Procurador chama de “infundadas” críticas a advogados grampeados

O procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, membro da força-tarefa da operação “lava jato”, classificou, nesta quarta-feira (30/3), de “infundadas” as críticas de advogados às interceptações dos telefones do defensor de Lula Roberto Teixeira e do escritório dele, o Teixeira, Martins e Advogados, mas reconheceu que “o direito de espernear é livre”.   

“Acho que as críticas são infundadas. O direito de espernear é livre. No caso da específica interceptação de escritório, nós temos que lembrar que esse número de escritório estava na Receita Federal e em outras fontes abertas como sendo de uma empresa pertencente a um dos investigados [a Lils Palestras, Eventos e Publicações, empresa de Lula]. Então, não é exatamente um escritório de advocacia. E se era um escritório de advocacia, nenhuma informação foi revelada, foi descartado todo o material, como tem que ser se não há interesse para a investigação. Então, não vejo nenhum problema com o que aconteceu. Não existe direito absoluto no Brasil — nem o do advogado”, apontou o membro do Ministério Público Federal em evento na Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham), em São Paulo.

No pedido de quebra de sigilo de telefones ligados ao ex-presidente, os procuradores da República listaram o número central do Teixeira, Martins como se ele fosse da Lils, e o juiz federal Sergio Moro autorizou a medida. Embora Santos Lima tenha reforçado a alegação de que o MPF se enganou e não quis induzir Moro a erro, a ConJur checou que qualquer busca no Google com o telefone indicado trazia como resultado o escritório Teixeira, Martins. A redação também ligou para o número e ouviu a gravação que começa com a seguinte frase: “Você ligou para Teixeira, Martins e Advogados”.

Segundo o membro da força-tarefa da “lava jato”, o telefone central da banca é que foi grampeado, não seus 25 integrantes, e isso não afetou a defesa de Lula. “Você grampeou o telefone que foi informado e que deve ser um PABX. Portanto, não grampeamos 25 advogados. Havia 25 advogados nos ramais desse telefone. E não eram advogados do presidente. Portanto, não grampeamos advogados do presidente.”

Além disso, Santos Lima argumentou que a interceptação do celular de Roberto Teixeira se justifica porque ele também é investigado no caso.

Em ofício enviado ao Supremo Tribunal nessa terça-feira (29/3), Sergio Moro confirmou que autorizou que o celular do advogado fosse grampeado, mas disse não saber das interceptações telefônicas do Teixeira, Martins. Ele também disse que ninguém reclamou dessa medida na 13ª Vara Federal de Curitiba. Contudo, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil havia enviado um ofício ao juiz da “lava jato” no dia 21 de março requerendo informações sobre a quebra de sigilo da banca.

Cristiano Zanin Martins, sócio de Teixeira, destacou que as duas hipóteses são ruins: tanto a de que Moro sabia que estava grampeando o escritório quanto a de que não sabia. No primeiro caso, estaria violando a Lei 8.906/1994, que prevê a inviolabilidade da comunicação entre advogado e cliente. No segundo, não teria cumprido a sua obrigação de verificar o que está sendo pedido antes de decidir nem a Resolução 59 do Conselho Nacional de Justiça, segundo a qual o juiz, ao permitir interceptações, deverá detalhar “as diligências preparatórias realizadas, com destaque para os trabalhos mínimos de campo, com exceção de casos urgentes, devidamente justificados, em que as medidas iniciais de investigação sejam inviáveis”.

Defesa da publicidade
Carlos Fernando dos Santos Lima também defendeu Sergio Moro pela divulgação de conversas de Lula com Dilma e outros políticos, lembrando que o MPF pediu o levantamento do sigilo das gravações. “Não há nada de irregular na decisão de Moro. Uma decisão judicial é cumprida, gostem ou não. E o recurso é o remédio. Não houve abuso algum. A tentativa de criminalizar o juízo é uma tática política, mas não pode a política contaminar o Judiciário.”

Ele garantiu que o juiz não tem “nenhuma ligação com nenhum partido político” e que afirmações de que ele seria ligado ao PSDB por comparecer a eventos organizados por João Dória — que concorrerá à Prefeitura de São Paulo pela legenda — são fruto de uma “guerra de mídia, de blogs, de internet que não tem o menor sentido”.

O procurador ainda ressaltou que nem o MPF nem Moro nem a PF agem de forma política, mas seus atos também produzem efeitos nessa esfera. “Nossas decisões não são políticas, mas sabemos que têm consequências políticas — seja quando faço ou deixo de fazer. Então, não fazer também teria consequências políticas, e poderia gerar críticas”, avaliou.

E a campanha do MPF pela aprovação de 10 medidas de combate à corrupção é uma atividade “plenamente legítima” e sem objetivos políticos, garantiu Santos Lima, sustentando que a entidade deve agir para proteger a democracia e a sociedade.

Compliance como atenuante
Para Carlos Fernando dos Santos Lima, os magistrados brasileiros deveriam seguir a jurisprudência norte-americana e considerar a existência e efetividade de um programa de compliance empresarial um atenuante para crimes praticados por executivos.

Em sua opinião, os órgãos estatais têm que buscar preservar os empregos das empreiteiras envolvidas na “lava jato”, mas não a riqueza das famílias que são donas delas, uma vez que isso passa uma imagem de tolerância com a corrupção.

Inexperiência do STF
No mesmo evento, Santos Lima afirmou que a prerrogativa de foro por função facilita a corrupção, pois o STF “não é um órgão que saiba julgar processos penais”. Segundo ele, que considera o mecanismo um "privilégio", a corte demora muito para julgar crimes, o que acaba levando à prescrição de muitos deles.

Sérgio Rodas

é editor da revista Consultor Jurídico no Rio de Janeiro.

ju2 disse:
30 de março de 2016 às 15:54

CPI do Banestado investiga conduta de procurador que apura ...

www.istoe.com.br/reportagens/13447_AS+PROVAS

28/03/2016 · ... Vera Márcia dos Santos Lima, então mulher do procurador da República do Paraná, Carlos Fernando dos Santos Lima, trabalhava no Banestado, ... Santos ...

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jornalggn.com.br/tag/blogs/Banestado<br/>
Procurador Santos Lima, casado com ex-funcionária do Banestado, tentou barrar quebra de sigilo de contas suspeitas. ... Sua esposa, Vera Lúcia dos Santos Lima, ...

Marcelo-ADV disse:
30 de março de 2016 às 16:16

Citação: “Uma decisão judicial é cumprida, gostem ou não”.

Como manifestação de poder, de fato, uma decisão judicial é cumprida, gostem ou não. Entretanto, ao menos para os que acreditam no Estado de Direito, uma decisão jurídica não é apenas poder. Justamente por ser jurídica deve ser legítima, e é legítima quando respeita o núcleo moral da Constituição (direitos fundamentais) e a Ética da legalidade.

Contestar-se apenas com o fato de ser uma decisão judicial (e aí ser cumprida, gostem ou não), como parece ser o caso, mostra que, na prática, nunca superamos o “governo de homens” pelo “governo das leis”, ou seja, o Estado de Direito não existe.

Além disso, a constante violação da legalidade, sob o argumento de que basta uma decisão judicial, gera o atual estado de anomia, uma ausência total de segurança jurídica, previsibilidade, pois o direito é qualquer coisa, basta decidir, gostem ou não.

É possível, porém, imputar qualquer coisa ao Estado (Estado-juiz)? Se nenhum direito é absoluto, então também não há o direito absoluto de decidir qualquer coisa, de dizer qualquer coisa e de criar novas regras sem nenhuma limitação.

O argumento “nenhum direito é absoluto” vale para todos, ou estão defendendo que há direitos absolutos para alguns, pois a função jurisdicional é absoluta? Podem decidir como quiser, quando quiser e do jeito que quiser, pois deve ser a decisão judicial cumprida, gostem ou não.

ju2 disse:
30 de março de 2016 às 16:45

Anotação em documento liga herdeira da Globo diretamente a três empresas offshore, uma delas a Vaincre, dona da mansão de Paraty

Do Garganta Profunda

Uma anotação manuscrita no que parece ser o controle de uma conta bancária liga diretamente Paula Marinho, filha de João Roberto Marinho e herdeira do Grupo Globo, à Vaincre LLC, empresa offshore baseada em Nevada, nos Estados Unidos, que é uma das donas da mansão de concreto na praia de Santa Rita, em Paraty.

Em mensagens enviadas a blogs, João Roberto sustentou que a filha não tem relação com a casa, nem com nenhuma das empresas ligadas à mansão ou ao ex-marido dela, Alexandre Chiappetta de Azevedo.

Porém, a anotação na página 17 do documento de apreensão número 9 levanta dúvidas sobre esta versão.

O nome de Paula, uma das netas preferidas do patriarca da família, Roberto Marinho, aparece ao lado de três pagamentos feitos à Mossack & Fonseca, empresa panamenha especializada em criar empresas laranja.

http://www.conversaafiada.com.br/pig/azenha-afoga-paula-marinho-em-paraty

Fernando José Gonçalves disse:
30 de março de 2016 às 22:38

IMEDIATAMENTE após o fato, e até no dia seguinte por volta das 12 horas, quem se deu ao trabalho de fazer uma simples pesquisa na Internet "FONE EMPRESAS.COM" pode ver claramente que o número do aparelho interceptado constava como sendo da "LILS PALESTRAS" e não do escritório de advocacia que teimosamente o CONJUR insiste em defender (e talvez o faça porque foi verificar isso dias depois do ocorrido, quando já se mudara o nome do titular). Portanto, das duas uma: ou maliciosamente se manteve esse fone do escritório "listado" como sendo da LILS (para justamente se alegar o que agora bradam) ou realmente esse escritório "meia boca" divide o seu telefone com os "malacos" , seus clientes, o que de todo é absolutamente inaceitável, condenável, imoral, anti-ético e JAMAIS se afina com atitudes legítimas da nossa categoria, no dia a dia da lida.

Advogados e seus escritórios, s.m.j. , não partilham do mesmo telefone com bandido e, se eventualmente o fizerem, NÃO PODERÃO RECLAMAR DE ABSOLUTAMENTE NADA, DEPOIS. Não pode misturar as coisas não !

Pek Cop disse:
31 de março de 2016 às 07:20

Aprendi um pouco mais nesse artigo, nas opiniões vejo uma tal Vera que é motivo de uma seria investigação e que alguns advogados misturam suas particularidades profissionais com clientes bandidos, liberando telefone achando que são blindados e estão acima das leis, não deveriam se envolver de tal maneira misturando réu com a defesa!!!!

Dr. Clevenon Alves disse:
01 de abril de 2016 às 17:23

O pior é saber que esses caras depois que aposentam vão bater na porta da OAB para pedir sua inscrição como advogados (Vide o Dr. Antõnio Fernando de Souza - Ex-Procurador Geral da República no caso do mensalão e hoje advogado de Eduardo Cunha). Será que nesse momento terão a mesma opinião quanto aos referidos grampos?

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