Entrevista: Mário Rosa, consultor de crises e jornalista

Spacca

Tradição dos lares brasileiros, a telenovela ganhou nova forma e horários. Agora, o cenário é bem mais simples: uma bancada com um ou dois apresentadores. E a exibição é de manhã, depois do almoço, às 20h30 e de madrugada. No enredo imutável, âncoras e repórteres mostram como a República está sempre por um fio. Os picos de audiência apontam que a fórmula agrada ao público.

Ganhador do prêmio Esso quando jornalista, o atual consultor de crises Mário Rosa constata que o público não quer mais saber quem matou Odete Roitman. Ele quer ouvir os áudios das conversas privadas do presidente. Ou ver vídeos de parlamentares pegando malas de dinheiro. O ponto alto da adrenalina agora é durante o noticiário.

Na análise de Rosa, essa dinâmica da produção jornalística tem motivações financeiras. Em um momento de crise econômica e disputa por atenção de um público ávido por smartphones a imprensa se vê tendo acesso a um material com alto potencial de audiência.

O jornalismo da 'lava jato' é um jornalismo cartorial, que vem com número de protocolo, que reproduz o discurso do Estado.

A fonte é o Estado, mesmo que as denúncias também sejam contra ele – o Estado são vários. Ministério Público Federal e Polícia Federal gastam milhões de sua verba para produzir áudios, vídeos e fotos comprometedores. Esse material é repassado a algum dos jornalistas que formam o círculo de proximidade. Mas alguém já disse que não existe almoço grátis. E nesse caso, o preço é a lealdade.

O Ibope está garantido. Mas é preciso que a denúncia seja publicada da forma que foi entregue, caso contrário, será exilado do grupo que furos jornalísticos prontos para o consumo a custo zero. Também está no contrato que além do filé, o músculo também deve ser ingerido. Para continuar recebendo notícias de impacto, o jornalista deve também publicar teses e devaneios de vez em quando. Para fortalecer as acusações.

Colocar os jornalistas para realmente investigar os fatos levantados nos processos, fazer o jornalismo que se aprende nos filmes e nas aulas, lembra Rosa, custa caro.

Se a cobertura da “lava jato” custasse R$ 5 milhões por dia, ela não seria feita.

A visão de Mário Rosa vem dos três lados do balcão. Já foi repórter, é consultor de crises e foi alvo de investigações. Com sua experiência junto às engrenagens da imprensa, Mario Rosa ajuda empresários e políticos a navegarem no tumultuoso mar do escracho público. De Léo Pinheiro a Ricardo Teixeira, de Fernando Henrique Cardoso a Lula, passando por Paulo Coelho. Recorre ao consultor quem vê sua imagem ser atacada publicamente.

Em junho de 2016, a visão de Mario Rosa sobre seu próprio trabalho mudou. Ele acordou com a Polícia Federal batendo na sua porta. Busca e apreensão. Era investigado por ter um contrato com a empresa de Carolina Oliveira, mulher do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel. O chefe do Executivo mineiro é investigado na operação apelidada de acrônimo.

Não parou aí. A PF fez busca e apreensão em mais de dez empresas com as quais Rosa tinha contrato. Seu nome apareceu no noticiário. O casamento acabou e muitos negócios foram perdidos.

A tentativa de cura veio pela escrita. Rosa lançou recentemente o livro Entre a Glória e a Vergonha, no qual conta seus 25 anos como consultor das pessoas mais poderosas do país, no momento em que estão mais fragilizadas.

Em visita à redação da ConJur, logo antes do suicídio do reitor da UFSC, Luiz Carlos Cancellier de Olivo, o jornalista comentou os efeitos deletérios da escalada do punitivismo no noticiário nacional.

Leia a entrevista:

ConJur – Neste momento, o senhor acredita que seja possível algum veículo grande atuar criticamente com distanciamento em relação ao fenômeno dos escândalos políticos nos noticiários?
Mario Rosa –
A questão é que se trata de um monopólio. Tivemos a crise do petróleo duas vezes, nos anos 1970 e nos anos 1980, e quem é que podia atuar criticamente contra a OPEP [Organização dos Países Exportadores de Petróleo]? Se você era dependente do petróleo, você tinha que aceitar o preço da OPEP. Hoje em dia, falando de informação, a OPEP é o Estado brasileiro. É a instância que detém o monopólio das informações e controla o fluxo de como elas são liberadas e a questão da exclusividade. Alguns veículos com menor relevância no cenário global das comunicações podem se dar ao luxo de remar contra a maré, mas a grande mídia não consegue ficar de fora. Ela tem que entrar nesse jogo e isso significa se submeter à essa regra de disputar a exclusividade de informações de furos, de nomes, da nova acusação, do novo vídeo, do novo áudio, do novo papel — essa gincana é interminável. O monopólio impõe as regras, essa é a característica dos monopólios. E hoje nós temos um monopólio de informações por parte do Estado brasileiro, e uma imprensa dependente. Qual o resultado disso? Uma imprensa que não pode fazer outra coisa a não ser aceitar as regras.

ConJur – Como funciona essa dinâmica que move a imprensa?
Mario Rosa –
A imprensa se tornou dependente de uma mecânica de muita adrenalina nas manchetes e nos telejornais. Em um momento de fragilização da audiência e de busca de alternativas para lidar com novos veículos, essa crise de escândalos políticos vem retardando um pouco a perda de influência relativa, que naturalmente seria mais acelerada. Todo dia parece que o fim do mundo vai acontecer e todo dia alguma revelação bombástica vai acontecer. Isso vem obscurecendo a realidade do país que é muito maior, muito mais ampla, muito mais complexa do que o noticiário policial da política. Nós conseguimos uma coisa notável: produzir telejornais mais engenhosos do que as telenovelas.

ConJur – No que se sustenta esse modo de atuar dos veículos jornalísticos?
Mario Rosa –
Esse é um tipo de jornalismo que, economicamente, num momento de crise econômica dos veículos de comunicação, oferece uma alternativa que é imbatível. Custa zero para ser feito e atrai uma audiência gigantesca. A emissora não gasta nada para ter acesso a um depoimento de um delator, gasta zero para ter uma foto de R$ 51 milhões escondidos em um apartamento qualquer e não gasta nada para ter acesso a algum tipo de áudio.

ConJur – Mas, isso não foi sempre assim? O que é que tem de diferente agora?
Mario Rosa –
Agora é uma produção industrializada. Nós estamos vendo uma pandemia de escândalos. Prova disso é que metade dos telejornais hoje é mostrando as denúncias e a outra metade é lendo as notas dos acusados. Virou um rádio. Só que é importante entender que o conteúdo é gratuito para os disseminadores, mas a sociedade paga isso.

ConJur – Então o tom do noticiário tem motivação econômica?
Mario Rosa –
Se a cobertura da “lava jato” custasse R$ 5 milhões por dia, ela não seria feita. Alguns anos atrás, para produzir uma grande reportagem, era necessário deslocar um repórter, gastar com recursos, combustível passagem aérea, diárias para o cinegrafista, transmissão dos dados. Hoje tudo é dado de graça. Basta gravar uma passagem em um lugar próximo da emissora e editar. Está feito um VT de altíssimo impacto e talvez exclusivo, sem gastar nada. Como é que substitui um VT que pode ser bombástico e que não gasta nada por um outro que tem que gastar muito e que pode ter menos audiência? Então, os detentores desses conteúdos passaram a deter um monopólio de uma informação subsidiada ou praticamente gratuita, que pode ter impacto sobre a audiência das televisões e as manchetes dos jornais e num momento de fragilidade econômica, torna os veículos dependentes e quase que suseranos.

ConJur – A imprensa brasileira já atuou de forma diferente?
Mario Rosa –
A imprensa dos anos 1970, que combateu a ditadura no Brasil, desconfiava do Estado. Fez um grande capítulo da história do jornalismo brasileiro justamente no enfrentamento e no questionamento, buscando as frestas. Inclusive grandes capítulos foram feitos naquele momento, com a publicação de receitas de bolo e toda aquela história que quem é do jornalismo conhece. Justamente nos pequenos enfrentamentos silenciosos, no dia a dia das redações em relação aos poderosos, vinha à tona aquela velha frase que "o jornalismo é feito para afligir os poderosos e dar poder aos aflitos". Agora, em nome de combater a corrupção na política, a cobertura é absolutamente chapa branca. O jornalismo basicamente tem feito uma cobertura oficialista com base em documentos oficiais, gravações oficiais, vazamentos oficiais, offs oficiais.

ConJur – Não há mais investigação no jornalismo?
Mario Rosa –
O jornalismo da “lava jato” é um jornalismo protocolado, com carimbo. Não podia ser mais lusitano, é um jornalismo cartorial, que vem com número de protocolo, que reproduz o discurso do Estado. Só que como a imprensa se preparou a duvidar do Estado quando o Estado era o Executivo, sobretudo durante a ditadura, ela parece que nunca desconfiou do Estado em sua face de Judiciário ou de Ministério Público.

ConJur – Qual o risco para a sociedade de um jornalismo feito dessa forma?
Mario Rosa –
Amadurecer é sempre mais triste. Descobre-se que o Papai Noel não existe… Tem uma série de perdas, mas há outras recompensas. Esse jornalismo chapa branca que nós estamos vivendo, se tivesse sido praticado na época do delegado [Sérgio] Fleury [torturador da ditadura militar], teria conseguido vilanizar uma série de inocentes. Ele tentava emplacar que as mortes tinham ocorrido em trocas de tiros, mas as redações reagiam. Nós agora estamos vendo serem publicados os releases do delegado Fleury.

ConJur – Muito do noticiário é sobre delitos que realmente aconteceram. Mas também é noticiada muita cortina de fumaça, coisas que, de crime, não têm nada. Esse erro é consciente ou inconsciente?
Mario Rosa –
Aqui temos que voltar ao monopólio. Quando todos querem comprar um determinado carro, a distribuidora fecha acordos de mandar 30 carros do modelo desejado para a concessionária, mas desde que o pacote inclua também quatro outros modelos que têm pouca saída. As reportagens vindas das fontes oficiais têm a mesma lógica. Como tem 30 matérias que são muito desejadas, isso abre margem para que seis fantasias, seis elucubrações, seis hipóteses, seis depravações, seis ilusões, sejam repassadas também. A imprensa, muitas vezes, ou não sabe distinguir uma coisa da outra, ou simplesmente entuba, porque não está fazendo jornalismo, mas agindo como mera distribuidora.

ConJur – Então a imprensa se fez refém?
Mario Rosa –
O poder de barganha da concessionária com a indústria é muito pequeno. Na nossa conversa, a indústria são aqueles que produzem o conteúdo original, que são as gravações e os áudios e tudo. Então a imprensa tem que aceitar as regras da indústria e daí em diante tem que distribuir do jeito que ela pode. É nesse espaço que a cidadania vai ser afetada.

ConJur – E essa visão será sempre a predominante?
Mario Rosa –
Acho que no futuro vai haver uma revisão. Se você chegasse em 1973 e começasse a falar para as pessoas que estavam acontecendo muitos abusos, que havia muita tortura, e que muita gente estava sofrendo, muitos estranhariam, mesmo sendo a visão que temos hoje daquele tempo. Tivemos o milagre econômico, mas novelas e filmes sempre retratam o período de uma forma tensa e triste, com as perseguições. Talvez a novela, daqui a 30 anos, não retrate esse ufanismo denuncista, mas sim as vidas destruídas por ele.

ConJur – Mas é uma fórmula de sucesso colocar na “força tarefa” a Polícia, o Ministério Público, o juiz e o jornalista. Acha que isso se esgota tão cedo?
Mario Rosa –
Não, porque um quer a permanência do outro. Por isso que tem esse tabu de que não se pode mexer com a “lava jato”. Com todo o respeito aos membros da “lava jato”, que são pessoas admiráveis em todos os aspectos, mas se houver um terremoto em Curitiba, o Brasil vai voltar ao padrão africano de miséria moral? Nós dependemos de 20 pessoas? Temos muita gente no Ministério Público e muitos magistrados que estão prontos para assumir qualquer função e partir do ponto em que está e aprofundar.

ConJur – O protagonismo do Judiciário é um problema?
Mario Rosa –
Acho que tem dois extremos. Têm profissões em que a fama revela muito. O jogador de futebol, quando não é famoso, é porque certamente não está fazendo alguma coisa direito. E o juiz, quando é famoso demais, certamente não está fazendo alguma coisa direito. O jogador é para ser muito famoso e juiz é para ser pouquíssimo famoso. Nós já tivemos um tempo em que os ministros da Fazenda eram muito famosos, já tivemos um tempo em que os ministros do Exército eram muito famosos. Hoje, ninguém sabe nem como é o rosto do ministro do Exército, graças a Deus, e isso não é porque o ministro do Exército hoje seja ruim, é porque a democracia está boa. Então, quando nós começamos a ver juízes muito famosos, é porque nós estamos com algum tipo de falha no nosso sistema.

ConJur – O senhor tem como clientes pessoas que fizeram delações. Como é para o empresário esse processo de delatar?
Mario Rosa –
Antes da “lava jato”, ele se reunia com autoridades do Estado para obter vantagens pessoais e empresariais em um ambiente onde não havia exatamente muita transparência e as regras não eram muito claras. Esse era o ambiente onde ele negociava com autoridades. No caso, pagando propina. Hoje, quando ele vai fazer uma colaboração, ele se senta com autoridades do Estado para obter vantagens pessoais e empresariais em um ambiente onde não há muita transparência e as regras não são muito claras. É a mesma coisa, só que agora, em vez de ele pagar propina, é exigido que faça gravações de vídeo e declarações. “Uns que pedem dinheiro, outros pedem vídeo”, eles pensam.

ConJur – A falta de critérios é um problema?
Mario Rosa –
Não consigo — e acho que ninguém consegue — entender por que um fulano consegue tal benefício, com tal colaboração, pagando determinada multa. É tudo muito subjetivo. Não foi essa subjetividade que levou aos preços superfaturados, a contratos, a formação de cartéis, a tudo isso?

ConJur – Qual é a margem de manobra de uma pessoa que é pendurada nesse pau de arara da opinião pública, e que não encontra socorro nem no Judiciário e nem na imprensa?
Mario Rosa –
A professora Lilia Moritz Schwarcz fez um livro maravilhoso chamado A Longa Viagem da Biblioteca dos Reis. É sobre o esforço muito grande no meio da fuga de Lisboa, em 1808, para trazer a biblioteca real, que era um símbolo do conhecimento. Mas, ela começa o livro num determinado momento mostrando que no ano de 1750 Portugal foi o último país a abolir a inquisição. Narra os episódios de como, na época, em geral aos domingos, as pessoas iam com suas melhores roupas para a praça ver as pessoas serem queimadas. Somos herdeiros dessa espetacularização da destruição do alheio, e de uma sensação mista de prazer e de depuração, nós viemos disso, isso nos antecedeu.

ConJur – O prazer pela humilhação pública está maior do que a vontade de corrigir os problemas?
Mario Rosa –
É importante notar que toda vez que houve uma mudança na tecnologia, houve uma mudança na ética. A agricultura acabou com o canibalismo, pois não era mais necessário devorar pessoas para se alimentar. Foi uma revolução na moral, pois se podia preservar o valor ético da vida, como consequência de um avanço tecnológico. Depois veio o James Watt [que inovou a máquina a vapor], que foi o verdadeiro libertador dos escravos. Começou a Revolução Industrial e foi criada a necessidade de pessoas livres para consumir. A Inglaterra começa então a coibir o tráfico negreiro. Então, a Revolução Industrial criou um ambiente propício à valorização do valor ético da liberdade. Neste momento, estamos vivendo uma revolução, que tem no seu epicentro a própria tecnologia. É evidente que estamos vivendo uma mudança de comportamento e de ética. Uma parte dessa pandemia de escândalos é que uma grande parte dos nossos líderes continuou se comportando, vamos dizer assim, com os condicionamentos analógicos. Somos a primeira geração a sair do analógico para o digital, não tivemos uma que nos antecedeu. As próximas vão aprender com os nossos erros. Os dados digitais nunca são privados e ainda estamos vendo qual ética se desenvolverá a partir disso.

ConJur – Por conta dessa guinada ética da opinião pública, os seus clientes passaram a chegar mais fragilizados?
Mario Rosa –
Sim, pois a prisão muda tudo. Eu tive clientes que foram presos, já tive situações de assinar o contrato em um dia e o cliente ser preso dois dias depois. Tive situações também de conversões morais súbitas que me chamaram a atenção. Eu senti que meu primeiro cliente a fazer delação tinha “se convertido” quando ele falou: "Mário, a minha família ajudou a construir o Brasil durante 50 anos e, agora, nós vamos ajudar a construir por outros meios". Pronto, estava totalmente coerente a incoerência que ele estava fazendo. Conseguiu uma justificativa moral e construiu a coerência da incoerência dele numa frase.

ConJur – E sua experiência de ter virado alvo de alguma ira da opinião pública?
Mario Rosa –
Graças a Deus eu pude passar por um escândalo e ser vítima de uma execraçãozinha para poder também ter um pouco menos de arrogância e petulância que eu tinha no passado. Eu agradeço muito ao destino de eu ter podido ter tido esta oportunidade, para conseguir sintonizar essa frequência.

Márcio Chaer

é diretor da revista Consultor Jurídico e assessor de imprensa.

Marcos de Vasconcellos

é chefe de redação da revista Consultor Jurídico.

Fernando Martines

é repórter da revista Consultor Jurídico.

analucia disse:
15 de outubro de 2017 às 08:13

Faltou dizer que o entrevistado é de Esquerda, logo tem todo o mimimi de comunista.

Rejane Guimarães Amarante disse:
15 de outubro de 2017 às 12:51

Adorei a expressão "offs oficiais" ! Congratulações para todos os jornalistas do Brasil e do mundo e, em especial, para Mário Rosa, Márcio Chaer, Marcos de Vasconcellos e Fernando Martines. A Lava Jato é um fenômeno "midiático" em todas as acepções que esse termo usualmente contêm e outras tantas que foram reveladas ou criadas pela Lava Jato. Nunca antes na história desse País e da história do mundo um assunto gerou tanta notícia, debate, informação e desinformação. É compreensível o drama do jornalista da grande mídia como foi bem explicitado pelo Mário Rosa. E o jornalismo não nos faltou nas redes sociais, nos canais de vídeo, nas gravações por celulares, nos áudios duvidosos de pessoas que supostamente imitam a voz de "autoridades" e "entregam o ouro", chegando-se à "sofisticação" de justificar que não importa se foi mesmo a pessoa que falou, importa que "a mensagem é verdadeira". Então, temos o jornalismo "chapa branca" e o jornalismo investigativo, que posta denúncias na internet ao lado de postagens de "fake news". E assim como nos livros sempre lemos a advertência " qualquer semelhança com pessoas e fatos reais é mera coincidência", ao final de cada transmissão ou postagem somos advertidos de que "se é verdade ou não, tire suas próprias conclusões" e, ainda, "deixe seu comentário". O comentário influencia a notícia ?

Helena Meirelles disse:
15 de outubro de 2017 às 16:08

O Mário Rosa, de esquerda? Só se for na apuração do MPF...

O IDEÓLOGO disse:
15 de outubro de 2017 às 16:16

Simplesmente é massacrada.

Observador.. disse:
15 de outubro de 2017 às 17:12

Eu achei.
Vejo que o país se encontra cada vez mais divido. O apelido preferido para usarem uns contra os outros é "fascista", palavra muito deformada e que serve para todo tipo de gosto.
Lembrar que Mussolini era editor do Jornal do Partido Comunista, antes de criar o Fascio de Combatimento, ninguém quer lembrar.

Voltando ao artigo.
Gosto de, em vez de gravitar em torno das crises instaladas, procurar entender suas causas.
Para mim, muito do que vivemos no país, hoje em dia, tem sua origem em um trecho, uma análise feita pelo entrevistado.
Se não refletirmos, em vez de só reagirmos a tudo o que acontece, teremos um país com "players" diferentes, com tecnologias que agradam nosso lado voyeur....mas o jogo continuará o mesmo. Mais moderno, é verdade, mas o mesmo jogo.

Segue o trecho:
"Antes da “lava jato”, ele se reunia com autoridades do Estado para obter vantagens pessoais e empresariais em um ambiente onde não havia exatamente muita transparência e as regras não eram muito claras. Esse era o ambiente onde ele negociava com autoridades. No caso, pagando propina. Hoje, quando ele vai fazer uma colaboração, ele se senta com autoridades do Estado para obter vantagens pessoais e empresariais em um ambiente onde não há muita transparência e as regras não são muito claras. É a mesma coisa, só que agora, em vez de ele pagar propina, é exigido que faça gravações de vídeo e declarações."

Enquanto tivermos Estado obeso e regras pouco claras , e pessoas ganhando muito dinheiro(de forma legal ou ilegal)com isso, o país estará condenado a ser sempre aquele que foi, sem nunca ter sido.Um país riquíssimo, de povo valoroso, mas com elites egoístas, que se alimentam da dúvida, da confusão e da divisão social para manipular e jamais serem questionadas.

paulo alberto disse:
15 de outubro de 2017 às 18:25

Passado ja passou........agora a realidade e outra, a imprensa antiga, que detinha os meios de publicar o que tinha interesse, agora com a internet, não depende que lado o jornalista esta, para a informação espalhar.

Eduardo. Adv. disse:
15 de outubro de 2017 às 19:56

O Conjur, não raras vezes, dá a entender que escolhe "um lado", mais precisamente o lado das posições que divergem do "discurso do Estado".
Hoje, após ler nota no "O Estado de São Paulo", indaguei-me sobre a eficiência do Estado na persecução penal (art. 37, caput CF). A inquietação com o tema deveria manifestar-se em Juristas, independentemente de eventuais defesas em causas que viessem a, eventualmente, assumir.
Deveriam os demais Juristas (a exemplo do já feito por Modesto Carvalhosa), indagarem e darem resposta à sociedade e à comunidade jurídica, afinal "Ubi jus ibi societas. Ubi societas ibis jus".
Gostaria muito de já ter visto resposta a tal dilema em colunas necessárias do Conjur. De modo geral, gosto muito do que leio às quintas-feiras. Sempre com o "pé atras", todavia.
Hoje, 15/10, OESP, pg. A4 - Coluna do Estadão ( Andrea Matais): "Joesley chama juristas para defender delação". Vale a pena ler...

Eduardo. Adv. disse:
15 de outubro de 2017 às 20:06

Depois de ter sido pego confabulando com Andreia Neves (irmã de Aecio) e passar a "impressão" de que as suas posições jornalísticas não eram tão imparciais, Reinaldo Azevedo adota quase diariamente o mesmo discurso de que "cobertura da 'lava jato' só reproduz discurso" da "lava jato".
E a cobertura "imparcial" não-estatal, reproduz versões de quem?

Sidnei Santos disse:
16 de outubro de 2017 às 07:33

O entrevistado deve ter se confundido ao dizer "(...) e num momento de fragilidade econômica, torna os veículos dependentes e quase que suseranos."
Certamente quis dizer "vassalos", ao se referir aos veículos de comunicação, que não fazem jornalismo, mas apenas reproduzem o que o Estado quer.

Servidor estadual disse:
16 de outubro de 2017 às 08:47

Injusto, a imprensa está longe do ideal, como estão todas as instituições do país, sejam públicas ou privadas, mas afirmar que a imprensa só reproduz o discurso do Estado é ilógico. A imprensa bateu forte nos vazamentos e, anote-se, quem comete crime é quem vaza e não o jornalista, a imprensa bateu forte nas prisões preventivas, agora a imprensa, também, não deixou morrer o assunto, a imprensa bateu forte nos vínculos entre advogados e seus clientes pelos recebimentos honorários milionários, quando na verdade se tratavam de reles funcionários públicos. Aliás, a imprensa tem batido forte em tudo e em todos, tem aberto espaço para os investigados, o problema é que os investigados não conseguem, como não conseguiu Cunha, provar que a riqueza que possui é fruto do trabalho e não da corrupção. A foto do dinheiro deve ser entregue a imprensa de graça, ou seria lícito o Estado cobrar por ela?

LeandroRoth disse:
17 de outubro de 2017 às 02:15

O casamento dele acabou porque a PF cumpriu mandados de busca em suas empresas? Sinto muito, mas isso ficou totalmente inconsistente.
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No mais, é o mi mi mi de sempre. Quem vive do crime, diretamente, cometendo-os, ou indiretamente, auferindo parte dos recursos que fruem destas atividades criminosas, sabe que está exposto ao risco de constrangimento.
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É como o devedor contumaz, e sua família, que se revoltam contra o Oficial de Justiça porque este vive fazendo penhoras em sua casa. Ora, pague suas dívidas! Problema resolvido. O que não dá é pra processar o meirinho por "danos morais" ou reclamar dele na Corregedoria (ou do juiz que deu a ordem). Afinal, a dívida existe, e tem que ser paga. Entender que o errado é quem "constrange" o caloteiro indo na sua casa cumprir uma ordem de constrição, na forma e termos do mandado, é uma reversão completa de valores. Ou, como um colega disse, é "o poste mijando no cachorro!".
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E é engraçada essa crítica ao "punitivismo". Se a lei prevê que de uma conduta resultará a aplicação de uma punição, esta DEVE ser imposta, sob pena de uma omissão ilegal, prevaricação ou coisa pior. Ou seja, não há que se falar em "punir demais". As penas estão todas previstas em lei, e a prática das condutas respectivas deverá fazer incidir a sanção cominada. O que REALMENTE REVOLTA esse pessoal é que acabou a casta dos intocáveis, acabou a impunidade absoluta da criminalidade de elite, aquela que não era nunca presa por seus crimes, nem sequer incomodada por mandados de busca e apreensão (que pelo visto acabam até com casamentos).
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Sofismas e bravatas jurídicas à parte, a grande verdade é essa: o cidadão comum que retira seu sustento do trabalho honesto, não está nem um pouco preocupado com o "punitivismo" da Lava Jato.

Rejane Guimarães Amarante disse:
17 de outubro de 2017 às 14:29

Apreciei seu comentário, um ângulo pouco manifesto nos comentários aqui na Conjur - a visão do Oficial de Justiça. Concordo com tudo o que o senhor disse, porém gostaria de fazer uma observação que me parece pertinente num assunto que é recorrente nos artigos sobre a Lava Jato. Quando muitos Advogados (eu, inclusive) referem-se a "punitivismo", por óbvio, não estamos nos insurgindo contra a aplicação regular de uma sanção. A expressão diz respeito à predisposição de considerar culpado, tratar o suspeito ou indiciado como um condenado dos tempos da Idade Média sem que existam provas ou mesmo fortes indícios. É o clássico exemplo da forma de abordagem policial a jovens negros na periferia e a jovens loiros bem vestidos nos Jardins. É claro que a sua vivência é bem outra, pois o senhor cumpre mandados, situações regulares.

Eududu disse:
17 de outubro de 2017 às 17:10

Quem acha que o entrevistado ataca o punitivismo da Lava Jato, não leu ou não entendeu a entrevista. A entrevista fala sobre a cobertura da lava jato pela imprensa, que se tornou uma forma barata de se fazer jornalismo (barato).

A imprensa virou isso há muito tempo. Como bem lembrou o entrevistado, a imprensa desconfiava do Estado enquanto o Estado era o executivo, mormente durante o regime militar.

Conforme seus amiguinhos da esquerda foram chegando em cargos o Estado, a imprensa foi desaprendendo a desconfiar do Estado, o que foi se intensificando progressivamente na era FHC (sociólogo e socialista fabiano).

Até que Lula chegou ao poder. Então, notem bem, um governo (e não o Estado) passou a ditar a pauta jornalística nacional. Aí, durante 14 anos, não houve qualquer trabalho jornalístico investigativo, p. ex., sobre os escândalos conhecidos hoje. Obras da Copa, Olimpíadas, empréstimos secretos para países estrangeiros, a ajuda do BNDES aos Batista, etc, nada disso despertou a curiosidade do jornalismo brasileiro. Até o mensalão teve uma cobertura aquém de sua gravidade. Ninguém da imprensa desconfiava de nada. À época, só reproduziam notícia chapa branca. Que o Brasil estava indo muito bem; Que nosso futuro era promissor; Que Lula era o cara; Que estávamos nos livrando do complexo de vira lata; Que estávamos nos tornando um país de agenda moderninha e etc.

Agora que a casa caiu para o PT, a imprensa passou a reproduzir, não mais o discurso do governo, mas o discurso do Estado (Judiciário e MP). Então a única temática é o combate a corrupção. Pois assim o pessoal da imprensa possa de bonzinho, agrada o Estado (que agora temem) e produz matérias que rendem audiência e a custo zero.

Com razão o entrevistado.

toron disse:
21 de outubro de 2017 às 19:58

E tocante! Uma reflexão para ser metabolizada com calma.
Parabéns ao entrevistado e ao Conjur pela importante matéria.
Toron, advogado

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