Sampaio/SCO/STF

Está na hora de atuarmos com serenidade e temperança, diz ministro.

Na visão de Marco Aurélio, as opiniões do ex-presidente e sua influência política não são motivos suficientes para pedir o encarceramento provisório dele. O ministro também criticou a escalada de acusações à qual o Brasil vem assistindo e a ânsia social por punições. “Está na hora de atuarmos com serenidade e temperança, e tirarmos o pé do acelerador”.

O advogado Lenio Streck, professor de Processo Penal e ex-procurador de Justiça – que já atacou o requerimento do MP-SP –, afirmou que o ato dos promotores Cássio Conserino, Fernando Henrique Araújo e José Carlos Blat é contraditório, e questionou as motivações deles.   

“Podemos tirar boas lições do episódio. E entender que o pedido de prisão preventiva muito mais incentiva o ódio do que aquilo que o ex-presidente falou. Não esqueçamos que ele reagiu a uma ilegalidade cometida contra ele, a condução coercitiva. O pedido de prisão preventiva foi um tiro no pé. Ou não. É tão absurdo o pedido de prisão que não é desarrazoado pensar que o simples pedido, feito assim, açodadamente, já cumpriu o seu objetivo. É esperar para ver”, avaliou.

Nessa mesma linha, o professor de Direito Processual Penal da PUC-RS Aury Lopes Jr. — que teve trechos de seu livro usados de forma errada pelo MP-SP na petição — destacou que os promotores não avaliaram bem os possíveis efeitos da solicitação de prisão de Lula: “Não vou vincular a atuação deles a um estímulo para a manifestação, mas um pedido feito sem fundamento vai gerar um tumulto, considerando que Lula é um líder político”.

É “evidente” que uma eventual detenção do ex-presidente “causaria maior revolta e manifestações de seus simpatizantes do que a mera existência do processo”, garante o criminalista Rodrigo Dall' Acqua, também ressaltando que a liberdade de expressão “jamais” pode ser fundamento para a prisão.  

Por sua vez, o professor de Processo Penal da USP Gustavo Henrique Badaró criticou o uso amplo da expressão “ordem pública” para fundamentar detenções. “Há posicionamentos, justamente por essa excessiva largueza da expressão, no sentido de que a ordem pública poderia ser considerada como 'clamor público', 'sentimento de segurança pública', 'exemplaridade da Justiça' ou ainda 'correto funcionamento do poder Judiciário'", explica. Ele afirma que todos os exemplos apontados não trazem necessidade de prisão como medida cautelar, mas são usados antecipar a pena.

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"Não temos mais espaço para xerifes no Brasil", afirma Leonardo Sica.
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Mudança de paradigma
A operação “lava jato” e as investigações contra Lula estão mudando o funcionamento da Justiça no Brasil, alegam o presidente da Associação dos Advogados de São Paulo (Aasp), Leonardo Sica, e o criminalista Fabrício Oliveira Campos.  Este esclarece que “já viu muita coisa na vida”, mas “essa é a primeira vez que vejo um pedido de prisão preventiva pela ordem pública ameaçar a ordem pública”. Segundo ele, nessa situação, em que posições extremadas dos dois lados formam um caldeirão de pólvora, a última prova para [garantir] a estabilidade e ordem pública é um pedido de prisão preventiva”.

Já Sica declarou que o MP-SP “jogou lenha na fogueira” ao levar a público o requerimento de detenção provisória do petista, algo que, geralmente, apenas o juiz tem conhecimento. Com isso, os promotores também impuseram uma pressão excessiva à juíza Maria Priscila Ernandes Veiga Oliveira, da 4ª Vara Criminal de São Paulo, que decidirá se aceita ou rejeita a solicitação.

Tal conduta reflete a excessiva atenção que a Justiça brasileira vem dando à voz das ruas, argumentou o presidente da Aasp. Um reflexo disso, apontou, é a transformação de membros do MP em “xerifes”, algo que pode ser exemplificado por Conserino, Araújo e Blat terem pedido para fazerem pessoalmente a prisão de Lula, função esta que é natural da polícia.

Sérgio Rodas

é editor da revista Consultor Jurídico no Rio de Janeiro.

Gabriel da Silva Merlin disse:
11 de março de 2016 às 19:55

Realmente esse pedido de prisão preventiva parece ter sido bem non sense, mas quem incitou os militantes a guerrear nas ruas contra opositores foi o brahma, quem incitou que os petistas atacassem a imprensa foi o brahma.

Evidente que um erro não justifica o outro, mas o brahma santo só se for como madre lula do Guarujá, com o milagre da reforma no triplex e no sítio.

Marcos Alves Pintar disse:
11 de março de 2016 às 21:45

O que é preciso entender nessa história é que a ordem pública também resta violada quando os agentes públicos agem fora da lei.

Professor Edson disse:
11 de março de 2016 às 21:51

Vai começar a blindagem, quem sabe o mesmo, acusado de tantos crimes graves assuma o ministério da justiça.

Professor Edson disse:
11 de março de 2016 às 21:51

Vai começar a blindagem, quem sabe o mesmo, acusado de tantos crimes graves assuma o ministério da justiça.

Valdecir Trindade disse:
11 de março de 2016 às 21:58

A seguir o raciocínio de um segmento dos operadores do direito, em especial o sempre voto vencido ministro Marco Aurélio, certas espécies de criminosos tem direito a data e hora para serem reprimidos. Onde chegamos!

Gustavo P disse:
11 de março de 2016 às 22:26

LULA para MINISTRO DA JUSTIÇA!!

MARCOS ALVES PINTAR para secretário da reforma do poder judiciário!

MASMORRA para o promotor e GALÉS para os agentes públicos!!

Igor M. disse:
11 de março de 2016 às 22:33

Mas não se aplique este pensamento somente ao Lula. Quando algum promotor pedir a prisão preventiva pela garantia da ordem pública de algum traficante ou miliciano, por exemplo, o juiz não deve aceitar o pedido, pois, no caso, afetará mais a ordem pública do que mantê-lo solto: seus comparsas podem ir às ruas, revoltados, e atacar a população.
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Esse é o direito penal do medo!
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Em tempo: contando com Lula, foram sete denunciados com pedidos de prisão preventiva. Porque somente se fala do Lula, heim?! Ah, o partidarismo...
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Em tempo 2: não vejo fundamentos fáticos válidos para uma prisão preventiva neste momento! Falo isto antes que venha algum sectário me atacar...

Flávio Marques disse:
11 de março de 2016 às 23:29

Kkkk... Excelente! Os melhores cargos para os ditos sabichões!!! Kkkk!!!

Agora, o marginal-coitadinho pode incitar a militância dos à toa e arruaceiros (porque, convenhamos, quem trabalha mesmo não tem tempo para ficar fazendo protesto a tarde, durante a semana!). O "luli gente boa sabe de nada" pode esbravejar palavras de ódio, rancor etc e isso não é incitar o confronto, não é colocar em xeque a ordem pública?!

Realmente, é a mais pura verdade a música "czerwona zaraza" ("praga vermelha"), da banda polonesa de press! Eles sabem muito bem o que é estar sob a "égide" da praga vermelha!

eliabe valverde de souza disse:
11 de março de 2016 às 23:58

O MST tem feito atos de violência por todo país para defender seu messias.

Vladimir de Amorim silveira disse:
12 de março de 2016 às 00:39

Tem que pedir exame de sanidade mental nesse promotores nazistas e tucanos.

João B. G. dos Santos disse:
12 de março de 2016 às 08:57

O Lula não conhece limites nas suas ações e não mede se preocupa com as consequências dos seus atos. Ao agir assim passa por cima de leis, pessoas e sonhos. Exemplo disto: Escolheu pessoalmente e fez eleger a presidente Dilma que como o seu mentor mal se expressa no idioma português e despreparada arrasou o país. Agora o Lula adotou um discurso incendiário que incita a população contra a ordem pública. E quando a sua prisão preventiva é legalmente requerida ao Poder Judiciário fundamentada justamente no pressuposto da ordem pública surgem objeções de todas as espécies. O Direito não se aplica ao Lula?

João B. G. dos Santos disse:
12 de março de 2016 às 09:00

...e não mede e nem se preocupa ...

Observador.. disse:
12 de março de 2016 às 09:43

É sério isto?
Por isso vi com muita tristeza a notícia sobre a conduta do MP SP.
Sabia que iam aproveitar para "nadar de braçada" e, à partir daí, explorar todo tipo de "medo" e quetais envolvendo o nome do ex-Presidente da República.
Lamentável o momento que vivemos.
O que o apego ao poder não faz com as pessoas.
Para estes....o povo deve ser mero enfeito.Serve para votar de forma manipulada e encher as burras do Tesouro com o suor, sangue e sacrifícios da labuta de empreendedores e trabalhadores.

Observador.. disse:
12 de março de 2016 às 09:44

EnfeiTE

MarcolinoADV disse:
12 de março de 2016 às 16:52

Lulão e cia ltda. não me agradam nada. Ao contrário. São prejudiciais ao país, embora nada muito diferente da oposição que está surfando na onda atual.

Todavia, li a denúncia - muito mal escrita e confusa, diga-se de passagem - e os "fundamentos" do pedido de prisão.

São risíveis. Convocação de entrevista coletiva, flagra de uma conversa privada, visita que lhe foi feita pela presidente, ingresso de medida judicial - aceita - para não comparecer ao depoimento.

Ora, o pedido parece ter sido feito por crianças choronas e mimadas que "querem porque querem".

Pois é. "Queriam porque queriam" que a prisão tivesse sido decretada nessa sexta-feira e que figurassem como heróis nacionais.

Passaram vergonha e denegriram a imagem da instituição (bem seletiva quanto a escândalos e com muitas gavetas esquecidas) da qual fazem parte.

Esses são os fiscais da lei? "Tâmo bem"...

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