“Não há qualquer resolução expedida pelo Conselho Superior da Defensoria Pública da União, órgão normativo colegiado da Defensoria Pública da União, que trate de aumento de salário ou férias dos defensores.” É o que diz a Associação Nacional dos Defensores Públicos Federais (Anadef) sobre a fala do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, a respeito do uso da autonomia funcional pela Defensoria Pública da União.
Em entrevista à ConJur, Adams disse que a busca por autonomia administra “está virando uma coqueluche”. No entanto, segundo o ministro, essa autonomia não tem sido usada na atividade-fim dos entes estatais, apenas para a concessão de benefícios. “É o exercício da finalidade da autonomia para fins internos.”
A nota da Anadef se refere à parte da entrevista em que o ministro fala diretamente da DPU: “Na Defensoria Pública da União, as resoluções que estão propondo são só para aumento, férias, salário, auxílio etc.”.
De acordo com a entidade, não há qualquer resolução administrativa da DPU que vise benefícios. Ao contrário, diz a nota, assinada pela recém-empossada presidente Michelle Leite, “os defensores públicos federais realizam trabalho extraordinário, por meio de plantões de sobreaviso durante o horário noturno, finais de semana e feriados sem qualquer contraprestação”.
A Anadef explica que conseguiu sua autonomia funcional e administrativa em 2013, por meio da Emenda Constitucional 74. Um ano depois, com a Emenda Constitucional 80, conseguiu que os projetos referentes à estrutura administrativa da DPU pudessem ser encaminhados ao Congresso por projeto de iniciativa do defensor-público geral da União.
E, ainda segundo a nota, a DPU até trabalha sem quadro pessoal próprio, “apenas conta com a colaboração de um pequeno número de servidores requisitados para a realização de atividades técnicas e administrativas de apoio”.
Leia a nota da Anadef:
Esclarecimentos sobre declarações do Ministro Luiz Adams:
Em relação à entrevista "Na prática, autonomia funcional só tem sido usada para buscar benefícios", publicada no portal Conjur, no dia 5 de julho, a Associação Nacional dos Defensores Públicos Federais (Anadef) esclarece que:
– A Defensoria Pública da União conquistou sua autonomia funcional e administrativa e a iniciativa de sua proposta orçamentária por intermédio da EC 74/2013, dez anos depois das Defensorias Públicas Estaduais.
– Por sua vez, no ano de 2014 foi promulgada a EC 80, que confere a iniciativa de lei ao Defensor Público-Geral Federal para tratar de normas referentes à estruturação da instituição. Além disso, a referida emenda estabelece que a União, os Estados e o Distrito Federal deverão contar com defensores públicos em todas as unidades jurisdicionais prazo de 8 anos.
– Implantada em caráter emergencial e provisório pela Lei 9.020/95, a Defensoria Pública da União até hoje não possui quadro de pessoal próprio, mas apenas conta com a colaboração de um pequeno número de servidores requisitados para a realização de atividades técnicas e administrativas de apoio.
– Não há qualquer resolução expedida pelo Conselho Superior da Defensoria Pública da União, órgão normativo colegiado da Defensoria Pública da União, que trate de aumento de salário ou férias dos defensores
– A autonomia possibilitou à instituição que aumentasse consideravelmente a realização de atendimentos itinerantes e mutirões carcerários, bem como a instalação de sedes em cidades do interior- somente este ano está prevista a inauguração de 10 novas unidades da Defensoria Pública da União.
– Esquece o i. Ministro que os defensores públicos federais realizam trabalho extraordinário, por meio de plantões de sobreaviso durante o horário noturno, finais de semana e feriados sem qualquer contraprestação e que tal obrigação foi recentemente regulamentada pelo Conselho Superior da Defensoria Pública da União.
– Também o órgão normativo superior da instituição editou recentemente resolução ampliando o conceito de necessitadopara que um maior número de cidadãos pudesse ter acesso aos serviços prestados pela Defensoria Pública.

Os defensores públicos imaginam que todos os cidadãos brasileiros são bobos. Ora, os vencimentos na defensoria pública são dos mais elevados vencimentos em TODO O MUNDO, superior aos agentes estatais de muitos países civilizados em idênticas ou assemelhadas funções. E isso foi conseguido mandando-se para o espaço o interesse dos assistidos.
A Anadef tem razão.
De fato, a autonomia da DPU não é usada "só" para trazer benefícios aos defensores. Ela é usada "principalmente" para trazer vantagem aos defensores, e por tabela alguma vantagem para os assistidos. São coisas diferentes.
Correta a Anadef.
Esta visão de esquerda de protecionismo estatizante é uma violação aos direitos humanos. Pelo fim do monopólio de pobre pela Defensoria, pois o pobre tem que ter a autonomia do direito de escolha.
A Autonomia Orçamentária é usada sim pela Defensorias Públicas, pelos Ministérios Públicos e pelo Poder Judiciário, para se concederem benefícios de diversas formas.
Basta ver os inúmero e indecentes "auxílios" criados nos últimos anos.
Ademais, os últimos beneficiados (e porque não dizer que se tem alguém que NÃO é beneficiado) são cidadãos contribuintes desse país, com essa farra de autonomias.
Agora, ou abrem a autonomia orçamentária e administrativa de vez pra todas as funções essenciais à justiça (AGU aí incluída) ou faz uma reforma severa e acaba com esse jabuti pra MP e DP.
Nesse ponto, o AGU tem toda a razão de criticar, porque, no fim das contas, o único poder que faz "ajuste fiscal" é o Executivo, enquanto o Judiciário, o MP, e a DPU aumentam seus gastos e orçamentos.
A Autonomia Orçamentária é usada sim pela Defensorias Públicas, pelos Ministérios Públicos e pelo Poder Judiciário, para se concederem benefícios de diversas formas.
Basta ver os inúmero e indecentes "auxílios" criados nos últimos anos.
Ademais, os últimos beneficiados (e porque não dizer que se tem alguém que NÃO é beneficiado) são cidadãos contribuintes desse país, com essa farra de autonomias.
Agora, ou abrem a autonomia orçamentária e administrativa de vez pra todas as funções essenciais à justiça (AGU aí incluída) ou faz uma reforma severa e acaba com esse jabuti pra MP e DP.
Nesse ponto, o AGU tem toda a razão de criticar, porque, no fim das contas, o único poder que faz "ajuste fiscal" é o Executivo, enquanto o Judiciário, o MP, e a DPU aumentam seus gastos e orçamentos.
A DPU é uma piada!
Tem autonomia orçamentária, mas quer ter gente de "apoio" do Poder Executivo. Ela que use "seu orçamento" pra fazer concurso próprio, tal qual MPU e PJU e f...
A DPU é uma piada!
Tem autonomia orçamentária, mas quer ter gente de "apoio" do Poder Executivo. Ela que use "seu orçamento" pra fazer concurso próprio, tal qual MPU e PJU e f...
Doutor, conte-nos mais sobre o modelo soviético-cubano de acesso à justiça.
É incrível como pessoas como o douto Advogado Geral da União, assim como os caros colegas que comentaram abaixo, demonstram opiniões perfunctórias acerca de assunto tão importante, como o que diz respeito ao direito à assistência jurídica gratuita.
Parecem desconhecer a verdadeira realidade dos Defensores Públicos e o que é feito em prol dos direitos humanos, por parte desta instituição.
Não é a toa que a EC nº 80/2014 determinou que em um prazo máximo de 08 anos, cada unidade judiciária deverá contar com pelo menos um Defensor Público. Determinação esta, que demonstra a real importância que detém a DP no que concerne à promoção dos direitos humanos àqueles que tanto necessitam, mas que tão pouco têm acesso à justiça.
E neste sentido é necessário se fazer uma comparação entre as carreiras públicas e desta forma compreender as disparidades que existem entre as mesmas. E nesta toada, cumpre afirmar que a DP é uma instituição que está em patamar abaixo de muitas outras do serviço público (salários, condições de trabalho e etc).
Portanto, uma instituição que detém um múnus tão imprescindível como tem a DP, não merece ser taxada de monopolizadora da pobreza. Pelo contrário, pois em verdade quem almeja tal desiderato são os governos assistencialistas que mantém estas pessoas em um cabresto ideológico e social e que nada fazem para diminuir as desigualdades sociais (dever este que é constitucional).
A função da Defensoria é atenuar a situação desigual destes indivíduos. E para tal é necessário autonomia, situação jurídica que vem deixando muitos descontentes, o que inclusive ensejou a ADI 5.296, ajuizada pelo Exmo. Sr. Min. Luis Inácio Adams, Adv. Geral da União, em nome da Ilma. Pre. da República, contra a autonomia financeira e administrativa.
O AGU pode até não ter se expressado de maneira tecnicamente impecável, mas acho que a DPU e seu conselho superior hão de confirmar as informações seguintes: (http://www.conjur.com.br/2015-mar-30/ca mara-aprova-reajuste-defensores-publicos -federais; http://www.dpu.gov.br/conselho-superior/ resolucoes/23998-20-10-2014-resolucao-n- 100-de-17-de-outubro-de-2014-bei; http://www.agu.gov.br/page/content/detai l/id_conteudo/310979;http://www2.camara. leg.br/camaranoticias/noticias/ADMINISTR ACAO-PUBLICA/489393-CCJ-APROVA-GRATIFICA CAO-POR-ACUMULO-DE-FUNCAO-NA-DEFENSORIA- PUBLICA-DA-UNIAO.html). Eis as comprovações de que a DPU têm sim se valido de sua recém conquistada autonomia para tentar se equiparar em remuneração aos escabrosos vencimentos do PJU e do MPU, inclusive embarcando na coqueluche do momento: os penduricalhos, a exemplo de auxílio-moradia, adicional de acumulação de ofícios etc. Vejo tudo isso com indignação!!!Como já disse um comentarista por aqui, o Estado brasileiro vive uma privatização dos bacharéis em Direito. Nunca vi um país em que os agentes públicos do Direito tenham tratamento tão bastardo como aqui. Com o discurso de "isonomia entre as carreiras jurídicas", querem a todo custo saquear os cofres públicos, quando o problema, na verdade, não é que os nobres colegas estejam ganhando pouco, mas que outros estão ganhando bem demais, o que deveria ser objeto de discussão, principalmente no que toca aos penduricalhos que têm sido usados como pretexto para elevação dos vencimentos.
Você precisa estar logado para enviar um comentário.
Fazer login