A polícia de São Paulo tem pela frente uma tarefa das mais difíceis: identificar o autor de um e-mail que ameaçou de morte o advogado Rubens Decoussau Tilkian, responsável por defender o namorado de Daniella Cicarelli no processo contra o YouTube. O pedido de investigação para apurar responsabilidades no caso encaminhado à delegacia de combate aos crimes eletrônicos é assinado pelo advogado Manuel Alceu, padrasto de Tilkian.
A mensagem, que chegou no endereço eletrônico do advogado do casal em meio a uma avalanche de outras mensagens de protesto, traz como assunto a palavra cagada. No texto, o potencial assassino ameaça: “ae meu irmão tu fez cagada agora vai sentir as conseqüências. Já fez um seguro de vida pra vc. e sua familia?” (sic).
O e-mail foi enviado depois que a Justiça de São Paulo bloqueou o site YouTube para impedir o acesso dos brasileiros ao vídeo em que a modelo Daniela Cicarelli e o empresário Renato Malzoni Filho protagonizam cenas de tórrida paixão, na praia de Tarifa, em Cádiz, na Espanha.
Controle e liberdade
As ameaças ao advogado de Cicarelli, levantam duas questões importantes: uma, o controle, ou a falta dele, nas manifestações da internet; outra, a segurança, ou a falta dela, dos agentes do Direito e da Justiça.
Quanto à primeira questão, o episódio Cicarelli revelou apenas a ponta do iceberg que significa o controle de informações na internet. Com efeito, faz parte da natureza da rede mundial de computadores o sentido democrático de livre acesso e de livre manifestação em suas páginas. Por isso mesmo, em sua concepção, a internet não previa controles ou censura ao seu conteúdo.
O problema, ainda sem solução, surge quando este espaço livre e libertário é usado para a prática de crimes, que vão da pedofilia ao racismo, do furto à ameaça de assassinato, como o registrado contra o advogado da modelo.
Quanto a outra questão, não é a primeira vez que alguém como parte do Judiciário recebe ameaça de morte ao atuar por dever de seu ofício. No período das eleições presidenciais, o ministro Marco Aurélio, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, recebeu e-mails ameaçadores por abrir investigação eleitoral sobre o dossiê PT-sanguessugas — documento que teria sido encomendado por petistas para incriminar tucanos, entre eles o candidato a presidência do país, Geraldo Alckmin.
Mais recentemente, o ministro Sepúlveda Pertence também recebeu ameaças, dessa vez em comentários feito no site Terra Magazine, depois que a revista eletrônica publicou que gravações da Polícia Federal flagraram um advogado dando a entender que obteve uma liminar no Supremo Tribunal Federal graças a uma propina de R$ 600 mil que teria sido paga ao ministro.
O caso Cicarelli
Em setembro o TJ-SP proibiu os sites Globo.com, IG e YouTube de veicular as imagens do casal, sob pena de multa diária de R$ 250 mil.
Como o YouTube teve dificuldades em cumprir a decisão, a defesa de Malzoni, representada por Rubens Decoussau Tilkian, entrou com um novo pedido de proibição da veiculação das imagens. O desembargador Ênio Santarelli Zuliani, da 4ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, concedeu a liminar por entender que a empresa estrangeira dona do site, a americana Google Inc., não poderia desrespeitar as decisões tomadas pelo Judiciário brasileiro.
A ordem do juiz de retirar as imagens do ar provocou o bloqueio de todo o site para internautas brasileiros. Duas das cinco empresas que fazem a conexão internacional de computadores do Brasil — Brasil Telecom e Telefônica — cumpriram decisão judicial que mandou bloquear o Youtube, gerando inconformidade de seus usuários. Por seu legítimo direito de se defender, Cicarelli passou a ser alvo de protestos e ameaças de represália. A mais grave delas, porém, atingiu seu advogado, no legítimo exercício de suas atribuições.
Leia o pedido
ILUSTRÍSSIMO SENHOR DOUTOR DELEGADO TITULAR DA DELEGACIA DE COMBATE AOS CRIMES COMETIDOS POR MEIOS ELETRÔNICOS.
MANUEL ALCEU AFFONSO FERREIRA, brasileiro, casado, advogado, OAB-SP n. 20.688, CPF n. 005667218-72, domiciliado e residente nesta Capital, com escritório na Rua Hungria n. 888, Jardim Europa, para os fins legais, vem à presença de V. Exa. representar sobre o que a seguir expõe.
1.- O Suplicante é casado (Doc. 1) com d. CACILDA MARIA DECOUSSAU AFFONSO FERREIRA, sendo esta última, por anterior casamento, mãe (Doc. 2) do dr. RUBENS DECOUSSAU TILKIAN, brasileiro, solteiro, advogado, OAB-SP n. 234. 119, com escritório, nesta Capital, na Avenida Dr. Cardoso de Melo n. 1.955, 7º andar.
2.- No exercício de sua militância profissional, e como procurador judicial do sr. RENATO AUFIERO MALZONI FILHO (Doc. 3), referido dr. RUBENS DECOUSSAU TILKIAN interpôs agravo de instrumento (Doc. 4) ao Egrégio Tribunal de Justiça de São Paulo (A.I. n. 488.184-4), sendo certo que a r. decisão liminar nele proferida, envolvendo famoso vídeo obtido em certa praia espanhola, teve e permanece tendo, como notório, farta repercussão na mídia, escrita e eletrônica.
3.- A tal propósito, e em decorrência de sua atuação advocatícia, o enteado e parente do Suplicante pelo vínculo da afinidade (Cód. Civil, art. 1.595, caput e § 1º), dr. RUBENS DECOUSSAU TILKIAN, passou a receber, em seu endereço eletrônico (rubens.tilkian@dffr.com.br), algumas mensagens de protesto, oriundas de internautas provavelmente inconformados com quaisquer restrições jurisdicionais à mantença do questionado filme na “Internet”.
4.– Ocorre, todavia, que um desses “e mails” (Doc. 5) está a merecer atenção e cuidados especiais, face à grave ameaça nele vertida, destarte justificando a presente notícia e o requerimento de providências apuratórias.
5.- Com efeito, nessa específica mensagem (Doc. 5), onde se acha indicado, como remetente, o endereço “celsomoff@gmail.com em nome de Celso Moff [celso@brasnet.org]” (n.g.), e onde anotado o assunto “que cagada”, registrou-se literalmente o seguinte:
“ae meu irmão tu fez cagada agora vai sentir as conseqüências JÁ FEZ UM SEGURO DE VIDA PRA VC. E SUA FAMILIA?” (cf. Doc. 5, maiúsculas originais e nossos grifos).
6.- Pelo exposto, e instruída a presente com os documentos aqui anexados, requer-se se digne V. Sa. diligenciar as medidas investigatórias destinadas à apuração da responsabilidade criminal pelo apontado “e mail” (Doc. 5), para que se possa representar ao Ministério Público do Estado de São Paulo, com o objetivo de ser proposta a competente ação penal.
Termos em que, pede deferimento.
São Paulo, 16 de janeiro de 2007.
MANUEL ALCEU AFFONSO FERREIRA
OAB-SP nº 20.688

Então, um caso de tanta repercussão não pode sair da mídia tão rápido não é mesmo... Quem teria interesse de fazer uma besteira dessas???...
Meu palpite é que o autor da "ameaça" seja um garoto de 14 anos acessando de um terminal do McDonald's.
E com tudi isso vcs ainda publicam nesta matéria o email do advogado? Francamente...
Este espaco deveria conter materias que pudessem ser uteis aos profissionais do direito, como costumeiramente tem sido, porem, pessoas preocupadas com mesquinharias e "fuxicos"...
...empanam esta preciosa coluna!.
Em eventual ameaça, o site Conjur, contribuiu bastante publicando o endereço profissional e o email do colega.
Como tudo que envolve essa "mocinha" sempre esta rodeado de coisas "fabulosas" até o advogado entrou na dança. Agora a Delegacia especializada foi criada em 2000, até hoje não há sequer uma liminar deferida para a quebra de sigilo no cadastro digital. Veremos como a Justiça se comportará. Com todo respeito ao notável Dr. Manuel Alceu, esse email esta muito longe disso.
Esta repercussão sobre esta modelo é muito ridícula. A mídia passa dos limites as vezes. E a imprensa tem grande culpa nisto tudo. Agora, além de tudo, ainda publicam o endereço e o email do advogado. Eu acho isso um absurdo imenso.
Tanta coisa importante acontecendo no planeta, como o aquecimento global, e outras aqui no Brasil como a corrupção, as pessoas que estão sem casa por causa desta maldita cratera em São Paulo ......e as pessoas estão preocupadas com o assunto Cicarelli. Isso é muito absurdo!!
A suposta “ameaça” pode servir para reparar uma injustiça: o esquecimento da imprensa em relação ao advogado.
Por que só sua cliente apareceu tanto em jornais e tevês?
Afinal, é dele a façanha de suspender o You Tube no Brasil.
Agora com o gancho da “grave ameaça”, é possível que a mídia abra espaços para o persistente profissional.
Pelo menos, o endereço e o e-mail já estão sendo divulgados.
Mas é preciso ficar atento.
Do contrário, a modelo sai na frente e usa o episódio para, mais uma vez, se livrar do anonimato.
Pos-scriptum
Solidarizo-me com o advogado e, ao mesmo tempo, quero tranqüilizá-lo propondo-lhe uma reflexão.
Em que circunstância ameaça de morte é feita com o algoz recomendando à vítima que faça seguro de vida para a família?
A meu ver, só na situação hipotética — que não é o caso — de o carrasco ser herdeiro ou Ricardão.
Ou quando a "ameaça" provém de uma criança.
O teor burlesco do e-mail sugere brincadeira de mau gosto. Em outras palavras, uma bravata infantil.
Parece que a busca pelos holofotes continua. Sinto pelo Manuel Alceu, velho amigo e brilhante Advogado.
acdinamarco@aasp.org.br
Dinamarco não está errado.... mais holofotes, pois mídia de graça é sempre bem vinda aos mediocres.
Razão também assiste à Luciana2007...
Muito me surpreende o CONSULTOR JURÍDICO dedicar espaço para fato tão rasteiro, enquanto problemas graves "pipocam" no judiciário e o CONJUR se mantém mudo e inerte.
Continue assim, CONJUR, alimentando a mediocridade.
Se o CONJUR está precisando de publicar asneiras dessa natureza, para completar espaço, podemos contribuir indicando onde há notícia relevante para o meio jurídico, é só pedir, caso vcs não se sintam suficiente capazes.
Noticiar isto?
Que papelão CONJUR!
Penso que quem julga a informação frívola não deveria lê-la.
Ou, pelo menos, poderia poupar os leitores de comentários mais inúteis ainda.
Engraçado é que nos espaços das outras notícias — vistas como importantes — não há comentários desses “revoltosos”.
Sinal de que é volúvel o repúdio a divulgação de acontecimentos considerados levianos.
No fundo, é o que apreciam.
Vamos abrir o coração. E brindemos à futilidade!
Aprecio a conduta dos Ilustres advogados, Dr. Rubens D. Tilkian e Dr. Manuel Alceu, por alertarem a comunidade jurídica de que essas ameaças devem ser veementemente coibidas. O caso é de notoriedade internacional, do qual parabenizo o jovem advogado Decoussau Tilkian, pelo patrocínio.
Ademais, repudio tais condutas de colegas que, recolhendo-se na insignificância de suas bancas, desdenham da atitude ilibada do CONJUR e desses colegas. Hoje, foi o dr. Tilkian a vítimas dessas condutas. Como agiremos diante de uma circuntância semelhante envolvendo algum de nós, quando da simples defesa de nossos clientes que nos confiam sua causas.
Colegas, vamos olhar para o caso como ele deve ser.
Aqueles que desdenham destas condutas, ou são ignorantes ou incapazes de, por si, próprios e com competência se tornarem prósperos advogados.
Finalmente, que essa conduta seja balizada por muitas outras, que implementarão nosso judiciário e farão com que a advocacia se torne, outra, vez, o mecanismo de resguardo de direitos.
Futilidade, sim, é o fato de criticar o desconhecido, sem se ater à ética e moral profissional.
Agradeço ao doutor Daniel o apoio dado ao meu já exposto ponto de vista. E por ter alargado com apreciável sabedoria minhas palavras.
Volto a solidarizar-me com o notável colega supostamente em perigo, ainda que — por felicidade — a ameaça contenha características infantis.
Não devemos fazer do incidente um drama.
Brindemos,pois — à paz, à saúde, à frivolidade, à vida!
O Dr. Advogado estava cumprindo seu dever profissional, deve ser respeitado. Mas a Sra. Cicarrelli, uma pessoa pública, e seu namorado, vão a um lugar publico fazer o que quer a fim de publicidade gratuita, e depois alega “direito à privacidade” e nossa justiça acata isto como legal e censura a internet é mesmo tragicômico.
Coisa de BRASIL, como diz a revista VEJA.
Recebo mensagem de Manuel Alceu, velho amigo e brilhante Advogado. Disse a ele e repito publicamente : meu comentário nunca foi dirigido a ele pois, pela sua qualidade, são os holofotes que o perseguem ; não me lembro de tê-lo visto em busca das "luzes".
acdinamarco@aasp.org.br
Brilhante o Comentário do Sr. Daniel.
Sabmoes que na verdade estamos mesmo todos aqui expondo idéias, opinões, que se diferem e entram em conflito simplesmente pelo teor do que é a DEMOCRACIA.
Cumprimento, ainda, com maior vibração, o Sr. Tyba, dizendo que também devemso fazer um brinde á vida!Complemento brindando a DEMOCRACIA curtida neste DEBATE!!
Enfim, ESTAMOS LIVRES PRA PENSAR..PRA DEBATER!!! Graças a Deus!!
Só lamentamos mesmo, a publicação pelo CONJUR, do e-mail do Nobre Advogado, patrono de uma causa de tamanha repercussão. Nota-se que agora é que o Profissional não terá mesmo sossego em sua "Postal-Eletrônica".
Uma pena.
(ou mesmo uma oportuna forma de ganhar ainda mais holofotes?!)
E faremos um brinde também, aos HOLOFOTES!!
Saudação a Todos!
Em seu livro “Roberto Carlos em Detalhes”, o jornalista Paulo César de Araújo conta que por causa do fracasso dos dois primeiros discos — ainda do gênero bossa nova — o então ignorado cantor produziu um esquema para divulgar seu nome e as canções.
Ajudado pela namorada e as amigas dela, Roberto formou um grupo de adolescentes com a tarefa de telefonar para as emissoras de rádio, várias vezes ao dia com vozes diferentes, pedindo que tocassem músicas de “Roberto Carlos”.
Mutatis mutandis, no recente episódio de Daniela Cicarelli os comentários desagradáveis feitos pelos leitores da Conjur se referem unicamente a ela. E, claro, nunca a seus idôneos e célebres advogados.
Eles, inclusive, podem ter se tornado acidentalmente “vítimas emocionais” da conhecida obsessão da modelo por holofotes e leviandades.
Quem garante que não foi alguém de seu meio autor de uma falsa ameaça? Com a intenção de pô-la em evidência?
Algo parecido, há 50 anos o “rei” já fazia.
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