Delegado tenta explicar como chopp vira dinheiro

O delegado Élzio Vicente da Silva explicou como a palavra “chopp” vira “dinheiro” em relatórios da Polícia Federal para conclusões de interpretação de interceptação telefônica. O delegado, que já comandou investigações como a da Operação Anaconda – deflagrada para desmontar suposto esquema de venda de sentença – prestou declarações à CPI do Grampo na Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (21/5).

De acordo com Élzio Vicente, as interpretações são feitas no bojo de toda a escuta e não separadamente e descontextualizadas, além de serem apoiadas em outras provas da investigação. “A apuração a partir de várias técnicas forma o convencimento da Polícia no relatório entregue ao juízo”, afirma. O delegado afirmou, ainda, que algum eventual equivoco que possa ser cometido na interpretação pode ser corrigido pelo delegado que conduz o caso e, em um segundo momento, pelo juiz da causa e pelo Ministério Público.

Logo no início da sessão ele pediu para que seu depoimento fosse a portas fechadas. A deputada Marina Maggessi (PPS-RJ), que que também é policial e já esteve na mira do delegado, provocou o convidado que tratou de fugir das perguntas e negar respostas apoiado no sigilo que envolve a operação em discussão, alvo das indagações da parlamentar. O interesse girou em torno da Operação Hurricane (Furacão em inglês) que pretendeu desmontar esquema que beneficiaria operadores do jogo ilegal no Rio de Janeiro e foi presidida pelo delegado. “Aqui não é lugar para tratar de questões sub judice”, argumentou o delegado.

No âmbito dessas investigações juízes, advogados e delegados foram presos. Pessoas foram tomadas como suspeitas porque, segundo Marina Maggessi, a palavra chopp foi interpretada como dinheiro na escuta. A palavra voto também teria sido interpretada como dinheiro para incriminar a própria parlamentar na mesma operação.

O relator da CPI, deputado Nelson Pelegrino (PT-BA), ressaltou a preocupação da comissão com interpretações de escutas nos relatórios de investigações da PF. “Um Mário pode virar um Ali e um Calmon pode virar Caetano. Isso pode se transformar em prova”, disse. O presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ) engrossou o discurso: “Existem edições que induzem a erros em cadeia e levam a conclusões absurdas”.

Perguntas e respostas

A deputada Marina Maggessi (PPS-RJ) garante que quer novamente a presença de Élzio na CPI, mas não como convidado e sim como depoente, condição em que não poderá mentir ou deixar de responder, a menos que o delegado se assegure de liminar do Supremo. “Ele não quis falar nada porque eu vacilei. Eu convidei ao invés de convocar. Se ele fosse convocado teria de jurar dizer a verdade. Agora eu vou convocá-lo”, disse a deputada.

Durante o depoimento do delegado na CPI a deputada pediu que ele explicasse diversos procedimentos utilizados pela Polícia Federal, mas o delegado contornou. “Ele sabia onde eu queria chegar. Ele induziu o juiz a erro. Eu queria entender como ele resolve achar que chopp é dinheiro”, afirma a deputada. “Não é só o Élzio, falo de outros delegados também. Eles não induzem só o Judiciário a erro, eles induzem os jornalistas e toda a população”, completou Marina Maggessi.

Élzio Vicente da Silva responde a ação promovida pelo juiz paulista Ali Mazloum. O juiz foi acusado de envolvimento na Operação Anaconda, mas todas as denúncias que sofreu foram arquivadas no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça. Por isso ele processou o delegado e o acusa de lançar imputações sem investigação, de agir com imperícia, imprudência e má-fé.

Maria Fernanda Erdelyi

é correspondente da Revista Consultor Jurídico em Brasília.

Roberto disse:
21 de maio de 2008 às 13:46

Engraçado esses delegados da PF...
Quando estão na presença de parlamentares, representantes da população, em uma sessão pública e oficial, se negam a falar em casos sub judice. Porém falam e divulgam suas "mega operações" aos repórteres sem nenhuma preocupação quanto ao sigilo do inquérito. Será que o inquérito de uma investigação sigilosa é público, e só depois que se torna uma ação sub judice não? Ou será que o delegado ficou com medo de ter de explicar o inexplicável? MELHOR: Será que sub judice, na interpretação do nobre delegado quer realmente dizer sub judice, ou será que é alguma "codificação" para algo que ainda não sabemos... Isso é para confundir qualquer um...

Armando do Prado disse:
21 de maio de 2008 às 14:54

AVANTE PF!
AVANTE MPF!

Engraçado é termos ladrões do colarinho branco dilapidando dinheiro público, em detrimento de milhões de brasileiros, sem reação de boa parte dos operadores do direito.

Bob Esponja disse:
21 de maio de 2008 às 15:21

Qualquer criança de tres anos sabe que ninguem, fora algum bandido surtado, chama dinheiro de dinheiro, droga de droga, assassinato de assassinato.
Esses parlamentares querem fazer circo, aparecer as custas dos outros e derrubar qualquer um que combata seus esquemas. E tem gente que cai nessa.
O investigador, o mp e o juiz, não podem esperar que o bandido exponha de forma explicita as suas ações para que possam agir.
O bandido não vai ligar para o outro assim: Alô, é vc ciclano? POis bem, aqui é o seu chefe, si o chefe do esquema de venda de drogas do morro tal, meu nome é, cpf tal, rg tal e estou ligando de tal lugar. Escuta bem, pegar aquele fulano, cpf tal, rg tal, que mora em tal lugar, e o assassine, segundo o prescrito no art 121 do cp mais as qualificadoras, tá entendido? Quer que repita? Deu para entender? Ficou claro? sabe como é a pf tá grampeando meu telefone e tem que sair tudo bem explicadinho na fita, senão o pessoal não entende...

Armando do Prado disse:
21 de maio de 2008 às 15:50

Boa, Davi.

Daniel disse:
21 de maio de 2008 às 15:56

E o pior, pra mim, é que o CONJUR, com suas manchetes e reportagens tendenciosas, trata o Delegado como algoz e os parlamentares como paladinos da justiça.

Não é enfraquecendo a democracia que os advogados serão fortalecidos. Muito pelo contrário.

Menos CONJUR, menos.

Ronaldo dos Santos Costa disse:
21 de maio de 2008 às 16:45

Esse Armando do Prado é professor de quê? Culinária? Suas opiniões são sempre despidas de qualquer base jurídica e invariavelmente acompanhadas dos ridículos e irresponsáveis bordões "avante MPF" e "avante PF". Ao Senhor Daniel, que se arroga um verdadeiro arauto da moralidade pública, cabe indagar se emitiria os mesmos comentários se porventura tivesse sido "grampeado" por ter conversado com alguém que estava sob investigação, ainda que por via indireta (o famigerado Guardião grampeia todos os telefones que se conectaram ao aparelho grampeado, ou seja, se o investigado pediu um hot-dog via delivery, o atendente ficará, também, grampeado)e tivesse uma frase inocente sido "interpretada" pela PF como indicativa de cometimento de ilícito. Não se prega a eliminação das interceptações telefônicas, medida salutar às investigações sobre organizações criminosas (termo impreciso empregado pelo legislador), mas sim o seu uso racional e responsável, sem emprego de interpretações inteiramente subjetivas e tendenciosas. Estão confundindo alhos com bugalhoes sem o menor pudor. Acaba-se com a vida de um cidadão sem o menor cuidado ou preocupação. E as malsinadas escutas vazam para a imprensa como se verdadeiras fossem. E o que é pior: Juízes, Promotores e Imprensa recebem apenas as transcrições e não as gravações, tomando como verdade absoluta e incontestável a versão da PF. Nas grandes operações, quem denuncia e condena é a PF e não o MPF e a JF. É a grande verdade! Quem milita no Foro Criminal sabe bem disso!!!!

Leila disse:
21 de maio de 2008 às 16:50

Pensei que fosse piada, mas agora vejo que não é. O "FBI" tupiniquim venceu as demais polícias do mundo naquele concurso: capturou com mais agilidade e preteza o coelho (o único problema é que, na verdade, era um porquinho que foi colocado no pau-de-arara até confessar que era coelho). qua!qua!qua!rsrsrs...

Daniel disse:
21 de maio de 2008 às 16:59

Caro Ronaldo,

Menos, menos...quem perde a serenidade, perde a razão.

O mesmo juízo que, segundo você, a PF faz antecipadamente, foi feito em sua manifestação.

Então o Delegado de Polícia que está prestando depoimento age abusivamente? Quais as provas disso? Ou é você que decreta que toda a vez que a PF age, o faz fora da lei.

Eu só disse que o CONJUR, e alguns leitores afoitos, como parece ser o seu caso, deveriam ter mais cuidado antes de colocar que toda interceptação é abusiva. É engraçado, mas eu tenho a impressão de que muitos que tanto lutam contra as coisas erradas, agiriam tão errado ou mais se estivessem no lugar das autoridades criticadas.

Menos, meu amigo.

Pense, respire, leia meu comentário com calma e não vire você o inquisidor.

Eu só disse que as reportagens não devem fazer um juízo de valor prévio. Afinal, creio que é isso, dentre outros fatores, que é criticado no agir da PF, não?

um abraço,

Daniel

Daniel disse:
21 de maio de 2008 às 17:02

Ahhh...apenas para complementar: eu concordo, sem dúvida, que há muitos abusos, por todo o lado aliás.

Como você vê, a língua que falamos não é tão diferente.

Mas que é necessário serenidade e seriedade para mudar as coisas, e não um protesto de botequim, isso é fato.

Polly disse:
21 de maio de 2008 às 17:34

Se o juiz que for julgar o caso for expert (não conhecedor básico) em Língua Portuguesa e Linguística a coisa muda de figura.

Leila disse:
21 de maio de 2008 às 17:56

Isso tudo é muito triste. Seria até cômico se não fosse trágico, como foi, por exemplo, ao Ministro Sepúlveda Pertence, também vítima dessas "interpretações" e conversas de terceiros. Sua resposta a esse absurdo foi magistral, como lhe é peculiar: "O ministro critica, ainda, o fato de as suspeitas terem sido chanceladas por três procuradores da República. Segundo ele, se as falácias “acaso puderam impressionar o imaginoso policial comentador da urdidura dos safardanas, desvelada pela série de telefonemas gravados, espanta que hajam bastado para que três procuradores da República lhe trilhassem as pegadas enganosas e endossassem a suspeita inconsistente”.
O ministro termina sua defesa com um desabafo em que não poupa “os desqualificados traficantes da honra alheia” e tão pouco os “agentes públicos de pressuposta responsabilidade — policiais federais e Procuradores da República — os quais, pela titulação que detêm, não podem ser havidos por néscios e papalvos — e cuja precipitação irrefletida — para não me deixar arrastar a conjecturas menos inocentes —, desafia também a repulsa mais vigorosa”.
Lembrem-se disso sempre. É preciso trabalhar com seriedade.

Ronaldo dos Santos Costa disse:
21 de maio de 2008 às 18:02

Prezado Daniel, você entendeu muito bem o que eu disse! Seu argumentum ad hominem não desqualifica meu comentário. Até porque, em momento algum generalizei o comportamento dos DPF´s. Minha crítica é contra o monopólio da verdade. Verdades inquestionáveis não se compatibilizam com o Estado Democrático de Direito. Transcrições parciais (incompletas) e dotadas de subjetividade, tampouco! O trabalho da PF é sério, mas está sujeito a abusos, ocasionados pelas tentações que afligem aqueles que detêm o poder, como já dizia Montequieu, em entanho. Por uma PF combativa (como já temos) só que um pouco mais responsável (que elabore transcrições literais das conversações), para que tenhamos um MPF e uma JF menos influenciáveis pelas idiossincrasias de quem transcreve.
Prezado Daniel, num ponto você acerta: não pensamos tão diderente assim. Rsrs.

Abraço.

Ronaldo dos Santos Costa disse:
21 de maio de 2008 às 18:04

Errata: onde se lê entanho, leia-se antanho.

Daniel disse:
21 de maio de 2008 às 18:16

Pois é, Ronaldo.

E, para seu espanto, sou Promotor de Justiça.

Como você vê, as coisas nem sempre são como parecem, nem todos são iguais.

Generalizar PF, MP etc. seria o mesmo que generalizar os advogados. E, tenho certeza, vc não gostaria de ser comparado com muitos deles, assim como o mesmo vale para mim.

um abraço,

Daniel

Daniel disse:
21 de maio de 2008 às 18:20

E, é fácil perceber de seus comentários, há muitos advogados preparados acompanhando o site do CONJUR.

Tenho certeza que, se tiverem isenção, perceberão que muitas reportagens daqui são dirigidas, como se a todos fossem algozes de pobres advogados.

Enfim, assim como é desprezível o abuso de qualquer autoridade (inclusive promotores de justiça), também o é o abuso jornalístico.

É contra isso que lanço minhas palavras, nada mais.

um abraço,

Daniel

Daniel disse:
21 de maio de 2008 às 18:21

Sobrou um "a"

Daniel disse:
21 de maio de 2008 às 18:31

E...apenas pelo amor à discussão.

Releia o que você escreveu (eu, logo eu, me designo o arauto da moralidade?).

Quem,a final, utilizou um argumento ad hominem?

Data venia (para quem gosta de vocábulos jurídicos), creio que foi você.

Um abraço, e vou voltar pro trabalho que aqui está cheio!

Luismar disse:
21 de maio de 2008 às 18:49

Diria Robin: "Santa Ingenuidade, Batman!". Então os bandidos só podem usar códigos que estejam em dicionários de gírias?!

Ronaldo dos Santos Costa disse:
21 de maio de 2008 às 18:53

Ok, Daniel. Admito que fui muito ácido em meus comentários, mas somente o fui no calor da discussão, sem intenção de ofender a quaisquer dos comentaristas. É que o assunto em testilha provoca revolta em quem milita no Foro Criminal, pois por mais que o advogado questione o teor das transcrições, a tendência é que o Judiciário as acate como prova que goza de presunção juris tantum de veracidade. E isso somente ocorre porque dificilmente um Magistrado acreditaria que um DPF chegaria ao desvario de "forçar" interpretações de diálogos para caracterizar conversas espúrias. E é extamente aí que reside o maior problema da sistemática atual: aquele que transcreve a conversa é o mesmo responsável pela investigação, ou seja, aquele que busca coletar provas que dêem espeque ao seu convencimento de que Fulano ou Sicrano está cometendo crimes. É natural que a Autoridade Policial tenda a interpretar (quiçá inconscientemente)de uma forma tendenciosa. Peritos seriam uma alternativa viável tecnicamente, mas certamente não sob o ângulo financeiro. A questão é complexa e o debate é salutar.
Abraço.

Ronaldo dos Santos Costa disse:
21 de maio de 2008 às 18:58

Errata: jure et jure.

DPC Fabio disse:
21 de maio de 2008 às 20:36

É uma pena que agora está virando moda insinuar que a interceptação telefônica é sinônimo de ilegalidade! até CPI foi criada(instituto que em apenas em 0,001% dos casos resolve alguma coisa de fato)! Se há abusos, que sejam pontuais e corrigidos, mas agora, estão visivelmente numa guerra contra instituições quem combatem a corrupção, representada em muito pela Polícia Federal! essa guerra ideológica demorou a acontecer... mas, democracia é isso, é debate... no entanto, os que trabalham em setores que combatem crimes dessa natureza sabem o que eu digo: É muita ladroagem e enormes os desvios de dinheiro público nesse país! E isso não está nos livros! se o abuso às interceptações ilegítimas devem, com toda veemência ser combatida, não acho que o congresso tenha legitimidade moral para isso...

Lally disse:
21 de maio de 2008 às 20:50

Desculpem-me... a piada infame... mas quem sabe se o Ilustre Delegado citado nesta matéria não faz parte daquela comunidade do orkut: " conto meu salário em chopp"...
rs...

Cecília. disse:
21 de maio de 2008 às 21:56

É óbvio que o policial não conseguiu se explicar de modo convincente. Espero que a CPI vá fundo nessa investigação, porque a argumentação de que "Aqui não é lugar para tratar de questões sub judice" não cheira bem.

olhovivo disse:
21 de maio de 2008 às 23:08

O FBI tupiniquim é isso: chope vira dinheiro; prender sexagenários e gorduchos demanda aparato bélico; e prisão não vale sem holofotes iluminando o cenário.

JUSTIÇA VIVA disse:
21 de maio de 2008 às 23:45

A reportagem do CONJUR evidencia um parcialismo incomensurável. Apresenta somente UMA VERDADE, una, indivisível...

Não entendi os motivos!!!

Além disso, a nobre Deputada pensa que, por ocupar uma função transitória, pode constranger um profissional a falar sobre fatos sujeitos ao sigilo.

Como quem atua na área criminal, percebo, com freqüência, o uso de expressões diversas para transmitir uma mensagem ao destinatário, sem dizer, literalmente, o que se pretende.

Evidentemente, é possível interpretações subjetivas, sujeitas ao crivo da autoridade policial, do MP e do Judiciário, que podem corrigir eventuais equívocos.

O que não dá para aguentar, entretanto, é quem não tem moral alguma apresentar-se como paladino da Justiça... Isso, sim, dá nojo.

MUDABRASIL disse:
22 de maio de 2008 às 00:13

O CONJUR continua na sua campanha contra a interceptação telefônica. Sempre dá destaque para afirmações contrárias e sempre com enfoque parcial. Marina Magessi, nessa toada, virou heroína. Basta um pouco de memória para ver porque a 'nobre deputada' é contra escuta telefônica. Todos os países civilizados do mundo admitem tal modalidade de prova. Seria melhor que o site, já que pretensamente jurídico, discutisse o projeto de lei em trâmite no legislativo. Um pouco de jornalismo - puro e simples - faria bem aos editores.

João Bosco Ferrara disse:
22 de maio de 2008 às 00:35

Primeiro, onde está na Lei 9296/96 que a polícia possa ou deva interpretar o contéudo das conversas interceptadas? Segundo, quais os critérios utilizados para essa interpretação? Terceiro, a considerar as declarações do delegado e tudo o mais que os advogados criminalistas estão acostumados a ver acontecer nos múltiplos inquéritos policiais, essa interpretação não passa, na verdade, de uma espécie de “decodificação” de termos “cifrados” utilizados pelos interlocutores. Se é assim, o código de deciframento deve ser apresentado, dele constando cada palavra cifrada ou código empregado e a correspondente tradução ou significado na língua portuguesa. Do contrário, tudo não passa de pura fantasia. Mas a polícia federal nunca apresentou uma só cartilha de decodificação ou tradução dos termos codificados com a prova empírica que demonstre cabalmente o objeto de referência ou o termo em português a que se referem os termos que dizem ser cifrados. Ora, isso parece conversa de maluco, para dizer o mínimo.

João Bosco Ferrara disse:
22 de maio de 2008 às 00:36

Vladimir Aras, o sistema do Guardião grampeia automaticamente, sim, todos os números de telefones que ligam para ou recebe de um número já grampeado, e vai fazendo assim por diante em cadeia. A autorização judicial serve apenas para oficializar a interceptação. Ninguém garante que ela já não estivesse em curso. Assim como também ninguém pode garantir que cessará um dia, pelo simples fato de que não há controle sobre essas atividades da PF. Nas ligações interceptadas não fica nenhuma marca indelével e independente da ação do homem de quando foi realizada. Tudo pode ser modificado no computador. Desde a própria conversa até a data e hora em que ocorreu. Não há nenhuma garantia, nenhuma certeza sobre a conversa enquanto fenômeno fático. Por isso, deixe essa conversa para boi dormir de lado. A quem o senhor pretende enganar? A si mesmo ou aos trouxas que imersos numa ignorância patética aplaudem essas ações pirotécnicas da PF e do MPF? Acorde!

olhovivo disse:
22 de maio de 2008 às 08:40

O MUDABRASIL está certo: todos os países admitem escutas telefônicas. Mas só alguns fazem chope virar dinheiro. Isso ocorre, por exemplo, no Brasil e, talvez, em Biafra, Haiti, Etritréia, Frubkerskrimhziquistão...

gilberto disse:
22 de maio de 2008 às 10:56

As interpretações são assim mesmo: chopp vira dinheiro, farinha branca vira cocaína, garrafa de refrigerante vira AR15, ...

Mauricio_ disse:
22 de maio de 2008 às 12:21

Concordo com o comentarista Vladimir Aras.

É ingenuidade pensar que criminosos irão utilizar em seus diálogos o vernáculo, sem a utilização de gírias ou códigos.

Querem o quê? Que um traficante fale de seu carregamento de "cannabis sativa", fornecendo dia, hora e local de entrega, tudo de forma clara e dentro das normas cultas da linguagem?

Ou será que quando esse mesmo traficante fala de "farinha" foi porque mudou de ramo e se tornou dono de padaria?

Aff...

pietro disse:
22 de maio de 2008 às 12:58

Já trabalhei em escutas que o traficante vendia madeira e pedra por metro. Ele não foi preso por vender madeira, nem pedra, mas por ter sido detido na posse de metros de madeira (maconha). A prisão do traficante não se deu por ele falar de maconha ou crack, deu-se por ele ter sido flagrado na posse da droga destinada a venda. A interceptação é o meio para que se chegue a materialidade e autoria. Caso um Juiz venda uma sentença deverá ser identificado o processo e confirmado o ato resultante da venda.

Ramiro. disse:
22 de maio de 2008 às 15:43

Dr. Pietro matou a pau. Crimes materiais como tráfico e contrabando não podem ser sustentados pela acusação apenas com provas formais.
A escuta serve para colocar a polícia no lugar do fato. Agora quando se abre para ler um processo onde as únicas provas são as escutas, e por duas vezes pelo menos a polícia federal afirma documentalmente que não lhe foi possível rastrear a droga que diz ter sido traficada... sem comentários. Se não pôde rastrear para interceptar com que prova material afirma que houve tráfico? E a história se repete, nos autos do processo a polícia coloca documentalmente que a fita chegou editada, gravada de apenas um lado, na "inteligência policial".

Isso vai dar vexame internacional.

Rui disse:
22 de maio de 2008 às 16:06

E dizem que o BOB JEF, que foi um dos poucos que literalmente foi punido, não falava às claras.
Ta aí o Palloci, o Zé Dirrrceu, o Grande Molusco, o Silvinho, o Deu Ludibriou, e toda a curriola.
Aguardem, pois o Grande Molusco, será o eterno Chefe, e os outros, voltarão em 2010. Aguardem.

JUSTIÇA VIVA disse:
22 de maio de 2008 às 16:27

O OLHOVIVO, digo, MORTO, é quem está certo.

Afinal de contas, com frequência, pessoas investigadas por tráfico vendem FARINHA ou MADEIRA. Pior: Nunca trabalharam em padaria ou serralheria...

Estamos aqui discutindo o óbvio, já ressaltado por outros articulistas: Os investigados não usam o vernáculo para se comunicarem, quando vão tratar de assuntos relativos à prática de crimes. Só não vê isso quem não quer, não tem conhecimento ou é diretamente interessado em macular trabalhos, por ser parte.

Se erro houve, o que dúvido em se tratando da nobre deputada, que se apure e se responsabilize os responsáveis. Agora não vamos tentar macular, acabar com trabalhos que têm mudado esse país, com um parcialidade nunca antes visto, como tem feito o CONJUR.

Sinceramente, não consegui entender por que tanta parcialidade do CONJUR. Penso que o editorial devia dar uma explicação em razão da evidente tendenciosidade da reportagem.

Leila disse:
22 de maio de 2008 às 18:33

Seria cômico se não fosse trágico. Pensei que fosse piada, mas agora vejo que não é. O "FBI" tupiniquim venceu mesmo as demais polícias do mundo naquele concurso: capturou com mais agilidade e preteza o coelho (o único problema é que, na verdade, era um porquinho que foi colocado no pau-de-arara até confessar que era coelho). qua!qua!qua!rsrsrs...

Alberto Afonso Landa Camargo disse:
22 de maio de 2008 às 18:46

Deixem-me ver se eu entendi. A polícia e a justiça estão interpretando conversas telefônicas como provas da prática de delitos? É isto? Se for isto, façam-me o favor, que coisa mais infantil, pois assim como o interlocutor interpreta "água" como sendo "vinho", o outro poderá dizer usou "água" para dizer café. A conversa telefônica não deve ser o fim da investigação, mas o meio pelo qual se poderá chegar a determinada prova. Parece-me, pois, que aqui se está tratando da escuta como se ela seja um instrumento de prova inequívoco para que determine ou não uma condenação. Qualquer conversa telefônica, como, de resto, qualquer outra gravada ou meramente ouvida por meio dentre os tantos que a tecnologia atual permite, nunca foi prova de nada a não ser que o dito esteja consubstanciado em prova material inequívoca. Não há diálogo que possa ser interpretado como prova se ele não estiver complementedo em materialidade inequívoca. É por isto que tanta gente tem sido absolvida, ou processos têm sido arquivados, isto é, unicamente porque se instituiu no Brasil o conceito errado de que conversa telefônica é prova cujas verdades estão contidas unicamente nelas. Nenhum diálogo tem tanta auto-suficiência assim. Isto é algo muito simplista e não acredito que esteja norteando a polícia nos indiciamentos, como, muito menos, norteando a justiça nas condenações.

Gilvandi de Almeida Costa disse:
22 de maio de 2008 às 20:52

O qiue me causa espanto é a preocupação que tem o pessoal do congresso, câmara e senado, tem com a suposta apuração de possíveis irregularidades cvometidas por policiais nos casos de apuração de crimes, será que Srs.´parlamentares estão preocupadas com possíveis irregularidades cometidas ou querem saber como está a situação dos seus próprios nomes no tocante à apuração de algum crime? Pois, como é sabido, é no congresso nacional que se encontra grande número de criminosos brasileiros, os quais vão para a política para se beneficiar da "impunidade palarmanetar", que é aquilo que a lei denominou de imunidade parlamentar. Antigamente dizia que quem não deve não teme. se estou falando de coisas lícitas, negócios legais, se ajo dentro da legalidade porque tenho receio? Qual a diferença entre CPI e pizzas?

futuka disse:
22 de maio de 2008 às 21:13

A correspondente fez a lição de casa muito bem, e a edição do conjur ficou de bom tamanho! ..entendi que os fatos aqui narrados não me causam estranheza, pois, certamente nos pontos em que há as divergencias no entendimento como um todo se colocam óbvias para aqueles que militam na atividade policial, no entanto não parecem se ajustar aos causidicos e demais profissionais afins e de outras áreas, como será possível resolvermos, opinando e comentando é a melhor forma de expressar nossos entendimentos e os sentimentos. O que é preciso fazer para mudar? ..aparando arestas, nesse meio tempo salvaguardando o interesse e a dignidade do maior número de inocentes de fato. Não podemos afirmar que entre 'loucos e feridos', sobram as 'más linguas', só no do outro não me arde, etc. Agirmos de forma indiferente pelos êrros que poderão vir a ser cometidos em função de "é só um êrrinho" é cruel e são muitas os êrros, afinal tenho uma só vida e para mim ela é muito preciosa!

E viva a vida!

Luis Flávio Zampronha disse:
23 de maio de 2008 às 13:24

A análise de elementos de prova obtidos através de monitoramentos telefônicos é um processo complexo, que exige toda a capacidade e dedicação dos policiais envolvidos. Agora, achar que o Poder Judiciário é formado por pessoas que são induzidas pelas conclusões da autoridade policial ou do membro do Ministério Público é o mesmo que subestimar a inteligência dos magistrados. Devemos refletir se os investigados das operações da PF, que estão usando a CPI como tribuna de defesa, são mais isentos ou competentes para analisar as provas produzidas durante as investigações contestadas do que os próprios juízes. Antes de servir de foro para ataques à PF e ao MP, esta CPI pode estar colocando em risco a autonomia e independência do Poder Judiciário, com questionamentos ao livre convencimento de magistrados.

Leila disse:
23 de maio de 2008 às 20:53

Mas que bobagem. É lógico que a corrupção deve ser combatida com todo o rigor, mas isso não significa acusar e condenar qualquer um, apenas para aparecer na televisão e aumentar as estatísticas relativas ao combate à criminalidade. É preciso cuidado, discernimento e responsabilidade daqueles que detém o poder investigatório e persecutório. O simples discurso de que há uma luta contra o "crime organizado"não justifica as barbaridades ocorridas nos casos concretos referidos na matéria. No Direito não há lugar para a hipocrisia. Nos casos em tela houve abuso e manipulação graves, ilegalidades que, com certeza, devem ser combatidas com o mesmo rigor.

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